Pokémon: TLD - Capítulo 17: Diplomas Não Vencem Batalhas
Eram 8:30 da manhã. Ash, Serena,
Brock e Misty - que agora havia se juntado oficialmente ao grupo - estavam
reunidos na saída de Cerulean, prontos para retomar a viagem.
Após a intensa batalha de
Ginásio, o palletiano havia se permitido aproveitar um pouco mais o restante da
cidade junto de seus amigos, tendo Misty como guia. Cerulean mostrara muito
mais do que apenas seu famoso ginásio, e os dias passados ali haviam sido os
mais tranquilos desde que começaram a jornada.
Nerida decidira acompanhá-los até
a saída da cidade para desejar-lhes uma boa viagem - principalmente à filha.
Afinal, as duas não se veriam por um bom tempo.
— Tome cuidado com os tipos
Inseto, meu amor! Eles são bem comuns nas rotas adiante — comenta a mulher, com
um brilho travesso no olhar.
— Para de tentar me assustar,
mãe! Isso não tem graça! — protesta Misty, o rosto assumindo um leve tom
azulado.
Ash e os demais acabam por rir da
situação, logo acompanhados pela própria Nerida. Depois de alguns instantes,
porém, a jovem ruiva parece perceber algo.
— Ué? As minhas irmãs não vieram?
— Elas recusaram. — responde
Nerida com simplicidade. Misty apenas suspira; no fundo, já esperava por aquilo
— Se quer minha opinião… — continua a mulher, com um pequeno sorriso — acho que
elas estavam com vergonha.
Sem saber bem como responder,
Misty apenas aceita. Ninguém comenta nada; deixam a garota entregue aos
próprios pensamentos. No fundo, ela gostaria de ao menos ter se despedido das
irmãs, mesmo que a relação entre elas estivesse longe de ser das melhores.
— De qualquer forma… — Nerida
quebra o silêncio que havia se instalado — faça bom uso do presente que te dei.
— Eu vou, pode confiar! —
responde Misty, sorrindo enquanto ajeita a mochila. Dentro dela, bem guardado
em um dos compartimentos maiores, estava o presente: uma incubadora contendo um
ovo.
— Claro que confio! — Nerida
sorri, visivelmente aliviada por saber que aquilo estava em boas mãos. — Se
cuida, filha.
— Não precisa se preocupar, mã...
— Misty começa, mas é interrompida.
A atitude de Nerida a pega de
surpresa: a mulher simplesmente a envolve em um abraço.
— Quando você voltar, vamos
passar horas conversando sobre a sua viagem. Pode anotar o que eu tô dizendo. —
a voz da mulher soa calma, mas carregada de emoção.
A reação ainda surpreendia Misty.
Ela não esperava algo assim vindo da mãe.
Ainda assim… retribui o abraço.
Não se lembrava da última vez que
se abraçaram, mas a sensação… era reconfortante.
Ash e os outros apenas observam a
cena com sorrisos discretos. Era um momento que pertencia só às duas.
Depois de alguns minutos, Nerida
se afasta, libertando a filha. Misty a encara por um instante, sorrindo em
seguida.
— Boa viagem, querida.
— Obrigada, mãe.
Após a breve troca, Misty se
junta ao grupo, no que eles finalmente retomam a jornada.
Eles caminhavam por um tempo, até
que...
— CUIDEM BEM DA MINHA MENINA,
TÁ?! ELA PODE PAGAR DE INDEPENDENTE, MAS AINDA É BEM IMATURA PRA ALGUMAS
COISAS! — grita Nerida, quando eles se afastaram há uma distância considerável.
— PODE DEIXAR! / A GENTE CUIDA
DELA! / PIKAPI!!! — Serena, Ash e Pikachu, respectivamente, respondem animados,
sem interromper o passo.
— MÃE, PARA DE DAR IDEIA ERRADA
PRA ELES!!! — protesta Misty, claramente contrariada.
Brock apenas ri da situação. Pelo
visto, a viagem prometia ficar ainda mais animada.
Quando o quarteto finalmente
desaparece de seu campo de visão, a matriarca Waterflower baixa o braço
devagar. Seu olhar permanece na direção em que a filha partiu, agora tomado por
uma melancolia silenciosa.
Havia mais coisas que queria
dizer… mas, no fim, lhe faltou coragem.
Ela abaixa o olhar, guardando
para si a promessa de que, quando se encontrassem novamente, falaria tudo. Era
algo que precisava fazer.
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Enquanto
caminhavam, Ash para por um instante para se espreguiçar, sendo acompanhado por
Pikachu.
— Aaaaaaah,
finalmente de volta a estrada! Tava com saudades dessa sensação. / Pikapi!
Serena apenas
sorri ao observar aquilo - gostava de ver o palletiano tão animado. Em seguida,
aproxima-se de Brock, que seguia alguns passos adiante.
— Pra qual
cidade vamos agora, Brock?
— Bem… — o
moreno mais velho observa o mapa da região com atenção minuciosa — a cidade
mais próxima com um Ginásio é Vermillion. Fica a cerca de 25 quilômetros de
Cerulean.
— Então é
pra lá que a gente vai! — Ash abre um sorriso, enquanto Pikachu retorna ao seu
ombro.
— Quer
dizer que a gente vai andar 25 quilômetros inteiros a pé?! Tá de sacanagem,
né?! — Misty trava por um instante, torcendo para que fosse uma piada de mal
gosto.
— Ué? Você
resolveu viajar com a gente sem estar preparada pra isso? — Ash ergue uma
sobrancelha, encarando a ruiva como se ela fosse algum tipo de anomalia.
— Sempre
que eu viajava, eu ia com minha bicicleta. Eu achei que vocês fossem alugar uma
em Cerulean! — irritada, Misty reclama. — “Aaai! Por que diabos eu fui
esquecer a minha?!”
— A gente
não precisa ir pra Vermillion direto, Misty. — Brock a tranquiliza. — Podemos
fazer algumas paradas pra descansar no caminho.
A ruiva
solta um suspiro derrotado. No fim das contas, não tinha muita escolha.
— Vamos
parar de enrolar e ir logo, pessoal! Antes que uma certa pessoa chegue lá antes
de mim! — apressa Ash, retomando a caminhada. Ele não pretendia deixar Gary
manter a dianteira para sempre.
Os outros
logo o seguem, conversando sobre coisas triviais enquanto avançam.
Mais atrás,
Misty diminui o passo e se vira uma última vez. Ao longe, ainda era possível
ver algumas das estruturas mais altas da sua cidade natal.
— “Até
mais, Cerulean… Quando eu voltar, vou estar muito mais forte. Eu prometo” —
pensa, resoluta.
Era o
início de uma nova etapa em sua vida. Novas portas se abririam, desafios
maiores surgiriam… mas, ela estava pronta para enfrentá-los de frente, não
importa o que viria.
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Depois de caminharem por mais algumas horas, o
grupo decide fazer uma pausa para descansar - em parte pelas constantes
reclamações de Misty, que já demonstrava cansaço evidente, o que era estranho
já que ela vinha de uma família de nadadoras profissionais, mas, segundo ela,
nadar e caminhar por longas horas eram exercícios totalmente diferentes. Mas,
além disso, a parada também servia para revisar os suprimentos. Eles já haviam
comprado o suficiente antes de sair de Cerulean, ainda assim, uma conferida
nunca era demais.
Brock monta
a pequena mesa retrátil que carregava na mochila, e, em pouco tempo, já servia
o grupo com uma de suas refeições caprichadas. Em seguida, distribui também uma
ração de alta qualidade para os Pokémon.
Elogios
pareciam insuficientes para descrever o sabor da comida que ele preparava -
restava apenas aproveitar… e repetir sempre que possível. Principalmente para
Ash e Pikachu, que, sem dúvida, eram os que mais se empolgavam com aquilo.
Ainda
assim, algo permanecia na mente não só de Ash, mas também de Brock e Serena…
— Escuta,
Misty! Não tive a chance de perguntar antes… onde você estava mesmo, antes da
gente se conhecer? — indaga o palletiano. — Parecia ser algo importante.
Serena e
Brock interrompem a refeição, atentos. A curiosidade era compartilhada.
— Eu não
contei pra vocês? — pergunta Misty.
Ash e os
outros dois balançam a cabeça em negativa, o que faz a ruiva abrir um sorriso
de orelha a orelha.
— Ilhas Kanavia? Onde fica isso?
— pergunta Ash, lançando um olhar para Brock em busca de resposta.
— As Ilhas Kanavia fazem parte de
um conjunto de ilhas que integra o Arquipélago Sevii, aqui em Kanto. — explica
Brock. — Mas já faz um bom tempo que ninguém explora aquela área.
Quando era mais novo, ele se
lembrava de ouvir bastante sobre as Ilhas Kanavia nos jornais. Com o passar dos
anos, porém, os viajantes passaram a voltar sua atenção para regiões vizinhas,
deixando o local de lado - em grande parte por se tratar de uma ilha pequena.
— E quem foi dar palestra lá? —
pergunta o aspirante a criador, voltando o olhar para Misty.
A ruiva apenas amplia o sorriso.
— Que bom que perguntou, Brock. —
responde, assumindo uma postura grandiosa de animação — Foi uma palestra da
grande Lorelei! A rainha dos tipos Água e Gelo… e a mulher mais incrível do
mundo!
A súbita explosão de empolgação,
típica de uma fã histérica, pega Ash e Serena de surpresa. Nenhum dos dois
imaginava ver esse lado tão exaltado da garota. Estrelas se formaram nos olhos
da ruiva, então essa deveria ser a maior modelo da mesma, sem sombra de
dúvidas.
— Mas… quem é Lorelei mesmo? —
passada a surpresa inicial, Serena se permite perguntar, piscando algumas vezes
em confusão.
— Eu acho que já ouvi esse nome
em algum lugar… mas onde? — Ash apoia os dedos no queixo, tentando puxar a
lembrança. Ainda assim…
— Kukukuku… — a risada suspeita
de Brock interrompe os pensamentos dos dois. E ao olharem para ele, encontram
um sorriso enigmático estampado em seu rosto, até um tanto conhecedor. — Me
impressiona vocês não saberem de quem este nome se trata.
— Vai ficar fazendo suspense ou
vai refrescar nossa memória logo?! — rebate Ash, já impaciente.
Brock mantém o sorriso por mais
um instante antes de responder:
— Maris Lorelei Winterfell! Uma
das Elite Four de Kanto… e também a embaixadora do Arquipélago Sevii! A Treinadora
mais poderosa dos tipos Água e Gelo do mundo inteirinho!!!
Como um bobo apaixonado, Brock
despejava todo o seu conhecimento sobre Lorelei, o que deixava Ash e Serena
visivelmente surpresos. Misty, por outro lado, nem se dava ao trabalho de
prestar atenção - estava ocupada demais relembrando, empolgada, o quão incrível
havia sido a palestra.
Eram estímulos demais para a
dupla mais jovem acompanhar ao mesmo tempo.
Naquele instante, toda a aura de
maturidade e seriedade que Brock costumava transmitir simplesmente desmoronava
diante daquele lado inesperado.
— Huh? Ahem! — percebendo os
olhares voltados para si, Brock rapidamente se recompõe. — Bom… sendo justo com
vocês, acho que merecem conhecer a beldade da qual estamos falando.
Dizendo isso, o ex-Líder retira
um álbum de fotos da mochila e o abre em uma página específica, revelando
imagens da mulher em questão que tanto admiravam.
Era uma mulher de longos cabelos
avermelhados, usando óculos elegantes que acentuavam sua expressão madura. Cada
imagem uma roupa mais bela e chamativa. Havia, em suas poses, um equilíbrio
entre classe, confiança e uma sensualidade sutil.
— Nossa… ela é… bonita pra
caramba mesmo. — Ash comenta, um pouco sem jeito, percebendo que toda aquela exaltação
não era exagero. De fato, poucas mulheres poderiam se comparar àquela Lorelei.
Serena, ao lado, faz um leve bico
de aborrecimento ao notar o encantamento do garoto - embora, no fundo, tivesse
que admitir: ela era, de fato, incrivelmente linda.
Por outro lado, um pequeno detalhe chama a
atenção de Misty…
— Essas fotos… são de quando ela
posou pra revistas de moda. — observa a ruiva, lançando um olhar desconfiado
para Brock — Você guarda esse tipo de coisa em um álbum?
— Não seja tão simplista, Misty!
— rebate Brock — Eu tenho registros de diversas belezas conhecidas pelo mundo
nesse álbum. — ele folheia o objeto, sendo possível identificar diversos nomes
e fotografias em algumas páginas — Digamos que sou um… grande apreciador de
belas damas.
A pose galanteadora que ele tenta
sustentar arranca reações silenciosas dos outros. Uma gota imaginária parece
surgir em suas cabeças. Até Misty precisa admitir: às vezes, ele exagerava.
— Bom… pelo menos você aproveitou
sua experiência com a sua ídola. Fico feliz por você, Misty! — Serena decide
trazer a conversa de volta ao ponto principal, sorrindo para a nova amiga.
— Obrigada! — responde a Treinadora
aquática, retribuindo o sorriso — A ideia dessa palestra era justamente atrair
mais turistas para as Ilhas Kanavia, já que o lugar acabou sendo deixado de
lado. E, considerando a influência da senhorita Lorelei… acho que isso vai
acontecer.
— Olha, o papo tá muito bom, mas
acho melhor a gente voltar a comer. Além do mais, tenho que revisar minha
equipe. / Pikapi. — diz Ash, voltando a atenção para o prato. Pikachu balança a
tigela, deixando claro que queria repetir - e os outros Pokémon pareciam pensar
o mesmo.
— Uma equipe de três Pokémon é
bem fácil de revisar. — comenta Misty, com um sorriso torto, claramente
provocando.
— Cala a boca, Misty, e não
atrapalha minha refeição! — rebate Ash, virando o rosto, contrariado.
A reação arranca risadas de
Serena e Brock. Ao que tudo indicava, a dinâmica do grupo havia ganhado um novo
tipo de energia.
Brock decide preparar mais
algumas porções para os Pokémon, agora com a ajuda de Serena, enquanto Ash e
Misty continuam a trocar provocações - não de forma agressiva, mas com um tom
competitivo constante.
Qualquer um que os observasse
perceberia: uma nova batalha entre os dois podia acontecer a qualquer momento.
3 dias depois... – 13:20 da tarde
Durante
o trajeto rumo a próxima cidade, Vermilion - com algumas paradas para descanso,
todas a pedido de Misty - a ruiva rapidamente se adaptou ao grupo. Mesmo com
poucos dias de convivência, a sensação era de que já se conheciam há muito mais
tempo.
Serena
acabou se dando melhor com Misty do que imaginava. Parte disso vinha do fato
de, finalmente, ter outra garota com quem conversar, já que a ruiva não tinha
uma convivência tão próxima com as próprias irmãs.
Com
Ash, por outro lado, era possível notar uma rivalidade amistosa se fortalecendo
a cada momento, mesmo com algumas discussões leves. Ainda assim, Misty se
mostrava uma excelente parceira de treino - algo que o moreno já havia
comprovado por conta própria. Para Brock, a presença de outra ex-Líder de
Ginásio, mesmo que ela não tenha totalmente largado o ofício, também
representava uma valiosa troca de experiências.
Misty
passou a cuidar diariamente do ovo que recebera da mãe, polindo-o com atenção e
realizando outros pequenos cuidados, sempre com a ajuda dos novos amigos.
Ash
chegou a perguntar qual Pokémon nasceria dali, mas, considerando o tom de azul
vibrante da casca, Brock afirmava que poderia ser qualquer tipo Água. Até o
momento da eclosão, continuaria sendo um mistério.
De
qualquer forma, Misty estava ansiosa. A expectativa por um novo parceiro
aquático se misturava à empolgação com tudo o que ainda descobririam naquela
jornada.
Entretanto,
durante o trajeto, algo estranho ocorre: eles se depararam com uma enorme
neblina, que cobria boa parte da área.
—
Nossa, mas essa neblina veio do nada. / Pikapika. — Ash falava, e Pikachu
também estava intrigado, pois durante aquela manhã, o dia estava aparentemente
normal.
—
Ei, Brock, será que estamos realmente indo pelo caminho certo? A gente já tá
andando há bastante tempo, mas não vimos nenhum sinal de um Pokémon Center. —
Misty indagava com preocupação aparente, enquanto segurava a incubadora que
acabara de polir.
—
Hum... — Brock começa a averiguar o mapa que carregava em suas mãos
cuidadosamente.
—
E então, Brock? — Serena pergunta, curiosa e ao mesmo tempo receosa da
resposta.
—
... bem, por incrível que pareça... eu não faço a mínima ideia. — O comentário
inesperado de Brock fazem o resto do grupo cair para trás.
—
O QUÊ?! — Todos gritam em uníssimo.
—
Impossível! Você é o nosso guia, Brock, como raios nos perdemos? — Misty berrava
incrédula.
—
B-bem, a estrada que estávamos trilhando é essa aqui que o mapa mostra.
Entretanto, o caminho que fizemos provavelmente foi alterado quando começamos a
percorrer dentro da neblina. — Brock tentava se justificar para uma Misty
zangada.
—
Tch! Se não tivéssemos virado a direita por conta de certas pessoas,
provavelmente já estaríamos chegando em Vermillion nesse ponto.
—
E-ei! Tá dizendo que a culpa disso tudo é minha?! — Exclama Ash irritado.
—
Bem, se a carapuça serviu? — Misty provoca com as mãos na cintura.
—
Grr... — Ambos os dois encaravam-se com raiva.
—
Pessoal, vamos nos acalmar, por favor? O que aconteceu já aconteceu! Não
adianta brigarmos entre nós. — Serena intervém entre os dois, os fazendo virar
a cara aborrecidos.
—
Serena tem razão! Ao invés de ficarmos brigando, deveríamos nos concentrar em
encontrar uma saída daqui. — Brock fala, tentando apaziguar o clima.
Com
isso, ambos os dois acalmavam os ânimos. Eles sabiam muito bem que uma
discussão ali não os levaria a lugar algum.
—
Na verdade, acho que seria bom fazermos uma pausa para um almoço. O que acham? —
Sugeria Brock.
—
É uma ótima ideia. Já estamos andando há bastante tempo. Vai ser uma boa forma de
recuperar as forças. — Serena concordava com um sorriso aliviado. Suas pernas
já estavam começando a doer.
—
Eu concordo. Eu também já estava ficando com fome. / Pikaaa! — Comentou Ash com
Pikachu o secundando.
—
Bem, não há como discordar. Uma pausa realmente valeria a pena agora. — Misty
concordava, ainda um pouco descontente.
Com
isso, Brock começa a retirar da mochila seu kit de culinária que usara para
viagens. Após retirar o que precisava, o membro mais velho do grupo se recorda
de algo.
—
Ok. Agora vamos precisar de lenha pra esquentar a comida. Como eu vou precisar
ficar de olho nas panelas, um de vocês vai procurar.
—
Muito bem então, Ash. Você pode ir na floresta pegar a lenha pra gente. — Misty
falou casualmente.
—
Ei, espera aí! Porque eu tenho que ir só por que você simplesmente decidiu por
si mesma? — Ash contestou, não gostando nem um pouco daquela ordem.
—
Bem, Ash. Como pode ver, eu preciso tomar conta do ovo. Além disso, eu sou uma
garota, e esse tipo de tarefa deveria ser feita por um cavalheiro. Então, por
favor, faça esse favorzinho, vai? — Falou Misty, de forma um tanto provocativa.
—
Olha, primeiro, a diferença de idade entre nós é de apenas um ano, o que não
faz tanta diferença. E segundo, pelo que eu sei, cavalheiros protegem princesas
e não dragões. — Respondeu Ash, virando o rosto. Era evidente o sarcasmo em seu
tom.
O
riso de Serena escapou de forma desajeitada, quase como se ela tivesse tentado
engolir a gargalhada e falhado no processo.
—
O-O QUE?! O QUE FOI QUE VOCÊ DISSE? — Esbravejou a ruiva, apertando os punhos.
Para
ela, ser chamada de “dragão” era algo inadmissível. Por mais que não fosse tão
vaidosa em comparação com suas irmãs, ela também tinha amor-próprio e se
importava com sua beleza. Essa fora uma das poucas vezes que sentia-se tão
ofendida.
—
Eu não citei o nome de ninguém, mas... se a carapuça serviu... — Disse Ash
dando de ombros com um sorriso zombeteiro.
Misty caminhou até o garoto de Pallet, com uma expressão de poucos amigos. Ash
também não recuou e virou-se para encará-la também com o rosto mal humorado.
—
Hunf! Para um garoto tampinha, pelo visto, a única coisa que tem é uma boca
grande! — Ofendeu a ruiva.
—
É para uma tábua, a única coisa que tem é ser arrogante! — Contra-atacou o
garoto.
—
Grrrr... — faíscas cintilavam no olhar um do outro, com chamas em suas pupilas
prestes a explodir – parece que o estresse por estarem perdidos realmente os
consumiu.
—
Ei, ei! Vamos parar com isso! — Bradou Brock descontente com aquela briga sem
sentido. — Ash, a Misty está certa. Por ela estar com o ovo, é melhor que ela
fique tomando conta dele. Então, você é o mais adequado pra situação.
—
Entendi... tá legal. Eu vou indo lá
buscar lenha. Melhor do que ficar com briguinha boba de qualquer forma. —
Expressava um Ash cabisbaixo, mas aceitando a derrota, virando-se para andar em
direção a floresta junto com Pikachu em seu ombro, que tentava confortá-lo.
Serena,
vendo Ash seguir sozinho floresta adentro, olhava para o amigo com uma
expressão de quem não desejava ficar só ali esperando.
—
E-ei, Ash, espere por mim! Eu vou junto! — Gritava Serena, correndo para
acompanhá-lo.
Aquela
decisão fez o palletiano olhar com curiosidade. Misty, por um lado, não
entendeu o motivo daquela atitude repentina de Serena. Brock, do contrário,
entendia tudo, e apenas sorriu com aquilo.
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Ash
e Serena vagavam pela floresta em busca de lenha para a fogueira, o que
mediante a situação atual, não se mostrava uma tarefa fácil.
A
dupla então se recordara dos ensinamentos úteis da Pokémon Academy e estavam
aplicando na prática. Em uma das aulas de campo, ambos aprenderam dicas de
sobrevivência básicas em viagens, e uma delas era que, para se fazer uma
fogueira, encontrar galhos secos era essencial. Precisavam evitar galhos verdes
– por conta de sua umidade, produzem muito fumaça, dificultando tudo.
Os
dois já haviam encontrado alguns propícios. Entretanto, devido a neblina, a
tarefa que deveria ser um tanto simples, estava exigindo um esforço maior do
que o necessário, sem falar que eles tentavam ao máximo não se afastar muito do
local onde haviam feito o acampamento.
—
Caramba. Essa neblina tá sendo um pé no saco. Como é que vamos achar gravetos
se não conseguimos nem ao menos enxergar direito o que tem ao nosso redor? / Chuu! — Falava Ash, que junto de Pikachu,
se demonstravam incomodados com a situação.
—
É verdade! Pra ser sincera, acho que é um milagre termos encontrado alguns no
meio desse nevoeiro. — Concordava Serena, que se agachava para apanhar mais
alguns galhos secos.
Ash
olhava para a amiga, que mesmo com aquele clima incômodo, ela não parecia
descontente. Pelo contrário, Serena aparentava estar... feliz.
—
Ei, Serena. Obrigado por ter vindo, mas pra ser sincero, você não precisava,
sabe? — O rapaz dizia, com um leve sorriso.
—
B-bem, é que... eu não queria te deixar sozinho aqui. — Serena falava, enquanto
se levantava e entregava os gravetos para o garoto de Pallet. — Mas é claro que
eu tenho que pontuar que, você não devia ter ofendido a Misty daquela forma,
Ash.
—
Sim, é verdade... — Comentou o rapaz. Ele sabia que não precisava ter jogado
mais gasolina no fogo. — Acho que a culpa por termos desviado do caminho me
deixou estressado, aí eu só descontei essas frustrações nela.
—
Eu entendo... Entretanto, eu acho que não foi totalmente culpa sua aquela
discussão ter rolado, afinal, ela te provocou primeiro. Afinal, naquele
momento, você estava apenas devolvendo na mesma moeda, o que é de certa forma
compreensível. Ainda assim, vocês devem aprender a se darem bem, tanto você
quanto ela. Afinal, por conta da batalha que vocês travaram, acho que deviam se
tratar com mais respeito. — Aconselhou a amiga, com uma voz branda, mas sem
tirar a seriedade.
Ash
ficou impressionado com as palavras de sua amiga de infância. Não eram tão
duras quanto as broncas que levava de Leaf, mesmo que às vezes ele merecesse.
Ela estava sendo sincera para com a situação de ambos os lados, e estava agora
aconselhando seu amigo, pontuando sobre seus erros e o que ele deveria
melhorar. Ela realmente não era mais a menininha chorona que um dia fora na
época do acampamento.
Depois
de tais palavras, Ash esboçou um leve sorriso.
—
Hahaha... você está certa. Eu prometo me desculpar com ela depois. — declara
Ash — Sabe, Serena, você é realmente uma pessoa bem madura, sabia?
—
H-hein?! M-madura?! E-eu?! — Gaguejava a kalosiana, enquanto seu rosto tomava
um tom rubro, pois não esperava tal “ataque surpresa”.
—
É sim! Você é bem diferente da Leaf nesse quesito. Por exemplo, se fosse a
Leaf, ela me daria uma bronca daquelas por vários minutos que faria meu ouvido
ficar zunindo por horas. — Comentava o rapaz, rindo um pouco de algumas
lembranças.
—
H-haha... de fato, eu imagino bastante ela fazendo algo assim pelo pouco que
conheci dela. — Dizia Serena, que ria junto do rapaz, tentando esconder o
constrangimento.
Ambos
os dois começavam a ficar mais à vontade perante aquela situação. Para Ash, era
reconfortante ter alguém ao qual se importava com ele dessa forma, mas que
também era responsável e sabia avaliar uma situação de forma crítica. Aquele
foi mais um dos motivos pelo qual ele ansiou tanto por viajar com a caramelada.
Andando
mais uns minutos na esperança de conseguir um pouco de lenha derradeiro, algo
chama a atenção da dupla. Era uma espécie de brilho amarelado ao qual, por
conta da neblina, era difícil distinguir o que era.
—
Ei, o que é aquilo? — Apontou Ash.
—
Pikaa? — Pikachu também se mostrava confuso com aquela bola brilhante ao fundo.
Semicerrava os olhos para tentar ver com mais nitidez, mas era inútil.
—
Não parece ser uma fogueira acesa? — Perguntou Serena como uma possibilidade.
Com
a curiosidade tomando conta, os dois decidem se aproximar para descobrir o que
era. Com cada passo que davam, mais a visão ficava nítida.
Eram
um grupo de cinco garotos, vestindo uniformes azuis. Os garotos que seguravam
velas aparentavam ser da mesma idade que eles, e estavam de pé ao redor de uma
esteira, ao qual um deles corria sobre a mesma.
—
Muito bem, qual é esse? — Indaga um dos jovens, cujo cabelo cor de fogo se
destacava em meio a neblina. Ele mostrava um cartão com a imagem de um certo Pokémon
para um outro garoto que corria exaustivamente.
—
É um... é um... Pidgey? — Respondeu o garoto, arfando de cansaço.
—
Certa resposta. Agora fale os movimentos do tipo Voador que ele aprende a cada
nível em ordem crescente. — O garoto ao lado, desta vez de cabelo esverdeado,
exigiu.
— É... Gust
no nível 9... Wing Attack no nível 21... argh…
—
Isso é um senso comum. Qual o nível em que Pidgey evolui? E qual é o nome da
evolução do Pidgey? — Questionava o garoto de cabelo cor de fogo com um sorriso
malicioso, com os braços cruzados.
O
jovem se mostrava extremamente intimidado enquanto os demais o encaravam com
olhares de julgamento, enquanto tentava arduamente responder aos questões. Mas,
por mais que se esforçasse, a resposta não vinha em sua mente.
—
Aff... hff... hff... — O garoto arfava tentando pensar em uma resposta,
contudo, devido ao desgaste, ele pisa em falso na esteira, o que o faz tropeçar
e cair, sendo lançado para trás.
—
Não deu sua resposta. Você falhou. — Um garoto de cabelos longos e negros falou
com uma expressão dura.
—
Aff... peço perdão... eu esqueci. — De joelhos, o jovem abaixava a cabeça por
não ter sido capaz de continuar.
—
Como pode dizer que se esqueceu?! E se considera um aluno da Tech? Que
patético, Joe. Não queremos estudar com fracassados como você. — Falou o ruivo,
deixando o rapaz com um olhar abatido e envergonhado.
—
Se você não consegue lembrar de informações tão básicas, talvez seja melhor
você deixar a escola. — Disse o garoto de cabelo esverdeado, sem medir as
palavras.
Os
demais garotos ao redor riam com zombaria do rapaz no chão. Porém, isso não
passou despercebido.
—
O que pensam que estão fazendo? / Pikapika! — Questiona Ash, com um olhar de
poucos amigos. Pikachu eletrificava as bochechas – já odiara aqueles caras.
Serena
também não se mostrava contente com o que presenciara.
—
Gostaríamos que as pessoas que não estão envolvidas mantivessem suas bocas
fechadas, por gentileza. — O ruivo respondeu, não gostando da intromissão. —
Essa é a nossa seção de treinamento especial.
—
Pessoas que sequer sabem qual é a evolução do Pidgey não podem pisar nessa
escola. — Falou o esverdeado rispidamente. — Esse é o nosso companheirismo.
—
Mas que droga de companheirismo é esse? — Indaga Ash incrédulo.
—
Você disse escola? — Pergunta Serena desacreditada. — Quer dizer então que seu
método de estudo é submeter seus colegas a torturas como esta?
—
É assim que a Tech funciona. Se por acaso você sequer demonstrar saber questões
básicas, você é apenas mais um inválido. Não deveria possuir o direito de
permanecer na instituição, e além disso, uma idiota intrometida como você
deveria aprender a manter o nariz fora dos assuntos alheios. — Gritou o de
cabelo vermelho. Havia desprezo em seu tom.
—
Não pense em gritar com a Serena! — Exclamou Ash. Não aceitava que falassem com
a caramelada daquela forma.
—
Pikaaa... — Pikachu começava a faiscar suas bochechas, desejando poder
fritá-los com suas descargas elétricas.
—
Se é assim que são os alunos da renomada Pokémon Tech, isso me deixa bastante
decepcionada. Pelo visto, ou a escola decaiu de qualidade ou sempre foi um
ambiente podre. — Uma outra voz feminina familiar se faz presente no ambiente.
Ash
e Serena, ao olharem para trás, se surpreendem ao verem Misty. Ela também se
mostrava descontente, pois havia ouvido a discussão.
—
Grrr... bem, não vamos nos rebaixar a discutir com a ralé que sequer estuda
aqui. Até porque, nós da Tech somos a elite. — Falou o garoto de cabelo
vermelho, decidido a fazer o grupo bater em retirada. — Nos vemos depois na
aula, Joe.
Após
isso, o grupo parte, deixando apenas o jovem Joe abatido para trás.
—
Eles disseram que são da Pokémon Tech, não é? Seria essa a tal renomada escola
privada da região de Kanto? — Questionava Ash, apoiando o dedo no queixo.
A
Pokémon Tech era uma instituição privada, ao qual a Pokémon Academy usou como
base para a sua fundação. Entretanto, ao contrário da escola fundada pelo
Professor Oak, essa era uma academia onde os parâmetros eram mais altos, onde
os testes para entrar eram bem complexos, além da forma rígida para avaliar os
estudantes.
Pelo
que sabiam, o principal foco estava em ser um colégio para a formação de Treinadores
Pokémon, que em sua maioria, não desejavam viajar para coletar Insígnias ou
competir em campeonatos. Entretanto, mesmo não sendo o principal objetivo, os
alunos que ali se formavam estariam aptos a competir na Liga Pokémon.
Era
normal que deveriam existir alunos com enorme prepotência em tal ambiente
escolar, mas pelo que presenciaram, temiam que o resto se aplicasse a maioria.
Misty
explicara sobre a Tech para Serena, o que deixa a garota ainda mais
inconformada.
—
Se aqueles estudantes forem realmente dessa Pokémon Tech, isso é deprimente. — A
kalosiana comenta.
Ash
se compadeceu pelo garoto. Ao presenciar aquele tratamento horrível, fez ele se
recordar de memórias ao qual ansiava por esquecer.
O
garoto de boné então vai até o tal Joe, que estava um tanto surpreso pela
intromissão da dupla.
—
Ei, consegue se levantar? — Disse Ash, estendendo a mão.
—
A-ah sim, obrigado. — Respondeu Joe, sem jeito. — Ai nossa, estou tão
encrencado.
—
Por que você estaria encrencado? — Misty questionou.
De
repente, de forma inesperada, a neblina começava a se dissipar. A frente deles,
se mostrava a visão da famigerada Pokémon Tech.
A
visão do edifício exalava uma arquitetura clássica. Sua fachada possuía janelas
curvadas, uma escadaria na entrada principal e uma torre com relógio no topo,
além do enorme terreno da propriedade ser cercado por jardins bem cuidados,
além de quadras esportivas.
—
ATENÇÃO ALUNOS! A AULA DE HOJE, TÉCNICAS DE BATALHA NA NEBLINA, ESTÁ ENCERRADA.
AMANHÃ, HAVERÁ A SESSÃO DE TREINAMENTO NA NEVE! — Informou a voz em um
alto-falante.
—
Aff... a neve logo amanhã? — Bufou o garoto desanimado. — Vou é terminar como
um boneco de neve, isso sim.
—
Tá falando que aqueles caras irão tentar te importunar de novo? — Ash
questionou, suspeitando do que o garoto queria dizer.
—
É a irmandade. O chicote do amor. — Respondeu Joe com um semblante melancólico,
mas de aceitação.
—
O chicote... do amor? — Murmurava Ash, um tanto confuso do que aquilo
significava. Achara o nome bastante brega.
—
É o que eles chamam de treinamento. Eles dizem que é para nos incentivar a dar
mais duro nos estudos. — Explicou o rapaz.
—
Então quer dizer que eles torturam os próprios colegas só como uma desculpa
para “incentivar” eles? Isso não seria meio... extremo demais, não? — Misty
ergue uma sobrancelha. Ela realmente não queria acreditar que existia gente tão
sem noção e ainda se chamarem de “elite”.
—
Mas eles fazem isso para me ajudar. Eles dizem que é isso que os amigos fazem.
— Joe falou como se fosse algo trivial.
—
Você tá brincando, né?! — Serena se revolta — Que tipo de amigo zomba de outro
amigo só por errar? E ainda o submetem a um treino humilhante!
—
Mas eu estou falando sério. — Joe tentava justificar. — Sem eles, eu não teria
aprendido que o Pidgey evolui para Pidgeotto no nível 18, aprende Twister no
nível 21, Feather Dance no 40, e mais outros movimentos conforme
ele acumula experiência, até evoluir para Pidgeot, que pode voar a uma
velocidade superior a Mach 2.
—
Incrível. Você realmente possuí bastante conhecimento sobre o Pidgey e sua
linha evolutiva. — Disse Ash impressionado. Ainda não entendia essa questão de
nível – para ele isso era sem pé nem cabeça. Ainda assim, era surpreendente
aquele conhecimento.
—
Mas se você realmente sabia das respostas, porque não respondeu a pergunta
corretamente? — Questionou Serena, não compreendendo a situação.
—
Bem, se eu respondesse corretamente, eles se tornarão mais severos com o
chicote do amor, e começariam a fazer perguntas mais difíceis. — Joe respondeu,
deixando Ash e as meninas incrédulas. — Mas eu quero estar aqui. Papai e mamãe
deram seu melhor para me matricular na Tech. Olhe, por exemplo, o outro
estudante ali mais distante.
Ash,
Serena e Misty observavam um garoto sentado embaixo de uma árvore lendo um
livro.
—
Alguns alunos repetem de classes por anos porque as lições são muito difíceis.
Uma vez que você entra no colégio, se você sair daqui sem ter um diploma, você
será tratado como um pária não só pelos seus colegas, mas também por sua
própria família. — Explicou Joe.
Serena
e Misty olhavam para o jovem com uma certa pena. Aquele tratamento estava além
de desconfortável. Era desumano.
Ash
se mostrava indignado. Aquilo tinha que ter um basta. Ele sabia que era
impossível mudar o sistema daquela instituição. No entanto, ele tinha ao menos
algo que queria mudar.
—
Joe, vou lhe dizer uma coisa que vai realmente doer, mas que é verdade. — A
feição dura de Ash deixara Joe atônito, mas atento para as próximas palavras do
rapaz. — Aqueles caras não são seus amigos. São apenas um bando de idiotas que
só podem se mostrar superiores ao diminuir os outros. Amigos de verdade são
aqueles que estarão ali para te apoiar, mesmo nos momentos mais difíceis. Se
você não se impor perante a situação, eles irão maltratá-lo até que um dia você
não suporte e acabe desistindo. E acredite quando eu digo que falo isso com
propriedade! — Falou o rapaz com um semblante carregado de seriedade.
—
Pikapii... — Pikachu ficava sentido pelo seu Treinador e parceiro.
Serena
apenas se mantinha calada, sentindo o peso das palavras de seu amigo de
infância.
Ela
não sabia o que de fato Ash havia passado na Pokémon Academy em Pallet,
entretanto, do pouco que Leaf havia mencionado, ela já podia imaginar que
aquele ano havia sido traumático para ele.
Misty
não sabia dos detalhes, mesmo assim, ela podia compreender e até mesmo se
identificar com Ash e Joe por conta da época em que era tratada como chacota
por suas outras irmãs.
Joe
não imaginava que alguém havia passado por algo que ele vivenciava agora. Ele
começava lentamente a encarar a
realidade, algo que havia se recusado a acreditar. Seus braços começavam a
tremer e seus olhos começavam a se encher de lágrimas.
—
Mas... mas o que eu posso fazer? Se eu me rebelar contra eles, com certeza eles
irão me atormentar ainda mais... — Joe falava em pânico ao cogitar tal
possibilidade
—
Não vão! — Exclamou Ash, deixando Joe em choque. — Não vamos permitir que isso
continue. Misty, por favor, vá chamar o Brock. Nós vamos pra Tech.
—
Pikaaa! — Pikachu erguia o punho para o alto, como um sinal de que iria ajudar
a acabar com essa tirania.
================================
Assim
como fora pedido, Misty retornou rapidamente até Brock, que estava cortando
alguns legumes, e contou sobre a situação. Demorou alguns poucos minutos para
que o ex-Líder conseguisse recolher as coisas e seguisse com a ruiva para se
reunirem com Ash e Serena na entrada da Pokémon Tech.
—
Muito bem. Eu entendi a situação. Realmente, Ash está certo sobre algo precisar
ser feito a respeito desse assunto. É algo inadmissível que estudantes tratem
seus colegas de uma forma tão repugnante. — Dizia Brock, completamente enojado
pela história de Joe. — Mas o que você pretende fazer, Ash? Lembre-se que não
podemos agir com imprudência.
—
Bom, minha ideia seria confrontá-los diretamente. Não quero arrumar uma briga,
mas quero ter a certeza de que eles jamais irão importunar o Joe novamente. —
Comenta Ash sobre seu plano, simples e direto. — Quero mostrar para eles que
não tem essa pompa toda para se acharem superiores aos outros.
— M-mas eles realmente não são um
grupo de alunos qualquer. Eles são da classe Sênior, que é um nível bem
diferente se comparado a mim, que estou na classe Primária há pouco tempo. —
Informou Joe, acuado.
— Classe Primária? — Indagou
Brock, não conhecia as classificações da Tech.
— Sim. Aqui na Tech, existem três
tipos de classe. Cada uma é equivalente a um número “x” de Insígnias de
Ginásio. A classe Primária é onde eu estou no momento, onde os alunos tem um
nível equivalente a um Treinador que obteve duas Insígnias. A classe
Intermediária é para alunos mais experientes, e seu nível é equivalente a
quatro Insígnias. Por fim, a classe Sênior, onde estão os estudantes de alto
nível, e que, ao se graduarem, são permitidos a entrar na Liga Pokémon sem a
necessidade de desafiar os Ginásios e obter quaisquer um dos oito distintivos
obrigatórios.
— E-ei ei, espera um pouco! Eu
pensei que a Tech não focasse em moldar Treinadores para jornadas e
competições. — Brock questiona, surpreso com tal informação.
— É verdade! Eu também ouvi falar
disso. — Concordou Ash.
— Bem, isso é de fato uma meia
verdade. — Joe afirmou. — A Pokémon Tech é realmente focada em formar
estudantes para diversas carreiras envolvendo Pokémon. Porém, isso é porque
eles tratam isso como algo desnecessário.
— Desnecessário? — Serena falou
incrédula.
— Sim. Para a Tech, a jornada
Pokémon é visto como algo ultrapassado. Inclusive, eles afirmam através de
estudos que, através da tecnologia é totalmente possível replicar a essência
das batalhas. Inclusive, os alunos são separados por classes de acordo com esse
nível. — Contextualizou Joe.
Ash e os demais se encontravam
sem palavras para aquela filosofia absurda da instituição. Aquilo era de uma
ignorância completa. Ash acreditava que, provavelmente, eles estavam usando o
sistema “Pokémon Battledown”, ao qual ele também fez uso na Pokémon Academy.
Mas de uma forma totalmente dependente.
— Isso... isso é um absurdo. A jornada Pokémon é um
evento importante para um Treinador. É onde todos os seus ensinamentos e
esforços são colocados a prova real, tanto de nós Treinadores quanto dos
Pokémon. A prova que conseguimos avançar é coletando cada Insígnia. — Ash dizia
rangendo os dentes de frustração.
— De fato. É totalmente injusto
que o sistema permita que pessoas que nem ao menos vivenciaram uma aventura
possam adentrar em uma competição de peso como a Liga Pokémon. — Brock falava
com aborrecimento. Para ele, um ex-Líder de Ginásio, era como se estivessem
menosprezando toda a preparação e ocupação do cargo que um dia exerceu.
— Quanta baboseira. Eu não posso
acreditar que a Tech tenha um pensamento tão ridículo. Vamos lá pra dentro e
dar uma lição nesses estudantes palermas e fazê-los acordar para vida. Melhor,
quem é o responsável por esses treinamentos abomináveis? — Misty fala
revoltada. Ela já não aguentava mais ouvir tamanhas asneiras.
— B-bem... é essa pessoa. —
Respondeu Joe, puxando uma foto do bolso do paletó.
O grupo então se aproximou para
olhar para foto, apenas para se surpreenderem com a pessoa que se encontrava
nela. Diferente do que imaginavam, ao invés de um garoto mal encarado, se
tratava de uma jovem e esbelta garota.
Na foto, a garota aparece parada
em frente ao imponente prédio da Pokémon Tech, com um sorriso confiante e
animado. Ela tinha longos cabelos castanho-escuros, muito volumosos e que desciam
até as costas em ondas suaves, com uma franja arredondada que molda seu rosto.
Seus olhos são grandes e castanhos, transmitindo uma expressão determinada e um
pouco orgulhosa.
— Olha só... para alguém com uma
filosofia tão estúpida, ela é bem bonita, devo dizer. — Disse Brock, analisando
as feições da garota.
— Ela é a Giselle Victorina. Filha
do diretor da escola, Wilbert Victorina. Ela é a aluna modelo número um da
Pokémon Tech. Além disso, ela é também a responsável pelos treinamentos dos
alunos. — Joe respondeu.
— Hum... ela nem parece ser tão
bonita assim. E pelo que você descreveu sobre ela, ela parece ser bem
arrogante. — Misty disse, olhando para a foto com repúdio.
— C-como é?! Giselle é incrível!
Ela é super habilidosa. Os veteranos ficaram abismados com os resultados serem
tão discrepantes dos demais. Muitos afirmam que ela é a promessa da Tech. — Joe
respondeu, não gostando nenhum pouco dos comentários da ruiva.
Em silêncio, Serena também deu
uma olhada na foto e ficou impressionada. É claro que Misty tinha seu ponto de
vista para com a aparência da garota, mas a caramelada podia ver que ela era
claramente bonita. Ela ficou levemente perturbada, pois ela também aparentava
ter a mesma idade dela e Ash.
Ash percebeu que Joe falava dela
com um tom de admiração, algo que ele não concordava, mas não estava disposto a
ter uma discussão com o garoto naquele ponto. Ao olhar para a foto, ele também
ficou surpreso com a aparência dela.
— Então essa é a tal Giselle... —
Murmurou o rapaz, com um olhar analítico e sério.
Serena não conseguia evitar de
tentar adivinhar o que Ash estava pensando da garota ao ver a foto dela. Será
que ele a acha atraente ou não? Será que ele sentiu alguma atração por essa tal
de Giselle ou não? Ela não sabia dizer.
Era difícil ler a expressão no
rosto do amigo, algo que era diferente de Brock, Misty e até mesmo Joe. A jovem
kalosiana apenas rezava que de fato fosse um “não”.
— Sim. Ela é incrível! Ela é
perfeita! — Joe falava com os olhos brilhantes.
— Perfeita? — Perguntou Serena,
confusa com a admiração de Joe pela garota que aparentemente o maltratava.
— Sim! Ela é inteligente, bonita
e forte. Ela é tudo o que eu gostaria de ser. — Joe respondeu, com um suspiro
de paixão.
Ash não conseguia entender como
alguém poderia admirar uma pessoa que o tratava daquela forma.
— Bem... vamos então ter uma
palavrinha com essa Giselle. Joe, pode nos guiar pela Pokémon Tech? — Ash pediu
a Joe para ser o guia na instituição, algo que garoto concordou prontamente em
fazê-lo.
================================
Enquanto
caminhavam, o grupo de Treinadores se surpreendiam com a arquitetura interna da
instituição. Diversos lustres luxuosos enfeitavam os corredores, com os
estudantes em roupas formais e arrumadas.
Mesmo
não querendo admitir, era inevitável: aquele ambiente era bem bonito.
— Ora ora, pelo visto, você
trouxe um bando de convidados bem deselegantes, Joe.
O grupo para seu avanço e se viram
para ver quem falou, e se deparam com a garota da foto. Era Giselle, que estava
acompanhada dos mesmos garotos que maltrataram Joe anteriormente.
— G-Giselle! — Gaguejou Joe, ao
ver sua ídola.
— Eu estava realmente te
procurando, Joe. Soube por alguns estudantes que você tem se desempenhado de
forma bem patética nos treinamentos. Que ridículo. Você é uma vergonha para
toda a Tech. — Disse Giselle com um sorriso de desprezo.
— Mas... mas eu estava tentando o
meu melhor! — Tentou se justificar.
— Seu melhor não é suficiente,
Joe. Você é um fracassado. E vocês... — Giselle virou seu olhar para o grupo de
Ash. — ...são os amigos do fracassado?
— E-eles são alguns Treinadores
que estavam de passagem pela floresta. — Respondeu Joe, nervoso.
— Viajantes? Entendo. De fato, o
figurino cafona deles realmente denuncia que são Treinadores Pokémon.
— Então você é a tal de Giselle? —
Indagou Ash com seriedade.
— Como ousa?! É senhorita Giselle
pra você! — O garoto de cabelos vermelhos vociferou de volta para Ash.
— Está tudo bem, Enya. Eles
apenas não entendem como funcionam as coisas por aqui. — De forma cordial, a
garota de longos cabelos castanhos acalmou o calouro. Toda essa agitação acabou
atraindo os olhares dos alunos que passavam nas proximidades — De fato, eu sou
quem você procura. Sou conhecida pela minha alcunha de “Estrela Radiante da
Tech”, mas pode apenas me chamar de Giselle.
— “Uau, ela não é nem um pouco
orgulhosa, né?” — Pensava Serena de forma sarcástica.
— Você é a responsável por esses
treinamentos na Pokémon Tech? — Questionou Ash.
— Exatamente. Graças a eles, a
Pokémon Tech tem conseguido se manter como a mais prestigiada e renomada
academia escolar de toda a Kanto. — Enfatizou a estudante modelo.
— Você tem noção do que estão
fazendo? Estão massacrando os estudantes por diversão com a desculpa de
fazê-los melhorar? Onde que isso é aprender de verdade? — Questiona Ash
incrédulo.
— Garoto, você realmente acha que
sabe de algo? Deixe-me explicar uma coisinha: somente aqueles que conseguem
passar pelo processo da dor, podem ser aqueles a terem seu valor reconhecido.
Entretanto, aqueles que se mostram incapazes de fazê-lo, só existe um caminho:
aceitar serem pisados e esmagados até conseguirem, ou... — Ela então aponta o
seu dedo para Joe. — ... deixar a Pokémon Tech. Afinal, a nossa escola não
precisa de alunos fracos e inúteis.
Aquela frase esmagara o coração
de Joe. O garoto que via Giselle como sua fonte de inspiração teve sua imagem
quebrada em mil pedaços. Ele não conseguia acreditar que sua ídola era capaz de
dizer algo tão cruel.
— Você... você é horrível! —
Gritou Misty, furiosa com o tratamento da garota para com Joe.
— É a verdade pura e dura. A vida
não é um conto de fadas onde todos vivem felizes para sempre. Se você não
consegue lidar com isso, então você não deveria estar aqui. — Retrucou Giselle,
sem se abalar com a fúria da ruiva.
— Como assim?! Isso é absurdo! O
que vocês chamam de “treinamento” é nada mais do que uma forma de bullying
descarado! — Falou Ash com raiva.
O próprio já havia experimentado
uma fração do tratamento que Joe recebera, mas aquilo era um outro patamar. Ele
não toleraria tamanha injustiça.
— Engano seu. Nós apenas avaliamos
as pessoas pelo seu desempenho. O aluno quer ter uma carreira de renome, mas só
poderá alcança-la se demonstrar resultados. Joe sempre foi um aluno de baixo
desempenho, principalmente nos simuladores. Isso por si só já demonstra sua
ineficiência acadêmica. — Discordava Giselle com um sorriso.
— Isso está errado! Por mais que
os simuladores possam ensinar a dinâmica das batalhas, não podem servir como
parâmetro para desmerecer ou desdenhar dos alunos. Além disso, o próprio
Professor Oak já deixou bem claro que os simuladores são apenas testes, e que a
experiência real é o que realmente importa para um Treinador. —
Contra-argumentou Ash, usando os ensinamentos da academia para rebater as
afirmações da garota.
— O Professor Oak? Você quer
dizer aquele velho ranzinza que ainda acredita em métodos ultrapassados? Ele
não passa de um tolo que se apega a tradições inúteis. A jornada Pokémon é algo
do passado. A tecnologia evoluiu, e com ela, a forma mais avançada de
treinamento surgiu. Hoje em dia, não precisamos mais viajar pelo mundo
coletando Insígnias. Podemos simular tudo isso aqui na Tech, e com resultados
muito mais eficientes. Tudo isso graças ao “Pokémon Virtual Masterclass”. Ou
também “PVM” se quiser abreviar.
— Pokémon Virtual Masterclass? —
Questiona Ash confuso. Ele nunca havia ouvido falar de tal tecnologia.
— Sim, é o futuro das batalhas e
o método de treinamento supremo. Com o nosso simulador virtual, você é capaz de
recriar uma simulação quase realista de uma batalha real. Nele, estão contidos
dados de vários Treinadores renomados, desde Líderes de Ginásios, Elite dos
Quatro e até mesmo Campeões, cada um com seus times de Pokémon e movimentos.
Dessa forma, nem sequer é necessário se desgastar em viagens longas e
enfadonhas, podemos recriar tais cenários aqui mesmo, e assim, nos prepararmos
para a Liga Pokémon. — Explicou Giselle com um tom de orgulho para com essa
invenção, como se estivesse apresentando algo revolucionário.
Ash ouvia aquilo com o rosto
perplexo. Não só pelo fato de que, para ele, as falas de Giselle eram absurdas,
mas também não conseguia deixar de pensar que a tecnologia da Tech era bem mais
avançada do que ele imaginara.
Será que de fato os simuladores
deles eram realmente incríveis ou será que ela estava exagerando? Ele queria
acreditar no segundo, entretanto, ele também sentia uma pontada de incerteza.
— “Se eu pude realmente ter
uma baita noção das batalhas e melhorei absurdamente quando encarei o cenário
real, o quão avançados eles estariam com...”
— Mas que absurdo! Eu não
acredito que vocês levam isso a sério. Uma batalha em simulador de fato é um
bom treino, mas não é a mesma coisa que uma batalha de verdade. Quer um exemplo?
É como aprender a dirigir um carro. — contra-argumenta Brock.
— Dirigir... um carro? — Giselle
questiona confusa. — O que isso teria haver?
— Exato! Na autoescola, você
dirige em um ambiente controlado: tudo é bem mais previsível, onde tudo o que
você precisa fazer é seguir uma rota pré-determinada, com apenas alguns obstáculos,
e sempre haverá um instrutor para lhe corrigir, e se necessário, tomar o
controle da situação por você. Mas isso é diferente quando se está na estrada.
A garota permanecia em silêncio e
ouvia atentamente.
— Na estrada real, não há alguém
ao seu lado para lhe dar instruções. Você estará diante de várias situações que
estarão fora do seu controle, desde pedestres apressados, motoristas
imprudentes e até mudanças no clima. Tudo o que você pode contar é com seus
reflexos e experiências que construiu até ali. — continuava, cruzando os
braços.
— E o que isso tem haver com
batalhas Pokémon? — a estudante modelo exigiu ainda mais explicações.
Brock permaneceu inabalável com a
expressão endurecida da garota e continuou seu argumento.
— Com batalhas Pokémon é a mesma
coisa. Um simulador consegue reproduzir os movimentos e estatísticas. Contudo,
jamais poderá replicar o vínculo entre Treinador e Pokémon, a adaptação durante
uma luta ou até mesmo os momentos onde o improviso necessário quando tudo dá
errado. Em uma
batalha real, os Pokémon não são meras máquinas, eles sentem o ambiente, eles
também se adaptam durante os confrontos, também se cansam, e até mesmo podem
superar limites quando são motivados. Em outras palavras, treinar em um
simulador é recomendado para entender os fundamentos, entretanto, uma Batalha
Pokémon só pode ser de fato entendida ao estar dentro da arena.
O grupo de Ash ficara atônito com
as palavras do companheiro mais velho, principalmente Joe, que estava descrente
com o fato de que, um simulador não era a prova definitiva da habilidade de
alguém.
Ash já havia testemunhado em
primeira mão o nível das batalhas de Ginásio e estava convencido que, ele
estava em um patamar muito diferente do que ele era durante a época da academia.
Tudo isso graças ao seu treinamento e força de vontade de continuar a
persistir.
— Mas que tolice. Quem você seria
para falar tais asneiras? — Exigiu a aluna número um.
— Eu sou Brock Slate. Sou o
Ex-Líder de Ginásio de Pewter. — Apresentou-se o mais velho.
— Ah é mesmo? Pelo que eu saiba,
eu já alcancei um nível muito além do seu. Não só isso, mas todos os Líderes de
Ginásio não são mais oponentes para mim. — Enfatizou Giselle, abanando a mão
como se espantasse mosca.
— A senhorita Giselle já
conseguiu vencer todos os Líderes de Ginásio de Kanto no simulador virtual, ao
ponto que conseguiu fazê-los em sequência sem perder uma única vez. Inclusive,
ela já está perto de se graduar. No próximo ano, ela poderá disputar a Liga
Pokémon se quiser. — O garoto de cabelos esverdeados contextualizou.
— Obrigado, Haley. Mas não
forneça tantos detalhes. Não queremos intimidá-los demais. Afinal, eles não
entendem o verdadeiro nível da Tech com os demais Treinadores.
— Você só pode estar brincado. Eu
fui um aluno da Pokémon Academy, e posso assegurar que, viver dentro de um
ambiente escolar é uma coisa, mas se tornar um Treinador é uma experiência
totalmente diferente, principalmente as batalhas entre Treinadores e Líderes. É por esse motivo que a jornada é
tão importante para nós. É através dela que aprendemos a superar desafios, a
criar laços com nossos Pokémon e a nos tornarmos pessoas melhores. Inclusive,
foi assim que conquistei minhas duas Insígnias. Vocês estão apenas jogando tudo
isso fora por causa de um simulador virtual. — Disse Ash, indignado com a
filosofia da Tech. — Os patéticos aqui são vocês!
— Patéticos? Nós? Disse alguém
que tem apenas duas insígnias! — debocha Giselle. — E você vem com esse papo de
laços... isso é uma completa idiotice. O que realmente importa é se você tem ou
não habilidade para vencer batalhas. Nada mais além disso. — falou casualmente
como se fosse um argumento trivial.
A fala de Giselle deixou todo o
grupo de Ash bastante impactado. Essa era forma como os alunos da Tech
enxergavam o vinculo dos Pokémon com os seres humanos: meras peças descartáveis
apenas para atingirem o topo.
— Mas sabe, acho que você é
interessante. Nunca antes alguém tentou me desafiar, então, sinto que essa é
uma boa oportunidade. Que tal fazermos um teste?
— Um teste? — Perguntou o
Ketchum.
— Sim. Já que estão dizendo que
um simulador não é suficiente para demonstrar o verdadeiro nível de alguém,
vamos fazê-lo em uma batalha real. Vou demonstrar o quão diferente são os
nossos níveis. Venha cá, Mavi. — Giselle chamava por um dos alunos que estavam
atrás dela.
— Espera! Vocês tem Pokémon?! —
Misty exclama incrédula.
— Mas é claro! Os alunos mais
aplicados e de maior pontuação podem ter o direito a obterem Pokémon fornecidos
pela própria instituição. Eu nunca disse que nós nunca experienciamos batalhas
reais a propósito. Só não vemos a necessidade de fazê-lo com frequência. Apenas
em ocasiões específicas. Vou demonstrar o quão diferentes são os nossos níveis.
Venha cá, Mavi. — Giselle chamava novamente.
Mavi era um rapaz com um cabelo
azul cobalto de tamanho médio. Ele era alto e atlético. Ele sorria de forma
animada, como se estivesse feliz de ser chamado à frente pela aluna modelo.
— Mavi é o segundo aluno mais
forte da Tech. Apesar de não se comparar a mim, ele tem um grande talento. É um
exemplo para os demais. Que tal ter uma batalha contra ele? Se vencerem, posso
dar a vocês a chance de me enfrentarem. — Giselle propôs com um tom de deboche.
— Obrigado pela honra, senhorita
Giselle. Prometo não desapontá-la. — Falou o rapaz, fazendo uma reverência.
— Tá legal. Então eu irei... —
Ash estava prestes a tomar uma ação, quando uma mão segurava o seu ombro.
— Ei, Ash. Deixa que eu luto com
ele. — Misty falava tranquilamente, tomando a dianteira.
— H-hein?! Mas por quê? — Ash
indagava confuso. — O desafio foi pra mim!
— É que depois de eu ouvir tanta
baboseira, ainda mais sobre os Líderes de Ginásio, eu fiquei tentada a dar uma
lição nessa garota, mas acho que esse cara também serve. — Disse Misty com um
sorriso confiante. — Vou mostrar a eles a verdadeira experiência de uma batalha
real entre Treinadores. Brock, segure a incubadora para mim, tudo bem?
— A-ah sim, claro. — O Líder fica surpreso com a
atitude da amiga, mas aceita sem problemas. Mesmo mantendo a compostura,
aquelas palavras de Giselle também o deixaram irritado.
— E quem seria você? — Mavi
questiona com desdém.
— Mas que audácia. Eu sou Misty
Waterflower. Sou Ex-Líder temporária do Ginásio de Cerulean e a mais elegante
das Irmãs Sensacionais. — Misty fala com orgulho, fazendo uma pose para realçar
seu ego.
— Espera! Você é Misty
Waterflower? Hahahaha! — O garoto gargalhava, deixando Misty atônita,
acompanhando-o, os demais alunos, incluindo Giselle, também caem na gargalhada.
— Posso saber qual é a graça?! —
Misty sorri de forma torta, com uma veia de irritação em sua testa.
— Quem diria, né? Ganhei na
loteria. A Líder de Ginásio mais fraca do Pokémon Virtual Masterclass. Vai ser
um passeio no parque, afinal, já derrotei você mais de 10 vezes na simulação.
— Inclusive, eu soube por fora
que esse Ginásio tava dando Insígnias de graça, só por medo de batalhar! — o
rapaz com cabelo longo e negro se juntou a zombaria — Nem para essas batalhas
ultrapassadas esse Ginásio serve!
Tais palavras atingiram Misty
como um tiro. Entretanto, ao invés de se mostrar frustrada ou desanimada, uma
outra emoção se fez presente: ira.
Para os amigos de Ash, era como
se os cabelos de Misty se arrepiassem como uma labareda enfurecida.
— A mais fraca... não é? —
Murmura Misty com um punho cerrado. — Ok então, engomadinho. Vou mostrar para
você quem é a mais fraca.
================================
No campo de batalha de testes,
Misty e Mavi se posicionavam em lados opostos, cada um carregando uma emoção
distinta - Mavi mantinha um olhar desdenhoso voltado para a ruiva, enquanto ela
lhe devolvia um sorriso intenso, tentando conter a própria irritação.
Os outros colegas de Mavi se
encontravam atrás de Giselle, observando junto dela o combate que iniciaria em
breve.
Ao redor, Ash e os demais
observavam a multidão que havia se formado diante daquela situação. Aquilo
tornava tudo ainda melhor — estavam ansiosos para ver a reação deles quando
provassem o contrário do que aquela suposta elite acreditava.
— Como já sabemos o resultado
disso tudo, um árbitro será desnecessário. — diz Giselle, sem desfazer o
sorriso de desdém — Podem começar quando quiserem. Um contra um já tá de bom
tamanho.
— Certo, Machop! Vamos mostrar a
força da Tech Pokémon! — declara Mavi, lançando uma Poké Ball diferente do
comum. Em vez do clássico vermelho e branco, ela exibia tons de azul. De dentro
dela surge um pequeno Pokémon humanoide azulado, de corpo esguio, mas com
braços bem definidos. Sua expressão fechada combinava perfeitamente com a de
seu Treinador.
— Olha só. É um Machop. — Disse
Ash, animado ao ver novamente o Pokémon Lutador, com agora a oportunidade de analisá-lo.
Com isso, ele puxa sua Pokédex, assim como Serena.
— MACHOP / Nº 066 / Lutador: Está
sempre treinando em lugares elevados para aumentar sua força. É capaz de
levantar objetos extremamente pesados e enfrentar qualquer desafio sem recuar.
Mesmo com o Pokémon revelado,
outro detalhe chamou ainda mais a atenção de Ash e Serena…
— Brock, que Poké Ball foi
aquela? — sussurra Ash, se aproximando do veterano, que cruza os braços. O
palletiano sabia que existiam outros modelos além das esferas comuns - como as
que já havia usado nas aulas práticas da academia - mas aquela azulada era
novidade.
— É uma Great Ball. Um pouco
superior às Poké Balls normais. — responde Brock, também impressionado — Isso
só reforça que essa escola é voltada para quem realmente tem dinheiro… afinal,
elas são bem valorizadas no mercado.
— Tudo bem… — murmura Misty,
puxando sua própria esfera, um brilho confiante no olhar — Misty chama
Tentacool!
— Tenta… — a água-viva surge e
aterrissa suavemente no chão, seus tentáculos se movendo de forma ameaçadora.
— Ela trouxe um Tentacool pra
lutar fora d’água? Que piada de mau gosto! — debocha um aluno no meio da
multidão, arrancando risadas dos demais.
Ash apenas sua diante de tamanha
ignorância.
— “Se eles soubessem o que
esse carinha me fez passar…” — pensa o palletiano, soltando uma risada sem
graça ao lembrar do confronto em Cerulean.
— Garota, me perdoe se você sair
humilhada daqui, porque, quando meu Machop entra em campo, nenhum outro aluno sai
por cima! — provoca Mavi, estralando os dedos numa tentativa de intimidação.
Misty, no entanto, apenas
demonstra tédio diante de toda aquela falação.
A completa ausência de reação faz
uma veia saltar na testa de Mavi.
— Tudo bem… vamos ver se você
continua tão indiferente quando eu acabar com você. Machop, avance com Karate
Chop!
— Chop! — avançando contra o Pokémon aquático,
o pequeno lutador ergue o braço, pronto para desferir o golpe com a lateral da
mão.
Misty, porém, não demonstra o
menor sinal de preocupação — muito pelo contrário.
— Agarre o braço dele, Tentacool!
— Cool! — seus tentáculos
laterais se movem com rapidez, envolvendo o braço de Machop antes que o golpe
pudesse ser concluído, interrompendo seu avanço de forma abrupta.
A ação arranca suspiros surpresos
dos alunos da Tech, especialmente de Mavi e Giselle.
— Como…?! Desde quando um Pokémon
pode fazer algo assim?! — Giselle arregala os olhos, claramente abalada com o
que acabara de ver.
Ela estava acostumada apenas a
comandos básicos - atacar, esquivar, defender. Nunca sequer havia considerado a
possibilidade de usar o corpo de um Pokémon daquela forma.
— E-Ei! Isso é trapaça! —
protesta Mavi, vendo seu Pokémon tentar puxar o braço de volta, mas sem
sucesso.
— Qual é o problema? Os
simuladores não te prepararam pra lidar com isso? — debocha Misty, devolvendo o
desdém — Tentacool, que tal um Water Pulse com força total?
— Cool! — com um olhar ameaçador,
Tentacool puxa Machop ainda mais para perto, reduzindo qualquer chance de escapar.
Uma esfera de água começa a se
formar em seu cristal central, crescendo rapidamente antes de ser disparada à
queima-roupa.
O impacto gera uma explosão de
vapor, obrigando todos ao redor a protegerem os olhos.
Quando a névoa finalmente se
dissipa, a cena se revela: Tentacool ainda mantinha Machop preso, agora
visivelmente ferido e inconsciente.
Sem hesitar, o tipo Água o
arremessa em direção aos pés de Mavi, que permanecia imóvel, completamente
incrédulo.
— Isso... não pode ser... — Mavi
murmura, como se estivesse tentando processar o que acabara de ocorrer.
Giselle também se recusava a
aceitar que tal façanha era possível. Mavi, um dos melhores alunos da Pokémon
Tech, fora sobrepujado por um Pokémon do tipo Água que estava aparentemente em
total desvantagem. Não só isso, como Machop havia sido nocauteado com apenas um
movimento.
— Ma... Machop está fora de
combate. — Giselle anuncia com uma expressão rígida e descrente.
A multidão estava totalmente sem
palavras. Aquilo não era um massacre do qual imaginavam. Jamais cogitariam que
Mavi seria derrotado daquela forma, ainda mais pela dita Líder de Ginásio mais
fraca dos simuladores.
Mavi recolhe o Pokémon Lutador.
Com raiva, ele começa a esbravejar.
— Você trapaceou! Você usou algum
truque, não é? — acusa. Não aceitaria que aquilo ocorrera, não estava certo.
Para ele, era inconcebível tal
derrota. Sua oponente deveria ter usado algum tipo de artifício para vencer,
pois nunca, nos simuladores, a Misty que ele enfrentou fizera tais jogadas.
— Pra sua informação, o que você
chama de trapaça, eu chamo de treino. — Desdenhava Misty — Vocês alunos da Tech
ficaram tão obcecados pelos simuladores que isso acabou prejudicando toda a
percepção de batalha. Como eu sou boazinha, vou te ensinar uma lição valiosa:
os movimentos de um Pokémon nem sempre precisam ser usados de forma padronizada.
Se tiver criatividade, você pode ser capaz de criar uma infinidade de
estratégias diferentes.
Após tecer essas palavras, a
ruiva deu meia volta e retornou para junto dos amigos, agora com uma expressão
mais calma e relaxada, para então receber de volta sua incubadora, que estava
aos cuidados do mais velho.
Por outro lado, Mavi saiu da
arena, cabisbaixo. Nunca havia sofrido tamanha humilhação em toda a sua vida,
ainda mais diante da própria Giselle, que havia presenciado tudo.
O rapaz foi para onde estava seus
companheiros, que apenas olhavam para ele com expressões de descrença. Seu mais
forte colega de classe havia sido esmagado sem ter qualquer chance de
retaliação.
Mavi então volta o olhar para
Giselle. A expressão severa que recebe da garota faz um arrepio percorrer sua
espinha.
— Estou decepcionada, Mavi! — de
braços cruzados, a musa da Tech o repreende sem piedade. — Foi pra isso que o
papai te deu aquele Machop? Que vergonha.
— Senhorita Giselle… eu… — o
garoto de cabelos azulados hesita.
Mas não havia desculpas que
pudesse oferecer. No fim, perdera por pura incompetência - e sabia disso.
— Bom… pelo menos em uma coisa
nós concordamos. — comenta Misty, com um claro tom de deboche.
Mavi sequer encontra ânimo para
responder à provocação. Diferente de seus companheiros ao lado.
— Não... não fique se achando só
por um pouco de sorte! É a minha vez de mostrar a força da Tech! / Nem pensar!
É eu que vou fazer aquela ruiva metida calar a boca! — esbravejam Enya e Haley,
já com suas Great Balls em mãos, em prol de vingarem seu companheiro.
— Parem aí! — Giselle estende a
mão, interrompendo os dois alunos.
— M-mas por quê? / Senhorita
Giselle? — Questionam Enya e Haley incrédulos.
— Mavi, que estava acima de vocês,
foi completamente derrotado. Se ela pode fazer isso com ele, vocês não teriam
chances. Além disso, como estabelecido o combinado, está na hora de eu mesma
colocá-los em seus devidos lugares. — Giselle falava com confiança e autoridade
– não permitiria se abalar só por causa daquela demonstração de força.
Giselle caminhava até o grupo de
Ash, jogando os seus longos cabelos para trás, com um olhar determinado. Apesar
de ter se impressionado com as habilidades de Misty, ela seguia ainda
confiante.
— Bem, acho que agora é a minha
deixa. — Ash sorria. Ele estava ansioso para mostrar para aquela garota
arrogante o quanto foi uma péssima ideia subestimá-los.
— Eu admito, vocês nos pegaram
desprevenidos. Mas não pensem que eu irei cair no mesmo truque. — declara
Giselle, seu tom orgulhoso de recusando a deixa-la.
— Isso é o que vamos ver. /
Pikaa! — Disse Ash, apontando de volta para a aluna modelo. Pikachu
eletrocutava pelas bochechas como um grito de guerra.
— Hihihi. — De repente, Giselle
começava a rir.
— Qual é a graça? — Indaga Ash,
incomodando-se com a reação da garota.
— Não é nada. É que, apesar de
ser bem grosseiro, você... — Subitamente, a garota de cabelos escuros se
aproxima de Ash, e de forma completamente inesperada, com um sorriso sedutor no
rosto... — ... você é bem mais atraente do que eu imaginava.
— HEEEEEEEEIN?! — Os alunos ao
redor ficavam alvoroçados com aquela cena ocorrendo diante deles.
— “A Giselle, minha rainha,
está...” — Joe não podia acreditar que a garota ao qual tinha tanta
admiração e desejo estava agora se insinuando para um viajante que acabara de
conhecer.
— M-mas o quê significa isso?! —
Misty falava com uma expressão perplexa.
— “Ash, meu garoto. Você é um
cara muito sortudo, hein? Se eu tivesse a sua idade, eu ficaria com inveja.”
— Pensava Brock, com um sorriso de orgulho.
Serena estava claramente
desconfortável com aquela ação, porém, ela não conseguia pensar no que dizer.
Ela não esperava que a garota se interessasse por Ash tão repentinamente.
— E-ei! O que você está fazendo?!
/ Pika-pi?! — Questionam o rapaz e seu Pokémon, ambos completamente
desconcertados com aquela aproximação repentina.
— Hihihi... só queria ver sua
expressão mais de perto. Vejo que você não é de se jogar fora. Talvez, se você
estudasse aqui na Tech, eu poderia te ajudar com algumas aulas particulares. — Diz
Giselle, inclinando-se levemente em direção a Ash, reduzindo propositalmente ainda
mais a distância entre os dois.
Ash podia sentir o perfume da
garota invadindo suas narinas. Era a segunda vez que sentira uma garota tão
perto, sendo Serena a primeira. Ele também notou que Giselle era realmente
bela. O garoto não podia negar aquilo em nenhuma hipótese.
Serena internamente estava com
medo de ouvir o que viria a seguir. O rosto de Giselle estava bem próximo do
palletiano. Ela temia que a beleza encantadora da estudante modelo nublasse o
julgamento do palletiano. Seu peito doía mais a cada segundo que se passava
pela ansiedade.
Embora a enorme comoção causada,
Giselle dava pouca importância a tal cenário. A estudante modelo tinha plena
consciência de suas ações e de seu charme, e ela fazia questão de usá-los sem
hesitação.
— “Hihihi... que patético. Eu
sabia que ele sequer conseguiria não ficar surpreso com minha beleza. A verdade
é que eu jamais daria uma chance para um garoto tão ordinário e sem graça como
ele. Mas... o meu flerte é infalível. Nenhum aluno da Tech foi capaz de
resistir. Tudo que eu preciso é que ele caia, e depois disso, eu irei esmagá-lo
e humilhá-lo na frente de toda a multidão.” — Divagava a aluna modelo.
Giselle tinha plena noção do
poder e da influência que sua beleza causava no sexo oposto. Seu plano era
malicioso, e por trás daquele sorriso, ela desejava manipular o garoto, e
assim, desconcentrá-lo para o derrotar com facilidade.
A jovem desejava mostrar que
aquele forasteiro era apenas mais um garoto como qualquer outro que era capaz
de cair perante seu charme e beleza estonteante.
De repente, Ash coloca as mão nos
ombros da garota, surpreendendo a aluna modelo, que não esperava tal atitude do
visitante. Mas o que a deixou ainda mais em choque fora a feição de Ash, séria
e inexpressiva, diferente de antes, como se ele sentisse repulsa por ela.
— Escute aqui. Eu não gosto de
garotas esnobes como você. Afaste-se de mim. — Respondeu Ash de forma fria. Até
o próprio Pikachu demonstrava repulsa pela presença da garota.
Giselle ficou espantada, dando
alguns passos para trás. Jamais antes ela fora rejeita daquela forma. Aquilo
nunca deveria ter acontecido. Como poderia?
Até mesmo Misty e Brock ficavam
bastante surpresos por Ash ter rejeitado tão facilmente. Claro, Giselle era um
poço de arrogância, mas ainda assim, era uma figura esbelta, e um garoto da
idade de Ash, normalmente acabaria se atraindo por ela facilmente, mas esse não
fora o caso. Aquilo somente potencializara o desprezo que o palletiano sentia
por ela.
Mas diferente dos demais, Serena
sentia uma gigantesca sensação de alívio.
Ela notou que ele não era do tipo
que gostava de garotas assim. Por que ela estava sentindo tanta apreensão à
toa? Obviamente, Ash não se permitiria enganar assim. Não importava se a pessoa
em sua frente era bonita ou não, para Ash, isso era irrelevante. Ela o conhecia
o suficiente para saber disso, mas o medo e a dúvida com a abordagem de Giselle
haviam a impedido de pensar com clareza. Mas algo ascendeu dentro da caramelada
– não conseguia evitar uma gota de fúria surgir em seu âmago. As ações daquela patricinha
foram longe demais.
— C-como você ousa?! Eu, uma
garota perfeita e esbelta, fui rejeitada por um cara insignificante como você?!
Imperdoável! Saiba que essa foi a gota d’água! Eu irei fazer questão de
destruí-lo e mostrar a vergonha que você é! — Giselle esbravejava, seu rosto
tomando uma coloração vermelha - tanto pela raiva quanto vergonha - não
conseguindo esconder a enorme dor que sofrera em seu ego.
— Ótimo! Quero ver o que você
sabe fazer! — Ash retruca de volta, inflamado com a chama do desafio agora que
Giselle demonstrou sua verdadeira persona.
— E-espera, Ash! — De repente,
Serena interrompe o amigo colocando a mão em seu ombro.
Ash fica surpreso ao ver Serena
tomando a frente, assim como Misty e Bock, que percebera a expressão nada
amistosa que a kalosiana exibia, já entendendo tudo.
— “Cara... Agora a coisa ficou
boa.” — o rapaz sorri de forma conhecedora. Parece que agora viria um
furacão para o campo de batalha.
Todos os alunos ao redor reparam
finalmente na presença da caramelada, algo que rapidamente pega todos
desprevenidos. A jovem kalosiana possuía uma beleza tão atrativa quanto da
própria aluna modelo.
Giselle estava desconcertada. Ela
não havia reparado que aquela garota estava ali. E além disso, ela detinha uma elegância
que rivalizava com a sua. Isso a deixava ainda mais furiosa.
— E quem raios é você? — Pergunta
Giselle, inconformada com a intromissão.
— Eu sou Serena Yvonne. Sou de
Kalos. E assim como Ash, eu também me formei na Pokémon Academy. —
Introduziu-se a caramelada, sua cara de poucos amigos desconcertou um pouco a
aluna-modelo, mas não demora a se recompor.
— Kalos? / Aquela região super
avançada? / Caramba! Ela deve ser... — Os estudantes comentavam entre si
perplexos com a menção da região.
— N-não importa de onde você
veio, mas saiba que você não foi chamada pro assunto! Caia fora! — Giselle
tentou expulsar a garota, enfatizando a irrelevância dela perante a ocasião.
— Serena, o que tá fazendo? — Ash
olha para a amiga, tentando compreende-la.
— Quero batalhar com ela, Ash!
Deixe-me fazer isso.
— Mas... tem certeza que quer ir?
/ Pikapi? — Ash e Pikachu indagam, confusos. Não entendiam, no entanto, por que
ela estava fazendo aquela cara.
— Sim, Ash! Depois que eu vi a
sua batalha com a Misty lá em Cerulean, eu fiquei empolgada para melhorar. Eu
não queria ficar para trás de vocês. Eu preciso ir além, e essa batalha pode
ser uma boa forma de aprimorar minhas habilidades. Então, por favor. Me deixe
encara-la. — Pediu Serena com uma expressão convicta. — “Além do mais... Não
gostei nenhum pouco da forma que essa ordinária se aproximou de você.”
Ash ficou impressionado. De fato,
era bom ver que a amiga estava demonstrando uma ânsia por melhorar. Para ser
sincero, ele não se oporia a deixá-la assumir a batalha. Achava até que seria
proveitoso. Além do mais, estava ansioso para ver o quanto ela crescera desde a
última vez que a vira batalhando.
— Entendido, Serena. Deixarei em
suas mãos. — Responde Ash, se juntando aos seus outros amigos.
— Uhum. Pode deixar que não irei
decepcioná-lo. — Responde Serena com um semblante sério.
— Você está fugindo?! — Brada
Giselle, furiosa.
— Ash deixou a luta para mim. Eu
sou mais do que o suficiente para lutar com você. — Enfatizou Serena.
— Como é?! Se é assim, então,
farei questão de limpar o chão com você primeiro! — Giselle retruca, tentando
não perder sua pose. Ainda queria se vingar do palletiano, mas se precisaria
esmagar aquela garota antes, que assim seja.
Todos ao redor podiam jurar que
viam faíscas invisíveis surgissem entre elas. Nenhuma das duas recuava, apenas
se encaravam com olhares de ódio uma pela outra.
— “Eu vou te mostrar quem é a
verdadeira mais esbelta do campus.” / “Você vai pagar caro por ter dado
em cima do Ash.” — Ambas pensavam respectivamente – um mesmo sentimento,
diferentes razões.
Para alguns, aquilo era apenas
mais uma batalha. Para as duas, era como se uma guerra interna estivesse
prestes a eclodir.
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Em uma sala mais ao leste da
Tech, três homens engravatados, vestidos com trajes elegantes, assinavam
diversos papéis contendo as avaliações dos simulados, responsáveis por
determinar a classificação dos alunos.
O homem sentado ao centro -
aparentemente o líder do trio - analisava os documentos com certa impaciência,
como se o conteúdo à sua frente o desagradasse.
— Parece que teremos de suspender
alguns alunos por baixo desempenho. — comenta, em um tom calmo.
— Nada além do justo. —
acrescenta o outro homem, enquanto o terceiro continuava focado em sua
atividade.
De repente, um quarto indivíduo
entra na sala.
— Diretor, está acontecendo um
tumulto no pátio principal. Parece que algumas pessoas de fora vieram arrumar
confusão por aqui. E… sua filha também está envolvida. — explica o
recém-chegado, claramente preocupado.
— Nós ouvimos os barulhos daqui.
— responde o diretor, sem demonstrar alarde.
Ainda assim, o leve sorriso nada
agradável que surge em seu rosto intriga o funcionário.
— São apenas crianças batalhando
para se fortalecerem.
Naquele momento, o homem
interrompe a análise dos papéis e direciona o olhar para a janela, de onde
vinham os sons da agitação.
— Deixem apenas que… façam o que
quiserem.
================================
Após alguns minutos de
preparação, Serena e Giselle tomam seus respectivos lugares nos extremos da
arena.
A tensão deixada pela batalha
entre Misty e Mavi ainda pairava no ar. Ainda assim, naquele momento, todos os
olhares estavam voltados para o novo confronto. Os alunos agora depositavam
suas esperanças em Giselle - sua “musa” - para provar, de uma vez por todas, a
veracidade do que a Tech pregava.
Caso contrário… no que mais deveriam
acreditar?
— Vamos acabar logo com isso.
Cubone, venha! — Giselle lança sua Poké Ball, e dela surge um pequeno Pokémon
bípede, com um crânio cobrindo o rosto como um capacete. Segurava um pequeno
osso que usa como arma. Seu olhar era firme, apesar da aparência que muitos
descreveriam como adorável.
— Cubone… — repete Serena,
puxando a Pokédex em seguida.
— CUBONE / Nº 104 / Terra: Usa o
crânio de sua mãe falecida como capacete. Apesar de tentar parecer forte, é
conhecido por chorar silenciosamente à noite, carregando uma profunda tristeza.
— A voz robótica
de Elexa relatava as informações.
— “Que descrição mais...
triste…” — pensa Serena, sensibilizada com o que Elexa acabara de relatar.
Ainda assim, afasta o pensamento
logo em seguida - agora, havia algo mais importante em que se concentrar.
— Ok… — murmura a caramelada,
respirando fundo em busca de foco — Fennekin, mostre seu charme!
— Kin! — a pequena raposa de fogo
surge com elegância no campo de batalha, pronta para o confronto.
Murmúrios de surpresa se espalham
entre os alunos – era uma raridade ver um espécime como aquele.
Diante disso, Giselle estreita os
olhos.
— “Droga… nunca enfrentei esse
Pokémon nos simuladores. Como é que se luta contra isso?” — pensa,
incomodada. Aquilo estava fora do esperado.
No entanto, ela estala a língua,
irritada.
— “Quer saber… dane-se! Não
pense que me passou pra trás só porque me pegou de surpresa. Eu, Giselle
Victorina, vou acabar com você!”
Chamas ardiam em seu olhar -
fossem de determinação ou de puro orgulho ferido.
Ela estava decidida a provar o
valor da instituição fundada por seu pai… custe o que custar.
— Cubone, Headbutt! —
ordena Giselle.
— Bone! — o tipo Terra avança de
imediato, projetando o corpo para frente em uma poderosa cabeçada.
— Fennekin, salte! — Serena reage
rápido. Sabia que, em termos de resistência, sua parceira não era das mais
duráveis - precisava evitar dano a todo custo.
— Fen! — a pequena raposa executa
um salto leve e elegante, quase como se flutuasse, desviando com precisão.
Cubone passa direto, sem atingir nada.
— Como ela se moveu desse jeito?!
— questiona o rapaz de cabelos vermelhos, incrédulo. Para os alunos da Tech,
Fennekin parecia ter dançado no ar - um tipo de movimento que nunca haviam
visto em um Pokémon.
— Os Pokémon se adaptam ao estilo
de seus Treinadores! Não ache que todos são programados para agirem do mesmo
jeito. — adverte Misty, com um sorriso convencido.
O garoto apenas range os dentes,
incomodado com a arrogância da ruiva.
— Não importa como ela se move! É
só continuar atacando que uma hora a gente acerta! — afirma Giselle, convicta —
Vamos lá, Cubone! Bone Club!
Cubone firma o osso nas mãos e
avança novamente.
— Fennekin, pare ele com Ember!
— Fen... KIN! — a raposinha
expele brasas incandescentes em direção ao adversário.
Giselle, porém, não demonstra
preocupação - e Cubone também não.
O tipo Terra simplesmente golpeia
as chamas com o osso enquanto avança, dispersando-as sem dificuldade.
— Ferrou! — Serena arregala os
olhos, sentindo o perigo se aproximar.
Não demora para Cubone descer com
o osso contra o corpo de Fennekin, lançando-a a uma distância considerável.
— Nossa… — Ash sua, impressionado
— Não imaginei que aquele Cubone conseguiria lidar com o Ember desse
jeito.
De fato, pela postura de Giselle,
ele havia presumido que ela fosse apenas alguém que falava mais do que fazia.
Mas aquele movimento o pegou de surpresa. Brock e Misty compartilhavam do mesmo
pensamento.
— Fennekin, levante! — incentiva
Serena, preocupada.
Era exatamente como ela
suspeitava - a resistência de sua parceira não era muito alta. Um único golpe
bem encaixado já havia sido suficiente para derrubá-la, e agora Fennekin
demonstrava dificuldade para se erguer.
Se recebesse mais um ataque
daqueles…
— Não adianta, queridinha. — diz
Giselle, com desdém na voz — Movimentos do tipo Terra são super eficazes contra
Pokémon do tipo Fogo.
Ela então se atenta a outro
detalhe.
— Aliás… foi muita estupidez sua
trazer essa… Fennekin pra enfrentar o meu Cubone. Na academia não ensinam sobre
tipagem? — provoca.
Antes, Giselle havia se mantido
cautelosa por estar diante de um Pokémon desconhecido. Mas agora, mais
confiante, deixava seu desprezo transparecer sem filtros.
Ash e os demais estreitam o olhar
- não aceitavam ouvir mais daquele tipo de comentário sobre a academia.
— Eu queria treinar mais a minha
Fennekin! E, além disso, ela é meu Pokémon mais experiente. — responde Serena,
firme — Não ia fugir desse desafio!
— E, por causa dessa sua
confiança sem fundamento, sua Fennekin está no chão agora… à mercê do meu
Cubone. — rebate Giselle, sem perder o sorriso.
Serena estala a língua,
frustrada. No fundo, sabia que suas opções eram limitadas. Clefairy ainda não
tinha experiência suficiente em batalha - colocá-la em campo seria praticamente
condená-la à derrota. Por isso, precisava confiar em Fennekin.
— Vamos, Fennekin! Levante! Eu
sei que você consegue!
A tipo Fogo ouvia a voz de sua Treinadora
e tentava se erguer, mas o golpe havia sido forte demais. O impacto ainda
reverberava por todo o seu corpo, como um formigamento constante que a impedia
de reagir. Era como se um peso invisível a mantivesse presa ao chão.
— Não adianta! — diz Giselle, sem
desfazer seu sorriso — Pra mostrar pra você minha gentileza, vou te explicar
uma coisa… Cada Pokémon cresce de acordo com o nível de treinamento. E, quanto
maior o nível, mais forte ele se torna.
Serena, assim como seus amigos,
estranha aqueles comentários - o que ela queria dizer com “nível”? Nunca haviam
ouvido falar disso
— Vejo que não entenderam o que
quis dizer… então serei mais clara. — continua Giselle, apontando para seu
Pokémon — Meu Cubone, por exemplo, acabou de atingir o nível 23 na nossa última
batalha. E pela forma como sua Fennekin luta, eu diria que ela está por volta
do nível 18. Ou seja, cinco níveis abaixo. Resumindo, não há como vocês me
vencerem.
Serena franze o cenho. Aquela
explicação não a agradava nem um pouco. Era como se todo o esforço e vínculo
com os Pokémon fosse reduzido a números frios e irreais.
— É exatamente isso que
aprendemos na Tech! Níveis fazem toda a diferença, assim como as tipagens. Treinamos
diariamente para aumentar os níveis de nossos Pokémon para ultrapassar os
níveis da Elite Four. E isso sem precisar sair em uma jornada. — continua
Giselle, cruzando os braços com arrogância — É exatamente por isso que você vai
perder. Você, assim como seus amigos, não entendem o que trabalhar de verdade
em seus Pokémon.
Ao redor, os outros alunos
murmuram em concordância. Para eles, aquilo era óbvio.
Misty, por outro lado, leva a mão
ao rosto, quase envergonhada.
— É… pelo visto não há limites
pra estupidez dessa garota. — comenta a ruiva, mais para si mesma - ainda que
alto o bastante para ser ouvida por aquela a quem essas palavras eram dirigidas.
— Acho que ouvi errado… o que
você disse? — Giselle ergue uma sobrancelha, visivelmente incomodada, ao
encarar Misty, que apenas solta um suspiro.
— Diz pra ela, Ash! — responde a
ruiva, sem o menor receio, dando a deixa para o amigo.
— Esse papo de “níveis” aí… — Ash
desvia o olhar com deboche — Soa mais como uma desculpa esfarrapada pra sua
incapacidade de treinar um Pokémon direito.
Um burburinho percorre a
multidão.
— Como ousa…?! — rosna Giselle,
ofendida.
— Como Treinadores, a gente tem
que se basear em como se adaptar às adversidades junto dos próprios Pokémon. —
Brock intervém. Ele mantinha a compostura, mas não podia deixar aquela garota
falar o que quisesse — A ponto de até os mais fracos conseguirem enfrentar os
mais fortes… tudo depende de como você os coordena. E é exatamente nisso que
você falha, Giselle. Todos vocês!
— “Pessoal…” — Serena
observa em silêncio, atenta, sentindo-se inspirada, no chão, tendo escutado
tudo, Fennekin parecia partilhar desse sentimento.
Até ali, eles haviam enfrentado
desafios muito maiores do que qualquer coisa que a Tech poderia oferecer. Não
havia motivo para se abalarem agora.
— Já chega dessa ladainha! —
esbraveja Giselle, apontando para Fennekin. — A prova do que eu digo está bem
ali! Ela está a um golpe de cair pro meu Cubone. O resultado vai ser sempre
esse, independente dos seus esforços!
Conforme Giselle falava, Cubone
avançava lentamente em direção de Fennekin, caída no chão. Cada passo aumentava
a tensão, e para os alunos da Tech, o desfecho parecia inevitável - claro como
o dia.
— Fennekin, vamos provar pra
todos eles que estão errados! Por favor… tenta usar o Ember, vamos! —
Serena, aflita, grita, tentando incentivar sua parceira.
A pequena raposa abre os olhos,
encarando o Cubone que se aproximava.
Aquilo não podia acabar assim.
Não era… justo.
— Pode gritar o quanto quiser,
idiota! — provoca Giselle, com um sorriso. — Cubone, querido! Vamos acabar logo
com isso com o seu fantástico Bone Club!
O tipo Terra ergue o osso, pronto
para desferir o golpe final. Bastava aquilo… e tudo terminaria.
Mas, no instante anterior ao
impacto, Fennekin reage.
Em um súbito impulso de
adrenalina, ela sopra suas brasas diretamente contra o rosto de Cubone.
Dessa vez, porém… havia algo
diferente nelas.
Pareciam mais intensas, mais
vivas, mais... poderosas.
Cubone recua imediatamente,
levando as mãos ao rosto queimado, visivelmente afetado pelo ataque - sua visão
comprometida por alguns instantes.
— Mas o que…?! — Giselle suspira
em espanto, acompanhada pelos demais.
— Brock, aquilo foi…? — pergunta
Ash, olhando para o amigo, que apenas confirma com a cabeça.
— Foi um Flamethrower!
— Quer dizer que o Ember
evoluiu pra um Flamethrower? — reflete Misty. — Bem… em tese, isso é possível.
Mas, ainda assim…
— Incrível, Fennekin! Serena! /
Pikapi! — vibram Ash e Pikachu.
Só isso já é o suficiente para a
caramelada abrir um grande sorriso.
— Fennekin, você aprendeu um novo
movimento! / Fen…!
Impulsionada por essa nova onda
de motivação, a pequena raposa reúne forças e se levanta, encarando Cubone logo
em seguida. Era hora de revidar.
Giselle, por outro lado,
permanece atônita. Aquilo não deveria ter acontecido. Como aquela garota
conseguiu essa virada?
Cubone ainda mal conseguia
enxergar, além de ter sofrido um dano considerável.
E, acima de tudo… todos estavam
assistindo.
Ela não podia deixar sua
reputação ruir daquela forma.
— E daí que você aprendeu um
movimento novo?! — rebate, irritada. — Ainda temos vantagem de tipo! Cubone, Sand
Attack!
— Bone! — mesmo com a visão
comprometida, o tipo Terra espalha poeira ao redor.
— Fen? — pega de surpresa,
Fennekin, que baixara a guarda ao perceber o estado do oponente, acaba atingida
diretamente nos olhos. Ela recua, cambaleando.
— Fennekin! — chama Serena,
preocupada. Não imaginava que ela usaria uma tática indireta como esta se
tratando da Tech.
— Agora estamos em pé de
igualdade aqui! — provoca Giselle. — Mas quem vai acertar primeiro? A resposta
é óbvia.
— Os dois estão com a visão
comprometida. — analisa Brock, atento a cada movimento.
— Os próximos passos vão decidir
tudo… — completa Misty.
— “Vença, Serena…” — pensa
Ash, torcendo com todas as forças. Afinal, ele acreditava no potencial da
amiga.
— Vamos acabar com isso logo,
Cubone! Ela está bem na sua frente! — grita Giselle, sorridente com a
expectativa da vitória.
Cubone força a abertura de um dos
olhos. Mesmo com a visão turva, ainda conseguia distinguir a silhueta de
Fennekin.
— Use o Bone Club!
— Cubooon… — segurando firme o
osso, o tipo Terra avança sem hesitar em direção à adversária.
Serena prende a respiração.
— “O que eu faço? Se a
Fennekin levar mais um golpe desses, ela vai…” — pensa, aflita. Precisava
encontrar uma alternativa. Algo que ainda não tivesse tentado.
Então, em um lampejo repentino,
uma lembrança surge: a batalha de Ash contra Misty.
— “Espera… e se eu…” —
seus olhos se fixam em Fennekin. Lembrava do movimento que tanto a fascinara na
primeira vez que vira naquela batalha. Algo ousado, mas perfeito para uma
situação como essa. — “Eu preciso tentar…”
Era sua única chance, afinal.
— Fennekin, você não precisa
enxergar! Use o Flamethrower pra todos os lados!
— O quê?! — Giselle arregala os
olhos, incrédula. — Isso é algum tipo de medida desesperada?
— NeeeKIN! — mesmo intrigada com
o comando, a Pokémon confia em sua Treinadora. Inspirando profundamente, a tipo
Fogo gira sobre o próprio eixo e libera uma torrente de chamas em todas as
direções, formando um círculo ardente que consome tudo ao seu redor em um raio
de alguns metros - e Cubone não era exceção.
— Bone! — pego de surpresa, o
Pokémon é atingido em cheio pelas chamas descontroladas, sem qualquer chance de
defesa.
— Cubone! — grita Giselle,
horrorizada.
— Esse movimento… — Brock
reconhece de imediato. — Misty…
— Sim! É o mesmo que usei contra
o Ash. Só que esse está só um pouco menos... refinado. — comenta a ruiva.
Ainda assim, movimento atrapalhado
ou não, ela não podia negar - havia certo orgulho em ver sua amiga usar aquela
ideia para virar o jogo.
— Incrível, Serena… / Pika… —
murmura Ash, sorrindo. A estratégia veio no momento perfeito.
— Aquilo foi… — um dos alunos
observa, atônito.
— Incrível… — outro admite, mesmo
a contragosto.
— Ai, Giselle… — Mavi, assistindo
a tudo, encara a garota, tentando entender o que se passava em sua mente ao ver
seu Pokémon ser consumido pelas chamas.
— “Isso… não pode… estar
acontecendo…” — era o único pensamento que ecoava em sua cabeça. — “Não
era pra ser assim…”
Quando as chamas finalmente se
dissipam, Fennekin consegue retomar sua visão, ainda que com alguma
dificuldade. À sua frente, Cubone permanecia atordoado, incapaz até mesmo de
sustentar o próprio osso.
Serena e sua parceira reconhecem
a oportunidade.
— Fennekin, mais uma vez! Flamethrower!
/ KIN!
Sem qualquer possibilidade de
reação, Cubone é novamente envolvido pelas chamas - dessa vez, em definitivo.
Os olhos arregalados de Giselle
refletem o brilho do fogo que consome seu Pokémon - um retrato claro do que
aquilo se tratava.
Quando as chamas cessam, resta
apenas um Cubone chamuscado, que, após um breve instante, tomba para frente.
O resultado era inegável: estava
fora de combate.
Não era necessário um juiz para
declarar o fim daquela batalha.
O silêncio que tomou conta dos
alunos da Tech, somado aos sorrisos de Serena e seus amigos, deixava o
resultado mais evidente do que qualquer outra coisa.
Por alguns instantes, ninguém se
manifestara. Até que...
— Não pode ser…! A Giselle…
perdeu?! — murmura uma das alunas, alto o bastante para que todos escutassem.
E ela não era a única surpresa.
Os dois alunos mais fortes da instituição haviam sido derrotados, e justamente
por aqueles que consideravam inferiores. Algo assim, para eles, simplesmente
não deveria acontecer.
— Eu sinceramente nem sei como
reagir… — admite Mavi, soltando um sorriso forçado.
Sua própria derrota já nem
parecia importar mais naquele momento. Agora, sua verdadeira preocupação era
outra:
Como Giselle lidaria com aquilo?
— “Eu perdi…” — pensava a
garota, mantendo o olhar baixo enquanto ainda tentava processar o que havia
acontecido. — “Eu… realmente perdi…!”
— Parece que ela não tá lidando
muito bem com a derrota. — comenta Brock em voz baixa para Ash e Misty.
— Humf! Que ela experimente o
próprio veneno por um tempo! Não ligo! — bufou Misty, sem a menor cerimônia,
virando levemente o rosto.
Joe, que permanecera em silêncio
até agora, apenas observando tudo, se mostrava impactado. Nunca tinha visto
Giselle ser derrotada daquela forma.
E, aos poucos, com o decorrer
dessas batalhas, algo despertava dentro dele de maneira inexplicável.
Mas… o que exatamente era aquela
sensação?
Os murmúrios entre os alunos
continuavam a se espalhar.
— A senhorita Giselle perdeu… O
que a gente faz agora?
— Eu… não faço ideia! Será que
ela fez algo errado?
— Eu não sei mais de nada…
Giselle escutava todos aqueles
comentários em silêncio, incapaz de rebater qualquer um deles.
Serena, percebendo o estado da
garota, dá um passo à frente.
— Giselle…
Ao ouvir seu nome sendo chamado
pela caramelada, a jovem desperta levemente do próprio estupor.
— Eu sinceramente espero que você
tenha aprendido alguma coisa com essa batalha. — adverte Serena, em um tom mais
sério do que irritado. — Simulações servem apenas pra ajudar no planejamento.
Mas transformar isso no fator decisivo de uma batalha só te leva à decepção…
confie em mim.
Todos se calam após as palavras
de Serena. Aparentemente, ela havia atingido exatamente o ponto mais sensível
daqueles alunos - a realidade que se recusavam a aceitar.
— “Eu…? Decepcionada…?! Não…
isso não pode…” — Giselle mal conseguia acreditar no que acabara de ouvir.
Ainda assim… por algum motivo,
não conseguia falar nada.
Ash apenas observa a cena em
silêncio, até que um pequeno sorriso surge em seus lábios ao olhar para Serena.
Antes que qualquer outra coisa
pudesse ser dita, porém, o som de palmas ecoa ao fundo.
Todos se viram imediatamente ao
notar a aproximação de um homem elegantemente vestido, usando um cinto refinado
adornado com várias Ultra Balls.
Os alunos da Tech o reconhecem na
mesma hora.
— DIRETOR?!!! — exclamam em
uníssono, completamente incrédulos.
— Pai…? — murmura Giselle,
finalmente despertando ao notar a presença de seu patriarca e maior autoridade
da Tech.
O homem sorria de forma gentil.
Mas, para os mais atentos… havia
algo de suspeito escondido por trás daquele sorriso.
— Essa patricinha é filha do
diretor? Então tá explicado porque ela é desse jeito. — murmura Misty, baixo o
bastante para apenas seus amigos ouvirem. Os três concordam em silêncio.
Joe, assim como os demais alunos
da Tech, demonstrava certo nervosismo diante da presença do recém-chegado.
Havia algo nele que parecia intimidá-los profundamente.
— Parece que vocês se divertiram
bastante enquanto eu estava ocupado. Só consegui assistir quando tudo já estava
terminando. — comenta o homem, sem alterar o tom de voz. — Ainda assim… devo
admitir que o pouco que vi foi muito interessante.
Os jovens apenas escutam,
atentos.
— A princípio, vim aqui apenas
conhecer aqueles que ousaram invadir nossa prestigiada instituição. — continua,
lançando um olhar desconfortável aos Treinadores, que permanecem sérios.
Então, seus olhos se fixam
especificamente em Serena.
A caramelada não consegue evitar
um leve suor escorrendo. E, conforme o sorriso do homem aumentava, seu
nervosismo também crescia.
— Por favor, não se sintam tão
intimidados. Não estou irritado com vocês. Digamos que fizeram um favor para
todos nós. — afirma. — Fazia muito tempo que algo assim não acontecia por aqui,
então isso acabou elevando os ânimos. Mas, como devem imaginar, estamos em um
ambiente escolar, e as aulas irão recomeçar em alguns minutos. Por isso…
Misty já se preparava para
retrucar, mas Brock, percebendo que ela provavelmente falaria alguma besteira,
age rápido e tapa sua boca, pegando a ruiva de surpresa.
— Compreendemos perfeitamente,
senhor. Pedimos desculpas pelo tumulto que causamos. — diz Brock cordialmente,
enquanto segurava uma revoltada Misty, que tentava se soltar a todo custo.
Ash, Pikachu e Serena apenas
observam a cena com uma gota escorrendo pela cabeça.
— Com licença.
Após o rapaz dizer isso, os
quatro começam a se afastar do pátio principal em direção à porta da frente -
com Misty ainda contida, inclusive.
O diretor apenas sorri diante
daquilo, voltando então seu olhar para a filha.
— Giselle. Na minha sala. Agora!
Foi tudo o que disse antes de dar
meia-volta e retornar pelo caminho de onde veio.
— T… tá. — a garota engole seco
antes de responder.
Mesmo relutante, ela segue o pai
até o local indicado. E enquanto isso, os demais alunos começam a se dispersar,
retornando lentamente às suas atividades, ainda um tanto abalados com o que
viram antes.
Joe, porém, permanece parado.
Seu olhar estava distante,
mergulhado em pensamentos.
Uma escolha o atormentava, e ele
precisava refletir cuidadosamente antes de tomar qualquer decisão. Caso
contrário… poderia se arrepender amargamente.
Ainda assim, depois do que vira
naquela batalha - e após ouvir as palavras daqueles Treinadores - sua
verdadeira vontade não demorou a vir à tona.
Antes, um olhar inseguro e
abatido, agora surgia uma expressão determinada, quase abrasadora.
Sua decisão estava tomada.
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Alguns minutos se passam, e Ash
junto de seus amigos permanecem ainda do lado de fora da Tech, aproveitando um
breve descanso.
Mesmo detestando a ideologia
daquela instituição, tinham que admitir: a paisagem ao redor era agradável.
— Cara… hoje foi uma baita
loucura. / Pikapi! — comenta Ash após tomar um gole em sua garrafa d’água,
agachado sob uma árvore próxima à entrada da escola.
— Pelo menos ensinamos uma lição
praqueles engomadinhos de uma figa! — resmunga Misty, sentada na grama enquanto
polia cuidadosamente seu ovo.
— Você realmente pegou ranço
deles, hein! — Ash ri.
— Mas é claro! Eu odeio gente que
se acha superior. Mas odeio ainda mais quem menospreza os outros! — rebate a
ruiva.
O palletiano não podia culpá-la.
Ele próprio havia ficado bastante
irritado lá dentro - principalmente depois da forma como Giselle tentou se
aproximar dele.
No fundo, inclusive, suspeitava
que todo aquele charme exagerado escondia alguma segunda intenção – Serena
também partilhava dessa opinião.
Mas o garoto jamais cairia em um
truque daqueles.
— Na maioria das vezes, é inútil
tentar forçar alguém a mudar quando a própria pessoa se recusa a aceitar a
realidade. — afirma Brock, reorganizando calmamente os itens da viagem. — O
melhor a se fazer é deixar as coisas como estão e focar em nós mesmos.
Mesmo não gostando muito disso,
Ash e as garotas tinham que admitir que Brock estava certo. Pessoas que não
querem mudar dificilmente mudam.
— Só espero que o Joe não acabe
se metendo em problemas por nossa causa. — comenta Serena enquanto escovava
Fennekin, que já se recuperava bem graças às poções de Brock.
— Mais problemas? — ironiza
Misty, recebendo da kalosiana apenas um sorriso nervoso.
No instante seguinte, uma voz
vinda da entrada da Tech chama a atenção do grupo.
— EEEI, PESSOAL!
Era Joe.
O garoto se aproximava deles com
um sorriso no rosto, carregando uma mochila nas costas. Diferente de antes, ele
já não usava mais o uniforme da Tech.
— Joe? O que você tá fazendo
aqui? Não tinha aula? / Pika? — perguntam Ash e Pikachu, surpresos. Nenhum
deles esperava vê-lo ali.
— Não tenho mais! — responde o garoto.
— Como assim? — questiona Misty.
— Eu tô saindo da Tech!
A revelação pega todos de
surpresa.
— Sério?! Mas dá pra simplesmente
sair assim? — Ash expressa a dúvida que todos compartilhavam.
— Bom… parece que eles já estavam
planejando me expulsar de qualquer jeito. Então… só facilitei as coisas pro
diretor. — explica Joe, exibindo uma expressão levemente abatida, compadecendo
os Treinadores à sua frente. — Sabe… na Tech existe toda uma burocracia pra
expulsar um aluno. Mas, se o próprio aluno quiser sair, basta só assinar alguns
papéis e pronto. Minhas malas já estavam até prontas, então levou só alguns
minutos.
Logo em seguida, porém, um
sorriso muito mais sincero surge em seu rosto.
— Mas não tem problema! — afirma.
— Eles podem pensar o que quiserem de mim. Eu não devo mais satisfação pra
aquela gente.
Os demais sorriem ao perceberem
que o garoto parecia diferente - mais leve.
— É assim que se fala! / Pika!
— E devo agradecer principalmente
a você, Serena! — declara Joe, pegando a caramelada de surpresa. — Sua batalha…
e tudo o que você falou… me fizeram perceber que existe muito mais em ser um Treinador
do que ficar preso a regras banais. Então… muito obrigado mesmo. A todos vocês!
Ao terminar, ele se curva
respeitosamente diante do grupo.
Os Treinadores sorriem diante
daquele gesto.
— Só fizemos o que achávamos
certo. Só isso! — responde Serena. Para ela, não havia motivo para
agradecimentos. Apenas haviam agido como verdadeiros Treinadores.
— Então quer dizer que você
decidiu sair em jornada, Joe? — pergunta Brock.
— Isso mesmo! — responde o
garoto, voltando a encarar o grupo. — O diretor permitiu que eu ficasse com o
Pokémon que a Tech tinha me disponibilizado.
— Aí sim, cara! — Ash sorri,
animado. — E que Pokémon é esse? Acho que a gente ainda não viu.
Os demais também demonstravam
curiosidade.
— Talvez, um dia, eu mostre pra
vocês! — diz Joe, ajeitando a postura. — Porque, quando eu me tornar um grande Treinador,
nós vamos nos reencontrar com certeza!
A convicção em sua voz era tão
forte que o grupo não pôde deixar de acreditar nele. De fato… Joe tinha
potencial para se tornar um futuro rival.
Logo depois, ele ajusta a mochila
nas costas e dá um passo adiante.
— No mais, era só isso! Queria me
despedir antes que vocês retomassem a viagem. Que bom que vim a tempo. — sorri,
o olhar cheio de expectativas, apesar de tantas pessoas terem desacreditado
dele.
— Quer que eu te mostre a melhor
rota boa pra iniciantes? — sugere Brock, puxando o mapa.
— Obrigado, mas não precisa! —
Joe responde rapidamente. — Quero seguir meu próprio caminho e aprender sozinho,
na raça.
Brock não achava aquilo a melhor
ideia do mundo, mas decide respeitar a decisão do garoto.
— Boa viagem, Joe! O caminho não
vai ser nada fácil… mas, se não tiver desafio, nem vale a pena. Hihi! — brinca
Serena, lançando uma pequena piscadela divertida.
Os demais acompanham a risada.
— Muito obrigado, Serena! — o
garoto sorri para a caramelada. — Quando eu ficar mais forte, a primeira coisa
que farei quando eu reencontrar vocês, será te desafiar para uma batalha.
Essa declaração surpreendeu
Serena, enquanto os demais apenas sorriram diante daquilo – coisa que a
kalosiana faz logo em seguida.
— Estarei ansiosa por isso!
Depois de mais algumas trocas de
palavras, Joe começa a se afastar enquanto acenava para o grupo, que acenava de
volta – era um novo recomeço para aquele garoto, e eles apenas desejavam o
melhor para ele.
— Sinto que ele terá crescido
bastante da próxima vez que o reencontrarmos. — afirma Brock, recebendo a
concordância de todos.
— Bem, já ficamos nesse ambiente
tóxico tempo demais. Vamos embora logo. — apressa Misty, guardando o ovo na
incubadora.
— A Misty tá certa. — concorda
Ash. — Partiu Vermilion! — o rapaz anima-se, socando o ar, sendo o primeiro a
andar.
— Pika! — Pikachu, em seu ombro,
imita o gesto do Treinador
Serena dá apenas uma leve risada
com o entusiasmo deles, o acompanhando junto dos outros.
Escondida atrás de uma árvore e
tendo escutado a conversa toda, desde que o Joe estava presente, Giselle
permanecia parada, imersa em pensamentos – um leve hematoma estava presente no
canto de sua boca.
— “Uma jornada.... Eu....”
================================
Enquanto caminhavam pela Rota 5,
Misty volta o olhar para Serena.
— A propósito, Serena… não
imaginava que você levava tanto jeito com as palavras. — comenta em tom de
brincadeira. — Sempre achei que você fosse toda tímida.
— O… O quê?! Não…! Eu…! Quer
dizer…! — a caramelada fica completamente vermelha, tentando se defender a todo
custo, mas sem conseguir organizar as próprias palavras.
A reação dela arranca risadas do
grupo. Aquilo tinha sido bastante fofo.
Logo em seguida, é a vez de Ash
olhar para a ruiva.
— Ah, Misty… quase esqueci. Me
desculpa! — diz o garoto.
— Huh? — a ruiva não entende de
imediato. Serena, porém, recuperando a compostura, apenas sorri, sabendo
exatamente ao que ele se referia.
— Pelo que eu falei mais cedo.
Não foi legal da minha parte.
— Ah! — Misty finalmente se
recorda. — Não tem problema, Ash! Na hora eu fiquei bem irritada… mas depois
acabei relaxando, sabe? Acho que humilhar aqueles metidos da Tech me ajudou a
esquecer isso. — ela sorri. — E eu também quero me desculpar. Não quero que
você fique achando que eu sou tão agressiva daquele jeito o tempo todo.
Ash e Misty trocam um sorriso.
Agora que haviam se entendido, a
viagem prometia ser muito mais tranquila.
Ou… pelo menos era o que eles
pensavam.


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