sábado, 20 de junho de 2026

Pokémon: TLD - Capítulo 19: O Peso de Proteger Algo Frágil

A chuva continuava a cair suavemente, mesmo sob a densa neblina que envolvia a costa. O brilho do farol se destacava na paisagem, mas a visibilidade continuava baixa, sendo essa uma grande vantagem para os Rockets, que conseguiram se esgueirar entre as árvores sorrateiramente sem serem notados.

 

— Bem, quem diria que realmente o Detector de Ondas Eletromagnéticas fosse tão útil? Hehehe. Bom trabalho, Cassidy — elogia Butch.

 

— Obrigada. Eu sempre tenho ótimas ideias — vangloria-se a mulher. A tempestade acabou sendo mais forte do que ela imaginava, o que atrapalhou a detecção. Mas, graças a esse fator, a eletricidade do Pikachu fora potencializada, o que ajudou o dispositivo a localiza-lo mais facilmente entre dezenas de fontes eletromagnéticas na região – foi uma mão na roda.

 

Rapidamente, os Grunts se mobilizavam em formação, com diversos veículos a postos, cercando ao redor do penhasco de forma a impedir a fuga de qualquer indivíduo.

 

— Senhora Cassidy! Senhor Butch! As unidades já cercaram o farol e estão em posição. Devemos invadir o local e capturá-los? — indagou um dos agentes, dirigindo-se aos seus superiores.

 

— Não. Invadir o local está fora de cogitação. — respondeu Cassidy com firmeza, deixando o Rocket visivelmente confuso.

 

— E por que? — questionou Butch, tentando compreender a lógica da parceira. — Só a gente já seríamos mais do que suficientes para esmagar aqueles vermes.

 

— Não tenho dúvidas disso. — concordou a loira. — Mas aquele farol, se as informações que obtive estiverem corretas, pertence a Bill Wright. Ele não é apenas um pesquisador Pokémon renomado; também é jornalista e possui conexões importantes com diversos veículos de comunicação de Kanto. Se invadirmos o local ou causarmos qualquer dano à propriedade, há grandes chances de acabarmos estampados em manchetes de jornais e telejornais. — explicou calmamente, analisando o caso.

 

— Tch... — Butch estalou a língua em irritação. — Entendo. Um passo em falso e acabaremos expondo a Equipe Rocket. Que frustrante.

 

— Mas não precisa perder a calma, Butch. — Cassidy o tranquilizou com um sorriso confiante. — Afinal, eles já estão completamente cercados. Tudo o que precisamos fazer é pressioná-los psicologicamente até que saiam do esconderijo por conta própria. E mesmo que o Wright apareça com alguma câmera, dificilmente conseguirá registrar algo útil com essa neblina e esse clima horrível. — afirmou antes de voltar sua atenção para um dos subordinados. — Ei, você!

 

— S-sim, senhora! — respondeu o Grunt, endireitando a postura.

 

— Vá buscar o megafone.

 

— S-sim, senhora! — assentiu rapidamente, apressando-se para cumprir a ordem.

 

Rapidamente, o agente retornou com o objeto que havia deixado no jipe e o entregou à líder da operação.

 

Cassidy apertou o botão de ativação e, em seguida, levou o amplificador à boca.

 

— ATENÇÃO! NÓS SOMOS A EQUIPE ROCKET! QUEREMOS ALGO QUE NOS FOI TOMADO! É MELHOR NÃO PENSAREM QUE PODEM FUGIR, JÁ CERCAMOS TODA A ÁREA AO REDOR. SAIAM DO FAROL E RENDAM-SE!

 

Após o anúncio, apenas o silêncio respondeu.

 

Os segundos se arrastaram. Um minuto. Dois. Três. Nada.

 

Eventualmente, cinco minutos se passaram sem qualquer reação vinda do interior do farol.

 

— Grrr... isso é um ultraje! — resmungou Butch, irritado. — Já se passaram vários minutos e eles nem sequer deram sinal de vida.

 

Então, a porta do chalé se abriu lentamente.

 

Riley surgiu do interior da construção. Sob um velho pano acinzentado, carregava um volume cuidadosamente acomodado entre os braços. Ele encarou os Rockets por alguns instantes e, com impressionante tranquilidade, ajustou a carga contra o peito antes de avançar alguns passos, sem demonstrar qualquer pressa ou preocupação.

 

Ao seu lado, Lucario o acompanhava em silêncio, mantendo o olhar atento e a postura firme.

 

— Hehe. Então ele finalmente desistiu e resolveu se entregar? — indagou Butch, exibindo um sorriso satisfeito.

 

— Talvez. Mas é melhor não baixarmos a guarda. — Cassidy estreitou os olhos. — Nossa operação está perto do fim.

 

Riley, porém, não parecia acuado.

 

Ele respirou fundo, mantendo a calma enquanto observava os Rockets à distância.

 

A parte mais importante de sua missão estava prestes a começar.

 

 — Lucario... faça o que combinamos.

 

— Raaaar! — respondeu o Guardião Pokémon, acatando a ordem de imediato.

 

Fechando os olhos e unindo as patas em posição de meditação, o chacal permaneceu imóvel por alguns instantes. Uma energia azulada começou a emanar suavemente ao seu redor e, após poucos segundos de concentração, ele tornou a abrir os olhos.

 

— Raaaar! — latiu Lucario.

 

— Entendo. Então vamos colocar o plano em prática. — declarou Riley, exibindo um pequeno sorriso confiante.

 

Os dois seguiram adiante em passos lentos e controlados, sem demonstrar qualquer movimento suspeito ou precipitado.

 

À distância, Cassidy e Butch observavam atentamente a dupla, tentando interpretar suas intenções. Ainda assim, permaneciam tranquilos. Em suas mentes, não havia motivo para preocupação.

 

— O que eles estão fazendo? — perguntou Butch, franzindo a testa.

 

 

— Estão vindo na nossa direção. — respondeu Cassidy, sem desviar o olhar. — Ao que tudo indica, finalmente decidiram se render.

 

Conforme avançavam para longe do farol e se aproximavam da linha da floresta, Riley e Lucario começaram a acelerar gradualmente o passo.

 

— É esse o momento. Agora, Lucario. — falou em voz baixa para seu parceiro.

 

Acatando a ordem, Lucario recuou as patas para junto da cintura, concentrando entre elas uma intensa energia azulada.

 

Daquela distância, a dupla Rocket não conseguia distinguir exatamente o que estava acontecendo. Ainda assim, um mau pressentimento percorreu a espinha de Butch.

 

— E-ei, Cassidy... fique alerta. Acho que eles estão planejando alguma coisa. — avisou ele, alarmado.

 

— É o que parece. — concordou a parceira, estreitando os olhos.

 

— Agora, Lucario! Aura Sphere! — bradou Riley.

 

Antes que os Rockets pudessem reagir, Lucario saltou para o alto e lançou as patas à frente. A esfera condensada de Aura disparou como um projétil azul brilhante, atingindo o solo bem diante do batalhão.

 

A explosão gerada ergueu uma grande cortina de terra, poeira e detritos, engolindo a linha de visão dos Rockets em questão de segundos.

 

Aproveitando o caos, Riley e Lucario atravessaram a brecha no cerco e dispararam mata adentro.

 

— Cof... cof... o que foi isso?! / Cof... então esse era o plano dele... Algum membro ferido? — questionaram Butch e Cassidy em sequência.

 

— Estamos bem! O ataque não atingiu ninguém do pelotão! — relatou um dos Grunts.

 

— Aquele desgraçado está fugindo para a floresta! — esbravejou Butch.

 

— Senhora Cassidy! Isso pode ser uma armadilha. Aqueles Treinadores ainda devem estar no farol. Se formos rápidos, talvez possamos... — começou um dos agentes.

 

— Não vale a pena desperdiçar tempo com algo incerto. — Cassidy o interrompeu imediatamente.

 

A loira observou a direção para onde Riley havia corrido. Mesmo com a chuva e a neblina, ela tinha certeza de ter visto o volume que ele carregava nos braços.

 

Eles presumiam que aquele era o ovo - e era a única coisa que realmente importava. O resto seria melhor ignorar.

 

— Além do mais, pelos relatórios que li, aqueles pirralhos não são uma ameaça. Foquem no alvo principal. — ordenou ela. — Atrás dele!

 

Sem perder mais tempo, o grande contingente da Equipe Rocket voltou a se mover, avançando pela mata em perseguição ao fugitivo que mais uma vez ousara fugir deles.

 

Eventualmente, o silêncio voltou a dominar o farol, como se toda aquela movimentação tivesse sido apenas um delírio causado pela neblina da madrugada.

 

Após cerca de dez minutos, Bill decidiu sair da residência para verificar os arredores. Ao constatar que não havia mais ninguém por perto, fez um breve aceno para dentro.

 

— Está tudo bem. Podem sair. — sussurrou.

 

Ao ouvirem isso, Ash e os demais finalmente deixaram o interior do chalé. O alívio era evidente em seus rostos ao perceberem que a confusão havia passado.

 

— Parece que deu certo. — comentou Misty.

 

— De fato. Riley estava certo em sermos cautelosos quando o amanhecer chegasse. — concordou Serena.

 

— Bem, acho melhor partirmos logo. Não podemos desperdiçar essa oportunidade. — sugeriu Brock.

 

Entre todos, apenas Ash ainda carregava um semblante inquieto. Mesmo com tudo indo de acordo com o plano, ele não conseguia se sentir completamente tranquilo.

 

Serena percebeu isso imediatamente.

 

Não era comum vê-lo tão abatido ou pensativo. Ainda assim, ela compreendia seus sentimentos. Afinal, diante de tudo o que havia acontecido, até ela própria não conseguia evitar uma sensação de conflito.

 

— Ash... — murmurou a kalosiana, chamando a atenção do garoto.

 

— Está tudo bem, Ash? — perguntou Brock.

 

— A-ah, sim! N-não é nada! / Pikapi... — respondeu o moreno, saindo de seu transe, enquanto o pequeno rato elétrico demonstrava a mesma preocupação pelo amigo.

 

— Bem, pessoal, é aqui que nos despedimos. Peço sinceras desculpas por não ter sido tão útil nessa situação. — disse Bill, exibindo um sorriso discreto.

 

 

— Não diga isso, senhor Bill. Graças ao senhor, tivemos um lugar seguro para descansar e nos preparar para tudo isso. Além do mais, com o presente que nos deu, temos uma boa chance de despistar a Equipe Rocket de uma vez por todas. Somos nós que devemos agradecer. — respondeu Brock, com um sorriso.

 

— Fico feliz em ouvir isso. — o jornalista sorri ainda mais. — Espero que consigam atravessar o trajeto em segurança.

 

— Nós iremos. — confirmou Misty.

 

— Até mais, senhor Bill. / Pikaa! — despediram-se Ash e Pikachu, enquanto o restante do grupo também acenava em agradecimento.

 

Sem perder tempo, seguiram em frente pela chuva envolta em neblina. Logo depois, Brock passou a guiá-los por uma trilha que adentrava a floresta.

 

Todos corriam pela mata, conscientes de que cada minuto era precioso naquela situação. O perigo ainda não havia desaparecido - pelo menos, não completamente. Ash sentia isso melhor do que ninguém enquanto carregava nos braços a incubadora com o ovo que Riley havia confiado aos seus cuidados.

 

“Riley... será que esse plano realmente vai funcionar?” — pensava o palletiano, recordando a conversa da noite anterior, quando o Guardião lhes explicou a estratégia que utilizariam contra a Equipe Rocket.

 

Um plano arriscado, mas que, caso tudo ocorresse conforme o desejado, seria a chave para escaparem.

 

================================

 

Algumas horas antes, na noite do dia anterior...

 

O grupo estava reunido mais uma vez ao redor da mesa do farol. O clima era sério, e todos aguardavam enquanto Riley organizava os pensamentos antes de expor o plano que tinha em mente. Serena havia recolhido Fennekin para a Poké Ball para mantê-la segura, prestando total atenção no que o Guardião falaria.

 

— É o seguinte... Eu sei que isso vai soar absurdo, mas sou eu quem eles querem. — começou o Guardião. — Por isso, eu serei a isca.

 

— Espera aí... quê?! — Ash quase se levantou da cadeira. — Tá falando sério, Riley?!

 

— Completamente sério. / Rar! — confirmou ele com tranquilidade. — Enquanto eu os atraio, vocês esperam a deixa e vazam. Não importa para onde, desde que seja o mais longe daqui.

 

— Mas isso é arriscado demais. Como pode ter certeza de que a Equipe Rocket não vai desconfiar? — questionou Misty.

 

— Pelo pouco que observei deles durante o tempo que os persegui, eles colocam a missão acima de qualquer outra coisa. Por isso, eu vou carregar exatamente aquilo que eles querem. — explicou Riley com um leve sorriso. — Se me virem levando o ovo, não vão pensar duas vezes antes de virem atrás de mim.

 

— Então você planeja levar o ovo com você?! — espanta-se Serena.

 

— Você só vai colocar o ovo em risco desnecessário, Riley! Você sabe disso! — argumenta Brock. — O que garante que você vai lidar com todos eles sozinho?

 

— Mas quem disse que vou levar o ovo comigo? — sorri Riley, deixando os demais com expressões confusas. — Eu combinei que deixaria esse ovo aos seus cuidados, e é o que farei. — fala, voltando o olhar para Ash.

 

— Espera... Isso é verdade, Ash? — surpreende-se Serena, encarando o garoto.

 

— Foi sim! — assente. — De alguma forma, o ovo me escolheu. Mas é um assunto meio longo. Acho que não temos tempo pra falar disso agora.

 

— De acordo. — concorda Bill, tomando um gole de café. — Voltando à questão... Você tá querendo dizer que não pretende levar o ovo, mas fazer essa Equipe Rocket acreditar que você tá com ele... Estou correto?

 

— Precisamente! — confirma Riley. — Estou certo de que eles me seguirão, assim vocês ficarão livres pra fugirem com o ovo quando eu estiver longe o suficiente.

 

— Espera um pouco aí... Eu tô confusa. — Misty ergue uma sobrancelha em ceticismo. — Por quê a Equipe Rocket pensaria que você tá com o ovo? — não era exagero a ruiva fazer aquele questionamento; os demais também compartilhavam da mesma dúvida.

 

— Com esse temporal todo, é impensável que eles consigam distinguir alguma coisa. Por isso... só preciso da distração perfeita. — sorri Riley, voltando o olhar para Misty. — Você...

 

— Eu...? — a ruiva inclina a cabeça, confusa.

 

— Olha... Eu sei que vai ser um pedido extremo, mas preciso que você me empreste a incubadora do seu ovo. — pede, sem rodeios.

 

— Como é?!!! — Misty se indigna com tal pedido. — Mas por quê?!

 

— Entendi... Se você levar uma incubadora vazia, eles vão pensar que você tá levando o ovo junto. — analisa Bill, com uma expressão pensativa. — Bom plano, embora ainda arriscado.

 

— Espera um pouco aí! Eu ainda não concordei com isso! — reclama a ruiva, irritada por eles falarem como se isso já estivesse resolvido. — Por que não usa a incubadora dele mesmo?!

 

— Infelizmente não posso! / Rar! — responde o Guardião, olhando para as mãos de Ash. — Esse ovo possui propriedades únicas, o que lhe foi atribuído uma incubadora especial. Se fosse qualquer outra, na hora do nascimento, poderia acarretar em sérios problemas genéticos.

 

— Propriedades únicas? Problemas genéticos? — murmura Ash. — Riley, do que você...?

 

— Vocês saberão um dia. — é apenas o que diz. — Não temos tempo para discutir isso. Eles já devem estar a caminho.

 

Mais uma vez, ele volta o olhar para Misty.

 

— Por favor... Eu imploro pra você. Prometo que te devolvo. Só... me dê essa esperança. — o homem quase se curvava em súplica. Ele não podia falhar naquela missão. Nesse momento, seu orgulho pouco importava.

 

Ficava claro que Misty estava desconfortável com aquela situação. Ela jamais imaginaria ver alguém implorando daquela forma diante dela.

 

— Misty... — Brock chama a atenção da ruiva. — O que você vai fazer?

 

A garota olha ao redor da mesa. Todos à sua frente aguardavam sua resposta com expressões ansiosas.

 

Após alguns segundos de reflexão, a ruiva soltou um suspiro derrotado.

 

— Bem... Acho que posso aceitar. — decide, virando levemente o rosto e fazendo um bico. — Que escolha eu tenho? Também não quero que seu ovo, ou melhor, o ovo do Ash, caia nas mãos da Equipe Rocket. — diz, pensando em seu próprio

 

— Você tem a minha mais sincera gratidão. — sorri Riley, curvando-se novamente.

 

— Tá, tá! Só pare de se curvar! — exige a garota. — Fico até meio mal com isso!

 

Pequenas risadas se espalham pela mesa diante da reação dela.

 

— Acho que esse é o plano, então. — Serena para de rir e volta sua atenção para o Guardião. — Só que... ainda não é garantido.

 

A preocupação da kalosiana era evidente. Mesmo conhecendo Riley há pouco tempo, ela havia passado a simpatizar com ele, apesar de sua personalidade reservada.

 

Além disso, vê-lo agir daquela forma diante de Misty mostrava um lado humilde que a caramelada não podia deixar de admirar.

 

— Serena tá certa, Riley. — concorda Ash. — Como você vai lidar com todos eles?

 

— Não se preocupem comigo! Eu sou forte. — afirma com confiança. — Pode não ter parecido quando nos conhecemos. Mas com o Lucario já recuperado, podemos sim atrasá-los. Não concorda, parceiro?

 

— Rar! — confirma o chacal, irradiando Aura ao redor do corpo como prova de que continuava em plena forma.

 

— Bem... — Ash fala. — Se você tá tão seguro, acho que podemos confiar, pessoal! Não temos outra alternativa.

 

O restante do grupo levou alguns segundos antes de assentir - o plano estava decidido.

 

Horas depois, poucos minutos antes da Equipe Rocket cercar o farol...

 

Todos estavam posicionados diante da porta do chalé, aguardando o momento certo para colocarem o plano em prática.

 

Riley havia voltado a vestir sua capa e utilizava um pano dado a ele por Serena para cobrir a incubadora vazia de Misty, que carregava nos braços. Enquanto isso, a ruiva mantinha seu ovo guardado em segurança dentro da mochila.

 

— Acho que é isso... Só temos que esperar o momento certo. — fala Riley, se apoiado contra a parede.

 

— E como sabemos qual o momento certo? — pergunta Brock. Se o Guardião demonstrava tanta confiança, então provavelmente já tinha pensado nesse detalhe.

 

— Eu e o Lucario saberemos quando eles se aproximarem. — é só o que responde.

 

Brock e os demais aceitaram a resposta por ora. Não havia motivo para insistir.

 

Nesse momento, o ovo que Ash carregava voltou a emitir o brilho azulado.

 

— Olhem, tá brilhando de novo. — percebe Misty.

 

— Que intrigante... — murmura Bill, levando um dedo ao queixo enquanto observava o fenômeno.

 

— Está reagindo novamente com sua Aura. Isso vai acontecer mais vezes até eclodir. / Rar! — diz Riley e Lucario.

 

— Eu... ainda não entendi como isso funciona. — fala Serena. Ash e Riley haviam explicado brevemente sobre a Aura e os Guardiões, mas de forma bastante resumida. Ainda assim, era algo difícil de absorver.

 

— Tenho certeza que o garoto terá tempo de explicar melhor depois. Mas mais importante... — Riley encerra o assunto e volta o olhar para Ash. — Espero que você não se esqueça da nossa promessa. Esse ovo, proteja-o com a sua vida.

 

Os dois se encaram com seriedade, observados atentamente pelos demais.

 

A princípio, Serena se preocupava quanto a ideia de Ash usar sua vida. Era um cenário ao qual ela nem queria imaginar. Por isso, ajudaria o amado no que ele precisava para proteger aquele ovo. Custe o que custar.

 

— Você nem imagina a importância dele. Por isso... faça o possível para mantê-lo longe da Equipe Rocket. / Rar!

 

— Eu já disse e repito, Riley! Comigo, esse ovo tá protegido. — Ash sorri com convicção.

 

Riley apenas assentiu, ciente da determinação do jovem. Não desgostava daquela atitude... muito pelo contrário.

 

— Só queria saber que Pokémon...

 

— Espera! — Riley interrompe o palletiano imediatamente, enquanto as orelhas de Lucario se moviam em alerta. — Eles chegaram.

 

Todos ficaram confusos com essa afirmação. Até que...

 

— ATENÇÃO! NÓS SOMOS A EQUIPE ROCKET! QUEREMOS ALGO QUE NOS FOI TOMADO! É MELHOR NÃO PENSAREM QUE PODEM FUGIR, JÁ CERCAMOS TODA A ÁREA AO REDOR. SAIAM DO FAROL E RENDAM-SE!

 

A voz feminina amplificada pelo megafone ecoou por todo o farol, assustando os presentes, com exceção de Riley e Lucario.

 

— Droga... São eles. — murmura Brock, receoso de que a Equipe Rocket pudesse ouvir qualquer barulho que eles fizessem.

 

— Demoraram mais do que imaginei. — diz Riley, observando o exterior por uma fresta, onde conseguia distinguir algumas luzes no alto de uma colina.

 

— “Se demoraram tanto, você podia ter explicado por que esse ovo é tão especial.” — pensa Ash, erguendo uma sobrancelha enquanto olha para Riley.

 

— Bem... Acho que é minha deixa. — o Guardião fala, segurando firmemente a incubadora e abrindo a porta.

 

— Por favor, toma cuidado. — diz Serena, juntando as mãos quase como uma prece.

 

Riley apenas assente.

 

— Lembrem-se! Esperem ao menos dez minutos antes de saírem e correrem pela rota do lado. Conto com vocês! — fala por fim, saindo pela porta junto de Lucario e dando início ao plano definitivamente.

 

— Só não se esqueça de devolver minha incubadora! — Misty eleva a voz para que Riley a escute do lado de fora. Ela esperava sinceramente que ele tivesse a ouvido.

 

— E lá vai ele. — comenta Brock, cruzando os braços.

 

— Se ele tá tão seguro de si, então devemos dar esse voto de confiança. — sorri Bill, fechando a porta.

 

— Todo esse plano pode funcionar, mas... não sei muito bem ainda como manter esse ovo seguro desses ladrões. Nunca cuidei de um antes. / Pikapi...  — Ash lamenta, observando o objeto que carregava nos braços.

 

— Não se preocupe com isso, Ash! A gente vai te ajudar. — sorri Misty. — Pode ser pouca, mas eu ainda tenho alguma experiência em cuidar de um ovo Pokémon, como você pode imaginar. — brinca, apontando para a própria mochila.

 

Serena se aproxima do amado com um sorriso caloroso, confirmando com a cabeça.

 

Aquilo pareceu animar um pouco mais o palletiano, que sentia parte do peso que carregava se dissipar.

 

— Mas ainda temos um problema, pessoal. — Brock chamou a atenção do grupo. — Não dá pra ficar fugindo da Equipe Rocket pra sempre. E, mesmo que o plano dê certo, não podemos descartar a possibilidade de cruzarmos com eles de novo em algum momento. Precisamos de uma rota de fuga eficiente para despistá-los de vez. Pelo menos a longo prazo.

 

— Brock tá certo. Mas o que fazemos? — Misty se deu conta desse detalhe que o amigo pontuou.

 

Todos ficaram pensativos. O tempo passava, e precisavam encontrar uma solução o quanto antes.

 

Foi então que Bill parece se tocar de algo.

 

— Quer saber...? Acho que posso ajudar com isso. — sorriu o pesquisador, despertando imediatamente a curiosidade dos Treinadores. — Sacam só...

 

Bill retirou dois ingressos azuis com adornos dourados e os exibiu diante do grupo.

 

Ash, Serena e Brock analisaram os bilhetes sem reconhecer do que se tratavam. Misty, por outro lado, arregalou levemente os olhos.

 

— Espera... Esses ingressos... — murmurou a ruiva.

 

— Você já viu isso antes, Misty? / Pika? — indagaram Ash e Pikachu.

 

— Quando eu era criança, lembro de ver minha mãe carregando ingressos assim para irmos assistir a um show das minhas irmãs. Mas não lembro exatamente do que são. — respondeu Misty.

 

— Esses ingressos, meus caros, são para o S.S. Anne, um dos maiores cruzeiros de luxo do mundo, que vai partir daqui a alguns dias! — revelou Bill, abrindo um largo sorriso. — Esses adornos indicam que são ingressos VIP, graças à minha profissão.

 

— Mas por que tá mostrando isso pra gente? / Pikapi? — perguntou Ash.

 

— Simples! Vou dar eles pra vocês! — respondeu Bill, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

 

— Mas o quê? Não podemos aceitar, Bill! — contestou Misty de imediato.

 

— Isso mesmo! Eles são seus. É a sua viagem. Não podemos tirar vantagem de você. — Ash concordou com a ruiva. Aquilo simplesmente não lhe parecia justo.

 

Brock e Serena também compartilhavam da mesma opinião.

 

— Não esquentem com isso! Eu nem conseguiria ir mesmo! — Bill fez um gesto despreocupado com a mão, deixando todos ainda mais confusos. — Cada um desses ingressos permite que a pessoa leve pelo menos um acompanhante. Inicialmente, iríamos eu, minha esposa e minha filha. Além dos meus avós. — explicou, mostrando um terceiro ingresso que carregava.

 

— Mas então...? — Ash começou a falar, mas Bill se antecipou.

 

— Porém, minha esposa acabou ficando doente, e não vamos mais conseguir ir ao cruzeiro. E, por causa disso, meus avós também não querem mais viajar. — sorriu de forma calorosa ao se lembrar da insistência deles em só irem caso toda a família estivesse reunida. — Então, essa é a melhor oportunidade para vocês aproveitarem esses dois ingressos. Encarem isso como um agradecimento por terem se interessado pelos meus estudos. Quanto ao terceiro, eu dou um jeito de vender depois.

 

O pesquisador estendeu os dois bilhetes, aguardando uma resposta dos Treinadores, que não demorou a vir.

 

— Nossa... Nem sei como agradecer, senhor Bill! — Brock coçou a nuca, visivelmente encabulado.

 

— Você salvou nossa pele, cara! — Ash sorriu, aceitando um dos ingressos, enquanto Brock ficou com o outro. Como eram quatro pessoas, aquilo serviria perfeitamente.

 

— Você é muito gentil. — Serena curvou-se educadamente em agradecimento, enquanto Misty apenas lhe ofereceu um sorriso sincero.

 

— Gosto de fazer uma boa ação de vez em quando. — brincou o pesquisador, arrancando alguns sorrisos do grupo.

 

Em seguida, ele voltou o olhar para a porta.

 

— Enfim, acho que já passou tempo suficiente. Vocês deviam se apressar.

 

Todos sabiam que o pesquisador tinha razão.

 

Agora, tudo o que podiam fazer era honrar o desejo de Riley e garantir que aquele plano tivesse a maior chance possível de dar certo.

 

Tempos atuais...

 

Enquanto avançavam pela mata, a chuva voltava a se intensificar. Os trovões tornavam a ecoar pelos céus novamente, iluminando de forma breve a floresta envolta pela névoa formada pelos pingos da chuva.

 

Mesmo assim, ninguém diminuía o ritmo.

 

Durante a corrida, Ash levou uma das mãos ao casaco e retirou o ingresso que Bill lhe entregara. Seus olhos percorreram rapidamente o bilhete. Apesar do temporal, o material resistente com que fora confeccionado impedia que a chuva o danificasse.

 

Aquele pedaço de papel representava uma oportunidade valiosa.

 

Se tudo corresse bem, poderiam finalmente colocar uma grande distância entre eles e a Equipe Rocket.

 

Ou, pelo menos, fazer todo o possível para isso.

 

 

================================

 

 

Riley e Lucario avançavam rapidamente pela floresta, desviando de árvores, raízes e arbustos com precisão admirável.

 

Ainda assim, ambos sabiam que não conseguiriam manter aquele ritmo para sempre.

 

Ao observar discretamente os arredores, Riley notou os veículos da Equipe Rocket acompanhando sua movimentação pelas colinas laterais. Era apenas uma questão de tempo até...

 

O Guardião afastou o pensamento de imediato.

 

Não importava o que acontecesse dali em diante. Seu único objetivo era mantê-los longe de Ash e dos demais.

 

Um leve sorriso surgiu em seu rosto.

 

Subitamente, ele interrompeu a corrida e alterou sua rota, mergulhando em uma área da floresta muito mais fechada, onde a vegetação densa reduzia drasticamente a visibilidade e limitava a passagem.

 

A mudança não passou despercebida - a Equipe Rocket foi forçada a parar.

 

Cassidy e Butch desceram de um dos jipes e observaram a direção para a qual Riley e Lucario haviam desaparecido.

 

— Cassidy, os jipes não passam por ali. Fazemos o que?! — resmungou Butch, cruzando os braços com evidente impaciência.

 

A mulher avaliou rapidamente as possibilidades, chegando à conclusão mais óbvia.

 

— Simples, Butch! — respondeu. — Seguiremos a pé.

 

Sem perder tempo, ela deslizou cuidadosamente pela encosta da colina, seguida de perto por Butch, até ambos alcançarem o terreno enlameado abaixo.

 

— Quero pelo menos três motos nos acompanhando! — ordenou a loira, virando-se para seus subordinados.

 

Os agentes assentiram prontamente e trataram de cumprir a ordem sem questionamentos.

 

A caçada estava apenas começando.

 

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O Guardião e seu Pokémon avançavam sem uma direção definida pela floresta, enquanto a chuva intensa atingia seus rostos como pequenas lâminas de água.

 

Não sabiam exatamente para onde estavam indo, mas uma coisa era certa: continuavam sendo perseguidos.

 

Ao atravessarem mais um arbusto, chegaram a uma área de terreno plano.

 

Riley fechou os olhos por um instante, analisando as Auras ao redor. Em seguida, trocou um olhar com Lucario.

 

Os dois compreenderam a situação imediatamente - estavam sendo flanqueados.

 

Aquela Equipe Rocket era muito mais problemática do que haviam imaginado.

 

Agora não restavam dúvidas. Mais cedo ou mais tarde, ficariam sem saída.

 

Só havia um caminho disponível, seguir em linha reta. E foi exatamente o que fizeram.

 

Após percorrerem mais alguns metros, o terreno aberto deu lugar novamente a uma mata densa. Porém, ao avançarem por ela, ambos pararam de repente.

 

Haviam chegado à beira de um penhasco.

 

Riley manteve a expressão séria, como se já esperasse por aquele desfecho.

 

E, na verdade, esperava.

 

Ele soltou um longo suspiro e ergueu o olhar para o céu acinzentado, deixando que a chuva atingisse seu rosto. Ao seu lado, Lucario apenas o observava em silêncio.

 

— Acho que é isso, amigo. / Rar!

 

Logo em seguida, ambos sentiram inúmeras presenças se aproximando.

 

Pelas laterais, jipes e algumas motos surgiram após contornarem a área por um longo desvio. Atrás do Guardião, diversos outros agentes da Equipe Rocket avançavam junto de mais três motocicletas, encarando os fugitivos como predadores prestes a encurralar a presa.

 

Caminhando lentamente para a frente do grupo, Cassidy e Butch emergiram da penumbra. Ambos exibiam sorrisos maliciosos.

 

— Já não acha que ficamos tempo demais nisso? — comentou a mulher ao parar alguns metros adiante, cruzando os braços com tranquilidade.

 

— Foi um jogo de gato e rato estressante, não concorda? — acrescentou Butch, lançando um olhar muito mais hostil do que o de sua parceira.

 

— Sério? Não acham que o pega-pega estava divertido? / Rar! — respondeu Riley com um sorriso tranquilo.

 

Não havia medo em sua expressão. Nem sequer sinal de nervosismo.

 

— Não foi não! — rebateu o esverdeado, enquanto uma veia saltava em sua testa. — Agora... Tá pronto para entregar o que roubou?

 

— Primeiro, foram vocês que roubaram. E segundo... Não! — foi tudo o que Riley disse antes de fechar o semblante. — Lucario, Aura Sphere!

 

— Rar!

 

O chacal saltou com agilidade e disparou uma esfera de energia azulada na direção de Cassidy e Butch.

 

Entretanto, nenhum dos dois pareceu preocupado.

 

Com absoluta tranquilidade, Cassidy apenas estalou os dedos. No que, imediatamente, um dos agentes acionou um dispositivo acoplado à sua motocicleta.

 

Uma barreira luminosa de cor verde surgiu ao redor dos comandantes, e no instante seguinte, a Aura Sphere colidiu contra ela.

 

A explosão ecoou pelo local, mas a proteção absorveu completamente o impacto, sem permitir que um único fragmento de energia atravessasse.

 

— Como é?! / Rar?! — Riley e Lucario ficaram visivelmente surpresos. — Mas como?

 

— A Equipe Rocket possui uma tecnologia de ponta, não acha? — Cassidy sorriu enquanto a cúpula desaparecia. — Agora... já que você nos atacou primeiro, espero que não se importe se revidarmos.

 

Butch abriu um largo sorriso ao comentário da parceira. Ele já estava ansioso por ação há bastante tempo.

 

Ao redor, os demais Rockets logo sacaram suas Poké Balls.

 

— Lembrem-se! Não danifiquem a mercadoria! — ordenava Cassidy.

 

Riley, que deixara a incubadora em segurança atrás de si, começou a suar, embora isso passasse despercebido em meio à chuva.

 

Sua situação não estava nada boa.

 

================================

 

Alguns minutos depois...

 

Riley estava de joelhos após desviar de uma sequência interminável de ataques, enquanto seu ferido Lucario permanecia de pé à sua frente, protegendo-o.

 

Vários Pokémon inimigos já haviam sido derrotados e jaziam desacordados pelo chão.

 

Ainda assim, dois deles se destacavam.

 

Um era um Raticate, só que muito maior do que a média.

 

O outro se tratava de um grande primata de pelagem espessa e branca, com uma expressão de poucos amigos e um focinho rosado que se destacava em seu rosto.

 

Sua musculatura chamava atenção, assim como os enormes punhos cercados por braceletes naturais, que transmitiam uma sensação evidente de força.

 

“A coisa tá ficando feia... São muitos pra lidar.” — pensou Riley, cerrando os dentes. — “Só espero que aquele garoto já esteja longe o bastante.”

 

— Raticate, use o Quick Attack e acerte aquele homem! — ordenou Cassidy calmamente.

 

No mesmo instante, seu Pokémon disparou para a frente em alta velocidade.

 

Lucario rapidamente se colocou no caminho para interceptá-lo. Porém, quando a colisão parecia inevitável, o grande rato mudou bruscamente sua trajetória, contornando o chacal e atingindo Riley em cheio.

 

O Guardião sequer teve tempo de reagir.

 

O impacto o lançou ao chão, abrindo espaço para a incubadora ser facilmente alcançada pelos Rockets.

 

— Rar! — Lucario tentou correr em auxílio de seu parceiro, entretanto...

 

— Primeape! — sorriu Butch.

 

— Priee! — O primata avançou e agarrou o braço de Lucario antes do mesmo se mover, derrubando-o com violência contra o solo antes de imobilizá-lo completamente.

 

— Lucario... — murmurou Riley em meio à dor.

 

Enquanto isso, Raticate permanecia sobre ele, mantendo-o pressionado contra o chão com um peso muito acima do normal para um Pokémon de sua espécie.

 

Mas, mesmo sem isso, o cansaço já cobrava seu preço. Depois de desviar de tantos ataques consecutivos, seu corpo simplesmente não respondia como antes.

 

— Fica paradinho aí. — sorriu Cassidy. — Lidaremos com você assim que tivermos nossa mercadoria em mãos. Butch!

 

— Eu sei! — respondeu o esverdeado, aproximando-se do objeto coberto pelo pano. — Missão cumprida, Cassidy.

 

No entanto, assim que o pegou, algo lhe pareceu estranho.

 

— Cassidy... — disse ele, franzindo a testa enquanto balançava levemente a incubadora coberta. — O ovo era pra ser tão leve assim?

 

A mulher ergueu uma sobrancelha.

 

— Como assim?

 

Mas, no instante seguinte, seus olhos se arregalaram - a compreensão parecia finalmente alcançá-la.

 

— Butch... tira esse pano!

 

Sem perder tempo, o homem obedeceu, desfazendo a cobertura que envolvia o objeto.

 

E o que encontraram os deixou completamente atônitos: A incubadora estava vazia.

 

O choque foi tão grande que os queixos da dupla quase bateram no chão. Os demais Rockets não estavam muito diferentes.

 

Tinham certeza de que a missão estava concluída. Para, no fim, encontrarem apenas uma incubadora vazia.

 

— C... Ca... Cassidy! O que significa isso?! Não era pra ter um ovo mega valioso aqui?! — esbravejou Butch, arremessando o objeto contra o chão com força, rachando parte da estrutura.

 

— Tá na cara que fomos enganados, Butch! — respondeu a mulher, visivelmente irritada, embora tentasse manter a compostura.

 

— Hehehe...

 

A risada de Riley chamou imediatamente a atenção da dupla.

 

Com bastante esforço, ele estendeu a mão e alcançou a incubadora de Misty. Afinal, ainda precisava devolvê-la à dona.

 

— Não tá mais comigo. Que... pena pra vocês.

 

As palavras saíram fracas. O peso de Raticate continuava pressionando seu corpo contra o chão.

 

— Isso só pode significar que o verdadeiro tá com o grupinho daquele pirralho com o Pikachu! — concluiu Cassidy. — Eles devem estar fugindo nesse exato momento. E, já que o Wright não costuma deixar o farol, ele não estará com eles.

 

— Não adianta! Vocês... jamais os encontrarão. — sorri Riley, com plena confiança no que dizia. — Eles já devem estar longe o suficiente.

 

— Cala essa boca! — Butch exclama, voltando o olhar para a parceira em seguida.  — E então, Cassidy? Matamos esse cara? — questionou, observando o Guardião, que já parecia completamente derrotado.

 

— Ainda não... — respondeu a mulher. — Seria mais vantajoso concluirmos a missão sem levantar muita poeira. E podemos usar esse homem pra isso.

 

— O que quer dizer? — indagou seu parceiro.

 

Cassidy não respondeu de imediato. Em vez disso, voltou seu olhar para Riley.

 

— Prendam ele e o tragam conosco! Vamos voltar à caça.

 

— Sim, senhora! — respondeu prontamente um dos subordinados.

 

Assim que Raticate retornou para o lado da loira, alguns Rockets avançaram sobre Riley e Lucario.

 

A dupla foi rapidamente imobilizada com pesadas algemas metálicas e conduzida para perto dos comandantes, sem qualquer chance de resistência em seu estado atual.

 

— E o que fazemos com isso? — um dos Rockets perguntou, erguendo a incubadora que Riley havia derrubado ao ser algemado.

 

— Joguem fora! Não passa de lixo. — resmungou Butch, impaciente com qualquer detalhe que não envolvesse a missão.

 

Dando de ombros, o agente fez o que lhe foi ordenado e arremessou a incubadora penhasco abaixo.

 

Riley apenas fechou os olhos por um instante - não conseguiria devolvê-la para Misty.

 

— Agora, voltando ao que interessa... Podemos rastrear os outros fujões com facilidade. — Cassidy sorriu, retirando o dispositivo de rastreamento eletromagnético. — A tempestade não está tão forte quanto antes, então será mais fácil. E, além disso, a neblina já está se dissipando.

 

De fato, naquele momento, apenas a chuva continuava castigando a região.

 

O nevoeiro desaparecia aos poucos, tornando a floresta cada vez mais visível.

 

Por isso, distinguir qualquer movimentação entre as árvores seria muito mais simples.

 

Riley, porém, não fazia ideia do que aquele aparelho realmente fazia. Ainda assim, ao ver a confiança deles em seu funcionamento, um mau pressentimento tomou conta de si.

 

— Vamos por aqui! E se certifiquem de que o prisioneiro não escape. — foi tudo o que a loira disse antes de seguir na direção indicada pelo aparelho.

 

Os demais Rockets prontamente a acompanharam.

 

Riley e Lucario caminharam sem oferecer resistência, já tendo aceitado o desfecho daquela situação. Afinal, desde o início, ele sabia que havia uma grande chance de ser capturado.

 

Tudo o que importava agora era uma única coisa - que aqueles jovens já estivessem longe da floresta.

 

Porém, enquanto avançavam sob a chuva, o Guardião e seu Pokémon sentiram outra presença.

 

Uma presença que vinha dos céus.

 

Riley ergueu discretamente o olhar, e foi ai que notara...

 

Algo cruzava as nuvens acima deles, quase oculto pela chuva e pela escuridão. Algo que parecia refletir em seu olhar.

 

Logo em seguida, um pequeno sorriso surgiu em seu rosto. Um detalhe que passou completamente despercebido pelos criminosos ao seu redor.

 

Parecia que os ventos estavam prestes a mudar.

 

================================

 

Enquanto isso, Ash e os demais continuavam avançando pela floresta, desta vez em um ritmo mais moderado. Acreditavam já estar longe o bastante dos criminosos e, além disso, correr pela mata naquele clima era arriscado.

 

Após tanto tempo em movimento, o cansaço finalmente começou a cobrar seu preço.

 

Por isso, decidiram parar por alguns instantes sob uma grande árvore, cujas copas densas impediam que a maior parte da chuva os alcançasse.

 

Ash, mantendo a incubadora coberta com alguns folhiços, se apoiou em uma pedra robusta e balançou levemente a jaqueta encharcada numa tentativa inútil de secá-la. Ainda assim, sua mente estava longe dali.

 

— Será que o Riley tá bem? / Pika... — perguntou após um longo suspiro.

 

— Eu espero que sim. — respondeu Serena, torcendo os próprios cabelos molhados.

 

— Devemos primeiro sair da floresta. Vermillion tá logo ali. Então precisamos confiar no plano do Riley e chegar ao porto. — aconselhou Brock.

 

Misty, sentada na grama, apenas concordou em silêncio enquanto verificava cuidadosamente se o ovo permanecia seguro.

 

— Eu sei! — respondeu o palletiano. — Mas não consigo deixar de ter um pressentimento ruim.

 

— Pikapi... — concordou Pikachu, que compartilhava da mesma preocupação. Logo em seguida, suas bochechas voltaram a faiscar. Os trovões ainda interferiam em sua eletricidade.

 

— Pensar nisso não vai adiantar nada, Ash. Acho melhor a gente voltar a correr. — disse Misty, levantando-se.

 

Ela soltou um suspiro.

 

Nunca imaginou que diria aquilo, mas era inevitável. Queria chegar a um Pokémon Center e secar suas roupas o mais rápido possível.

 

Os demais concordaram e retomaram a marcha, avançando com cuidado para não escorregarem no terreno encharcado.

 

No entanto, após percorrerem mais alguns metros, Pikachu sentiu algo.

 

Suas orelhas pontudas se ergueram imediatamente em alerta máximo. E Ash foi o primeiro a perceber.

 

— Pikachu? — no instante em que pronunciou o nome do parceiro, uma enorme esfera negra surgiu em meio à mata.

 

Ash reagiu por puro reflexo.

 

Protegendo o ovo sob sua jaqueta, ele se jogou para o lado.

 

A esfera passou por ele e atingiu o chão com violência, levantando terra e detritos para todos os lados.

 

— Ash! — Serena correu imediatamente até o garoto, encontrando-o ainda atordoado pelo ataque repentino. — Quem fez isso?

 

Brock e Misty também se aproximaram rapidamente. E foi então que viram...

 

Diversos membros da Equipe Rocket surgiam entre as árvores, avançando lentamente pela floresta. Cada um ocupava uma posição diferente, fechando possíveis rotas de fuga.

 

Os faróis dos veículos iluminavam os jovens, permitindo que os criminosos os observassem com clareza.

 

No centro da formação, Cassidy e Butch se destacavam, ambos exibindo expressões de satisfação ao finalmente encontrarem seu alvo.

 

— Surpresa. — zombou Cassidy, erguendo o rastreador. A antena brilhava intensamente, apontada diretamente para Pikachu.

 

— A... Equipe Rocket?! Mas... como eles nos encontraram?! — Ash suava em descrença.

 

Seus amigos compartilhavam do mesmo espanto.

 

— Tecnologia Rocket, queridinho. — caçoou a loira, balançando o aparelho em sua mão como demonstração.

 

— Acho que já sabemos o resultado disso! — declarou Butch, cruzando os braços. — Que tal entregarem o ovo e se pouparem de passar pelo inferno, seus moleques?!

 

Para reforçar a ameaça, apoiou uma das pernas sobre uma pedra e encarou o grupo de cima.

 

— Você não acha que só porque tá mandando a gente vai entregar, né? — rebateu Misty com firmeza.

 

— É! — concordou Ash imediatamente. — Quem vocês pensam que são?!

 

— Quem nós somos? Que pergunta idiota. — Cassidy balançou uma das tranças com arrogância. — Não sabem com quem estão lidando.

 

— Mas ficaremos felizes em mostrar. — acrescentou Butch, posicionando-se ao lado da parceira.

 

— Lá vão eles de novo... — cochichou um dos Rockets para o colega ao lado.

 

Os dois apenas suspiraram.

 

— Para infectar o mundo com devastação. — prosseguiu Cassidy.

 

— Para apagar as pessoas das nações. — continua Butch.

 

— Para denunciar a beleza do amor e da verdade.

 

— Para estender nossa ira até às estrelas.

 

— Sou Cassidy.

 

— E eu Butch.

 

— Somos a Equipe Rocket circulando a Terra noite e dia.

 

— Rendam-se agora mesmo ou então vão perder a luta.

 

— É isso mesmo. — finalizou Cassidy.

 

— Ratte! / Prie! — Raticate e Primeape surgiram logo em seguida, posicionando-se à frente da dupla com olhares ameaçadores.

 

No entanto, a reação dos Treinadores foi bem diferente do que a dupla Rocket esperava.

 

Eles os encaravam com expressões julgadoras após aquela apresentação.

 

— O que foi isso? — Misty foi a primeira a se manifestar.

 

— Isso me lembrou daqueles três, Serena. Eles também faziam algo parecido. — comentou Ash, ainda olhando para os Rockets como se fossem completos idiotas.

 

— Eu lembro. — concordou Serena.

 

A observação fez Cassidy e Butch erguerem uma sobrancelha.

 

— “Aqueles três!”? Acho que eles estão falando daqueles imbecis, Cassidy! — supôs Butch.

 

— É o que parece, Butch! — concordou a loira. — Porém, eu não ousaria nos comparar dessa forma. Aqueles três são a vergonha da Equipe Rocket e jamais poderiam se equiparar a nós. Somos Rank B, e eles míseros Rank D.

 

— Pelo menos no lema eles sabiam rimar. Mas vocês nem isso fazem. / Pikapi... — zombou Ash, sendo concordado por Pikachu.

 

Uma veia saltou imediatamente nas testas de Cassidy e Butch perante aquela afronta.

 

— É um lema provisório! É isso! — vociferou Butch, já sem paciência para aquela conversa.

 

— Quer saber... Dane-se tudo isso! Vocês vão entregar o ovo por bem ou por mal! — Cassidy deu um passo à frente, claramente decidida.

 

— Quero ver vocês tentarem! — Brock rebateu, sacando sua Poké Ball.

 

Os demais fizeram o mesmo.

 

Eles não sabiam como a Equipe Rocket havia chegado até ali, muito menos o que havia acontecido com Riley, mas não tinham tempo para pensar nisso agora.

 

Ash, porém, não demonstrava a mesma confiança.

 

A lembrança de sua derrota esmagadora no Monte Lua ainda estava fresca em sua mente. Se aqueles dois eram apenas um rank abaixo dos Rockets que enfrentara naquela ocasião, então certamente não seriam adversários fáceis.

 

Entretanto...

 

— Sabe... Já imaginei que vocês diriam isso! — Cassidy sorriu. — Por isso, preparamos um cenário interessante.

 

Ela fez um simples sinal com a cabeça, e os subordinados compreenderam imediatamente.

 

Poucos segundos depois, trouxeram alguém para a frente da formação. Uma pessoa que os Treinadores conheciam muito bem.

 

— Riley?! — exclamaram quase ao mesmo tempo.

 

O Guardião estava preso por correntes metálicas, sendo forçado a caminhar até parar ao lado dos comandantes.

 

Mais atrás, Lucario também era escoltado, igualmente contido e visivelmente desgastado pela batalha que travara.

 

“Um dispositivo que identifica sinais eletromagnéticos... Nunca pensei nessa possibilidade.” — Riley soltou um suspiro discreto.

 

Ao menos agora, entendia como haviam sido encontrados.

 

Precisava admitir: a Equipe Rocket era mais competente do que imaginara.

 

— E então? Já estão dispostos a negociar? — Cassidy perguntou calmamente, sorrindo ao observar as reações dos jovens.

 

— Soltem ele! / Pikaa!!! — exigiram Ash e Pikachu, avançando um passo à frente.

 

— Não é assim que se negocia, meu bem. — zombou a loira.

 

Logo em seguida, o Primeape de Butch se aproximou de Riley.

 

O primata ergueu um dos punhos envoltos por energia e o posicionou perigosamente próximo ao estômago do Guardião.

 

A ameaça era clara.

 

— Espero que entendam a situação em que estão. — rosnou Butch. — Façamos uma troca. Entreguem o ovo, e nós os devolvemos são e salvo.

 

O silêncio que se seguiu foi pesado.

 

Todos sabiam que aquela não era uma proposta - era uma ameaça disfarçada de negociação.

 

Riley permanecia de olhos fechados, como se estivesse apenas aguardando algo.

 

— Como... Como podemos confiar em vocês? — Serena se manifestou. — Sabemos que são... traiçoeiros. — Sua voz não carregava muita firmeza. Ela estava claramente receosa, o que pareceu satisfazer os Rockets.

 

— Acho que você não tem muita escolha agora. — Cassidy sorriu. — Tic tac, meus queridos. O tempo tá passando.

 

Nesse momento, um verdadeiro impasse se formara.

 

Eles queriam salvar Riley, mas também não podiam abandonar o dever que lhes fora confiado. A chuva continuava caindo enquanto o vento carregava a tensão pelo ambiente.

 

“Droga... O que fazemos?!” — pensava Brock, cerrando os dentes em frustração. — “Se continuar assim...”

 

“O Riley vai...” — concluíram Misty e Serena, consecutivamente.

 

Ash em silêncio, apertava um dos punhos, enquanto a outra mão segurava firmemente a incubadora protegida por sua jaqueta.

 

O que eles fariam?

 

Todo aquele plano tinha ido por água abaixo? Não podiam permitir que a Equipe Rocket vencesse. Não depois de tudo aquilo.

 

Os segundos passaram, e nenhuma resposta foi dada. A Equipe Rocket também não tinha pressa. Iriam saborear esse momento.

 

Ash até cogitou a ideia de aceitar, no entanto, o garoto percebeu algo - Riley havia aberto os olhos, resoluto.

 

O Guardião o encarava com seriedade, como se tudo ainda estivesse sob controle. Um leve sorriso surgiu no rosto do Guardião em seguida.

 

Por algum motivo, aquilo fez o palletiano se acalmar.

 

Mesmo sem entender a razão, Riley parecia confiante, como se sua situação não representasse perigo algum.

 

— “Riley...” — pensou Ash.

 

Em seguida, soltou um longo suspiro e então:

 

— Não!

 

A resposta surpreendeu não apenas seus amigos, mas também os próprios Rockets.

 

— Peraí... Quê? — Butch inclinou a cabeça em confusão. Será que tinha ouvido errado? Aquele garoto realmente recusou? Mesmo naquela situação?

 

— Não vou permitir que vocês levem nada! Certo, Pikachu? / Pikachu! — declarou Ash.

 

Seu parceiro saltou de seu ombro e eletrificou as bochechas, desta vez se preparando para a batalha.

 

Mesmo conhecendo Riley há pouco tempo, Ash confiava nele.

 

Se o Guardião não demonstrava medo, então ele também não iria demonstrar.

 

— Mas Ash... — murmurou Serena.

 

Ele havia esquecido da situação de Riley? A qualquer momento, a Equipe Rocket poderia...

 

— Acho que esse moleque bateu a cabeça enquanto fugia da gente. — comentou Butch, franzindo o cenho.

 

— Acho que você tá certo. — Cassidy suspirou, observando a situação com aparente tranquilidade. — Foi um plano estúpido mesmo. Butch, faz o favor e peça pro Primeape acabar com ele.

 

Entretanto, antes que Butch pudesse decretar o ultimato, Riley soltou uma breve risada, deixando todos intrigados.

 

— Tá rindo do quê, oh palhaço?! De desespero?! — esbravejou o esverdeado.

 

— Levou mais tempo do que pensei. / Rar... — foi tudo o que o Guardião respondeu, sendo acompanhado por seu parceiro.

 

O que aconteceu em seguida foi rápido demais.

 

Algo desceu dos céus em um rasante veloz, atingindo um dos veículos da Equipe Rocket e o danificando, ferindo alguns dos capangas em resultado.

 

— Mas que...?! — Cassidy mal teve tempo de reagir.

 

Ela e Butch precisaram se abaixar imediatamente para não serem atingidos.

 

Logo depois, a criatura alada passou novamente pelo campo de batalha, desta vez raspando contra as amarras de Riley e Lucario.

 

As correntes se partiram em vários pedaços.

 

Aproveitando a oportunidade, o Guardião e o chacal golpearam os Rockets mais próximos, forçando-os a recuar.

 

Sem perder tempo, ambos se afastaram e voltaram para junto dos jovens Treinadores.

 

Ash e os demais observavam tudo aquilo sem sequer tentar entender o que havia acabado de acontecer.

 

Há poucos segundos, Riley estava sendo mantido como refém. Agora, ele estava ali, ao lado deles.

 

— O que acabou de acontecer? — Butch se levantou, ajudando Cassidy a fazer o mesmo.

 

Quando finalmente se deram conta da situação, perceberam a origem daquela reviravolta.

 

O ser alado havia pousado próximo ao Guardião e encarava os Rockets com um sorriso selvagem.

 

Era um Pokémon incomum.

 

Seu corpo parecia ser inteiramente feito de metal, uma armadura viva. A cabeça possuía um formato peculiar, semelhante a um elmo pontudo, enquanto asas vermelhas se projetavam de diversas placas metálicas.

 

— Skaaar!!!

 

— Bom trabalho, Skarmory! Surpreendemos eles. / Rar! — disseram Riley e Lucario, virando-se para o pássaro, que respondeu com um grito satisfeito.

 

— Riley... Mas quem é esse? — Ash se aproximou devagar, ainda tentando processar tudo o que havia acabado de acontecer.

 

— Conheçam o Skarmory! — respondeu Riley. — Há alguns dias, mandei ele sobrevoar os arredores para rastrear a Equipe Rocket enquanto fugíamos. Mas acho que a mudança de clima confundiu a cabeça dele e o fez demorar para me encontrar. — concluiu, acariciando levemente a ave metálica.

 

— Foi uma reviravolta e tanto, mas nossos problemas não acabaram, pessoal! — Brock chamou a atenção para o que realmente importava.

 

Todos voltaram seus olhares para a Equipe Rocket.

 

Cassidy e Butch os encaravam com expressões sérias, quase odiosas.

 

— Butch... Parece que teremos que pegar realmente pesado dessa vez. — a loira estalou a língua, enquanto seu Raticate se posicionava à frente dela.

 

— Tava esperando você dizer isso. — sorriu o esverdeado, com Primeape já preparado para agir.

 

— Perfeito! Se nos unirmos, então... — Misty começou a pegar sua Poké Ball. Porém...

 

— Não!

 

Uma única palavra foi suficiente para interrompê-la.

 

— O quê?! Como assim?! — questionou a ruiva.

 

— Não quero que vocês se metam nessa batalha. Eu, Lucario e Skarmory iremos segurá-los, já que os números deles diminuíram pelo ataque de agora. Vocês aproveitam para sair daqui. — declarou Riley, sem demonstrar hesitação. — Logo adiante está a cidade de Vermillion. Eles não seguirão vocês até lá. Isso se eles forem espertos.

 

Seu tom deixava claro que aquela não era uma sugestão.

 

— Espera! Então você quer que a gente deixe você sozinho de novo?! — Serena interveio.

 

— Quero.

 

— Mas nem pensar, Riley! — Ash rebateu. — Podemos lutar contra eles!

 

— Não é essa a questão! — exclamou o Guardião, fazendo todos se calarem. — Não lembra da promessa que você me fez? Que protegeria esse ovo a todo custo? Além do mais, são dois ovos que estão sob a responsabilidade de vocês. Se uma batalha de larga escala se instaurar, há uma grande chance de serem danificados ou até destruídos. Isso seria uma lástima. Não concordam?!

 

Riley manteve o olhar firme sobre o palletiano - era um argumento difícil de contestar.

 

— Mas... eu... — o palletiano tentou encontrar palavras para argumentar, mas nada surgia.

 

Foi então que Brock interveio.

 

— Ash...

 

O garoto foi pego de surpresa ao ouvir seu nome e voltou o olhar para o amigo.

 

— Temos um dever. Você... tem um dever. E deve honrá-lo.

 

Aquelas palavras pareceram despertar algo nele.

 

Seu olhar alternou para Riley, que continuava encarando os Rockets sem demonstrar qualquer temor.

 

Então, o Guardião de Aura virou levemente a cabeça em sua direção.

 

Um pequeno e singelo sorriso surgiu em seus lábios.

 

— Confio esse ovo a você, Ash. / Rar...

 

Os olhos do moreno se arregalaram. - era a primeira vez que Riley o chamava pelo nome.

 

A confiança que o homem depositava nele era tão grande assim?

 

Como se respondesse àquelas palavras, o ovo voltou a reagir. Um brilho azulado pulsou através da incubadora, quase como se estivesse concordando com a decisão do Guardião.

 

Se antes havia algum impasse, ele pareceu desaparecer por completo.

 

Decidido, Ash lançou um último olhar para Riley.

 

Então, sem dizer mais nada, deu meia-volta e correu junto de seus amigos.

 

— Ei!!! Onde pensam que vão?!!! — esbravejou Butch. — Primeape, atrás deles!!!

 

— Mape!!! — o Pokémon disparou para interceptar a fuga, sendo acompanhado por outros Pokémon dos subordinados.

 

Entretanto, Lucario surgiu em seu caminho.

 

Com uma sequência veloz de socos e chutes, o chacal atingiu o primata repetidas vezes antes de arremessá-lo de volta para perto de Butch, que arregalou os olhos em surpresa.

 

Ao mesmo tempo, Skarmory avançou sobre os demais Pokémon.

 

Com um único bater de asas, repeliu todos eles, impedindo qualquer perseguição imediata.

 

Nesse momento, os jovens desapareceram de vista, engolidos definitivamente pelo breu da floresta.

 

— Acho que não permiti que vocês fossem atrás deles. — Riley sorriu. — Cassidy e... Buck, não é? Parece que serei uma pedra no sapato de vocês por mais um tempo.

 

Lucario e Skarmory se posicionaram ao seu lado.

 

Naquele instante, não apenas uma, mas várias veias saltaram na testa de Butch. Seus dentes se cerraram enquanto a raiva transbordava.

 

— MEU NOME É BUTCH, SEU DESGRAÇADO!!!!!!

 

O grito ecoou pela mata.

 

E com ele, o confronto decisivo teve início.

 

Por um breve momento, Riley lançou um olhar na direção para onde aqueles jovens haviam partido.

 

Acreditava ter feito a decisão correta – o ovo o escolhera, e isso era mais que o suficiente para fazê-lo confiar.

 

Nesse momento, havia apenas um desejo em sua mente.

 

Que tivessem uma boa viagem.

 

================================

 

Sem olhar para trás, os Treinadores atravessaram os últimos arvoredos até finalmente deixarem a floresta para trás.

 

Pela primeira vez desde o início da fuga, viam sinais claros de civilização.

 

Postes, cercas e outras construções simples surgiam ao longo do caminho.

 

Mais ao longe, já era possível avistar o porto de Vermillion, seu próximo destino.

 

Ainda havia uma boa distância até chegarem lá, mas naquela rota a Equipe Rocket não conseguiria alcançá-los.

 

— Ainda não acredito... Arf... que abandonamos o Riley! — Serena ofegava. Nunca havia corrido tanto em sua vida.

 

— Não havia o que ser feito, Serena! Tínhamos... que respeitar a vontade dele. — Brock também demonstrava sinais de exaustão.

 

— Arf... Eu só quero... Arf... um Pokémon Center pra ontem! — reclamou Misty, apoiando as mãos nos joelhos enquanto recuperava o fôlego.

 

Ash, porém, permanecia em silêncio.

 

Seus pensamentos pareciam distantes. E isso não passou despercebido por Serena.

 

— Ash... Tá tudo bem?

 

— Não sei, Serena... / Pika? — respondeu o garoto, enquanto Pikachu demonstrava a mesma preocupação que a caramelada.

 

Brock e Misty também foram atraídos pela conversa, voltando a atenção para o moreno.

 

— Só não sei... o que fazer com toda essa responsabilidade. — desabafou, observando o ovo que lhe fora confiado. Era um peso que jamais imaginou carregar durante sua jornada. — Sempre fui visto como alvo de chacota na Academia, então ter alguém depositando tanta confiança em mim é um sentimento novo.

 

Ninguém o interrompeu.

 

Todos permaneceram em silêncio, o permitindo colocar seus pensamentos para fora.

 

Enquanto isso, os primeiros raios de sol começavam a atravessar as nuvens, banhando o grupo lentamente.

 

— Mas... eu acho que gosto dessa sensação. Sinto que preciso proteger esse ovo a qualquer custo. — sorriu enquanto continuava encarando o objeto em seus braços. — Se é uma promessa que eu fiz, então vou fazer questão de cumprir!

 

Ao fazer essa declaração, Ash percebeu uma mão delicada acariciando suavemente a incubadora.

 

Era Serena.

 

A kalosiana sorria calorosamente para ele.

 

Misty e Brock também exibiam seus próprios sorrisos ao observarem a cena.

 

— Ash... Não precisa se cobrar tanto pra isso. Eu... te ajudarei com o que você precisar! Eu prometo!

 

O garoto se comoveu com aquelas palavras tão sinceras da caramelada.

 

— E eu ainda tenho que te ensinar como cuidar de um ovo Pokémon. — Misty mostrou a língua, aproximando-se da dupla.

 

— Como um aspirante a Criador Pokémon, posso compartilhar alguns conhecimentos também. — acrescentou Brock, colocando uma mão sobre o ombro de Ash.

 

— Pessoal, eu... nem sei como agradecer. — o garoto abriu um sorriso sincero.

 

Pela primeira vez em muito tempo, sentia que pertencia a algum lugar.

 

Era um sentimento acolhedor.

 

E um que não estava disposto a abandonar jamais.

 

— Então está decidido! Quando chegarmos em Vermillion, vamos analisar os próximos passos, pessoal! — declarou o jovem. — E é claro, vou obter também a minha próxima Insígnia!

 

A resposta veio imediata, com todos concordando enquanto, acima deles, o céu limpo finalmente começava a se abrir.

 

Avançando em direção à cidade, nenhum dos quatro imaginava o que os aguardava naquela nova etapa da jornada.

 

Os dois últimos dias haviam sido uma completa confusão, e tudo o que desejavam agora era um pouco de paz durante sua estadia.

 

Enquanto os jovens desciam pela rota, os raios do sol atravessavam as últimas nuvens que restavam da tempestade.

 

E em meio à vegetação, uma única flor branca permanecia erguida.

 

Uma simples gota de chuva escorreu por suas pétalas, deslizando suavemente até molhar a grama abaixo.

 

Quando a tempestade passava, a calmaria ganhava força.


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