segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Pokémon: TLD - Capítulo 11: Ash Vs Brock! A Primeira Fronteira

Pokémon: TLD - Capítulo 11: Ash Vs Brock! A Primeira Fronteira

Era por volta das 14:00 horas da tarde quando finalmente o embate entre Ash e Brock havia dado o seu início. Na plateia, os irmãos de Brock estavam eufóricos para presenciar novamente a performance de batalha de seu irmão mais velho.

 

Serena e Leaf se encontravam nervosas, mas esperançosas para que Ash tivesse sucesso em seu confronto. Flint estava de olho no garoto, avaliando como ele se sairia neste combate: com certeza o garoto veio preparado para ter a vantagem. Ao analisar as performances dos desafiantes anteriores que partilhavam a mesma vinda de Pallet, ele já esperava surpresas se tratando deste jovem que agora estava presenciando. Mesmo assim, seu filho já era experiente em subverter as vantagens de tipo. Seria preciso mais que isso se quisesse adquirir a Insígnia o Ginásio.

 

Após Forrest ter dado o aval para começarem, Brock tomou a dianteira.

 

— Como Líder de Ginásio, devo revelar o meu Pokémon primeiro. Geodude, vai! — Exclamou Brock, arremessando a esfera em sua mão direita.

 

— Geoodude! — Logo em seguida, o Pokémon rocha aguerrido surgiu no campo de batalha.

 

“Então isso é um Geodude, né? Vamos ver...” — Pensava Ash, não demonstrando surpresa por ser um tipo Pedra, porém, fitava o Pokémon com um olhar de interesse. Esta era a primeira vez que via um de perto sem ser pelos livros. Ele saca Dexter e faz a análise rápida do adversário.

 

— GEODUDE / N° 074 / Pedra: Em repouso, parece uma pedra. Pisar descuidadamente nela fará com que ele balance os punhos com raiva. —Dexter esclareceu com seus dados.

 

— Que legal! Um Geodude! Mais um pra minha coleção de dados! — Dizia uma Leaf animada, analisando o Pokémon pedregoso.

 

— Você gosta de coletar dados, Leaf? — Serena perguntou.

 

— Claro. O meu sonho é poder completar toda a Pokédex. Eu prefiro muito mais isso do que batalhas, pra ser sincera. — Leaf revelou, deixando claro o que ela tanto almejava.

 

— Entendi. É um sonho incrível... — Serena murmurava. Ela não invejava a garota que acabara de conhecer, mas ela sentia-se minimamente desapontada consigo mesma, pois a mesma não detinha um sonho definido.

 

Serena secretamente também se perguntava qual a relação entre Ash e Leaf. Quão próximos eles eram? Eram realmente apenas amigos? Bem, ela não sabia. Ela tenta dispersar tais empecilhos de sua mente, voltando a focar-se em seu amado.

 

“Tá legal. Chegou o momento de fazermos valer todo o nosso treinamento.” — Ash meditava, em seguida, concentrando-se, ele ajeitava o seu boné para trás, e com um semblante resoluto, ele toma a decisão. — Pidgeotto, eu escolho você! Ash exclamou, arremessando a bola.

 

— Pidgeoooo! — Pidgeotto se manifesta para fora, alçando voo em círculos acrobáticos pela arena.

 

Neste momento, na arquibancada, tanto Flint quanto Leaf ficaram abismados com a escolha de Ash. A jovem de chapéu branco rapidamente voltou-se para Serena.

 

— Sério?! Um Pidgeotto?! — O Ash, por acaso, sabe o que está fazendo?! — Leaf opinava sobre a escolha do amigo, abismada. — Os Pokémon do tipo Voador não são recomendados contra o tipo Pedra. Todo mundo sabe disso.

 

— Tá tudo bem, Leaf. O Ash tem um plano em mente. Inclusive, ele veio treinando bastante para essa ocasião sabendo disso. Confie nele. — Serena a tranquilizava. — O Ash não vai perder.

 

Leaf ficava intrigada com a confiança que a jovem kalosiana depositava em seu amigo. Infelizmente, Leaf já presenciou Ash batalhar nos simuladores, e apesar de não ser ruim, ele certamente não era tão estratégico, tomando decisões arriscadas demais que o custavam partidas.

 

— E-espero que esteja certa. — Leaf disse, ainda incerta sobre essa suposta estratégia. Ela lembrava da perigosa aposta que Ash tratou com Gary. Tinha medo do Ash tomar decisões precipitadas, mesmo com ela em jogo. — “Por quê diabos você aceitou essa aposta, Ash?!” — Desesperava-se Leaf, internamente quase arrancando os próprios cabelos.

 

Flint analisava com cautela a escolha do garoto de Pallet. Ele entendia que, se o garoto quisesse vencer, era necessário mais do que apenas confiança em si mesmo e fé em seus Pokémon.

 

Enquanto isso, na arena, Brock ficava surpreso com a escolha de seu desafiante. Era nítido que o Pokémon aviário possuía clara desvantagem contra Geodude. Ele não sabia se Ash havia feito conscientemente essa escolha com algum planejamento prévio ou se apenas não sabia os conceitos básicos de vantagem e desvantagem de tipo. Bem, seja lá qual for, o Líder descobriria durante o confronto.

 

— Muito bem! Que comece a batalha! — Anunciou Forrest, erguendo a bandeira.

 

 — Ash, como você é o desafiante, você tem direito ao primeiro movimento. — Menciona Brock, dando a deixa para Ash começar.

 

— Entendido, Brock! Pidgeotto, comece com o Quick Attack! — Bradava Ash.

 

— Pidgeoooo! — O Pokémon pássaro voou com um rasante veloz, mergulhando em alta velocidade na direção do Pokémon pétreo, que não teve velocidade suficiente para desviar, sendo atingido em cheio.

 

— Geeooo! — Geodude grunhiu de dor, sendo lançado levemente para trás. Essa dor também foi compartilhada por Pidgeotto, que sentiu seus ocos ossos tremerem um pouco pelo impacto. Realmente não era recomendado atropelar uma pedra com seu corpo. Dói mais do que parece.

 

— Não se deixe abalar, Geodude! Use o Rock Throw! — Ordenou Brock.

 

— Geeoo... — Geodude cruza os braços, concentrando sua energia, enquanto pequenas fagulhas luminosas surgiam. Em seguida, fragmentos de pedra se manifestam girando em seu entorno. — ...dude! — Com o balançar dos braços, os gumes de pedra foram disparados na direção de Pidgeotto.

 

— Pidgeotto, evasiva! — Comandou Ash.

 

— Pidgeoo! — O pássaro assentiu, notando as pedras voarem visando atingi-lo.

 

Recordando-se do treinamento, Pidgeotto, com uma velocidade impressionante, começa a circular em sentido horário por cima da arena, enquanto o Geodude tentava acertá-lo a todo custo.

 

Entretanto, Pidgeotto conseguiu desviar dos projéteis com sucesso.

 

— Perfeito! Agora, mergulhe e acerte-o com outro Quick Attack! — Ash exclamou.

 

— Pidgeooo! — Pidgeotto novamente acelera, deixando um rastro de brilho e poeira que se levantava com o bater de asas em alta velocidade, atingindo novamente Geodude, que era arrastado para trás.

 

— Geooo! — Geodude novamente geme de dor.

 

— Isso, Pidgeotto! / Pikaachu! — Comemora Ash junto de seu rato elétrico.

 

— Incrível. Esse Pidgeotto do Ash é bem veloz. — Disse Leaf, espantada com a tamanha rapidez que a ave se movia.

 

— Sim. O Ash treinou bastante a movimentação do Pidgeotto, para que ele aumentasse ainda mais a agilidade dele no ar. — Ressaltou Serena, orgulhosa do amigo e de seu Pokémon.

 

— De fato, impressionante. Está se aproveitando da mobilidade lenta de Geodude afim de acertá-lo ao surgir uma abertura. Mas será o suficiente, garoto? — Flint fala, analisando cada movimento da batalha.

 

— O que o senhor quer dizer? — Serena indaga confusa.

 

— Observem mais atentamente. — Flint apontou para o campo, especificamente para o lado de Brock, onde Geodude fora atingido por um outro ataque veloz do Pokémon pássaro.

 

— Pode ter acertado duas vezes o Geodude, mas saiba que seus ataques não estão causando muitos danos. Espero que são seja somente isso que seu Pokémon tenha a oferecer. — Expressava Brock, não se sentindo nenhum pouco impressionado.

 

Era verdade. Ash sabia muito bem desse detalhe. Apesar de ter conseguido acertar Geodude em cheio com o Quick Attack, os ataques rápidos causavam pouco dano, principalmente em Pokémon do tipo Pedra.

 

Estava claro que só aquilo não seria nem perto do suficiente. Mas o garoto entendia que não poderia vacilar. Ainda não era a hora de usar seu trunfo.

 

— Pidgeotto, use o Feather Dance! — Ordena Ash.

 

— Pidgeooo! — Pidgeotto começa a alçar voo para cima em um giro gracioso, liberando algumas penas brilhantes que voam na direção de Geodude, que sentiu um enfraquecimento em sua força.

 

Feather Dance, é? O Pidgeotto do Ash tem até que um arsenal interessante. — Analisa Leaf, lembrando do efeito do dito movimento nos livros que lera em sua época de estudante da Pokémon Academy.

 

— Se me recordo bem, esse movimento abaixa o ataque do Pokémon adversário. — Serena complementa, pois havia ouvido Ash mencionar isso durante o treinamento.

 

— Exato. Mais especificamente, o Feather Dance abaixa os ataques físicos do Pokémon. Incrivelmente, alguns Treinadores não se importam com movimentos passivos de mudança de status, mas mal eles sabem que eles podem mudar drasticamente o rumo de uma batalha Pokémon. — Flint explicou com um sorriso.

 

— Não pense que vai abalar meu Geodude com táticas de enfraquecimento. Geodude, Rock Polish! — Comandou o Líder.

 

— Geoduude! — O Pokémon rocha, de repente, começa a esfregar seus braços em seu corpo roliço, fazendo emitir um brilho metálico, como se o seu corpo ficasse com uma camada polida e reluzente.

 

“Que ótimo. Eu diminuí o seu ataque e ele tratou de aumentar a velocidade. Isso não é nada bom.” — Pensava Ash, não gostando da jogada de Brock.

 

— Agora, pegue ele com o Rollout! — Exclamou Brock, apontando para o pássaro que voava acima do solo.

 

— Geoooo! — O Pokémon pedra se transforma em um rolo compressor, girando seu corpo em alta velocidade na direção de seu oponente.

 

“E-espera. Como ele planeja acertar Pidgeotto do chão?” — Ash pensava, não entendendo o porquê de tal ação sem sentido.

 

Entretanto, antes que Ash conseguisse pensar em uma resposta, o Pokémon se movimentou em alta velocidade, se direcionando para a direção das rochas pontiagudas com um formato mais inclinado, e com um movimento surpreendente, Geodude colidiu com a rocha maciça, que não só não quebrou, mas fez com que o Pokémon utilizasse-a para se impulsionar para o alto, surpreendendo não só aqueles que assistiam da plateia, mas também, principalmente Ash.

 

 — Mas o quê?! / Pika?! — Falam Ash e Pikachu, em pleno choque. — Pidgeotto, cuidado! Evasiva! — Grita Ash em desespero.

 

— Pidgeoo?! — Até mesmo Pidgeotto estava incrédulo para com aquele Pokémon pedra voando em sua direção. Para o Pokémon pássaro, era inconcebível tal cenário ser possível. Esse estado de surpresa foi o suficiente para atrasar seus reflexos.

 

Até tentou desviar... Todavia, apesar de sua velocidade, foi completamente pego de surpresa, sendo atingido pela pancada do Pokémon pedra rolante.

 

— Pidgeeoooo! — Piava o pássaro com dor, mas conseguindo se reposicionar no ar.

 

— Yaaaaaaaaaaaaaay!!! — Os irmãos de Brock vibravam na arquibancada pelo acerto.

 

— Pidgeotto, tá tudo bem? / Pidgeo! — Indaga Ash, preocupando-se com seu Pokémon, o que o pássaro confirma que sim, mesmo aquele movimento super eficaz tendo prejudicado um pouco o pombo de Kanto..

 

— C-como ele fez aquilo?! — Serena fala, sem conseguir acreditar naquele tipo de ataque.

 

— Bem, é simples. Como Líder de Ginásio, Brock treinou arduamente nesta arena de batalha, então, ele a conhece como a palma da mão, ao ponto de conseguir fazer uso das pedras tanto para ataque quanto para defesa. — Contextualizou o ex-Líder de Ginásio, satisfeito pela execução do filho mais velho.

 

Ash compreendia que o ataque do tipo Pedra era bastante danoso para seus Pokémon. Ele não pode permitir que seus parceiros sofram alguns ataques mesmo que poucos, caso contrário, eles facilmente sucumbiriam no confronto.

 

— Ainda não acabou, Ash! — Menciona Brock, com um sorriso.

 

De repente, Geodude retorna com a mesma estratégia, porém, vindo do lado oposto.

 

— O-o quê?! / Pikapi?! — Descrença era palavra que podia definir a reação de Ash e Pikachu.

 

— Hein? Mas ele nem comandou nada! — Leaf disse, não entendendo que estava havendo. — Espera....! — Ela parecia lembrar de algo que aprendera.

 

— O Rollout é um movimento que é executado de maneira consecutiva após o uso. Dessa forma, mesmo se o Brock não ordenar, Geodude irá executar sempre um segundo Rollout. Mas esse não é o ponto mais aterrorizante.

 

— E qual seria? — Serena é quem pergunta.

 

— Quando o Rollout acerta o Pokémon adversário com sucesso, seu poder de ataque dobra. — Revelou Flint.

 

— Essa não... Ash... — Serena murmurava, enquanto rezava pelo moreno.

 

“Preciso fazer algo. Não posso deixar esse golpe acertar de novo.” — Ash, tendo ouvido de relance a conversa da plateia, rapidamente pensa em uma saída. — Pidgeotto, use o Gust na direção do Rollout! — Ash ordena na sequência.

 

— Pidgeoooo! — Pidgeotto, em um reflexo rápido, bateu suas asas fortemente, criando uma rajada de vento direcionada a seu oponente, que causou um dano insignificante.

 

Entretanto, milagrosamente, a ventania atrapalhou o direcionamento do ataque, levemente alterando a trajetória do Pokémon pedregulho um pouco para o lado, conseguindo atingir o pássaro regional de Kanto apenas de raspão em sua asa esquerda.

 

O pássaro gemeu, mas manteve-se no ar, ao máximo tentando não se incomodar com aquele golpe em sua asa. Ele não estava disposto a falhar.

 

Ash sabia que havia sido um dano leve, mas precisava ser ainda mais cauteloso para com o Pokémon do Líder.

 

— Uau. Essa foi arriscada, mas o garoto conseguiu evitar aquele ataque. Foi uma estratégia bem pensada. — Avaliou Flint, surpreso pelo raciocínio rápido de Ash.

 

— Haaah... Ufa... — Serena bufou de alívio, finalmente liberando o ar que havia prendido dentro de seus pulmões.

 

— Foi tão perto... — murmurou Leaf, tensa. — ...Imagina o rumo que a batalha tomaria se o ataque tivesse atingido.

 

“Mas Ash... Por quê você não usou o movimento novo?!” — Indaga a kalosiana mentalmente.

 

Geodude aterrissou no lado do campo de Brock, retornando ao seu estado normal. Brock estava intrigado pela forma como o garoto havia evitado o ataque.

 

— Devo admitir que estou impressionado, Ash. Você sabia que naquela altura, Pidgeotto não poderia fugir a tempo, então, usou a forte ventania para mudar a trajetória do Geodude no ar? Seu Pidgeotto deve ter treinado duro para conseguir ter força para realizar tal façanha. — Elogiou Brock com um sorriso.

 

— Isso mesmo. Naquele momento, não havia chance de Pidgeotto dar evasiva a tempo, então, me lembrei do Gust, e pensei que talvez pudesse minimizar o dano recebido. Era uma aposta arriscada, mas ainda bem que funcionou. — Revelou Ash com um sorriso destemido, mesmo que uma gota de suor não resistia em escorrer de sua têmpora.

 

“Esse garoto... teve a capacidade de fazer uma reação rápida ao ataque iminente do Geodude. Esse garoto parece ser um Treinador bem promissor.” — Pensou Brock ao observar a atuação do garoto de Pallet durante a batalha.

 

“Caramba. Não imaginava que uma batalha de Ginásio seria tão exaustiva. Mas... eu estou adorando isso. A adrenalina, essa sensação de estar em uma arena de batalha oficial... é um sentimento que eu sempre desejei experimentar. Brock, você é incrível!” — Ash divagava, adorando cada segundo do confronto. — “Mas não posso baixar a guarda. Agora, preciso de uma brecha. Preciso acertar o Geodude no momento onde ele estará completamente vulnerável para o nosso trunfo. Mas... como criamos esse momento?”

 

Neste momento, Ash voltou sua atenção para a arena e percebeu algo: o solo da arena era formado por terra e areia. Obviamente, esse cenário fora criado não só para dar uma vantagem de terreno para os movimentos dos Pokémon de tipo Pedra ou Terra, mas também para deixá-los à vontade em um ambiente que simulasse seu habitat natural. Tudo para forçar o desafiante a superar desvantagens extremas.

 

Foi neste momento em que a mente de Ash se iluminou com uma ideia.

 

— Bom, mesmo tendo sido uma estratégia bem pensada, vamos ver se consegue se manter no ritmo nessa batalha. Geodude, use o Rollout mais uma vez! — Novamente, Brock brada o perigoso movimento.

 

Enquanto Geodude avançava girando em alta velocidade com seu Rollout, Ash sentia o peso do momento. O coração batia acelerado; cada segundo era precioso. Se aquela ideia não funcionasse, não haveria segunda chance.

 

“Tem que dar certo...” — pensou, com o olhar firme. Rollout era devastador. Outro impacto direto e Pidgeotto não teria forças para continuar.

 

Era agora ou nunca.

 

Ash inspirou fundo, tentando transmitir confiança até para si mesmo, antes de murmurar:

 

— Vamos ver no que vai dar... Pidgeotto, use o Gust em todo o campo de batalha!

 

— O quê? — Brock ergueu as sobrancelhas, genuinamente surpreso. O comando não fazia sentido à primeira vista.

 

Na arquibancada, a reação foi imediata.


— Mas no que o Ash tá pensando, afinal?! — Leaf quase que praticamente devorava as unhas de ansiedade, com seus olhos arregalados. Tentava manter a compostura, mas com as aparentes decisões que desaviavam a lógica por parte de Ash, estava uma tarefa desafiadora.

 

Serena, no entanto, observava com expectativa. Ela conhecia o jeito de Ash, aquela centelha no olhar. Quando ele parecia agir no impulso, quase sempre tinha algo maior em mente. Flint, por sua vez, cruzou os braços e estreitou o olhar, analisando calmamente: queria entender onde aquilo levaria.

 

No campo, Geodude continuava girando furiosamente, roçando o chão com faíscas enquanto procurava o ângulo perfeito para esmagar Pidgeotto. Mas o pássaro de Kanto não recuou. Intrigado, é verdade, mas fiel à confiança que depositava em seu Treinador, ele abriu as asas com força.

 

O bater vigoroso produziu rajadas que se espalharam de ponta a ponta na arena. O vento levantava poeira e fragmentos soltos das rochas da arena de Pewter, formando redemoinhos irregulares que dançavam no ar. O efeito não tinha nada a ver com causar dano direto. Era algo diferente.

 

Em poucos instantes, a arena começou a se transformar. Um véu de poeira e pedregulhos miúdos tomou conta do espaço, obscurecendo o chão e até mesmo o horizonte imediato.

 

Geodude, que girava com precisão para mirar Pidgeotto, foi forçado a desacelerar. De repente, sua visão estava quase toda bloqueada. Onde antes havia um alvo claro, agora restava apenas uma cortina de areia e pedras que confundia seus sentidos.

 

— Isso é...! — Brock quase abria ligeiramente os olhos; algo que seria inusitado por parte dele, graças a seus olhos aparentemente fechados.

 

— Uma tempestade de areia improvisada?! — Flint também se inclinou à frente, incapaz de esconder a surpresa. Nunca teria imaginado que aquele desafiante pudesse recorrer a uma tática tão ousada.

 

— O Ash pensou nisso no calor da batalha?! — Leaf não acreditava no que via. O garoto que tantas vezes fora ridicularizado na Academia, agora demonstrava uma sagacidade inédita. Era um lado dele que até ela, que o conhecia bem, nunca tinha visto.

 

Serena, pelo contrário, sorriu de orelha a orelha.

 

— Eu disse! O Ash sabe o que faz, não importa qual Pokémon ele escolha. — A confiança brilhava em seus olhos, genuína e cheia de admiração.

 

Do ponto de vista da arquibancada, ainda era possível acompanhar o que acontecia dentro da arena. A cortina de poeira não era tão impenetrável para quem olhava de cima. Mas, para os combatentes, a história era outra.

 

Brock, experiente como era, percebeu o risco imediato, e também a falha potencial do plano de Ash.

 

— Geodude, não perca a concentração! — ordenou, firme. — O Pidgeotto também não pode te ver!

 

Não era surpreendente a conclusão de Brock. A tática de Ash parecia um tiro no pé. Pidgeotto também não tinha visão clara dentro daquela cortina de areia, e agora o combate havia se transformado em um jogo de pura sorte: o primeiro a acertar levaria a vantagem.

 

Mas, Ash dera um pequeno sorriso. Que passara despercebido visto as circunstâncias do campo de batalha.

 

— Tem certeza disso, Brock? — comenta, a voz firme ecoando pelo campo empoeirado. A segurança em seu tom foi suficiente para plantar a dúvida no Líder de Pewter.

 

E sem hesitar, Ash ergueu o braço:

 

— Pidgeotto, Quick Attack!

 

— Pidgeooo!!! — O grito estridente do pássaro foi seguido de uma disparada reluzente. Pidgeotto se lançou pelo ar como um raio branco, cortando a poeira em direção a um ponto aparentemente aleatório.

 

Do lado de fora, parecia um movimento impensado, feito às cegas. Mas não era bem assim. Pidgeotto, caçador nato, não dependia apenas da visão para localizar sua presa. Dentro daquela tempestade artificial, ele lia os sinais sutis: pequenas mudanças na densidade da poeira, movimentos quase imperceptíveis no fluxo de areia. Cada detalhe bastava para revelar a posição exata de Geodude.

 

— Pidgeooo!!!

 

— Du... Dude?! — Geodude mal teve tempo de reagir antes de ser atingido com violência. Pidgeotto surgiu como um vulto, colidindo contra ele e recuando tão rápido quanto avançara.

 

— O quê?! — Brock recuou meio passo, incrédulo. — Como ele...?!

 

Na arquibancada, Leaf arregalou os olhos, quase sem fôlego:

 

— Ele tá conseguindo atacar o Geodude sem nem enxergar?!

 

— É instinto puro... — murmurou Flint, impressionado. — Ele treinou esse Pidgeotto para confiar em sentidos que vão além da visão. Esse garoto...

 

Serena sorriu radiante, as mãos unidas contra o peito.

 

— Eu sabia! O Ash nunca faz nada sem pensar. — Sua voz soava orgulhosa, cheia de brilho. Embora a conclusão de Flint tenha sido um pouco errada. Ash não treinara Pidgeotto nesse quesito. Era um talento natural que o tipo Voador detinha. No entanto, Ash utilizou dessa peculiaridade para presumir que seu plano daria certo. Não tira o mérito do seu amado.

 

No campo, Ash não perdeu tempo:

 

— Meia volta, Pidgeotto! Mais uma vez!

 

— Pikaaa! — Pikachu reforçou o comando, vibrando ao lado do Treinador.

 

Pidgeotto mergulhou de novo, atingindo Geodude em sucessivas investidas, cada choque acumulando mais e mais dano. A cada colisão, o corpo de pedra de Geodude tremia, mesmo que seu tipo lhe desse vantagem defensiva.

 

Brock, ainda que surpreso, manteve a compostura.

 

“Mesmo sendo um ataque fraco, se continuar assim...” — raciocinou. Não podia deixar Ash manter o ritmo. — Geodude, contra-ataque com Rock Throw!

 

— Geo!!! — Geodude ergueu os braços e desprendeu pedaços de rocha do solo, lançando-os contra a direção presumida do inimigo. As pedras cruzaram a cortina de poeira como projéteis brutos.

 

Mas Ash já esperava por isso.

 

— Perfeito... agora é a hora! Pidgeotto, Steel Wing! Vá em frente e destrua essas pedras!

 

— Essa não! — Brock sentiu o perigo iminente. — Geodude, não deixe ele chegar perto! O grito veio junto ao bater metálico das asas de Pidgeotto.

 

— Pidgeooo!!!

 

As penas se transformaram em lâminas prateadas, pesadas e reluzentes. Mesmo carregando o peso extra, o Pokémon voador não titubeou. Treinara para suportar aquilo. Ele mergulhou de frente contra os projéteis, quebrando cada rocha em estilhaços brilhantes. Faíscas saltavam a cada impacto, como fogos de artifício dentro da poeira.

 

— Incrível... — Leaf respirou fundo, encantada com a cena. — Ele tá abrindo caminho no meio daqueles projéteis!

 

Flint estreitou os olhos, agora mais sério.

 

— Esse garoto não luta apenas com ousadia... ele luta como alguém que quer criar oportunidades onde não existem.

 

Serena não tirava os olhos de Ash, emocionada com a intensidade da batalha.

 

Pidgeotto avançou rompendo os últimos obstáculos, até que a distância entre ele e Geodude desapareceu. Ash ergueu o punho, e junto dele, Pikachu gritou em apoio:

 

— Agora, Pidgeotto! / Pika!

 

— Pidgeoooo!!!

 

O impacto foi ensurdecedor. Pidgeotto cruzou as asas metálicas e golpeou Geodude com força devastadora. O contato produziu uma explosão de faíscas e estalos, o atrito entre o metal das asas e o corpo rochoso ecoando pela arena.

 

— Geodude! — Brock cerrou os dentes. Ele sabia que algo ruim havia acontecido ao escutar um estrondo seco ressoar pelo Ginásio. Um corpo pesou contra o chão.

 

Pidgeotto, exausto mas firme, abriu as asas e liberou uma nova rajada de Gust, dissipando a tempestade de areia que ele próprio criara. Os redemoinhos se esvaíram, revelando a visão clara da arena.

 

E lá estava Geodude, caído, incapaz de continuar.

 

Forrest, que acompanhava cada detalhe, não teve mais dúvidas.

 

— Geodude está fora de combate! Pidgeotto vence! — declarou, erguendo o braço.

 

Foram necessários apenas alguns segundos para que o silêncio do Ginásio desse lugar a um burburinho contido. O choque da queda de Geodude ainda pairava no ar, como se a poeira levantada pela batalha tivesse se infiltrado também nos pensamentos de todos.

 

Nas arquibancadas, os irmãos e irmãs de Brock se entreolharam, abatidos. O coro de lamentos infantis ecoou em uníssono, um misto de tristeza e incredulidade pela derrota do Pokémon que tanto admiravam.

 

— É isso aí, Pidgeotto! Conseguimos! — Ash ergueu os braços, a alegria transbordando em sua voz.

 

— Pika-piii! — Pikachu pulou de emoção ao lado dele, refletindo a felicidade do Treinador.

 

O primeiro ponto estava garantido. O plano arriscado dera certo. E Pidgeotto, mesmo ofegante, levantava a cabeça com orgulho: seu instinto de caçador havia sido a chave para aquela vitória.

 

Serena não se conteve e levantou-se animada.

 

— Eu sabia que ele conseguiria! — exclamou, os olhos brilhando. Para ela, não havia dúvidas: os treinos deram frutos.

 

Leaf, porém, permaneceu em silêncio. As mãos apertavam a barra do casaco, a mente girando em reflexões. Nunca teria imaginado que aquele Ash seria capaz de abrir o placar assim. A estratégia que ele havia armado, incomum e até arriscada, só funcionou porque ele confiou plenamente nos instintos de seu Pokémon.

 

Na Academia, em todos aqueles simulados, ele nunca mostrou nada parecido com isso... Leaf pensava, mordendo o lábio. O que será que ele aprendeu nesses poucos dias de jornada? No entanto, no fundo... Ela sentia... orgulho?

 

Antes que pudesse se aprofundar nos devaneios, uma voz grave e ponderada interrompeu seus pensamentos.

 

— De fato, impressionante... — Flint murmurou, os olhos fixos no campo, mesmo sem aparentar. A surpresa inicial já tinha se dissipado, dando lugar a um sorriso enigmático. — Mas o que virá a seguir... será que Ash vai conseguir encarar?

 

No campo de batalha, Brock se recompôs. Retornou Geodude à Poké Ball com um gesto respeitoso.

 

— Você batalhou muito bem, Geodude. Descanse agora.

 

Em seguida, o olhar do Líder de Ginásio se encontrou diretamente com o de Ash. Havia reconhecimento ali, mas também uma análise cuidadosa, quase clínica.

 

— Boa jogada, Ash. — elogiou, com voz firme. — Primeiro, usar a própria arena para levantar poeira e atrapalhar a visão do Geodude... e depois, aquele Steel Wing surgindo do nada. Foi uma surpresa e tanto. — Brock cruzou os braços, arqueando a sobrancelha. — Ainda mais porque a TM para esse golpe não é vendida em nenhuma loja por perto. Como conseguiu?

 

Ash coçou a nuca, um pouco encabulado com a atenção que a pergunta lhe trouxe.

 

— Bem... ganhei de um amigo. — respondeu com simplicidade. Sabia que não adiantava tentar esconder. Afinal, Brock tinha razão: Pidgeotto jamais aprenderia aquele golpe naturalmente. Ash fez uma nota mental de agradecer novamente a Carom, por ter comprado aquelas TMs raras em Celadon.

 

Brock soltou uma risada breve.

 

— Entendi... — disse, antes de voltar a encará-lo. — Então vou ter que tomar um cuidado extra com isso.

 

Ele ergueu a segunda Poké Ball. Ash imediatamente endireitou a postura. Seu sorriso deu lugar a uma expressão concentrada. Ele sabia o que vinha a seguir. Pelos seus conhecimentos, o último Pokémon do Líder de Ginásio era sempre seu ás.

 

— Esse vai ser o verdadeiro teste... — Flint comentou em voz baixa, com um brilho de expectativa no olhar.

 

— Brock vai usar o Pokémon mais forte dele... — Leaf murmurou, tensa, apertando os punhos.

 

— Que venha. — Serena sorriu, confiante. — O Ash vai dar um jeito. Eu sei que vai.

 

— Onix, vai! — Com firmeza, Brock lançou a Poké Ball ao centro da arena.

 

O chão tremeu no instante em que a gigantesca serpente rochosa emergiu com um rugido ensurdecedor. Seu corpo colossal se estendia pelo campo de batalha, cada segmento de pedra maior que Pidgeotto inteiro. O impacto de sua entrada arrancou gritos das crianças na arquibancada e fez até a poeira remanescente vibrar no ar.

 

— M-minha nossa! Então isso é um Onix de verdade? — Leaf exclamou com pavor. Era a primeira vez que via um de perto.

 

Serena, também apavorada, rapidamente com sua Pokédex em mãos, analisa a criatura de um tamanho que poderia ser descrito como nada menos do que descomunal.

 

— ONIX / N° 095 / Pedra e Terra: À medida que escava o solo, ele absorve muitos objetos duros. É isso que torna seu corpo tão sólido. — Informou a voz robótica de Elexa.

 

Ash ficou estarrecido. Ele recuara levemente alguns passos, bastante intimidado com o colosso pétreo que surgira na sua frente. Assim como Leaf, era a sua primeira vez que vira um Pokémon tão grande. No entanto, passado o choque inicial, estreitara os olhos. O primeiro obstáculo tinha sido superado... mas agora ele estava diante do verdadeiro desafio do Ginásio de Pewter.

 

— Vamos começar controlando o terreno, Pidgeotto! Feather Dance! — ordenou Ash, levantando o braço com firmeza.

 

— Pidgeooo!!! — Sem hesitar, o pássaro alçou voo e bateu as asas com vigor, liberando uma chuva cintilante de penas brancas. Elas rodopiavam em espirais suaves antes de recair sobre o corpo colossal de Onix, envolvendo a serpente rochosa como um véu etéreo. Aos poucos, a força de ataque físico do Pokémon Pedra era enfraquecida.

 

— Não vai adiantar, Ash! — Brock rebateu, com um sorriso convicto. — Onix, Dragon Breath!

 

— GROOOOOH!!! — O rugido grave ecoou, sacudindo o Ginásio. Das mandíbulas de Onix, um feixe de energia esverdeada, quente e pulsante, explodiu em direção a Pidgeotto como uma labareda dracônica.

 

Ash cerrou os dentes no mesmo instante. Ele sabia o que aquilo significava. Pelo Dragon Breath ser um Ataque Especial, o Feather Dance pouco podia fazer para contribuir.

 

— Pidgeotto, voe em evasiva! — bradou, sem perder mais tempo.

 

— Pidgeooo!!! — O pássaro virou de lado e disparou em círculos pela arena, suas asas cortando o ar em movimentos frenéticos. O feixe dracônico serpenteava atrás dele, acompanhando cada curva como se tivesse vontade própria, iluminando o restante da pouca poeira que ainda estava suspensa no Ginásio.

 

O público prendia a respiração. Serena agarrava o assento à sua frente, acompanhando cada esquiva com os olhos arregalados. Leaf mordia o lábio, tensa, acompanhando a perseguição. Flint, por sua vez, observava em silêncio, avaliando cada detalhe do embate.

 

Mas, no momento em que todos estavam concentrados em Pidgeotto fugindo do sopro dracônico, Brock esboçou um sorriso discreto. Ele havia previsto exatamente aquilo. E sem que o pássaro de Kanto percebesse, a ponta maciça da cauda de Onix se ergueu pelo chão da arena, deslizando como uma armadilha prestes a se fechar. E quando Pidgeotto completou mais um giro evasivo... lá estava a cauda, bem diante dele.

 

— Essa não! Pidgeotto, sai daí!!! — Ash gritou, o coração disparando.

 

— Pikapiiii!!! — Pikachu também bradou, como se sua própria voz pudesse empurrar o amigo para fora do perigo.

 

Mas era tarde demais. Pidgeotto estava rápido, sim, mas a cauda de Onix surgira com precisão letal. Era como se tivesse brotado do chão no exato ponto onde o pássaro iria passar.

 

Na arquibancada, Serena levou a mão à boca em choque.

 

— Não...!

 

Leaf quase se levantara, quase sem perceber, incrédula com a armadilha de Brock.

 

— A cauda dele...! Foi veloz demais!

 

Todos haviam se deixado prender pela perseguição do Dragon Breath, sem prestar atenção no que ocorria paralelo a isso. Mas Brock estava um passo à frente.

 

Onix, Bind! — exclamou o Líder de Ginásio, a voz firme e resoluta.

 

Flint, acompanhando cada detalhe com o olhar clínico, permitiu-se um pequeno sorriso. Ele sabia exatamente o que aquilo significava.

 

Onix moveu a cauda com precisão predatória, envolvendo o corpo de Pidgeotto em seu aperto colossal. As rochas que compunham seu corpo rangeram entre si, produzindo um som áspero e ameaçador enquanto o Pokémon serpente de pedra começava a comprimir o frágil pássaro em suas voltas.

 

— PIDGEOOOOO!!! — O grito lancinante de Pidgeotto rasgou o ar, carregado de dor. O esmagamento era tão severo que cada osso parecia protestar contra a força implacável da cauda de Onix.

 

— Pidgeotto!!! / Pikachuuu!!! — As vozes de Ash e Pikachu ecoaram desesperadas, como se pudessem atravessar a barreira de dor que sufocava o pássaro. Ash estendia o braço instintivamente, como se quisesse puxar o parceiro para longe daquele tormento. Mas, dentro da prisão pétrea, o som do Treinador já não alcançava. O sofrimento abafava qualquer estímulo externo.

 

Na arquibancada, Serena levou a mão à boca, os olhos arregalados em horror. Jamais imaginara que uma batalha pudesse tomar um rumo tão brutal, tão impiedoso. Para ela, aquela cena parecia um pesadelo em movimento.

 

Os irmãos e irmãs de Brock, por outro lado, explodiram em aplausos e gritos, celebrando a performance de Onix. A expressão deles mostrava familiaridade com aquela visão, como se já tivessem se acostumado a vitórias conquistadas pela força esmagadora do gigante de pedra.

 

Leaf, mais contida, mordia o lábio levemente, os olhos fixos em Ash.

 

— “O que você vai fazer, Ash?” — pensava, analisando as opções do garoto. Mas, por mais que tentasse vislumbrar uma saída, tudo o que via eram caminhos bloqueados. As alternativas eram quase nulas.

 

— Vamos, Pidgeotto! — Ash tentou, a voz carregada de tensão. — Tente usar o...

 

— Acho que não, Ash! — Brock interrompeu com firmeza, a convicção estampada no tom. — Onix, jogue o Pidgeotto no chão e, em seguida, Rock Tomb!

 

— GROOOOH!!! — O rugido reverberou nas paredes do Ginásio. Onix apertou ainda mais, arrancando um novo e doloroso brado de Pidgeotto, antes de erguer sua cauda e arremessar o Pokémon voador contra o solo arenoso. O impacto ecoou em um estrondo seco, acompanhado de um grito abafado do pássaro.

 

Sem dar trégua, Onix ergueu a cabeça e soltou um brado ensurdecedor. Da abóbada do Ginásio, várias rochas começaram a despencar como meteoros, brilhando pela fricção do ar.

 

Pidgeotto, cambaleante e exausto, tentou mover as asas. Forçou o corpo a reagir, mas a dor era demasiada, as forças já não respondiam. Não havia como escapar.

 

— PIDGEOOO!!! — O último grito do pássaro se perdeu quando as rochas colossais despencaram sobre ele, uma após a outra, empilhando-se como um túmulo improvisado. Poeira e fragmentos se espalharam pelo campo, até que não restasse mais nada além de um monte de pedras, sob o qual Pidgeotto jazia soterrado.

 

— Pidgeotto!!! — Ash gritou em desespero, a garganta queimando. Seu olhar implorava para que o parceiro o ouvisse, para que ainda tivesse forças de se levantar. Mas Brock, com a serenidade de um Líder de Ginásio experiente, trocou um leve aceno de cabeça com Onix. A serpente de pedra então começou a mover lentamente sua cauda, removendo uma a uma as pedras que havia invocado.

 

E o que se revelou sob os destroços fez o coração de Ash apertar: um Pidgeotto completamente desacordado, o corpo marcado por arranhões, hematomas e ferimentos severos. Ele havia lutado bravamente, mas não resistira à brutalidade de Onix.

 

Não havia mais dúvidas.

 

— Pidgeotto está fora de combate! Onix vence! — anunciou Forrest em voz alta, encerrando o primeiro embate do segundo round, para o júbilo das crianças na arquibancada.

 

— Bom trabalho, Onix. — A voz de Brock ressoou firme, carregada de orgulho.

 

— Grooooo!!! — respondeu a serpente de pedra, erguendo a cabeça imensa em um brado vitorioso, como se toda a arena de Pewter vibrasse em reconhecimento à sua força.

 

Do outro lado, Ash permanecia imóvel. Seus olhos estavam fixos no corpo desacordado de Pidgeotto, parcialmente marcado pelas escoriações e poeira. O coração do garoto pesava. Ele jamais imaginaria que enfrentaria algo tão duro: ver seu Pokémon soterrado, esmagado pela força bruta de um Líder de Ginásio. Não era apenas uma derrota parcial, mas um lembrete cruel — Batalhas de Ginásio não eram como as disputas ocasionais contra Treinadores na estrada. Aqui, o peso da responsabilidade era imenso.

 

— Pika... — A voz hesitante de Pikachu quebrou o silêncio, carregada de preocupação. Seus olhos estavam grudados em Ash, como se implorasse por alguma reação.

 

Ash respirou fundo, tentando afastar o nó que lhe subia à garganta. Forçou um sorriso, nervoso, mas sincero.

 

— Tá tudo bem, Pikachu... — murmurou, ainda que sua voz traísse um leve tremor. — Volte, Pidgeotto! — A Poké Ball brilhou em vermelho, recolhendo o corpo abatido do companheiro. Ash fechou os olhos por um instante, murmurando quase como uma promessa. — Você foi incrível, amigo. Agora descanse.

 

O jovem Treinador ergueu o olhar, mas sua mente fervilhava. Precisava pensar em algo. Precisava encontrar uma estratégia. Entretanto, as imagens da luta anterior pesavam em sua mente. Brock havia se adaptado rápido, desmontado seu plano, e agora restava apenas uma carta em sua mão.

 

Na arquibancada, Leaf observava cada segundo com olhos analíticos.

 

“Ele precisa escolher bem agora...” — refletiu, tensa. — “Não pode repetir o erro que cometeu com Pidgeotto. Brock não vai se deixar surpreender duas vezes.” Ela estreitou os olhos, certa de que o próximo Pokémon de Ash deveria ser um que lhe desse vantagem de verdade.

 

— Vamos, Ash! O que está esperando? — A voz de Brock cortou os pensamentos do garoto como uma lâmina. O Líder de Pewter cruzava os braços, confiante, o olhar firme e desafiador. — Mande seu último Pokémon!

 

Ash fechou os olhos, tentando se blindar da pressão. Respirou fundo, e em seguida, abaixou o rosto para encarar seu parceiro mais leal. Pikachu olhou de volta, seus olhos brilhando como se compreendesse cada dúvida que pesava no coração do Treinador. Foi apenas um segundo, mas a troca de olhares disse tudo.

 

E aquilo não passou despercebido.

 

“Espera... O Ash não vai...” — Leaf arregalou os olhos, incrédula, sentindo um calafrio percorrer sua espinha. Não havia como. Seria loucura. Serena, ao lado, apenas cerrou o punho, mantendo o olhar firme. Ela sabia o que aquilo significava: Ash estava prestes a apostar tudo. Era agora ou nunca.

 

Ash e Pikachu se entreolharam uma última vez, com um aceno de cabeça mútuo, como se selassem um pacto silencioso.

 

“Ele realmente vai!!!” — Já tendo certeza da decisão de Ash, Leaf levou a palma da mão ao rosto, completamente descrente, quase em desespero silencioso. O gesto dizia mais do que palavras.

 

Flint, da arquibancada, acompanhava tudo em silêncio, sua expressão se fechara em desagrado. Brock, por sua vez, também não sorriu; apenas cerrou o maxilar, já imaginando o que viria. Era algo totalmente sem sentido.

 

E então, Ash ergueu a mão, com firmeza.

 

— Pikachu, eu escolho você!

 

— Pika!!! — respondeu o pequeno elétrico, saltando da lateral para a arena com uma confiança vibrante. Suas bochechas faiscaram, e a cauda se ergueu como uma bandeira de guerra.

 

O confronto decisivo estava prestes a começar.

 

Um silêncio denso se espalhou pela arena, como se o tempo tivesse parado. Os olhos de todos estavam fixos em Ash, esperando que ele desse algum sinal de que aquilo não passava de uma brincadeira, ou que tivesse uma carta escondida na manga. Mas nada veio. Apenas o olhar firme do garoto de Pallet e a postura ereta de Pikachu, que já faiscava energia nas bochechas, pronto para enfrentar o colosso de pedra.

 

— Você está falando sério mesmo, Ash? — A voz de Brock soou grave, quase repreensiva. Sua expressão endureceu, como se a própria pergunta fosse uma advertência.

 

— Sim, Brock! Pikachu será minha escolha. — Respondeu Ash, sem titubear, com uma convicção que não se abalava nem diante do óbvio.

 

O impacto da declaração ecoou pela arquibancada. Leaf levou alguns segundos para processar, antes de sussurrar para Serena, os olhos ainda arregalados em incredulidade:

 

— Serena... não vai me dizer que o Ash não trouxe nenhum Pokémon com vantagem pra batalha?!

 

Serena suspirou, já esperando aquela reação. Sua voz saiu firme, ainda que carregada de preocupação.

 

— Isso mesmo, Leaf. Ele não tem nenhum Pokémon com vantagem de tipo.

 

As palavras foram como um golpe frio no peito da garota de chapéu branco. O choque deu lugar a uma mistura de frustração e temor. Era inconcebível que Ash fosse tão inconsequente, ou confiante demais, a ponto de jogar um Pikachu contra uma muralha viva como Onix. Leaf sabia, qualquer um sabia: o tipo Terra anulava por completo os ataques elétricos. O que restava a Pikachu? Queria acreditar no amigo, queria confiar naquela faísca de determinação, mas o medo das consequências pesava demais, sufocando qualquer lampejo de esperança. Se Ash perdesse, então...

 

Brock e Flint, por sua vez, escutaram Serena, e suspiraram em sincronia. A conclusão era clara, e os dois chegaram à mesma resposta sem precisar dizer uma palavra: aquele garoto ainda era um completo novato.

 

“Acho que superestimei esse garoto...” — pensou Brock, com certo desapontamento. Em seguida, ergueu o braço, pronto para dar continuidade ao duelo. — Se não se importa, começarei dessa vez!

 

Ash, porém, não desviou o olhar. Seu semblante permanecia sério, mas não rígido. Havia uma centelha escondida ali. Ele sabia o que todos estavam pensando. Sabia que pareciam ter descoberto sua fraqueza, que estavam prontos para carimbá-lo como imprudente. Mas era justamente isso que ele queria.

 

Mesmo carregando uma ponta de incerteza dentro de si, Ash não vacilaria. Não agora. Não quando tanta coisa estava em jogo.

 

— Onix, use o Rock Tomb! — ordenou Brock com firmeza, erguendo o braço como se conduzisse a queda das próprias pedras.

 

No mesmo instante, o colosso de pedra ergueu a cabeça e, com um rugido que reverberou por todo o Ginásio, fez despencar do alto blocos maciços de rocha. As sombras das pedras deslizavam pelo chão, avançando como guilhotinas em direção a Pikachu.

 

— Pikachu, Quick Attack em evasiva! — rebateu Ash sem vacilar, a voz firme apesar da tensão.

 

— Cha! — O ratinho elétrico respondeu num grito vibrante, disparando pelo campo como um raio dourado. Seus pequenos pés tocavam o solo em ziguezague, a cada passo desviando por centímetros de pedras que caíam com estrondos secos. O público prendeu a respiração quando uma rocha imensa quase esmagou o Pokémon, passando tão perto que o ar deslocado eriçou o pelo amarelo de Pikachu.

 

— Aquela última pedra quase acertou o Pikachu! — exclamou Leaf, levando a mão ao peito, o nervosismo evidente em sua voz.

 

Flint, em contrapartida, permaneceu impassível, os olhos semicerrados fixos na arena.

 

— Pikachu é um Pokémon com defesa naturalmente fraca. Se ele for atingido por uns dois ataques bem colocados, essa batalha acaba. — Sua voz carregava um tom de alerta, frio e objetivo.

 

Serena ouviu as palavras do homem mais velho, mas seu coração se recusava a aceitá-las. Ela sabia o quanto Ash havia treinado. Ele não colocaria Pikachu em campo sem acreditar que havia uma chance real. O brilho de confiança em seus olhos dizia mais do que qualquer análise técnica.

 

— Não dê trégua, Onix! Dragon Breath! — Brock ergueu a voz.

 

— GROOOOO!!! — O gigante serpentino arqueou o pescoço e, de suas mandíbulas, explodiu um sopro esverdeado, uma torrente de energia dracônica que faiscava como chamas vivas.

 

— Salte! / Pika! — gritou Ash, sincronizado com seu parceiro.

 

No instante em que o sopro mortal avançava, Pikachu cravou os pés no chão e saltou alto, passando por cima da rajada no último segundo. O público mal acreditava no que via: o roedor amarelo voava sobre a torrente dracônica, com Onix de guarda aberta, vulnerável.

 

Ash não desperdiçou a oportunidade. — Agora, Pikachu, Iron Tail!

 

— Que?! — Brock arregalou os olhos, apanhado de surpresa.

 

— Piiiikaaaa... CHUUUUPIKAAA!!! — Pikachu girou no ar, sua cauda reluzindo como aço recém-forjado. Usando o vento do próprio Dragon Breath como impulso, desferiu um golpe devastador bem no topo da cabeça de Onix.

 

O impacto ecoou como um trovão. O corpo colossal da serpente de pedra cambaleou para trás, arrastando-se pesadamente até desabar contra o chão com um estrondo que sacudiu a arena. Num movimento ágil, Pikachu usou o próprio corpo do inimigo como apoio, saltando de volta para uma distância segura.

 

A poeira se levantou em nuvens densas, e as reações foram imediatas.

 

— Ele também tem um movimento do tipo Aço... — murmurou Leaf, a surpresa estampada em sua expressão. Serena, por outro lado, abriu um sorriso cheio de emoção.

 

— O Ash passou quase dois dias inteiros treinando para acostumar o Pikachu e o Pidgeotto com os novos movimentos. — Contou ela, unindo as mãos como se rezasse pela vitória. — Tudo para deixá-los prontos para essa batalha.

 

“Então ele realmente veio preparado...”  pensou Flint, surpreso consigo mesmo por reconsiderar sua visão sobre o garoto. Do outro lado, percebeu que Brock chegava à mesma conclusão, estava no sorriso dele, mesmo enquanto Onix se erguia outra vez em meio à poeira.

 

— Me pegou de novo, hein, Ash? — disse o Líder de Ginásio, num tom que misturava frustração e respeito. — Acho que te devo um pedido de desculpas.

 

— Um pedido de desculpas? / Pika? — Ash e Pikachu se entreolharam, confusos.

 

Brock respirou fundo, mantendo os olhos no garoto.

 

— Quando você colocou o Pikachu em campo, eu pensei que estava diante de alguém que não entendia o básico de uma batalha. Cheguei até a cogitar que você não estava pronto para ser Treinador. — Sua voz carregava uma franqueza notável, que fez Leaf abaixar o olhar, lembrando-se de todas as vezes em que Ash já ouvira julgamentos parecidos. Serena também mordeu o lábio, revivendo em silêncio a dor de ver seu amado subestimado. — Claro... Ainda acho sua escolha arriscada, mas não posso negar que você veio preparado. — Brock suavizou o tom, esboçando um sorriso sincero. — E isso prova que tipos não definem uma batalha. Estratégia, confiança e coragem podem virar o jogo. A forma que você guiou seus Pokémon em táticas, mesmo que arriscadas, é digna de nota. — Ele fitou Ash diretamente, atravessando a poeira da arena com um olhar cheio de respeito. — Meus parabéns, Ash.

 

O mundo pareceu parar para o garoto de Pallet. Seu peito apertou, e os olhos se arregalaram. Nunca havia ouvido tais palavras dirigidas a ele. Estava acostumado a desprezo, desdém, julgamentos. Mas agora... era diferente. Eram palavras de reconhecimento.

 

Uma sensação cálida o percorreu, e um sorriso, tímido no início, foi se abrindo em seu rosto. Leaf também deixou escapar um pequeno sorriso, orgulhosa do amigo. Serena, por sua vez, mal conteve as lágrimas de alegria.

 

— Eu... eu nem sei o que dizer, Brock... Só... muito obrigado. — murmurou Ash, emocionado, com Pikachu concordando ao seu lado.

 

Brock acenou com a cabeça, mas logo retomou sua postura séria.

 

— Mas não pense que meu Onix vai ser derrotado só com isso! / GROOOOO!!! — bradou, junto ao rugido feroz de seu parceiro.

 

— Eu sei disso, Brock! — Ash ergueu o punho, a empolgação vibrando em cada palavra. — E é por isso que vou lutar com tudo o que tenho! / Pikachuuu!!!

 

Era hora do Gran Finale.

 

— Onix, use o Dig! — Brock ordena, sua voz ecoando firme pelo Ginásio.

 

Em um instante, o corpo colossal do Pokémon se projeta contra o solo, mergulhando com força. O chão treme violentamente, rachaduras se espalham como teias, e a vibração sobe pelas pernas de Ash e da plateia. Um silêncio de expectativa se forma: apenas o som surdo das pedras se movendo embaixo da arena denuncia a presença do titã subterrâneo.

 

Pikachu ergue as orelhas, nervoso, girando a cabeça de um lado para o outro. Seus olhos acompanham cada fissura que se abre no campo, tentando prever onde o inimigo atacaria.

 

— “Essa não... se Onix acertar, Pikachu não vai aguentar!” — Ash cerra os dentes, sentindo a garganta travar. Ele levanta o braço com força. — Pikachu, corra pelo campo com Agility!

 

— Pikaaa! — O ratinho dispara, seus pés leves quase não tocam o chão. Ele risca a arena em movimentos erráticos, tentando despistar, mas os tremores ficam mais fortes... mais perto. E de repente, o chão explode. Onix irrompe do subsolo como um monstro colossal, pedras voam em todas as direções. No entanto, Pikachu salta no último segundo, escapando do golpe devastador, mas um fragmento atinge seu ombro de raspão, lançando-o alguns metros antes de aterrissar de mau jeito.

 

— Aquilo foi por um fio! — Serena grita, aflita, levando a mão ao peito.

 

Ash avança um passo, preocupado. — Tá tudo bem, Pikachu?!

 

— Pi...! — o roedor responde firme, mas o arranhão em seu corpo mostra o quão perigoso foi o ataque.

 

Na arquibancada, Leaf engole em seco, os olhos colados no campo. Flint, impassível, murmura baixo:

 

— Pikachu acaba de escapar de um golpe devastador por um triz.

 

Ash respira fundo. Ele não podia só fugir. Precisava reagir.

 

— Pikachu, rodeie o Onix e use Iron Tail!

 

Pikachu corre, um raio amarelo circulando o corpo rochoso do inimigo pelos flancos, onde Onix era mais vulnerável. Sua cauda brilha como aço polido, pronta para o impacto. Era a abertura que Ash esperava. Mas Brock esboça um sorriso perigoso: ele já esperava.

 

— Tarde demais, Ash! Onix, Bind!

 

Antes que Pikachu atinja, a cauda massiva do colosso chicoteia e se enrola ao redor dele, prendendo-o sem piedade.

 

— PIKAAAA!!! — O grito de dor atravessa o Ginásio, fazendo eco nas paredes de pedra. O aperto aumenta, esmagando músculos e ossos contra a pressão implacável.

 

— PIKACHU!!! — Ash grita, seu coração despencando. A imagem de Pidgeotto caído mais cedo explode em sua mente. — “Não... ele também não...!”

 

Na plateia, Serena fecha os olhos, incapaz de assistir. Leaf aperta a barra da saia, tremendo. Os irmãos menores de Brock gritam em júbilo, já esperando a vitória do irmão. Flint cruza os braços e sentencia, como se estivesse certo de sua próxima palavra:

 

— Acabou.

 

O corpo de Pikachu se contorce de dor, cada segundo mais próximo da derrota. Ash sente um nó na garganta. Ele precisava fazer alguma coisa. Qualquer coisa. E então, como um clarão no meio do desespero, surge a ideia. Absurda, arriscada, improvável. Mas era a única, afinal, ele já não tinha nada a perder.

 

— Pikachu... use o Iron Tail! — Brock ergue uma sobrancelha, certo de que era um comando inútil. Mas Ash completa, desesperado: — E gire sua cauda com toda a força que puder!

 

— O quê?! — Brock arregala os olhos.

 

Mesmo sufocado, Pikachu força seus músculos. Sua cauda brilha em aço... e começa a girar com velocidade. O som que sai é terrível: um rangido agudo de metal arranhando pedra, como unhas numa lousa. A cada rotação, lascas de rocha se soltam. O atrito gera faíscas, incomodando Onix, que ruge alto e, instintivamente, afrouxa o aperto.

 

Com um último esforço, Pikachu se solta e despenca no chão, ofegante, mas livre.

 

Ash ergue os braços, incrédulo.

 

— FUNCIONOU!!!

 

Brock observa, sem acreditar.

 

— Ele... se libertou do Bind... usando o atrito?!

 

Flint solta um assobio baixo.

 

— Esse moleque é doido. Mas funcionou.

 

Leaf quase pula do banco, incrédula.

 

— Ele lembrou das aulas da Academia?! Biologia Pokémon aplicada na prática... Isso... Foi genial, Ash!!! — Ela mal podia esperar pra ver a reação do Ash quando ela contasse isso pra ele: seria impagável.

 

Mas Serena apenas balança a cabeça, sorrindo com ternura.

 

“Não, Leaf... foi puro improviso. Ele apostou tudo naquela tática, e a fé dele no Pikachu fez com que funcionasse.”

 

Ash respira fundo, com os olhos brilhando.

 

— Pikachu, consegue continuar?!

 

— Pika! — responde, mesmo trêmulo.

 

— Então vamos com tudo! Quick Attack!

 

Pikachu avança como um raio, mas Brock não vacila.

 

— Onix, Dig outra vez! — O chão se rompe, no que Pikachu passa direto por Onix, logo após este se enterrar completamente.

 

— Essa não! Agility, Pikachu! — Tentando usufruir novamente da estratégia anterior, Pikachu começa a se mover de forma aleatória pelo campo de batalha.

 

— “Sabia que faria isso!” — Brock sorri. Observando atentamente a movimentação de Pikachu, Brock soube a hora certa de agir. — Onix, ataque às duas horas, agora!

 

Logo após Pikachu pisar em um local específica da arena, o ratinho sente a vibração do chão, sendo atingido sem que percebesse pelo corpo maciço de Onix. Com isso, Pikachu é lançado para o alto pela força brutal do ataque. Ele cai pesadamente no solo, gemendo de dor.

 

— PIKACHU!!! — Ash grita, quase sem ar.

 

Serena, em pleno choque, fecha os olhos em horror. Não conseguia ver tal cena.

 

O pequeno tenta se levantar, mas suas patas falham. Brock cruza os braços, seguro.

 

— Acabou, Ash. Seu Pikachu não tem mais forças. Onix, termine isso!

 

O gigante avança. Cada tremor de seu corpo se aproxima mais, cobrindo Pikachu com uma sombra sufocante. O roedor fecha os olhos, exausto, pronto para o fim.

 

Mas esse fim nunca veio.

 

De repente, faíscas cobrem corpo de Onix, para total espanto de todos aqueles que assistiam. O colosso de pedra trava no lugar, paralisado, rugindo de dor.

 

— Essa não! — Brock entra em choque, já tendo percebido do que se tratava.

 

Ash arregala os olhos, com um lampejo de esperança se renovando.

 

Static...!!! É agora, Pikachu! Iron Tail! — O rapaz não perde tempo: tinha que aproveitar essa chance, mesmo sua surpresa não tendo se dissipado.

 

Pikachu, com seu último fôlego, salta e concentra toda sua força na cauda brilhante.

 

— Piiiikaaaa... CHUUUUPIKAAA!!! — O golpe desce como um machado de aço, atingindo a cabeça já fragilizada do colosso. O impacto ressoa por todo o Ginásio. Onix ruge... e desaba no chão, com um forte estrondo ecoando pelo Ginásio.

 

Um total silêncio percorre pelo local, com absolutamente ninguém ousando dizer sequer uma palavra até que Forrest confirmasse o desfecho de tudo.

 

Forrest corre até o campo, abaixando-se para verificar melhor. E logo, a confirmação que todos esperavam é revelada.

 

— Onix está fora de combate! Pikachu vence! A vitória vai para Ash Ketchum, da cidade de Pallet!

 

— Conseguimos.... — Murmurava Ash, absorvendo as palavras do juiz, sinalizando o desfecho do combate. — NÓS CONSEGUIMOS!!! — Ele abre um sorriso gigantesco, correndo até Pikachu e abraçando-o com felicidade extrema, mas sem machucar ainda mais seu Pokémon. — NÓS CONSEGUIMOS MESMO, PIKACHU! NOSSO PRIMEIRO GINÁSIO... TÔ TÃO ORGULHOSO DE VOCÊ!

 

— ELE CONSEGUIU!!! — Serena chora, com um sorriso caloroso.

 

Leaf, por sua vez, cai sentada no banco, boquiaberta.

 

— Ele... realmente venceu... — Sua surpresa não poderia ser maior. Aquele que era conhecido de forma pejorativa como “O Lendário Sonhador”... conseguiu vencer uma batalha de Ginásio.

 

Os irmãos menores de Brock resmungam em coro, decepcionados. Flint, no entanto, esboça um sorriso discreto. Não estava chateado. De fato, tinha sido uma bela batalha.

 

— Onix, retorne. — Brock chama seu Pokémon de volta para a Poké Ball. — Fez um ótimo trabalho.

 

Ao agradecer seu Onix, o Líder de Ginásio se aproxima de Ash, que para sua comemoração para observar o mais velho se aproximar.

 

— Ash, parabéns. Eu não esperava essa reviravolta toda. — Sorri. — Claro que o Static do Pikachu veio em um momento bem oportuno, mas isso não tira seu mérito.

 

— Obrigado, Brock! — Ash agradece. De fato, se não fosse o Static, teria sido uma batalha perdida, mas deixaria para pensar nisso depois. Nesse momento, ele somente iria focar no agora. — Eu não teria conseguido sem o Pidgeotto e o Pikachu.

 

— E isso faz você ser ainda mais merecedor disso aqui. — De sua jaqueta, Brock tira um emblema em formato de pedra. — Essa é a Insígnia da Rocha. A prova definitiva de que me derrotou em batalha.

 

Ash, sem titubear, recebe o emblema nas mãos, e a ergue para o alto, radiante.

 

— Isso! Eu consegui a Insígnia da Rocha! / Pipikachu!!!

 

— “Precisa de toda essa pose?” — Brock sua pelo topo da cabeça, sem entender o gesto de Ash.

 

Nesse momento, Leaf explode, avançando até ele, os olhos arregalados. E o grito que ela dera assustou completamente aquele que a ele era dirigido, que olhou para a garota se aproximando de maneira histérica, quase assustadora.

 

— ASH!!! O que foi aquilo?! O Static no final, a estratégia pra se livrar do Bind... Você lembrou das aulas, né? ADMITE!

 

Ash coça a nuca, sorrindo sem jeito. E responde de maneira simples.

 

— Na verdade... não. Foi tudo no improviso mesmo.

 

Com essa resposta, Leaf congela. Seu rosto perde a cor, e seus olhos ficam vidrados. Em seguida, cai de joelhos em derrota. Tudo o que ela teorizara estava equivocado. Ela não iria se recuperar disso tão cedo.

 

Brock solta uma risada curta, Serena, que se aproxima em seguida, cobre a boca para não rir.

 

— “Sabia!” — Com um largo sorriso e um rubor em seu rosto, Serena pensa. Ash e Pikachu só piscam confusos, sem entenderem nada.

 

Após o encerramento da batalha. O grupo de Ash partiu, decididos a irem no Pokémon Center para recuperarem seus Pokémon. Brock ainda estava no Ginásio, ainda com seus pensamentos voltados para o confronto que acabara de ter com o garoto de Pallet.

 

Flint vai até o seu filho mais velho. Ele coloca a mão em seu ombro, com um sorriso bem humorado.

 

— Foi uma batalha incrível, meu filho. Mesmo tendo perdido, estou orgulhoso de sua performance. — Elogia Flint.

 

— Obrigado, pai. Para ser sincero, é a primeira vez que presencio algo assim. — Responde Brock com uma expressão cansada, mas visivelmente satisfeita.

 

— Entendo. Esse garoto chamado “Ash” é um rapaz bem único. Não só era visível o respeito e fé que ele tinha por seus Pokémon, mas ele também tinha humildade, e principalmente, a coragem para implementar estratégias tão singulares. Fazer isso, ainda mais com Pokémon em desvantagem é realmente digno de mérito. — Flint expressava sua análise da batalha. — Para ser sincero, ter uma companhia como a daquele garoto faria bem para a sua jornada.

 

As palavras de seu pai realmente entraram na mente de Brock. Para ser sincero, seu pai estava certo. Ter alguém como Ash para viajar junto talvez fizesse a viagem ser mais empolgante. Incrivelmente, o Líder havia criado uma simpatia pelo jovem Ketchum, algo que não havia ocorrido com os antigos Treinadores que passaram por ali.

 

Neste instante, veio à mente de Brock um pensamento: ambos ele e Ash avançariam pelo mesmo percurso, que leva para o Monte Lua, e em seguida, a cidade de Cerulean, o local para a próxima batalha de Ginásio do rapaz. Talvez... somente um talvez... valeria a pena pedir isso a ele?

 

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Enfim, chegada o final da tarde. O sol que havia cumprido seu papel, agora estava se escondendo sobre as montanhas. Neste momento, Ash, Serena e Leaf se encontravam no lado de fora do Pokémon Center.

 

— Então você já está de saída, Leaf? — Questiona Ash.

 

— Sim. Na verdade, eu já iria embora mais cedo da cidade, mas decidi ficar para ver a sua batalha. E graças a Arceus, ainda bem que eu fiquei. Hehehe. — Disse Leaf, com uma risada brincalhona. — Fazia um bom tempo que eu não ficava tão tensa.

 

— Entendo. Então, esperamos vê-la novamente. / Pikaa! — Ash disse, compreendendo. Pikachu, que estava exaurido da batalha, também responde com animação para a jovem.

 

— Foi um prazer conhecê-la, Leaf. — Serena disse com gentileza.

 

— O prazer foi meu. Aliás, Serena. Preciso contar uma coisinha antes de ir. — Falou Leaf, deixando a kalosiana curiosa. — Poderia vir até aqui rapidinho? É meio que... particular.

 

Serena não compreendia do que se tratava, mas foi para perto da jovem Beech, que casualmente aproximou o rosto até seus ouvidos. Ash não entendia, mas apenas dava de ombros, pois pensava que era apenas assunto privado entre garotas.

 

— Para ser sincera, eu já notei que você tem uma queda por Ash. — Murmurou Leaf com um sorriso travesso.

 

— H-hein?! — Exclamou Serena, com seu rosto mudando a coloração para um vermelho vivo.

 

— E só para deixar bem claro: eu notei que você parecia estar com ciúmes. Mas saiba que eu não tenho nenhum interesse nele. Pelo contrário, eu na verdade, dou todo o apoio para que vocês fiquem juntos. — Completou Leaf, com um sussurro discreto, ou era o que ela queria que parecesse.

 

Naquele momento, Serena fica surpresa. Ela havia notado seu desconforto para com ela? Se esse fosse o caso, ou Leaf era bem perspicaz ou ela era extremamente óbvia de se ler.

 

Mas já não importava, pois aquelas palavras já a deixavam mais confortável, afinal, se ela havia se aproximado especificamente para relatar isso, deve ser porque era de fato verdade.

 

Leaf então se afastou de forma descontraída, como se o que contasse fosse apenas algo trivial, algo que Ash nem sequer havia notado.

 

— Bem, já estou indo, pessoal. Não vejo a hora de contar o que aconteceu hoje pro Gary quando nós nos encontrarmos de novo. Mal posso esperar para ver a reação dele. Tchau tchau! — Enfatizou Leaf.

 

— E eu mais ainda. — Concorda Ash, também ansioso para ver a cara dele quando descobrir. — Se cuida, Leaf. / Pikapika! — Despediam-se Ash e Pikachu em seguida.

 

— Tchau, Leaf! Boa viagem! — Serena gritava, agora mais alegre do que antes, graças ao empecilho finalmente retirado do caminho.

 

Ash e Serena, junto de Pikachu, apenas acenavam para a garota de cabelos castanhos, enquanto ela se afastava gradualmente, como o sol que se punha no horizonte.

 

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Logo em seguida, a dupla adentrou novamente o Pokémon Center. Lá, Ash levou seus Pokémon para serem curados após o grande confronto no Ginásio.

 

Enquanto isso, os dois se sentaram nos bancos que ficavam no canto esquerdo da entrada, próximos da recepção. Durante a espera, Ash estava admirando seu primeiro emblema recém adquirido.

 

— Enfim, eu obtive minha primeira Insígnia. Depois de todo o treinamento duro que passamos, finalmente... eu a tenho em minhas mãos. — Dizia o garoto com os olhos ainda brilhando de emoção.

 

Para alguns, aquela pequena Insígnia poderia ser apenas um símbolo da conquista contra o Líder, mas para Ash, aquilo representava um grande primeiro passo em direção ao seu estimado sonho.

 

— Fico muito feliz por você, Ash. Você realmente mereceu essa conquista. — Expressou Serena, que não conseguia tirar os olhos do rapaz. Ela também estava feliz, pois para uma garota que o amava, a felicidade dele também era a sua.

 

— Bem, eu não poderia ter feito isso sem o auxílio dos meus Pokémon, e também, sem a sua ajuda, Serena. — Ele pontuou.

 

— E-eu?! M-mas eu não fiz nada, Ash! — Falou a caramelada acanhada.

 

— Claro que fez! Graças a sua ajuda e de Fennekin no treinamento e o seu incentivo, eu não poderia ter conseguido fazer isso. Serena, você foi importante para essa vitória. — Ash disse com determinação. Para ele, a jovem Yvonne teve um papel inestimável para alcançar esse objetivo.

 

— Ash... — Serena murmurava, admirada pela imensa consideração dele por gestos que aparentemente pareciam tão simples para ela.

 

Sem que ambos notassem, uma outra presença adentrava no Center e notava os dois.

 

 — Olha só! Vocês dois por aqui também, hein? — A voz masculina diz, chamando a atenção da dupla.

 

Ambos rapidamente reconheciam a figura que os abordava.

 

— Ei, Brock! — Cumprimentou Ash. — Veio curar seus Pokémon também?

 

— Mas é claro! Depois daquela batalha, com certeza meus Pokémon precisam ser tratados. — Brock afirma, carregando suas duas Poké Ball e se dirigindo ao balcão para entregar aos cuidados da enfermeira.

 

Após cerca de quase cinco minutos, os Pokémon de Brock foram devidamente levados para a enfermaria. O Líder então foi para perto de Ash.

 

— Sabe Ash, não sei se você sabe, mas... eu tenho um sonho de ser um “Criador Pokémon”. Desde a infância, eu era fascinado pelo estudo de criação e cuidados dos Pokémon. Entretanto, eu segui a carreira como Líder em prol de ajudar minha família após minha mãe nos abandonar. Eu tive que ajudar a manter a ordem em casa, não só ajudando com as contas e cuidando de meus irmãos, mas também atuando na minha profissão como um Líder no lugar de meu pai. É claro, eu não odiava meu cargo. Eu gosto de batalhar no Ginásio também, mas não era de fato o que eu gostaria de continuar a fazer pelo resto da vida. — Dizia Brock, com um tom mais sério enquanto se abria para o rapaz sobre a sua vida.

 

Aquilo havia pegado o rapaz desprevenido, exceto por Serena, que já havia ouvido da história por Flint. Ash não imaginava que por trás daquele homem existia um passado tão triste. De certa forma, ele conseguia sentir que ambos eram similares, pois o pai de Ash também desapareceu de sua vida quando ele ainda era muito pequeno.

 

— Após todos esses anos, agora finalmente poderei realizar o meu objetivo. Meu pai ficara encarregado do Ginásio, enquanto treina Forrest para ser o futuro Líder em seu lugar. Como meus irmãos estão mais crescidos, não haverá problemas para que eles tenham que lidar. — Explicava Brock, deixando Ash ainda incrédulo sobre o quão aberto o Líder havia sido para ele.

 

— Brock, por quê você está me contando tudo isso? — Indaga o garoto, sem entender as razões por trás de seu desabafo.

 

— Ash, é porque, diferente dos Treinadores que já encontrei anteriormente, eu pude ver um ar de humildade em você. Eu não sei explicar, mas sinto que ver você batalhar e como seus Pokémon pareciam felizes ao seu lado e dando tudo de si, deduzi que você era uma pessoa de bom coração. — Confessou Brock sem rodeios. — Foi de fato um prazer te conhecer, Ash. Espero poder encontrar pessoas como você durante minhas andanças.

 

Brock estendeu a mão para Ash como forma de cumprimento. Ele estava feliz por tê-lo conhecido. Para Ash, Brock era de fato um cara humilde e bastante respeitável. Ele imaginava o quanto ele poderia aprender com alguém como ele instruindo-o sobre batalhas.

 

Foi então que, naquele exato momento, antes que a mão de Ash apertasse a de Brock, ele parou. Ash teve um vislumbre de uma ideia.

 

— Bem, acho que não há necessidade de fazermos isso, certo? — Perguntou Ash, deixando Brock e Serena surpresos com a recusa do rapaz.

 

— O-o que quer dizer? — Brock estava confuso com aquela atitude.

 

— Bem, quero dizer, por quê você não vêm com a gente, Brock? — Questiona Ash.

 

— E-espera! V-você está me convidando para ir junto?! — Brock ainda sequer conseguia acreditar naquela proposta.

 

— Mas é claro! Para falar a verdade, eu sinto que seria melhor ter uma pessoa que pudesse me ensinar melhor sobre batalhas e cuidados de Pokémon, e você seria uma adição perfeita em nossa viagem. Não é, Serena?

 

— Ah, sim! Claro! Eu também gostaria de aprender mais sobre dicas sobre isso, afinal, quero ter certeza de que meu Pokémon está sendo bem cuidado. — Serena responde de forma atrapalhada. A caramelada não conseguia negar que, ela estava desapontada por Ash e ela não estarem mais a sós, mas assumia que a companhia de Brock poderia trazer frutos para o seu amado, e também, até mesmo para ela.

 

Brock não queria deixar transparecer, mas por dentro, estava fascinado. Após a conversa com seu pai antes de vir ao Pokémon Center, ele já pensava na possibilidade de perguntar a Ash se ele poderia seguir com ele e Serena em sua jornada. Entretanto, ele estava receoso de fazê-lo, temendo acabar atrapalhando o clima entre eles.


Contudo, ambos o receberam de braços abertos. Ele sentia que a jornada agora poderia ser ainda mais gratificante ao lado deles.

 

— Mas é claro que eu aceito. Seria uma honra caminhar ao lado de vocês. — Brock disse, com um semblante animado.

 

— Bem, então está combinado. Iremos apresentá-lo aos nossos Pokémon depois, mas de qualquer forma, bem-vindo ao time, Brock Slate. — Ash diz, dessa vez, estendendo a mão.

 

— O prazer é meu, Ash Ketchum. — Brock também o faz, e finalmente, os dois apertaram as mãos, selando o início de uma nova amizade. — Ah, também tenho que ressaltar que, além de cuidados com Pokémon e treinamento para batalhas, eu sou um excelente cozinheiro. Modéstia a parte.

 

— H-Hein?! C-cozinheiro?! YAAAAAAAAAY!! — Como se tivessem pensado na mesma coisa, Ash e Serena exclamavam contentes em uníssono.

 

Ash não podia estar mais satisfeito. Não só havia conquistado seu distintivo na primeira tentativa, vencendo a aposta contra seu rival, mas além disso, um novo companheiro se junta ao seu grupo. O rapaz pensava que a partir de amanhã, a aventura se tornaria ainda mais emocionante. 


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