Pokémon: TLD - Capítulo 13: Entre o Gelo e o Orgulho! O Verdadeiro Teste de Resistência
Ash e Serena são surpreendidos pela
aparição repentina de dois Rockets desconhecidos, que surgem das sombras com
passos firmes e sincronizados, fazendo o ar ao redor parecer pesar. Diferente
dos atrapalhados Jessie, James e Meowth, esses dois exalavam autoridade, desde
a postura ereta e o olhar afiado até o modo como suas vozes ressoavam com certa
frieza e confiança. Suas roupas eram levemente diferentes, com detalhes
prateados no uniforme negro, e o símbolo “R” em seus peitos brilhava em um tom
carmesim mais intenso, quase como se quisesse impor respeito.
Serena recua um passo,
instintivamente. O instinto de perigo era nítido, como se um predador tivesse
acabado de surgir diante deles. Já Ash, por outro lado, cerra os punhos e
encara os dois com firmeza, tentando manter a compostura. Já tendo experienciado
batalhar com os Rockets anteriormente, sabia bem que, no fim, eram só um grupo
de bandidos incompetentes e barulhentos. Ainda assim…algo dentro dele gritava
que esses dois não eram iguais.
Mesmo se esforçando para ignorar, uma
sensação desconfortável se arrastava por sua espinha, um pressentimento pesado
e sufocante. Era como se a própria presença daqueles dois distorcesse o ar,
deixando-o mais frio, mais denso, mais difícil de respirar, contrastando
completamente com o ar que o trio anterior exalava.
No fundo, ele confiava em sua força,
em Pikachu, e nas experiências passadas envolvendo esses ladrões… mas não
conseguia afastar o sentimento de que algo estava profundamente errado.
Era um incômodo que não vinha de
medo, mas de instinto puro, o mesmo instinto que tantas vezes guia Treinadores
em batalhas difíceis.
Então... por que essa sensação
desconcertante quando seus olhos se cruzavam com os daqueles recém-chegados?
Ash não sabia explicar. Era como se,
por um instante, tivesse diante de si algo além do comum, algo que nem mesmo
suas vitórias passadas contra a Equipe Rocket poderiam prepará-lo para
enfrentar.
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Enquanto aqueles pensamentos
inquietantes ainda ecoavam na mente do garoto de Pallet, um evento
completamente distinto se desenrolava em um local um pouco mais afastado.
No Pokémon Center de Pewter, as
portas automáticas se abriram suavemente, dando passagem a uma jovem ruiva que
empurrava uma bicicleta reluzente, ainda com respingos de lama nas rodas - um
claro sinal de que sua viagem até ali não tinha sido das mais calmas.
Ela olhou ao redor com uma expressão
curiosa e levemente preocupada. Carregar aquela bicicleta para dentro não era
exatamente o ideal, mas do lado de fora, não havia nem sinal de um suporte ou
estacionamento apropriado. Com um suspiro, decidiu arriscar e entrou,
esperançosa de que dentro pudesse encontrar um local seguro para deixá-la.
— Uau... — murmurou, a voz ecoando
suavemente pelo salão quase vazio. — Esse Centro é menos movimentado do que
pensei...
Os olhos da garota percorreram o
ambiente, absorvendo cada detalhe: o brilho suave das luzes brancas, o piso
impecavelmente limpo e o ar tranquilo, quase sereno, que contrastava com o
barulho constante das ruas lá fora. Apenas a Enfermeira Joy estava visível
atrás do balcão, arrumando alguns prontuários com um sorriso gentil,
acompanhada de sua fiel Chansey. Além dela, havia mais dois treinadores
sentados nas cadeiras de espera, cada um acompanhado de um Pokémon ferido,
repousando em silêncio.
Era um cenário pacífico... mas havia
algo naquela quietude que parecia estranho demais para uma cidade com um
Ginásio tão famoso.
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De volta ao Monte Lua, a atmosfera
estava pesada, envolta por uma penumbra natural que parecia refletir a tensão
no ar.
Rosavia, com seu olhar cortante,
observava os três subordinados - Jessie, James e Meowth - imóveis, como se
esperassem apenas assistir ao desenrolar da batalha.
A expressão da veterana, no entanto,
deixava claro que ela não compartilhava da mesma ideia.
— Vocês três! — Sua voz ecoou firme e
gélida pelas cavernas.
— S-sim!!! — Os três se
sobressaltaram de imediato, como se um raio tivesse caído a seus pés. O tom da
superior era tão afiado que não deixava espaço para hesitações.
— Nem pensem em ficar parados aí
feito três imbecis! — o timbre severo da mulher reverberava pela caverna. —
Levem tudo que extraíram para a base. Agora! — ordenou, sem a menor brecha para
negociação.
— Sim, senhora! — Jessie respondeu em
um sobressalto nervoso, apressando-se ao lado de James e Meowth para recolher
cada fragmento das preciosas Pedras da Lua espalhadas pelo chão. O trio,
visivelmente atordoado, tratou de bater em retirada, desaparecendo pelos túneis
com os braços cheios de minerais.
Ash deu um passo à frente, o instinto
falando mais alto.
— Ei, parem aí! — bradou, pronto para
persegui-los.
Mas Bleuross moveu-se com precisão,
interceptando seu caminho antes que pudesse avançar.
— Saia da frente! — o garoto rosnou,
a voz carregada de frustração.
Serena, ciente do perigo crescente,
reagiu rápido:
— Seymour, Clefairy! Vão para um
lugar seguro, agora!
— Tá! / Fairy! — responderam em
uníssono, recuando apressados até se abrigarem atrás de uma grande rocha
próxima a uma das colunas da caverna. De lá, podiam apenas observar, ansiosos
mas com certo temor, o que viria a seguir.
O ar pareceu pesar ainda mais quando
Bleuross ergueu a voz novamente, no entanto, sem um pingo de agressividade, com
uma calma que soava ainda mais perigosa.
— Escuta, garoto... — disse,
surpreendendo Ash com o tom brando, quase ponderado. — Você não faz ideia no
que está se metendo. Nenhum de vocês fazem. — Os olhos do homem se estreitaram,
revelando algo entre pena e advertência. — Então vou ser direto. Saiam daqui.
Finjam que não viram nada. — sua voz ecoou como um conselho velado, mas havia
um peso ali, uma ameaça sutil escondida sob as palavras. — Assim vocês se
poupam de passarem por algo... bem complicado.
Ash manteve o olhar firme, mas por
dentro, um incômodo o corroía. Aquele tom sereno, quase empático, era de certa
forma desconfortável. E por mais que quisesse ignorar, não conseguia afastar a
sensação de que algo estava terrivelmente errado.
No entanto, o garoto tenta não perder
a confiança.
— Enquanto não libertarem as
Clefairy, não vamos deixar vocês se safarem! — declarou Ash com firmeza, os
punhos cerrados.
— Pikaaa!! — Pikachu se alinhou ao
lado do parceiro, a eletricidade faiscando levemente em suas bochechas.
O gesto, audaz e cheio de convicção,
fez Serena respirar fundo antes de também avançar um passo. Havia determinação
em seus olhos; recuar não era mais uma opção.
Bleuross apenas observou a cena em
silêncio por um instante, o olhar pesado, quase melancólico. Então soltou um
suspiro cansado.
— Por isso que não me dou bem com
crianças... — murmurou para si mesmo, balançando levemente a cabeça.
Com um movimento contido, mas
preciso, puxou uma Poké Ball do cinto, e Rosavia fez o mesmo, em sincronia.
— Então não se arrependam depois...
fedelhos. — advertiu, num tom baixo
e gélido que soava menos como ameaça, e mais como um presságio.
Em seguida, ambos os Rockets lançaram
as esferas ao ar. O som metálico se espalhou pela caverna, seguido por um
clarão súbito e pelo eco característico da liberação dos Pokémon.
— Bull!! / Clo-lo-lo-loyster!! — As
vozes ecoaram em meio ao salão rochoso, anunciando a aparição dos dois Pokémon.
Um deles, cercado por uma concha espessa e ameaçadora, irradiava uma presença
fria e intimidadora; o outro, de aparência robusta e mandíbula poderosa,
exalava uma aura selvagem e agressiva.
Ash e Serena recuaram um passo,
surpresos pela imponência das criaturas. Para eles, especialmente, aquele de
corpo musculoso e expressão feroz era um completo desconhecido.
— Então isso é um Cloyster...?! /
Pika?! — Ash murmurou, franzindo o cenho, primeiro mirando sua atenção para o
Pokémon ostra, enquanto Pikachu erguia as orelhas em alerta.
Sem perder tempo, Ash puxou sua
Pokédex, e a voz eletrônica de Dexter ecoou pelo ambiente:
—
CLOYSTER / N° 091 / Água e Gelo: Sua concha é tão dura que nem mesmo explosões
podem danificá-la. Habita as profundezas geladas do oceano, onde caça
silenciosamente suas presas.
Ash assentiu brevemente, reconhecendo
a ameaça. Mas o outro Pokémon ainda era um mistério.
— E aquele ali... — Serena murmurou,
desviando o olhar para o desconhecido de presas afiadas.
— Fen... — completou Fennekin,
recuando levemente, instintivamente cautelosa pelo olhar agressivo que aquela
fera lhes direcionava.
— Então, este é o Pokémon do tipo
Fogo que eles descreveram ser de outra região. — Rosavia indagou, enfim notando
a Pokémon raposa da jovem.
A Equipe Rocket possuía um aparelho
capaz de analisar Pokémon, semelhante à Pokédex, entretanto, obviamente por ser
um modelo com uma interface tão similar, era incapaz de obter informações sobre
espécies de regiões fora de Kanto.
— Bem, não importa de qualquer forma.
Afinal, ele não aparenta ser uma ameaça para nós. — Bleuross respondendo, não
se sentindo intimidado pelo Pokémon desconhecido, confiante de que eram capazes
de dar conta do recado. Os dois Pokémon recém revelados pensavam a mesma coisa.
Serena ergueu sua Pokédex em prol de
analisar o Pokémon buldogue bípede.
— Elexa, analise!
Mas a resposta veio seca e objetiva:
— Sem dados disponíveis.
Serena piscou, surpresa. Ash trocou
um olhar com ela, afinal, aquilo só podia significar uma coisa: aquele Pokémon
não era nativo de Kanto.
— Parece que é a primeira vez que
vocês veem um Granbull — comentou Rosavia, com um sorriso cheio de escárnio. —
Não é um Pokémon lindo?! — o tom zombeteiro só reforçava o quanto ela se
divertia com o espanto dos dois jovens.
Bleuross, por outro lado, manteve a
postura firme, a mão já erguida e o olhar fixo nos adversários.
— Não vamos mais perder tempo! Venham
com tudo! — ordenou, em um tom seguro e desafiador.
Ash e Serena se entreolharam,
firmando o olhar. O ar pesado da caverna agora vibrava com expectativa. A
batalha estava prestes a começar.
E Ash foi o primeiro a agir.
— Pikachu, comece com Quick
Attack!
— Pika!! — O pequeno roedor dispara
com incrível velocidade, um rastro prateado acompanhando seus movimentos
enquanto avança determinado na direção do Granbull.
Bleuross, no entanto, sequer se
abala.
— Protect, Cloyster. — Ordena num tom calmo e frio, como se não
enxergasse ameaça alguma no Pokémon do garoto.
De imediato, Cloyster desliza à
frente de seu aliado e ergue um domo de energia esverdeado, translúcido e firme
como aço. Pikachu colide de frente com o escudo e é violentamente repelido,
sendo lançado para trás e rolando pelo solo de pedra.
— Ah não! — Exaspera-se Ash, sentindo
o perigo iminente: seu Pokémon estava completamente vulnerável.
— Agora, Brick Break, Granbull! — Contrastando com seu companheiro, Rosavia
comanda em um tom mais agressivo e hostil, revelando sua frieza diante dos
jovens adversários.
— Graaaan... BULL!!! — ruge a
criatura, seus olhos faiscando com ferocidade. Assim que o domo se desfaz,
Granbull, sequencialmente, salta com um movimento de quebra-telha seco e
certeiro, golpeando o corpo de Pikachu com brutalidade.
O impacto é devastador.
— CHAAA!!! — O grito do roedor ecoa,
seu corpo sendo arremessado e quicando no chão pedregoso antes de finalmente
parar, estremecido de dor.
— Pikachu!!! — Ash exclama, correndo
um passo à frente, o coração apertado ao ver seu parceiro tão facilmente
derrubado.
— Essa não! — Serena leva a mão ao
peito, alarmada. — Fennekin, ajude o Pikachu! Use o Ember no Granbull!
— Kin!!! — Determinada, a raposa de
fogo inspira fundo e dispara uma rajada de brasas incandescentes, que cruzam o
campo como pequenas estrelas alaranjadas. Era seu melhor golpe, sua única
esperança de fazer qualquer coisa para ajudar.
Mas Rosavia apenas sorri, com um
brilho arrogante no olhar.
— Ingênua... — murmura. — Avance com Brick Break, Granbull.
Sem hesitar, o tipo Fada ignora
completamente as brasas que lhe atingem o corpo, avançando de forma implacável,
como se a dor sequer existisse. As chamas se dissipam ao redor, e Granbull
segue rugindo, pronto para esmagar o alvo.
Serena sente um arrepio percorrer-lhe
a espinha ao ver a distância diminuir.
— Fennekin, cuidado! — grita
desesperada.
— Fen...! — Fennekin recua um passo,
aterrorizada com o olhar amedrontador da fera rosada.
Num piscar de olhos, Granbull salta à
frente e desce o golpe que derrubara Pikachu.
— Bull!! — brada, a pata envolta em
energia branca atingindo Fennekin em cheio, um impacto seco e pesado que a faz
perder o ar.
O corpo da pequena raposa é
arremessado para o lado, deslizando até parar junto de onde estava Pikachu,
ambos derrubados lado a lado, feridos e ofegantes.
Ash e Serena assistem, impotentes,
enquanto seus parceiros tentam se reerguer em meio à poeira, enquanto Seymour e
Clefairy assistiam em choque por aquele único Pokémon ter derrubado dois com um
único ataque. A tensão no ar é quase palpável.
Os jovens Treinadores chamavam pelos
seus parceiros, a voz carregada de urgência e esperança.
— Pikachu, levante! / Fennekin, você
consegue! — Incentivavam, vendo os dois Pokémon lutando com todas as forças
para se erguerem, os corpos cobertos de arranhões e poeira.
Os oponentes, porém, pareciam
indiferentes àquela demonstração de coragem.
Rosavia cruzou os braços e lançou um
olhar desdenhoso.
— Não acredito que completos novatos
como vocês acharam mesmo que poderiam nos enfrentar. Chega a ser piada. — Sua
voz soava afiada, como se cada palavra tivesse a intenção de cortar. — O mundo
é maior do que vocês pensam, crianças. E ele não tem piedade com sonhadores.
Bleuross, ao lado, permanecia em
silêncio, os olhos frios e analíticos escondidos atrás das lentes dos óculos.
Não havia arrogância ali, apenas a frieza de quem via aquilo como um exercício
trivial. Ou era isso que ele transparecia.
Seymour, por outro lado, mal
conseguia ficar parado.
— E... e agora?! O que a gente faz?!
— balbuciava, as mãos trêmulas e o olhar desesperado, quase cortando os dedos
de tanho roer suas unhas. — Nunca passei por uma situação dessas!
Foi então que Clefairy, ao seu lado,
ergueu o rosto. Observava o campo atentamente, os olhos estreitos, refletindo
determinação. E de súbito, a pequena fada ergueu os braços e começou a balançar
os dedos ritmadamente.
— Fairy! Cle... Cle... Cle...! — Seu
cântico ecoava suave, mas havia algo resoluto nele. E com isso, Seymour piscou,
confuso.
— Mas o que você está... — De
repente, a ficha caiu. — Espera... Isso é... Metronome?
Os segundos seguintes pareceram
eternos. Clefairy parou o movimento, e seus olhos cintilaram. Então, de
repente, várias bolhas translúcidas emergiram de sua boca, flutuando
graciosamente antes de estourarem no ar.
— Bubble?! — Seymour quase tropeçou para trás, uma gota de suor
escorrendo pela têmpora. Pela expressão abatida da Clefairy, era claro: não era
o que ela esperava.
Enquanto a pequena fada insistia,
Pikachu e Fennekin finalmente conseguiam se pôr de pé. Ambos arfavam,
ofegantes, mas a chama em seus olhos ainda ardia.
— Você está bem, amigão? — perguntou
Ash, ajoelhando-se levemente.
— Pikapi... — respondeu o roedor,
firme apesar da dor.
— E você, Fennekin?! — Serena se
aproximou, o coração apertado.
— Kin! — A raposa ergueu a cabeça,
determinada.
— “Droga! Só com aquele movimento ela derrubou os dois!” — pensava
Ash, com os punhos cerrados, os olhos tensos. — “Se tomarem mais um golpe assim...” — concluiu seu raciocínio. Mas
ele não podia ser derrotado dessa forma, não por esses caras. Serena pensava o
mesmo, e não estava disposta a jogar a toalha.
— Parece que seus Pokémon vão ter que
sofrer um pouco mais pra vocês aprenderem. — Bleuross ajeitou os óculos com um
leve empurrão no aro. — Cloyster, Hydro
Pump na Fennekin!
— Hydro... Pump?! — Serena
arregalou os olhos: não imaginava que aquele Cloyster tivesse um ataque desse
nível. O jato colossal de água surgiu com violência, rugindo pelo ar.
— Evasiva! — gritou a garota o mais
rápido possível.
Fennekin se lançou para o lado no
último instante, o ataque explodindo contra o chão e levantando uma cortina de
névoa e estilhaços d’água. Mas Bleuross já antecipava isso.
— Rapid Spin! — comandou de forma simples.
De dentro da névoa, Cloyster surgiu
girando como uma furadeira viva, avançando em velocidade brutal. Serena mal
teve tempo de reagir.
— Fen—! — O grito foi cortado pelo
impacto. Fennekin foi arremessada longe, o corpo girando no ar antes de cair
pesadamente próximo a uma caramelada atônica.
— Pikachu, vamos ajudar a Fennekin! Thunder Shock no Cloyster! — Ash tentou
virar o jogo, apontando para o campo. Mas Rosavia foi mais rápida.
— Acho que não! Granbull, Crunch!
— Pika?! — Pikachu mal teve tempo de
se virar. A sombra colossal de Granbull surgiu diante dele, as presas reluzindo
sob a luz da caverna. O roedor só conseguiu arregalar os olhos antes de ser
abocanhado pela fera, que o sacudiu como se fosse uma boneca de pano.
— PIKACHU!!! — O grito de Ash ecoou
pelas paredes do Monte Lua, misto de desespero, raiva, e até frustração. Isso
só piorava ao presenciar a expressão de dor absoluta que seu Pokémon exibia.
Enquanto isso, afastada do caos,
Clefairy continuava a insistir, mesmo depois de algumas tentativas falhas. Nem
depois de 4 usos de seu Metronome, o
movimento que ela ansiava se revelava. Mas a Pokémon Fada não estava disposta a
desistir. Tudo por esses humanos gentis que ela conhecera; tudo pelo seu povo.
Seus pequenos dedos dançavam no ar,
os olhos determinados, até que um novo brilho os envolveu, desta vez diferente,
mais intenso. O corpo da fada se cobriu por uma luz branca cegante, obrigando
Seymour a erguer o braço para proteger os olhos.
Quando a claridade sumiu... Clefairy
não estava mais lá.
Seymour piscou, atônito.
— Isso foi... Teleport! — murmurou, boquiaberto, tentando entender o que acabara
de presenciar.
— Pikachu, tente usar mais uma vez o Thunder Shock! — Voltando à situação
nada agradável de Ash e Serena, o palletiano tentava extrair ao máximo o poder
de seu parceiro.
— PiiikaaaCHUUUUU!!! — Mesmo preso
entre as mandíbulas brutais de Granbull, Pikachu se esforça até o limite,
liberando uma descarga elétrica intensa. Faíscas dançam pelo ar enquanto o
corpo rosado da fera se contrai em dor, rugindo sob o choque.
Por um breve instante, parecia haver
uma chance. Mas Rosavia e Bleuross trocam um olhar rápido, cúmplice, e acenam
com a cabeça, como se suas interações não necessitassem de nenhum ato verbal.
— Granbull, jogue o Pikachu para
cima!
— Bull!! — Resistindo bravamente à
eletricidade, o Pokémon Fada gira o corpo e lança o roedor para o alto com um
movimento poderoso. O tempo parece desacelerar: Ash ergue os olhos, o reflexo
da luz sobre os minérios no campo cintila, e Pikachu, suspenso no ar, se torna
um alvo perfeito.
— Cloyster, Ice Beam! — ordena Bleuross, com voz firme.
Um clarão azul ilumina o campo. Do
interior da concha, uma rajada congelante corta o ar, atingindo Pikachu em
cheio. O som do impacto ecoa como vidro estilhaçando.
— Pika...! — A voz do pequeno Pokémon
se perde quando o frio toma conta. Primeiro as patas, depois o tronco, até que
seu corpo inteiro se cristaliza em uma estátua de gelo, refletindo a luz do
campo com um brilho gélido e cruel.
A queda é inevitável. O corpo
congelado despenca, atingindo o chão com um som seco, rachando a superfície
abaixo. O gelo é forte o suficiente para se manter intacto mesmo com a queda,
salvo algumas pequenas fissuras. Serena apenas observava horrorizada, enquanto
sua própria Pokémon se esforçando para se manter de pé.
— Pikachu... — murmura Ash, os olhos
arregalados, sentindo o coração apertar. Sua voz quase não sai, um sussurro
entre o espanto e a dor. Diante de si, seu companheiro jazia imóvel, envolto em
um manto frio e silencioso. Não imaginava que presenciaria seu parceiro naquela
situação.
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Poucos minutos atrás...
Pelas trilhas silenciosas que
cortavam as estradas de Pewter, o ar parecia vibrar de leve. E, num instante,
uma luz branca cintilante tomou forma, desaparecendo tão rápido quanto surgiu.
Quando o clarão se dissipou, lá estava Clefairy, ofegante e confusa, as orelhas
se movendo inquietas enquanto tentava entender onde havia parado.
O vento frio da montanha soprava com
suavidade, fazendo as folhas próximas balançarem em um ritmo compassado. Ao
erguer os olhos, a pequena fada avistou uma estrutura estranha logo à frente,
ampla e com duas portas automáticas que se abriam e fechavam em um brilho
avermelhado.
Clefairy nunca havia visto algo
assim. Para ela, acostumada às cavernas silenciosas do Monte Lua, aquele lugar
parecia ao mesmo tempo misterioso e convidativo.
Deu um passo tímido... depois outro.
O chão liso e o som do vento sendo cortado por sua própria respiração faziam
cada movimento parecer um desafio. Mesmo sem entender o que era aquele prédio,
algo em seu instinto a empurrava para dentro. Talvez fosse esperança... ou pura
necessidade. Torcia para que encontrasse ajuda ao adentrar a estrutura.
Assim que atravessou a entrada, foi
recebida por um ambiente iluminado e acolhedor. O ar tinha um leve aroma de
remédios e metal esterilizado. Reconhecia os cheiros por causa dos maquinários
que aqueles humanos malvados vinham utilizado em sua casa. O silêncio só era
quebrado pelo som rítmico de máquinas e um bip distante.
A pequena fada olhou ao redor,
deslumbrada com o brilho dos painéis e das máquinas piscando suavemente. Era
tudo uma novidade para ela.
— Huh...? — Um som suave, quase
involuntário, de surpresa atraiu a atenção de Clefairy, que, ao virar-se na
direção da voz, deu de cara com uma certa garota ruiva, que olhava com certa
surpresa para a Pokémon rosada. — Uma Clefairy...? — murmurou a ruiva,
franzindo o cenho, intrigada. — E... sem treinador?
O olhar da fada cintilou. Por um
instante, a apreensão deu lugar a um lampejo de esperança. Ela havia sido
levada para longe do perigo, mas sabia que o tempo estava contra si. Estava tão
desesperada que estava disposta a pedir ajuda ao primeiro humano que
aparecesse, independente de seus medos. Precisava agir.
— Fairy! Cle... Cle... Fairy! —
exclamou com urgência, gesticulando de forma desajeitada, tentando transmitir
sua aflição.
A ruiva piscou, sem entender direito
o que via, mas a intensidade nos olhos daquela Pokémon era inegável.
— Ei, o que foi? Você quer me mostrar
alguma coisa?
Antes que obtivesse resposta,
Clefairy deu um giro rápido sobre os calcanhares e disparou em direção à
estrada, suas orelhas tremendo a cada salto apressado.
— H-Hey, espera! — A garota, confusa,
mas guiada pelo instinto, ajustou a alça da mochila e começou a correr atrás
dela.
Ela não sabia explicar com toda a
certeza o por quê, mas algo em seu peito dizia que aquela Clefairy não
aparecera ali por acaso. Suas experiências ajudavam-na a identificar que aquela
Clefairy não tinha Treinador, e um Pokémon selvagem daquele espécime era
bastante incomum naquelas redondezas. Segui-la com certeza traria respostas
concretas para a garota.
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De volta ao Monte Lua...
Um pouco distante de onde Ash e
Serena enfrentavam seus próprios problemas, som de golpes pesados ecoava pelas
cavernas, misturado ao bater frenético das asas dos Zubat afugentados. Brock
respirava com dificuldade, o corpo coberto de suor, enquanto seu Geodude
pairava à frente, igualmente cansado.
O chão ao redor estava repleto de
Pokémon caídos, testemunhas do esforço do ex-Líder para conter a invasão. Ainda
assim, mais Rockets surgiam das sombras, acompanhados por seus Rattata e
Raticate, além de alguns outros Pokémon, determinados a cercá-lo.
Brock cerrou os punhos, sentindo o
peso da fadiga nos músculos. Não sabia por quanto tempo ainda aguentaria… mas
recuar ali simplesmente não era uma opção. Tinha que aguentar até que tivesse
certeza de que o último Rocket tenha sido derrotado.
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Alheios à batalha que Brock travava,
Ash e Serena enfrentavam sua própria provação: Pikachu estava completamente
congelado, o brilho de sua energia apagado sob o gelo espesso. E Fennekin era a
única de pé, no entanto, arfava cansada, o corpo coberto de arranhões. Serena
mordeu o lábio, o olhar fixo no parceiro de Ash.
— “Droga, o que eu faço?! Se Fennekin usar as chamas dela, posso
libertá-lo… mas eles não vão permitir.” — pensou, observando Rosavia e
Bleuross, que os mantinham sob mira constante. Sua jornada mal começara, e já
tinha que passar por esse tipo de desafio. Era algo absurdo.
Ash, ao lado dela, também não estava
muito melhor. Poderia lançar outro Pokémon para se juntar à batalha, mas sabia
que seria inútil. Pikachu era seu Pokémon mais forte, e ainda assim foi
facilmente subjugado. Se ele enviasse outro, só estaria condenando mais um
companheiro para a derrota iminente. Nesse momento, qualquer movimento em falso
significaria o fim da batalha… e talvez, algo pior. Não sabia do que esses
caras eram capazes de fazer com os derrotados. E nem queria saber.
— Espero que tenha sido o bastante
para entenderem que seus esforços são inúteis. Desistam e entreguem a Clefairy
que está com vocês. — A voz de Bleuross soou calma, mas havia nela um peso
ameaçador, como uma lâmina fria encostada na pele. Rosavia, ao seu lado,
mantinha um sorriso vitorioso, confiante de que tudo já estava decidido.
— Ainda não! / Fen! — Serena rompe o
silêncio, a voz firme apesar do tremor nas mãos. Fennekin, ferida e ofegante,
ergue-se novamente, as chamas de sua determinação tremeluzindo nos olhos
dourados. — Não iremos desistir até o fim! Não é, Ash?!
Mas quando voltou o olhar para o
amigo, seu coração apertou. Ash permanecia imóvel, os punhos cerrados, o olhar
perdido no corpo congelado de Pikachu. Era como se o mundo tivesse se apagado
ao redor dele naquele momento.
— Ash... — sussurrou Serena, sentindo
a garganta arder. Nunca o vira assim. Aquele brilho teimoso, que sempre
reacendia mesmo nas derrotas, agora parecia morto. Como se a esperança tivesse
o abandonado.
— Parece que esse garoto já aceitou a
derrota. — Rosavia debocha, cruzando os braços. — E você? Vai aceitar também?
Por um instante, Serena apenas
observava Ash com um olhar triste. Mas, quando escuta Rosavia, ela lentamente
fecha os olhos, tentando eliminar esses pensamentos ruins. Respira fundo. E
quando os abre novamente, o medo desapareceu: estava resoluta.
— Não! — sua voz ecoa pelo espaço,
firme como o estalar de um chicote. Ash ergue o olhar, surpreso, encarando
aquela expressão decidida da amiga. — Fui ensinada a nunca desistir até que
tudo acabe. E não é por causa de bandidos como vocês que eu vou mudar isso!
O coração de Ash bateu forte. Aquela
chama que acreditava ter se apagado reacendeu lentamente. Serena, a doce e
gentil Serena, agora estava diante dele com um ar que ele não esperava dela.
Primeiro foi aquela situação com o Gary, e agora isso. O palletiano começava a achar
que a caramelada era mais corajosa do que ele pensava.
Fennekin encarava Coyster e Granbull,
que se prostravam ameaçadoramente em sua frente, sem um arranhão em seus
corpos. Sabia que era uma causa perdida. Mas só precisaria segura-los. Só por
um momento.
— Não se preocupe, Ash! Vou ajudar o
Pikachu assim que terminarmos isso. Pode deixar comigo. — Serena força um
sorriso, tentando esconder o medo por trás da voz. Sabia que não tinha chances
reais de vencer, mas ceder não era uma opção. Iria até o fim, não só para
provar a si mesma que podia, mas também para provar que merecia viajar com Ash.
— Fennekin, Ember!
A pequena raposa inspira fundo, e o
ar quente vibra ao seu redor antes que uma torrente de brasas se espalhe pelo
campo. As faíscas iluminam o rosto de Serena por um instante, como uma chama
teimosa lutando contra a noite. Fennekin usara toda a força que ainda lhe
restara. Tinha que ser o bastante.
As partículas incandescentes dançam
em direção aos adversários, mas nenhum deles demonstrava preocupação.
— Granbull, livre-se dessas brasas
incômodas. — Rosavia ordena sem pressa, quase entediada.
Com um simples movimento, a tipo Fada
ergue os seus fortes braços e varre o ar diante de si. As brasas se apagam
instantaneamente, dissolvendo-se em pequenas faíscas que desaparecem antes de
tocar o chão.
Serena morde o lábio, frustrada. A
diferença de poder era gritante. E ainda assim, algo em seu peito se recusava a
baixar a cabeça. Fennekin a encara de relance, arquejando, mas com os olhos
ainda firmes.
— Ainda não acabou... — murmura
Serena, mais para si mesma do que para os inimigos. Ash apenas observava
calado. Estava surpreso demais para fazer qualquer coisa.
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Agora, do lado de Brock…
Mais e mais Pokémon inimigos tombavam
diante do Geodude, mas o cansaço já se fazia evidente em cada movimento da
criatura rochosa. As rachaduras em seu corpo refletiam o esforço extenuante, e
até mesmo o mais distraído dos indivíduos perceberia que ele estava perto do
limite.
— “Droga... meu Geodude já está muito cansado. Posso lidar com eles, mas
se continuar assim...” — pensava Brock, limpando o suor da testa. O calor
das tochas misturava-se à tensão no ar, tornando cada respiração mais pesada.
No entanto, quando os Rockets
preparavam outro ataque...
— Starmie, Hydro Pump! — uma voz feminina ecoou pelo túnel, firme e cortante.
E nisso, do absoluto nada, uma
torrente de água jorrou com força devastadora, varrendo três Pokémon inimigos
de uma só vez e lançando-os contra a parede de pedra, nocauteando-os na hora. O
impacto ressoou pelo local, seguido por um silêncio breve e atônito. Os Rockets
recuaram, alarmados com a nova intromissão, enquanto Brock erguia o olhar,
surpreso com a figura que surgia na entrada da caverna.
Lá estava ela, a ruiva ofegante,
acompanhada de Clefairy e um Pokémon em forma de estrela, cujas gemas brilhavam
sob a luz trêmula das tochas.
— Ainda bem que trouxe minha
bicicleta. Consegui chegar a tempo. — disse ela, com um leve sorriso confiante.
— Quando vi o comportamento da Clefairy, suspeitei que algo estava errado.
Chamei a polícia, e eles já devem estar a caminho.
Brock piscou, reconhecendo-a de
imediato, e por um instante, esqueceu da batalha.
— Você...? — murmurou, surpreso.
— Vamos deixar os apertos de mão para
depois da gente chutar as bundas desses caras! — atalhou ela, aproximando-se e
ficando ao lado do moreno. Falara isso num tom cortante, sem deixar espaço para
a contrariar.
Brock não pôde evitar um leve
sorriso. Com reforços como aquele, talvez a maré estivesse prestes a mudar.
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Enquanto isso acontecia, Fennekin foi
arremessada contra uma coluna de pedra, estilhaçando-a por completo. Serena
observava a cena atônita. Sabia que não teria chances de vitória, mas ao menos
esperava causar algum dano, qualquer um. Nem isso conseguira.
— Fennekin! — correu até a parceira
caída, ajoelhando-se ao lado dela. Bastou um olhar para perceber: estava
desacordada. — Não... — sussurrou, com a voz carregada de pesar. Ela e Ash
haviam sido completamente derrotados.
O garoto de Pallet apertava os punhos
com força. Pikachu permanecia imóvel dentro de seu cárcere de gelo; Fennekin,
inconsciente. Não restava mais nada que pudessem fazer. Enviar outro Pokémon
seria inútil.
— Perdemos tempo demais, Bleuross.
Temos que extrair o resto dos minérios. Então... o que pretende fazer com eles?
— Rosavia se virou para o parceiro, impaciente.
A pergunta fez os dois jovens se
alarmarem, se colocando à frente de seus Pokémon, como um escudo humano. Sabiam
que não teriam como lutar, mas não dariam um passo para trás, protegeriam seus
Pokémon. O olhar frio de Bleuross apenas reforçava o terror da situação. Ele os
observava em silêncio, ponderando algo que nenhum dos dois queria descobrir o
que era.
O tempo parecia se arrastar, com
alguns minutos se passando enquanto Bleuross permanecia em sua reflexão. O
silêncio, interrompido apenas pelo gotejar distante, pesava sobre eles. Até
que, finalmente, Bleuross rompeu o ar:
— Bem... — começou ele, com a voz
baixa e tranquila... mas não chegou a concluir sua sentença.
Um ruído surdo ecoou pela caverna, e,
em seguida, um forte jato d’água atravessou o ar, visando Granbull e Cloyster.
Os dois Pokémon reagiram por instinto, saltando para os lados, desviando com
sucesso. A pressão da água, no entanto, abriu uma fenda no solo onde os dois
Pokémon pisavam instantes antes, espalhando respingos e detritos por toda
parte.
— Que...?! — Rosavia recuou um passo,
surpresa. Bleuross também franziu o cenho, sem entender de onde aquilo viera.
Ash e Serena se entreolharam,
igualmente confusos. O jato parecia ter vindo de algum túnel lateral, o mesmo
por onde, minutos antes, ecos distantes de batalhas podiam ser ouvidos.
O som da água ainda reverberava nas
rochas quando algumas silhuetas surgiram entre as sombras...
— Desculpem a demora, pessoal! Trouxe
reforços. — Sorriu Brock, surgindo ao lado de Geodude.
— Clefairy! / E o Seymour também? —
Serena se alegrou ao ver a fadinha junto deles, e Ash logo percebeu o cientista
entre o grupo.
— Bem... eu só queria ver como o sr.
Brock estava. Fiquei bem surpreso quando encontrei tantos membros da Equipe
Rocket caídos. / Fairy! — O pesquisador coçou a nuca, envergonhado por ter
deixado Ash e Serena sozinhos, enquanto a tipo Fada acenava animadamente para a
kalosiana. No entanto, os dois jovens logo notaram outra figura entre eles: uma
garota ruiva acompanhada de um estranho Pokémon em formato de estrela, ambos
completamente desconhecidos.
— Parece que seus Pokémon não estão
nada bem. — Observou a ruiva, analisando o estado de Pikachu e Fennekin. —
Vocês dois deram bastante trabalho, pelo visto. — Dessa vez, seus olhos se
voltaram para Bleuross e Rosavia, que os encaravam em um misto de surpresa e
irritação.
— Ótimo! Se já não bastasse aqueles
dois pirralhos, agora chegou mais gente pra nos atrapalhar. — Resmungou
Rosavia, cruzando os braços.
— Não se preocupe, Rosavia. — Disse
Bleuross, de forma fria e contida, enquanto limpava os óculos com um lenço
tirado do bolso. — Cuidaremos deles rapidamente e voltaremos à nossa missão.
Não importa quem se meter em nosso caminho.
Dito isso, a ruiva e Brock avançaram
alguns passos, posicionando-se lado a lado com seus Pokémon. Não hesitariam em
enfrentar quem fosse necessário para expulsar a Equipe Rocket daquele local que
era moradia de tantos Pokémon.
Mas, antes que o embate recomeçasse,
um som agudo ecoou pela caverna: sirenes, vindas do lado de fora. Os ruídos
reverberaram pelas paredes de pedra, deixando claro o que aquilo significava. Rosavia
se alarmara, enquanto Bleuross apenas estreitava levemente seus olhos. A ruiva
apenas esboçou um pequeno sorriso.
— Parece que a polícia chegou mais
cedo do que eu imaginava. Ótimo. — Disse a garota, satisfeita.
— Essa não, Bleuross! Se os oficiais
entrarem, não teremos chance contra eles e esses intrometidos ao mesmo tempo!
Temos que bater em retirada! O chefe vai entender! — Exclamou a rosada, quase
puxando o parceiro para fugirem.
Mas Bleuross não reagiu. Permaneceu
imóvel, seu olhar fixo em Ash e no Pikachu congelado a seus pés. O garoto o
encarava de volta, olhos estreitos, cautelosos. Era impossível decifrar o que
se passava na mente daquele homem. Sua expressão era serena, quase
inexpressiva, o que tornava tudo ainda mais desconcertante.
— O que você está esperando?! —
Rosavia insistiu, confusa e apreensiva.
A confusão da mulher só se agravou ainda
mais quando ele, no entanto, deu um passo à frente em direção aos inimigos. Sua
aproximação era lenta, desprovida de hostilidade aparente, mas também sem
qualquer sinal claro de boas intenções. Um movimento indecifrável: uma
incógnita que deixava todos em estado de tensão. Inclusive sua própria
companheira.
— Não se aproxime! — A garota ruiva mantém-se
em alerta, os olhos atentos a cada passo desse homem perigoso. Brock também se
adianta, pronto para ordenar um ataque de Geodude caso algo acontecesse.
Bleuross, contudo, permanece
impassível. Avança apenas o suficiente para ficar diante de Ash, nem mais, nem
menos. A tensão era palpável, e o garoto sentia o peso dela em cada fibra do
corpo.
Com calma quase desconcertante, o
Rocket leva a mão a uma bolsa na parte de trás de seu cinto de utilidades.
Todos se preparam, alarmados com o que ele poderia fazer. No entanto, o que ele
retira não é uma arma, nem uma Poké Ball, mas sim... uma cápsula.
Ele abre a cápsula lentamente, gelo
seco sendo expelido pelo compartimento. E de dentro, ele tira... uma fruta.
Formato geoide, amarelada, marcada por pequenos arcos azulados em sua
superfície.
— Isso é... — Brock reconhece de
imediato, mas se contém. Não entendia por que o homem mostrava aquilo.
Então, Bleuross apenas arremessa a
fruta em direção a Ash. Surpreso, o garoto a segura instintivamente. Rosavia,
por outro lado, se mostra indignada, já pressentindo as intenções de seu
parceiro.
— Isso é uma “Aspear Berry”. —
Explica Bleuross, a voz firme e serena. — O suco dela possui propriedades
químicas que reagem ao gelo, enfraquecendo sua estrutura até derretê-lo. — Ele
pausa, fitando brevemente Ash. — Esprema-a no Pikachu.
Nada mais diz. Apenas se vira e
começa a caminhar para a rota de fuga.
Ash o observa, imóvel, o coração
acelerado e o orgulho em frangalhos. Cada passo que o homem dava o fazia arder
por dentro. Aquele gesto, aquele “ato de ajuda”, não parecia benevolente, mas
sim uma afronta. Era como se Bleuross dissesse, sem palavras, que aquela
batalha não passara de um treino para ele. Que derrotar Ash fora algo banal. O
garoto cerra os punhos, o olhar endurecido. Estava furioso. Humilhado.
Durante sua jornada, nunca havia
sentido o gosto da derrota daquela forma, tão fria, tão impiedosa. E o fato de
o próprio inimigo lhe estender a mão... apenas tornava tudo pior.
Serena foi a única que percebe a
mudança em seu semblante. Sua preocupação cresce em silêncio, temendo o que
aquele olhar significava.
— Vocês não... deveriam segurá-los
até a polícia chegar? — sugere Seymour, vendo os dois meliantes desaparecendo
em um dos túneis da caverna. Era a chance perfeita para prendê-los.
— Se tentássemos batalhar contra
eles, o ecossistema da caverna só se abalaria ainda mais — responde a ruiva,
sem rodeios, observando o comportamento dos Zubat’s locais. — Os Pokémon daqui
já estão bem agitados. Então o caminho mais seguro é não fazer mais nada.
— Ela tem razão — concorda Brock. —
Mas o resto deles que derrotamos vai pra cadeia. Então não foi totalmente
inútil.
Seymour suspirou e assentiu. No fim,
não havia mais nada que pudessem fazer.
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Do lado de fora da caverna,
escondidos entre as árvores, Bleuross e Rosavia podiam ver duas viaturas e uma
moto estacionadas do lado de fora da caverna. Eles haviam se retirado na hora
certa, pois se tivessem permanecido por mais alguns minutos, suas chances de
fuga teriam sido ínfimas.
— Aquela ruiva, junto daqueles
adolescentes, frustraram a nossa operação, apesar de não completamente.
Acredito que o chefe ficará satisfeito com a coleta que fizemos. — Fala
Rosavia, não demonstrando estar mais tão desapontada com a intromissão, apesar
de que não havia gostado de terem sido desafiados daquela forma.
Ao seu lado, Bleuross estava em
silêncio, apenas fitando os policiais trazerem para fora alguns membros da
organização, algemados. Ele parecia pensativo com o que havia ocorrido.
— Bleuross. — Chamou Rosavia. — Há
algo errado?
— Ah, Rosavia! — Falou Bleuross,
saindo de seus devaneios. — Eu só estava pensando... naquele garoto.
— Hmph… — Bufou a rosada. — Bleuross.
Por quê fazer aquilo?! Lembre-se que eles são nossos inimigos! Empecilhos para
que possamos completar a missão! — Rosavia questionava irritada pela atitude anterior
de seu parceiro.
— Não se preocupe, Rosavia. Eu
entendo. — Bleuross diz com uma expressão séria, mas mantendo a serenidade.
— Então por que você... — Rosavia
estava prestes a formular a bronca, mas foi interrompida pelo azulado.
— É que eu... eu não consigo me
esquecer daquele dia.
Aquelas palavras fizeram a mulher
conter suas palavras. Ela sabia exatamente do que ele se referia. Claro que ela
se lembrava. Aquele evento fatídico ocorreu em uma de suas primeiras missões
juntos. Naquele momento, a rosada não quis continuar mais o assunto. Ela não
sentia que tinha o direito de julgá-lo. Não depois de ouvir aquela resposta.
— Vamos indo. Precisamos alcançar
aqueles três. — Bleuross, esquecendo do assunto, apontou floresta adentro,
começando a andar.
Rosavia permaneceu imóvel por alguns
segundos, antes de murmurar uma frase.
— Francamente, Bleuross. Você... é um
tremendo de um coração mole. — Disse a moça após um suspiro, antes de caminhar
atrás do parceiro.
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Através da Aspear Berry entregue pelo
membro da Equipe Rocket, Ash fez o que ele havia sido instruído pelo mesmo,
espremendo a fruta no gelo, onde Pikachu estava congelado, que fez com que o
líquido fosse derretendo a camada gélida rapidamente. Eventualmente, o rato
elétrico estava livre, mas obviamente, assim como Fennekin, precisam passar
pelos devidos socorros para se recuperarem, o que fora feito graças aos
cuidados minuciosos de Brock e seu conhecimento na área de Criação Pokémon.
Todavia, apesar de ambos recobrarem a
consciência e Brock ter dado de comer a Pikachu e Fennekin pedaços de Sitrus
Berry, uma fruta amarelada de formato ovalado e irregular, que auxiliou na
velocidade de recuperação de saúde e Poções para curar alguns machucados, ambos
ainda se encontravam com vários ferimentos sérios, além do cansaço,
necessitando de serem levados para o Pokémon Center para uma recuperação
completa.
As Clefairy’s que antes se
encontravam aprisionadas foram retiradas graças a ajuda de Geodude, que
facilmente conseguiu entortar as garras de metal com sua força, criando uma
abertura para que todas as Clefairy’s finalmente fossem libertadas.
Minutos depois do fim do confronto
contra a Equipe Rocket, Ash, Serena foram para perto do amigo, que estava
acompanhado da garota ruiva misteriosa e da Clefairy, assim como da policial
Jenny da cidade de Pewter. Seymour havia saído da caverna às pressas, o que a Serena
e Brock acharam estranho ele ter ido embora mesmo depois de ter mostrado seu
imenso fascínio pela pesquisa da Pedra da Lua.
— Obrigado pelo seu chamado, mocinha.
Os criminosos que estavam dentro das cavernas foram levados para as viaturas e
logo estarão atrás das grades. — Jenny afirmou com um sorriso confiante.
— Não foi nada, policial Jenny. Fico
feliz em poder ter ajudado. Mas acredito que esses jovens foram os maiores
responsáveis por isso. Eu só cheguei de última hora. — Agradeceu a garota, mas
ressaltou que os créditos deveriam ser entregues ao grupo de Ash.
Serena olhou para a oficial Jenny, se
perguntando se ela também seria uma parente da policial que eles haviam
conhecido em Viridian.
— Parabéns, jovens. Graças a vocês,
os malfeitores foram presos, mas preciso deixar claro que o que vocês fizeram
foi extremamente perigoso e arriscado. Da próxima vez, caso se depararem com
tal situação, por favor, avisem as autoridades locais e nós faremos o trabalho.
— Advertiu Jenny, pois era completamente absurdo jovens tentarem lutar contra
criminosos por conta própria.
— H-hehe... perdão, oficial Jenny.
Tomaremos mais cuidado de agora em diante. — Serena respondeu de forma contida,
pois ela não gostaria de discutir com a policial. Ela compreendia o dever
deles, contudo, o que teria acontecido caso eles não tivessem intervindo na
situação? Provavelmente, algo muito pior.
— Mas deixo a vocês minha profunda
gratidão. Tenham uma boa viagem. — Falou a oficial, fazendo uma reverência e
caminhando para fora da caverna, se despedindo dos demais.
Serena, a ruiva e Brock também fazem
o mesmo, com este último demonstrando uma cara de bobo apaixonado pela moça de
cabelos esverdeados .
— Ash... — Serena chamava pelo amigo,
mas logo ficou surpresa ao fitar a expressão do moreno.
Ash se encontra cabisbaixo e quieto.
Sua face esboçava um misto de descrença e decepção. Aquela derrota com certeza
havia o afetado profundamente. Era a primeira vez que presenciava o amigo com
um olhar tão perdido.
Com preocupação, a caramelada foi até
ele caminhando vagarosamente. Ela então o chamou novamente.
— Ash, tá tudo bem? — Serena indaga,
colocando a mão no ombro do garoto delicadamente.
— Ah! — Ash se assusta com a chegada
dela.
Antes, o rapaz se encontrava absorto
em pensamentos, mas enfim notava a presença de sua companheira.
— Serena! Desculpa, eu estava... —
Ele tentava formular uma frase, mas nada vinha a sua mente, enquanto, de forma
instintiva, desviava o olhar para baixo.
Para Ash, ele não queria encará-la.
Não, ele sequer podia. A derrota esmagadora que sofreram, além de terem sido
poupados pelos dois Rockets, fora demais para o Ketchum. O pior de todo o
massacre, fora que Ash fez algo que jamais imaginaria ter feito: não ter
seguido seu próprio mantra.
Aquelas palavras das quais tanto se
orgulhava de ter dito a Serena, seu tão precioso lema de vida, ele foi incapaz
de segui-lo. Isso foi ainda pior do que perder uma batalha. Ele havia traído
Serena e principalmente... a si mesmo. Não havia derrota maior.
De repente, uma outra presença se
aproximava dos dois.
— Foi por muita sorte. Se não fosse
pela Clefairy que pediu por minha ajuda, eu provavelmente não teria chegado a
tempo de ajudá-los. E quando encontrei seu amigo cercado por aqueles bandidos
no caminho, eu rapidamente deduzi o que precisava fazer. — A ruiva falou,
chamando a atenção da dupla.
— Você é... — Ash murmura. Ele havia
notado a presença daquela garota atlética anteriormente, e rapidamente associou
o ataque de água que havia sido disparado ter sido por causa de sua
interferência.
Ao lado dela, um Pokémon equinodermo
se destacava. Seu formato era semelhante a duas estrelas de cinco pontas
violetas fundidas, e em seu centro, estava uma formação dourada com uma joia
vermelha encrustada.
— Isso é... um Starmie? — Indaga Ash,
fascinado pelo Pokémon aquático, e rapidamente tratou de analisá-lo com Dexter.
— É um Pokémon realmente belo. —
Serena fala, deslumbrada com a aparência da estrela-do-mar.
Rapidamente, Ash tratou de analisar o
Pokémon que fora responsável por salvá-los da enrascada anterior. Ao obter os
dados, a voz robótica informava:
—
STARMIE / N° 121 / Água e Psíquico: Seu núcleo central brilha com as sete cores
do arco-íris. Algumas pessoas o valorizam como uma joia.
— Uau. Aliás, obrigado por nos
ajudar. Se não fosse por você, com certeza estaríamos em maus lençóis. —
Agradecia Ash.
— Ah, que é isso! Fico feliz de poder
ter conseguido chegar a tempo. — Responde a garota de olhos esverdeados, quase
estufando o peito de orgulho.
— Aquele seu Starmie é com certeza
bem forte. Você deve ser uma Treinadora bem experiente. — O moreno elogiou.
De fato, era algo que tanto ele como
Serena haviam notado. A maneira como o Pokémon Estrela-do-mar havia desferido
aquele Hydro Pump era intimidadora.
— A-ah, sim! Hahaha! De fato, eu não
sou uma novata! Mas sendo sincera, sou apenas uma Treinadora de nível mediano!
— A ruiva fala em meio a gaguejos.
Brock que estava do lado, deu um leve
sorriso imperceptível ao ouvir o comentário.
— “Hehe.
Se ele soubesse da verdade...” — Pensava Brock, dando um leve sorriso, mas
se segurando para não falar mais do que devia.
— Mas bem, é um prazer conhecê-la. Eu
sou Ash Ketchum. Esse aqui é o Pikachu! / Pikachu! — Disse Ash com um tom amigável,
renovando seus ânimos – ou ao menos tentando.
— Eu sou Serena Yvonne. Prazer, —
Complementou Serena com cordialidade.
— O prazer é todo meu. Eu sou Misty
Waterflower. — Misty se apresentou de volta com um sinal de “V” com a mão.
De repente, Seymour vinha se reunir a
eles. O cientista estava animado e esbaforido, carregando algo em seus braços.
— Arf... Arf... Graças a Arceus!
Vocês foram incríveis! Verdadeiros heróis! — Exclamava Seymour maravilhado,
enquanto apertava as mãos de Ash. — Por causa da bravura que demonstraram, as
Clefairy’s e os Pokémon que vivem na caverna poderão enfim voltar a viver suas
vidas em paz.
— Clefairyfairy! — A Pokémon rosa
saltitava de felicidade ao lado de Serena, eufórica por suas amigas terem sido
salvas por eles.
— N-não foi nada, Seymour. — Dizia
Ash sem jeito, mesmo não sentindo que foi tão heroico como o homem afirmava. —
Apenas fizemos o que acreditamos ser o certo.
— Mas é isso que é o mais importante.
Na verdade, como forma de agradecimento, irei dar-lhes uma recompensa por seus
esforços. Sabe, eu tenho um trailer pela qual vim, e dentro dele, tenho dois
itens para presenteá-los. — Seymour
estende o que carregava, sendo algo coberto por um pano branco.
— O que seria isso? — Indaga Ash
curioso.
— Isso, meus amigos, são... — Ele
então retira o pano que encobria os artefatos que carregava. — ... são Fósseis
Pokémon!
O grupo rapidamente ficava
deslumbrado com o que viam. Eram duas rochas de aspecto antigo e nela, estavam
gravadas restos de formas de vida primitivas. Um deles era semelhante ao de uma
casca em espiral, enquanto o outro aparentava ser uma concha enorme.
— F-Fósseis Pokémon?! Incrível! Esses
são itens bem raros! — Misty gritou de espanto, pois tais relíquias eram
bastante cobiçadas pelos Pesquisadores Pokémon.
— São, sim. A princípio, eu estava
com o intuito para leva-los para o Laboratório Pokémon onde trabalho situado na
Ilha Cinnabar. Entretanto, eu os darei de presente a vocês. São os fósseis
Helix e Dome. — Explica Seymour.
Ash se surpreendia. Ele já havia
estudado um pouco sobre os fósseis na Pokémon Academy e sabia que estes eram de
dois Pokémon pré-históricos que foram extintos em um passado muito distante
após a queda de um grande meteoro. Não só isso, mas o garoto nativo de Pallet
já sabia que o Helix fóssil era de um Pokémon ancestral chamado “Omanyte”,
enquanto o Dome fóssil pertencia a outro ser nomeado de “Kabuto”, ambos do tipo
Pedra e Água.
— Uau... — Ash se iluminou com aquela
oferta do cientista. É claro que ele adoraria ficar com um dos fósseis.
Entretanto, no instante seguinte, o garoto sentiu um desconforto. — Mas... só
há apenas dois fósseis...
Ele rapidamente deu uma olhada para
Serena, sabendo que ela até agora não havia conseguido um outro Pokémon como
parceiro. Para Ash, ele sentia que estaria sendo injusto com ela.
— Serena, você deveria... — Ash
estava prestes a falar, mas era interrompido abruptamente pela companheira.
— Ash! Você deve ficar com o fóssil!
— As palavras da garota eram gentis e incentivadoras, porém, Ash não se sentia
confortável para com a situação atual.
— N-não posso, Serena! Você até agora
não teve um outro Pokémon e eu já tenho três comigo! — Contestava o moreno.
— Ash, eu entendo que você também
deseja que eu tenha mais Pokémon. Mas eu sinto que você e Brock foram mais
merecedores desta recompensa. Além disso, não estou sentindo urgência para ter
que procurar outros Pokémon no momento. — Serena respondeu de volta,
demonstrando estar convicta de sua decisão. Ela estava ciente de que, em um
futuro próximo, ela poderia obter outros parceiros, mas para a jovem kalosiana,
o mais importante de tudo era poder estar viajando ao lado do amigo de
infância.
— Serena... — Aquele incentivo da
garota era claro como um farol, e Ash podia compreender rapidamente que não se
tratava de uma desculpa para que ele não se sentisse magoado. Era de fato uma
decisão consciente e confiante.
Neste momento, Misty bufava, pois não
aguentava ver alguém precisar de tempo para tomar uma decisão que, em sua
mente, era claramente óbvia.
— Anda logo! Você não notou que ela
foi sincera? Ao invés de aceitar a gentileza dela, você só está tornando a
situação mais difícil do que deveria! — Vociferou Misty com um tom sério e
levemente nervosa.
Ash ficou chocado com a forma como a
ruiva falara com ele, mas incrivelmente, ela estava certa, e Ash compreendeu.
De fato, não deveria hesitar sobre aquela oferta, e Serena já havia se
posicionado que ele o fizesse.
— Tá bom... eu irei pegar o fóssil. —
Disse Ash, estendendo a mão para escolher o objeto.
— Ótimo! Qual você deseja ficar, Ash?
— Perguntou Seymour, feliz pelo garoto ter aceitado seu presente.
— Hum... ei Brock, eu vou ficar com o
Helix Fóssil e você fica com o Dome Fóssil. O que acha? — Ash indaga para o
amigo.
— Por mim está ótimo, Ash. Eu, na
verdade iria sugerir para ficar com o fóssil Dome de qualquer forma. — Brock
responde com um sorriso.
Ambos os rapazes estendem as mãos e
cada um pega seus respectivos fósseis escolhidos. Após isso, os dois guardaram
seus itens em suas mochilas.
— Excelente. Bem, vocês precisaram
levá-los com vocês para o laboratório de Cinnabar para que possamos
reanimá-los. Não esqueçam de darem uma passada por lá em suas viagens. —
Seymour falou como um lembrete.
— Pode deixar, Seymour. Bom, acho que
é melhor irmos andando então. — Ash falava. — Eu mal vejo a hora de chegar logo
em Cerulean.
— Espera, você indo para Cerulean
também? — Misty pergunta curiosa.
— Sim, estamos. — Ash respondeu
afirmativamente.
— Bom, será que eu posso ir com
vocês? Eu também estou indo para lá, já que é onde eu moro. — A garota de olhos
esverdeados pergunta.
— É claro, Misty! Não seria problema
algum! — Ash responde, e tanto Serena quanto Brock concordam com acenos de
cabeça. Mais companhia com certeza era bem vinda.
No entanto, após esse acordo, Serena
percebe uma certa Pokémon Fada se aproxima timidamente dos humanos. Os demais
logo percebem em sequência.
— O que foi, Clefairy? — Serena
perguntou confusa.
— Talvez ela não quer que a gente vá
embora? — Indaga Brock, tentando supor que está seria a resposta.
— É isso mesmo, Clefairy? — Serena
perguntava ao pequeno Pokémon Fada.
— Clefa! — A Cleifairy balançava a
cabeça para cima e para baixo com uma expressão chorosa.
— Eu sinto muito, Clefairy. Mas...
nós precisamos seguir em frente. Temos uma longa aventura nos esperando, por
isso, não podemos ficar aqui. — Serena explicou com um sentimento de pesar no
peito, fazendo um carinho no topo da cabeça da pequena criaturinha.
Era triste ter que partir, ainda mais
depois de ter se apegado com a Pokémon rosada. Mas infelizmente, era algo
inevitável. O grupo precisava partir para continuar a viagem.
A Clefairy notava que Serena estava não
apenas sendo gentil com ela, mas também sincera. A pequena Pokémon Fada havia
se afeiçoado a doce garota de cabelos cor de mel no instante em que passou a
confiar nela. Sua coragem em buscar salvá-las de um terrível destino fora algo
que a cativou.
Ela não gostaria de perder a sua
companhia.
— Clefa clefa! — De repente, o grupo
de Clefairy’s começava a chamar a atenção da sua companheira.
— Cle... fa? — A Clefairy parecia
estar impressionada com o que as demais se comunicavam com ela. Era uma
mensagem clara para a pequena.
— O que eles estão dizendo? — Serena
ficou confusa, mas ela via o grupo cantando para sua amiga Clefairy.
Tanto Misty como Seymour também não
entendiam, entretanto, Ash e Brock pareciam compreender o ato, não evitando
sorrirem.
— Serena, eu acho que elas estão
pedindo que a Clefairy vá com você. — Ash sugeria, e Brock assentia em
concordância.
A jovem kalosiana não pôde evitar
soltar uma exclamação de total perplexidade.
— H-hein?! Mas e-espera! Eu nem
sequer batalhei com ela! Eu... — Exclamava a garota em surpresa.
— Sabe, uma batalha contra um Pokémon
selvagem não é o que mais importa. É claro que será necessária em várias
ocasiões, mas se o Pokémon aceitar segui-la de bom grado, não há por que lutar,
não acha? — Misty disse de forma franca.
As palavras da ruiva fizeram Serena
notar que, ela apenas estava tentando criar uma desculpa, pois questionava-se
se era merecedora de tal oportunidade. Todavia, quem decidia tal situação era a
própria Clefairy.
— Clefairy, é isso mesmo que você
deseja? Seguir comigo em viagem? — Questionava a caramelada, querendo ter a
total certeza.
— Clefaa! — A Clefairy grunhia ativamente.
De fato, a resposta era afirmativa.
Serena não pôde deixar de se
emocionar com aquela resolução da Pokémon Fada. Ela estava receosa de que ela
no fim não concordasse, mas ocorrera exatamente o contrário.
— Então, seja bem-vinda ao time,
Clefairy! / Fenkin! — Ambas Serena e Fennekin a recebiam com sorrisos
calorosos.
Antes de realizar a captura, Serena
decidiu escanear sua nova amiga. Ela pediu que Alexia fizesse a análise.
—
CLEFAIRY / N° 035 / Fada: Em noites de lua cheia, Clefairy se reúne de todos os
lugares e dança. O banho de luar os faz flutuar.
— Perfeito. Agora sim, está na hora.
— A kalosiana falava com entusiasmo para sua primeira captura.
Todos ao redor sorriam pela conquista
da garota, principalmente Ash, que pode ver enfim a amiga obtendo seu segundo
companheiro de jornada. Serena, então ajoelhada, apenas pegou sua Poké Ball da
mochila e encostou gentilmente na cabeça de Clefairy, realizando a captura com
o som característico de “click”.
Enfim, o elo havia sido formado.
— Bem... eu capturei uma Clefairy!
— Serena fazia a pose de Ash ao realizar
uma captura. Ao presenciar essa cena, uma gota de suor escorria da testa de
quase todos ali presentes, no entanto, apenas Ash e Pikachu se maravilharam com
a referência.
Posteriormente, Serena confere os
movimentos do seu novo Pokémon. A Clefairy possuía apenas três movimentos: Metronome,
Double Slap e Sing. Eram obviamente poucos, porém, era
compreensível por ser um Pokémon ainda jovem, o que permitiria um espaço de
amadurecimento.
De repente, uma outra Clefairy se
aproximava de Serena.
— Clefairy! — Ela chamava,
apontando para os fragmentos restantes da Pedra da Lua próximos da matriz.
— O-o que elas estão dizendo? —
Serena indaga totalmente perdida.
— A Pedra da Lua, mas porquê? —
Seymour também questiona. O que a Pokémon queria dizer apontando para aquele
minério raro.
— Parece que ela está oferecendo a
você, Serena. — Brock pontua, acreditando ser essa a intenção.
Serena ficou atônita, mas as próprias
Clefairy’s gesticulavam com confirmação as palavras de Brock. A jovem kalosiana
se aproxima do pedestal da grande rocha e se agacha, pegando uma dos fragmentos
e guardando na mochila.
— S-sera que posso ficar com um deles
também, Clefairy? Eu gostaria de levar para analisá-lo. Por favor? — Seymour
implora, sentindo que era uma oportunidade única.
Após trocarem olhares, as Clefairy’s
aceitam o pedido, fazendo o cientista vibrar de felicidade. A aquisição de tal
item era bem valiosa para a comunidade científica.
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Já era tarde, por volta das 17:00, e
o sol agora em tom alaranjado começava a sua descida para esconder-se nas
montanhas. O grupo de Ash, junto de Misty e Seymour se encontrava ao lado de
fora da montanha. A ruiva rapidamente se lembrara de sua bicicleta, afinal, não
poderia partir sem ela. Era um objeto extremamente importante para a garota.
Graças ao cientista e a ajuda das
Clefairy’s, não fora difícil atravessar o sistema de cavernas até a eventual
saída para fora da montanha.
— Bom, meus amigos, é aqui que nos
despedimos. — Seymour falava. — Ficarei aqui mais um pouco para estudar o
habitat das Clefairy’s.
— Entendo. Foi um prazer conhecê-lo.
— Ash diz, tendo gostado da companhia Seymour, apesar de seu comportamento
excêntrico.
— Espero que consiga mais informações
para a comunidade científica Pokémon. — Brock diz, também se despedindo.
— Fique bem e boa sorte em sua
pesquisa. — Serena desejava sucesso para o homem.
— Que Arceus lhe abençoe, senhor
Seymour. — Misty se despede, fazendo os demais se alarmarem, enquanto Ash
estapeava a própria face.
De repente, o homem antes gentil
agora exibia veias saltando de sua testa. Ela havia proferido a palavra
proibida que ele odiava que mencionassem.
— Galera... acho melhor nós sairmos
daqui correndo. / Pika! — Murmurava Ash, e Pikachu assentiu em seu ombro, com
pânico visível. Serena e Brock assentiam rapidamente, temerosos com a explosão
que ocorreria.
— E-ei! Por que vocês estão... —
Misty falava, tentando compreender a situação, mas já era tarde demais.
— Senh.... SENHOR?!!!! EU NÃO
SENHOOOOORR, SUA PIRRALHA MAL-CRIADA!!! MEEEUU NOOOMEEE É SEEEYMOOOOOUUUR!!! —
Os gritos de Seymour ecoaram por toda a área, despertando vários Pidgey’s e
fazendo-os voarem para longe, completamente assustados.
Os três corriam na frente, com Misty
vindo atrás com seu rosto azul de terror, carregando sua bicicleta com toda a
força que tinha, enquanto, em meio a corrida, Serena repensava que no fim,
apesar da situação embaraçosa, ela havia conseguido uma nova companheira, assim
como Ash e Brock.
O grupo seguia em alta velocidade,
esperando não ouvir mais os gritos furiosos de Seymour, seguindo rumo para a
longe do Monte Lua e se aproximando de seu próximo destino, sendo este a cidade
de Cerulean.
De longe, Seymour, ao ver a figura
dos jovens desaparecer pelas colinas, apenas sente a brisa do vento, enquanto
seus pensamentos percorriam.
— “Peço perdão, meus jovens. Como
código da comunidade científica, não pude contar mais sobre a Pedra da Lua. Ela
não é apenas uma fonte de poder. Seu potencial é especial e vai muito mais
além. Entretanto, deixarei que descubram por si mesmos. Acredito eu que seja
mais gratificante assim.” — Divagava Seymour, com uma leve sensação de
culpa, mas convicto de que era para o melhor.
O cientista então pensava que mal
podia esperar para retornar a Cinnabar. Ainda haviam mistérios a serem
descobertos, entretanto, ele sabia que aqueles quatro poderiam encontrar as
respostas em um futuro não tão distante.


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