Pokémon: TLD - Capítulo 04: Um Reencontro Turbulento
A
tarde estava tranquila, enquanto o sol se põe lentamente no horizonte. Durante
esse tempo, em um posto policial na entrada da cidade, uma mulher policial
fazia a vigília.
A
mulher de cabelos esverdeados e olhos castanhos demonstrava uma expressão séria
e preocupada. Ela um boné de aba preta com um emblema de estrela dourado, além
disso, estava com seu traje policial azul claro com detalhes cor de anil assim
como sua saia, um par de luvas brancas e sapatilhas de salto pretas.
—
ATENÇÃO, CIDADÃOS DA CIDADE DE VIRIDAN! FOMOS INFORMADOS SOBRE CAÇADORES
ILEGAIS NA NOSSA ÁREA! FIQUEM ATENTOS A QUALQUER UM DE APARÊNCIA SUSPEI... —
Alertava a policial em seu alto falante, mas antes que ela pudesse terminar seu
aviso, ela se deparava com uma visão curiosa.
Ela
podia ver um jovem garoto, correndo apressadamente em direção a entrada da
cidade, carregando um Pokémon em seus braços.
Ash
não pensava em mais nada além de encontrar rapidamente o Pokémon Center para
que Pikachu recebesse tratamento. Ele se sentia esperançoso ao ver a entrada da
cidade de Viridian.
Entretanto,
antes mesmo que pudesse atravessar pela entrada, a gola de sua camisa era
agarrada abruptamente.
—
Parado aí, jovem! — Exclama a guarda, deixando Ash surpreso. — Aonde pensa que
vai?
O
jovem de Pallet olhou para a policial, que demonstrava um olhar sério e
desconfiado para ele.
—
Eu... sinto muito. — Respondeu Ash sem jeito para a autoridade policial. — Meu
nome é Ash Ketchum da cidade de Pallet e sou um Treinador Pokémon. Meu Pikachu
está ferido e estou à procura do Pokémon Center mais próximo. Por favor,
poderia me deixar passar?
A
mulher averiguava adequadamente o jovem. O corpo do garoto estava sujo e seu
corpo estava cheio de hematomas, mas o que atiçou ainda mais sua vigilância,
foi que o rato elétrico estava em péssimo estado.
Normalmente,
isso não era incomum de acontecer. Vários jovens também vieram a cidade por
motivos semelhantes, contudo, a oficial ainda não se sentia convencida.
Outro
fator que ela analisou era que o jovem carregava Pikachu nos braços, o que era
incomum, já que os Treinadores transportavam seus Pokémon em suas Poké Balls.
— Muito bem. Eu sou a oficial Jenny. Se o que
está me relatando é de fato verídico, peço que me mostre seu documento de
identidade, para que eu possa confirmar se de fato se você roubou ou não este
Pokémon. — Declarou a policial.
Ash
estava correndo contra o tempo, então rapidamente vasculha em seus bolsos
procurando a Pokédex eletrônica. Ao encontrá-la, ele entrega para a oficial.
Após
uma verificação cuidadosa, a oficial tem o seu veredito.
—
Entendido. De fato, você é Ash Ketchum. — Disse Jenny, esboçando alívio e
devolvendo o aparelho para Ash. — Peço perdões, mas infelizmente, a cidade de
Viridian está sob alerta devido a incidentes de furtos de Pokémon nos últimos
dias.
Ash
achava aquilo horrível. Era para ele um ato extremamente vil roubar Pokémon de
outras pessoas, afinal, conseguir um não era uma tarefa simples, sem falar nos
preços altos para adquiri-los.
—
Está tudo bem, oficial. Você está apenas fazendo seu trabalho. — Disse Ash,
compreendendo a situação. — Então, eu já vou indo. Preciso me apressar.
—
Espere! — Gritou a policial.
—
Hã? — Disse Ash confuso, parando em seu avanço.
—
Como um pedido de desculpas e vendo que está com pressa, deixe-me dar uma
carona até o hospital Pokémon. O que acha? — Sugeriu Jenny com um sorriso
simpático.
—
Sério? Nossa! Isso ajudaria muito! — Falou Ash, pensando no quanto isso iria
ajudá-lo.
—
Venha! Vou retirar minha moto da garagem para que possamos ir imediatamente! —
Chamou Jenny.
Ash
então seguiu a moça, sentindo-se mais tranquilo, pois conseguiria chegar mais
rápido do que o esperado, sem falar que não teria que perder tempo para se
informar onde ficava o local.
— Ei! Agora que reparei. Você é a quarta
pessoa que vejo hoje que veio da cidade de Pallet. — Informou Jenny.
—
“Quarta? Entendo. Isso significa que os outros já passaram por aqui.” —
Refletia Ash, notando que seus rivais, Red e Gary estavam adiantados, assim
como sua amiga, Leaf.
Infelizmente,
ele sentia-se péssimo ao perceber que ainda se encontrava atrás dos outros três.
Ele sabia que ainda teria muito em que melhorar.
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No
aeroporto de Viridian, Serena já havia descido do avião junto de sua Fennekin e
ambas estavam se dirigindo para o Pokémon Center da cidade, pois deveriam ir
para reservar um quarto para passar a noite e principalmente, por ser o local onde
ela e Ash haviam combinado de se encontrarem.
—
Enfim chegamos, Fennekin. Agora, só precisamos chegar ao Pokémon Center. —
Disse Serena, enquanto ajeitava seu chapéu rosado.
—
Fenneee! — Fennekin assentia, sentindo a empolgação de sua Treinadora.
—
Mas agora, acho melhor você descansar na Poké Ball, tudo bem? — Propôs a
caramelada.
—
Ken! — Fennekin aceitou sem objeções.
Com
isso, a jovem Yvonne recolheu a raposa de fogo para a esfera, para que ela
tivesse um descanso adequado até que ela chegasse ao local desejado.
—
“É melhor eu me apressar. Pelo horário, talvez Ash já tenha chegado lá.”
— Pensa Serena, decidindo acelerar o passo.
Ela
então começa a correr para fora do aeroporto, sem notar os vários cartazes de
avisos de alerta sobre caçadores ilegais espalhados pelas paredes.
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Durante
o crepúsculo, antes que o sol caísse completamente, um balão de ar quente
circundava pela cidade sem que os cidadãos e as autoridades locais se dessem
conta. O dirigível possuí design de um Pokémon felídeo.
Dentro
do veículo aéreo, um grupo de figuras misteriosas estava examinando um dos
cartazes de procurados.
—
Um cartaz de procurada? Que chique! — Expressou uma mulher alta, Ela alta, que
detinha uma beleza estonteante, com uma longa cabeleira de cor magenta e olhos
azuis.
—
Chique?! Eu estou horrível nessa imagem! — Reclamou o homem esguio ao seu lado,
com cabelos azul-arroxeados curtos de franja única e olhos esverdeados.
A
característica que ambos tinham em comum era um uniforme branco com luvas e
botas pretas, além de possuírem um grande símbolo de um “R” vermelho destacado
no peito.
—
Então devia ficar contente, James, porque o fotógrafo captou seu verdadeiro eu.
— Argumentou a mulher.
—
Exatamente, Jessie. — Confirmou o homem.
—
Eles vão ver só! — Declara Jessie, não gostando de terem sido descobertos.
—
O povo da cidade de Viridian irá se arrepender de terem visto este rosto! —
Falou James com um sorriso.
—
Ei! É melhor que fiquem concentrados! Estamos aqui para pegar Pokémon raros!
Meeowth! Não se esqueçam! — A voz vinha de uma terceira presença. O Pokémon
felino bípede branco com grandes bigodes e uma espécie de moeda koban em sua
testa, sendo sua face a marca da aeronave.
—
Deixa com a gente! — Jessie falou. — Além disso, nossos veteranos anseiam para
que nossa operação seja um sucesso.
—
Com certeza! Não podemos decepcioná-los! — James concordou.
—
Tudo em nome da Equipe Rocket! — Meowth enfatizou com um sorriso perverso.
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A
noite havia enfim caído e a cidade agora brilhava com as luzes das casas e prédios.
Jenny estava percorrendo as ruas asfaltadas em alta velocidade em sua moto
sidecar branca pertencente ao departamento de polícia. Ash se perguntava se ela
não estava indo rápida demais, preocupando-se se chegariam são e salvo no
destino.
—
Ali está! — Informou Jenny.
Ao
observar atentamente, o garoto consegue visualizar um enorme edifício com uma
grande esfera vermelha notável e um símbolo de um “P”, deixando fácil entender
e identificar o local.
—
“Então esse é o Pokémon Center? É imenso!” — Divagava Ash impressionado.
Ele então olhava de volta para Pikachu, que estava respirando pesadamente em
seus braços. — “Vai ficar tudo bem, Pikachu. Estamos quase lá.”
—
Isso vai ser complicado! É melhor se segurar firme! — Avisou a oficial.
Ash
não estava entendendo, mas sentia um mal pressentimento nas palavras da mulher
ao notar que sua moto não estava desacelerando, mesmo que em frente houvesse um
pequeno lance de escadas.
Muito
pelo contrário. Jenny pisou fundo no acelerador e fez com que a moto saltasse
pelos degraus como se fosse uma rampa e com uma habilidade inesperada, ela
conseguia aterrissar e derrapar, e por sorte, acaba conseguindo passar pelas portas
de vidro automáticas, adentrando o Pokémon Center e freando antes que o veículo
colidisse com o balcão principal.
—
Ei! Temos um estacionamento, sabia? — Exclamou uma jovem enfermeira irritada ao
notar a forma nada convencional e segura de entrarem dentro do recinto.
—
Mas esse é um caso de emergência, Joy! — Retrucou a oficial Jenny, alheia a sua
inadequação.
Ash
então olhava atentamente para a moça que Jenny estava discutindo. Ela era uma
mulher com cabelos rosados presos em dois cachos laterais, com uma touca branca
que exibia um símbolo de uma cruz vermelha, além disso, seus olhos eram azuis
escuros e usava um vestido branco e rosa e sapatilhas brancas.
Era
exatamente a pessoa que Ash procurava. Uma enfermeira Pokémon.
—
Por favor, enfermeira Joy! Meu nome é Ash Ketchum. O meu Pikachu precisa de
cuidados urgente! — Implorava Ash por ajuda.
A
profissional da área da saúde então se alarmava ao ver o estado do Pikachu nos
braços de Ash.
—
Oh meu Arceus! — Chocava-se Joy. — Faremos o possível!
Ela
então se dirigia ao computador na mesa.
—
Eu preciso de uma maca para um Pokémon do tipo Elétrico imediatamente. — Dizia
a enfermeira, ao digitar alguns comandos no teclado.
Em
poucos minutos, um grupo de dois Pokémon enfermeiros aparecem com uma maca.
Seus
olhos e boca eram pequenos, assim como seus pés e braços. Ambos eram rosados e
um corpo oval e três pequenos pedaços compridos semelhantes a cabelos em cada
lado da cabeça de uma cor mais escura. Sua característica mais marcante era uma
bolsa no centro da barriga, ao qual carregava um ovo.
—
Chanseeey! — Expressavam as Pokémon ao colocarem a maca perto de Joy.
—
Obrigada, Chansey’s. — Agradecia a enfermeira.
Ash
não pode deixar de ficar intrigado, afinal, ele jamais imaginaria Pokémon
trabalhando na área de medicina. Naquele momento, ele decide usar a sua Pokédex
para analisar tais criaturas. Rapidamente, os dados eram analisados.
—
CHANSEY / N° 113 / Normal: Este Pokémon gentil põe ovos altamente nutritivos e
os compartilha com Pokémon feridos ou pessoas. — Relatou Dexter.
Joy
então colocou Pikachu cuidadosamente sobre a maca e então deu a instrução para suas
assistentes.
—
Agora, levem-no para o centro de terapia intensiva.
—
Chanseeey! — Assentiram as Chansey’s, que carregavam o Pokémon paciente até a
sala de exames.
—
Ash, iremos começar o tratamento de seu Pokémon imediatamente. Peço que aguarde
na área de espera até que o procedimento seja finalizado. Entendido? — Informou
Joy de forma gentil.
—
Ah... eu entendi... — Disse Ash amuado. Ele desejava estar ao lado de seu
Pikachu, mas isso infelizmente não era possível.
—
Deixaremos em suas mãos. Sei que fará o possível. — Falou Jenny, depositando
plena confiança nas habilidades da profissional.
De
repente, quando se virou para a ir até a sua moto, ela notou finalmente o que
havia feito anteriormente.
—
Céus! Eu deixei minha moto estacionada na recepção! — Disse Jenny envergonhada.
Ash
e Joy ficaram espantados que ela havia apenas realizado isso agora, deixando os
dois com gotas de suor ao lado da cabeça.
—
N-não se preocupe! Da próxima vez, é só usar o estacionamento! — Respondeu Joy
um pouco sem graça.
—
B-bem, desejo melhoras para o seu Pikachu, Ash! Até mais! — Despedia-se a
policial, correndo rapidamente para retirar o veículo de dentro do
estabelecimento.
Ash
então se dirige até a área de espera, sabendo que sua única opção era esperar
que seu Pokémon se recuperasse.
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Um
enorme silêncio pairava na recepção do Pokémon Center. Vários minutos haviam
passaram e a ansiedade de Ash não desaparecia. Ele estava apreensivo sobre o
estado de Pikachu e temia que ele não pudesse se recuperar dos danos
resultantes do embate contra o bando de Spearow’s.
Mas
não era só isso que o afligia.
—
“Como eu sou tão fraco! Eu permiti que Pikachu se machucasse, e agora... eu
não posso fazer nada além de esperar. Isso é... tão frustrante! Eu realmente
posso me chamar de Treinador Pokémon?!” — Divagava Ash, enquanto a tristeza
o abatia.
O
jovem de Pallet se culpava pelo ocorrido. Por não ter sido capaz de proteger
seu Pokémon e permitir que ele chegasse a tal estado.
Seu
primeiro dia como Treinador havia terminado em um completo desastre.
—
Com licença, mas... por acaso você seria Ash Ketchum? — Indagava voz feminina o
tirava de seus pensamentos.
Ash
então arregalou os olhos. Aquele tom de voz era familiar para ele. Ele se vira
para o lado e ele se surpreende ao ver uma jovem esbelta em sua frente.
Ela
aparentava ter sua idade, usando um chapéu rosa com um par de óculos de sol por
cima de seus longos cabelos cor de mel, olhos azuis, uma camiseta preta com
gola branca, além de um par de meias longas e pretas e tênis combinando.
Quando
seus olhares se cruzaram, Ash sentiu uma imensa sensação nostálgica. Ela havia
crescido, mas ela era a mesma menina que conhecera e que se tornou sua amiga de
infância. Ambos ansiavam um reencontro depois de tantos anos.
Naquele
momento, não restava dúvidas para o moreno. A garota em sua frente era a mesma
menina do chapéu de palha que ele ajudou.
—
E-e você é... Serena Yvonne? — Ash devolveu a pergunta em espanto.
Serena
então mal pode conter a emoção. Ele era o garoto ao qual ela havia se
apaixonado.
Ele
estava mais alto, também levemente encorpado, com uma jaqueta azulada com
mangas brancas por cima de uma camiseta escura, luvas verdes, calça jeans e
tênis pretos. Mas a essência ainda estava lá.
Seu
cabelo preto, olhos âmbar e as marcas em formato de raio em suas bochechas.
—
ASH!!! — Gritou Serena, que subitamente correu e abraçou Ash, que ficava sem
jeito com tal afeto.
O
abraço apertado surpreendia Ash, mas o rapaz retribui em seguida. Ele podia
sentir uma fragrância doce e cheirosa vinda da garota que o deixava mais
relaxado. Era realmente reconfortante ter a sua amiga de volta. Posteriormente,
os dois se separam, com Serena notando sua atitude, sentindo um rubor tomar
conta de seu rosto.
—
F-fico feliz que tenha me reconhecido, Ash! — A jovem Yvonne diz com timidez. —
Eu... achei que por um segundo você não iria me reconhecer e eu tive medo
disso.
—
Que nada, Serena! — Negou Ash. — Eu não acho que seria capaz disso. Não de
você.
—
E-entendo. — Mas Ash, o que acha? Eu mudei muito? — Questiona Serena dando um
giro.
Ash
olhou para a jovem e um leve rubor tomou conta do garoto.
—
B-bem, você está... bem, você está ótima! — Respondia Ash sem jeito. Ele não
conseguia dizer para ela que estava bonita. Ele tinha dificuldade em usar essas
palavras.
—
Obrigada, Ash! — Agradece a garota kalosiana. Não era de fato o que ela ansiava
ouvir, mas ela aceitou de bom grado.
Neste
momento, Serena reparou em algo que ela não havia notado previamente. Ash
estava em um péssimo estado, com suas roupas sujas e levemente rasgadas em
alguns pontos, ademais, seus braços estavam com alguns hematomas preocupantes,
como se tivesse passado por uma briga, e principalmente, o olhar de desânimo de
Ash quando ela o viu ao entrar no Pokémon Center.
—
Ash... o que aconteceu com você? Por quê está nesse estado? Aconteceu alguma
coisa séria? — Indagava Serena com preocupação.
Neste
momento, ao se lembrar do ocorrido, Ash tinha uma recaída.
—
Serena, é... uma longa história. Você estaria disposta a escutar? — Questiona
Ash.
—
É claro, Ash! Sem problema algum! — Expressou Serena, com completa disposição.
Neste
momento, os dois se sentam na área de espera. Ash então começa a contar o
relato de seu primeiro dia de viagem. Ele tenta resumir alguns fatos e deixar
apenas o essencial, porém, ele contou sobre tudo.
Desde
a chegada no laboratório, a escolha dos Pokémon Iniciais e Secundários e sua
escolha questionável de ficar com Pikachu e seu mal relacionamento com os
humanos. Ash também contou sobre de ter conhecido o Treinador chamado Finn
Blueverry e eles dois terem que fugir do enorme grupo de Spearow’s e que Ash
salvou sua vida do ataque das aves, e para fechar, ele contou sobre Pikachu ter
salvado sua vida e que após o confronto, ele conseguiu vislumbrar um Pokémon enigmático
no céu.
Serena
estava incrédula. O primeiro dia de Ash havia começado de uma forma bem
turbulenta.
—
Eu fico pensando que pisei na bola, Serena. Eu devia ter sido capaz de proteger
Pikachu, mas acabei deixando que ele terminasse nesse estado. Eu acreditei que
faria diferente do que os Treinadores anteriores, mas ao invés disso, o
coloquei em risco. Talvez, eu... não possa ser digno de ser me chamar de
Treinador Pokémon. — Ash explicava, sentindo um enorme sentimento de culpa.
—
Ash! Isso com certeza não é verdade! — Negava Serena veementemente. — Pelo
contrário, você foi um herói. É verdade que vocês realmente se envolveram no
ataque dos Spearow’s, porém, isso não foi culpa de vocês. Além disso, você
salvou um Treinador indefeso Ash. O que teria acontecido se ao invés de você e
Pikachu, ele tivesse sido perseguido até o final?
Ash
sentia que era verdade. Caso não tivesse atraído os Spearow’s para eles, Finn
poderia ter sofrido um destino terrível. Inclusive, Ash se perguntava como ele
estava agora.
— E também... sinto que Pikachu não
concordaria com você. Afinal, ele não confiava antes nos Treinadores, mas ele
mudou ao ver você demonstrar genuinamente o quanto se importava e que seria
paciente com ele. Não foi por acaso que ele o protegeu dos Spearow’s
briguentos. Ele aceitou você como um Treinador, Ash. Ele o reconhecia como seu
parceiro e não se arrependia de depositar sua confiança nele. — Explicou a
amiga.
Serena
dizia e pensava que realmente, Ash ainda era o mesmo. O garoto sempre desde
criança emanava uma presença digna de um herói de contos de fadas. Sempre
arriscando a sua vida para proteger os indefesos.
Cada
uma das palavras de Serena eram nada menos do que fatos. Ash que antes estava
encoberto pela negatividade devido ao ocorrido, agora sentia-se mais tranquilo
com as palavras motivadoras de sua amiga de infância. Ele realmente fez o que
era certo e precisava agora acreditar que Pikachu iria ficar bem.
—
Obrigado Serena. De verdade. Aliás, você acredita de fato na minha história
sobre o Pokémon misterioso que vi? — Perguntava Ash, afinal, tal história
parecia ser bastante inventada, pois não tinha sequer provas para solidificar
sua afirmação.
—
Ash, eu te conheço e sei que você não é de mentir. Eu acredito em tudo que você
me disse. — Respondeu Serena afirmativamente.
Neste
momento, ele ficava feliz, percebendo o quanto Serena depositava confiança
nele.
—
Ah sim! Acabei de me lembrar! — Exclamou Ash, começando a abrir e verificar sua
mochila.
Serena
não entendia a princípio, mas logo ela descobre. Ash então pega a Pokédex, que
havia guardado.
—
Aqui está a sua Pokédex, Serena. — Falou Ash, entregando o aparelho.
—
É mesmo! Estava quase me esquecendo. Obrigada, Ash e também ao professor Oak. —
Diz Serena, pegando a tecnologia e a guardando em sua bolsa rosa. — Foi muita
gentileza dele ter reservado essa Pokédex, graças a isso, poderei registrar os
Pokémon daqui.
—
Falando nisso, preciso ligar para o professor e para minha mãe, para avisar que
cheguei aqui, principalmente para ela, senão, ela me mata. — Ash falava, não
querendo imaginar a feição de sua mãe caso esquecesse de contatá-la.
Serena
ria do que Ash falou. Ela sabia que Delia era bastante protetora com Ash desde
a infância, mas bem, sua mãe não era tão diferente.
—
É verdade. Eu também tenho que ligar para a minha mãe e informar que pousei em
Viridian com segurança. — Serena concordava, também precisando fazer o mesmo.
—
Vamos fazer o seguinte. Ligue para sua mãe primeiro. Não precisamos ter pressa,
afinal, já estamos aqui. — Ash sugeriu.
—
Ok então. — Serena assentiu.
Os
dois então se dirigiram até as cabines telefônicas verdes no canto do Pokémon
Center. Por sorte, não havia ninguém as usando e Ash deixou Serena ir primeiro.
Após
fazer a discagem e esperar cerca de dez segundos, a chamada era efetuada.
—
Alô? — A voz de uma mulher podia ser ouvida do outro lado da linha.
—
Sou eu mãe, Serena. — Falou a garota no telefone.
—
Hum... não conheço nenhuma filha minha com esse nome. — Falou a mulher.
—
Quer parar de brincar em uma hora dessa, mãe? — Serena falou com um suspiro.
—
Hahaha! Desculpa, querida! Eu não consegui resistir em brincar com você, mas me
parece que você já conhece minhas artimanhas.
Ash
ouvia a ligação e achava engraçado. Grace sempre fora uma mulher simpática e
brincalhona pelo que se lembrava.
—
Deu tudo certo, querida? — Indagou Grace.
—
Sim, mãe! Consegui pousar sem problemas em Viridian, inclusive, Ash está aqui
ao meu lado. — Respondeu Serena.
—
Que ótimo, querida! Posso ter uma palavrinha com o meu genro por um instante? —
Provocou a Yvonne mais velha, fazendo Serena corar furiosamente.
—
Mamãe! — Exclamou Serena em protesto, mal conseguindo esconder o vapor quente
que saia de sua cabeça, como uma chaleira fervendo apitando.
Depois
dessa frase, Serena passa rapidamente seu telefone para as mãos de Ash falar
para que o jovem pudesse falar com sua mãe.
—
Boa noite, senhora Grace! — Cumprimentou Ash.
—
Ash! Há quanto tempo! Como você está? — Perguntou Grace.
—
Está tudo bem! Tive um dia movimentado, mas estou ótimo! — Informou o garoto de
Pallet.
—
Isso é bom saber! — Disse Grace, antes de mudar para um tom sério. — Ash, saiba
que Serena esperou ansiosamente por este dia. Sei que é um rapaz responsável,
então... gostaria de fazer um pedido. Este é um segredo entre você e eu, por
isso, irei falar um pouco mais baixo. Não quero que Serena nos ouça.
—
É... claro. Pode dizer. — Ash se surpreendia com o pedido repentino, mas decide
escutar atentamente.
—
Eu gostaria de pedir que protegesse a minha filha. — Falou Grace com firmeza.
Aquilo
era realmente um pedido de extrema importância.
—
Sabe, minha filha é inteligente, mas eu temia que, quando ela atingisse a idade
certa para viajar, ela estivesse vagando sozinha. Pode não parecer, mas uma
jornada Pokémon é recheada de surpresas e perigos. Nem sempre as pessoas que
irão encontrar serão boas. Por isso, a princípio, sequer planejava permitir que
Serena viajasse com você. — Detalhou Grace.
Ash
conseguia compreender o raciocínio da Yvonne mais velha. O moreno havia
experimentado em primeira mão uma dessas situações. Agora, ele entendia e tinha
plena certeza de que, conforme forem se aventurando, eles se deparariam com
tais problemas.
—
Mas... ao ver o quão protetor você tinha sido com ela durante o Acampamento
Pokémon, o quanto ela havia se afeiçoado a você, eu... simplesmente sentia que
havia chegado a hora. Eu percebi que era hora de Serena encarar o mundo lá fora
por si mesma e amadurecer. E sabendo que ela iria viajar com você, senti que
ela estaria em boas mãos. — Grace desabafava com o garoto, que ouvia
atentamente.
Após
ouvir todas essas palavras, Ash entendia o que precisava ser feito.
—
Pode deixar, senhora Grace! Eu nunca quebro minhas promessas! — Respondeu Ash,
aceitando o pedido da mulher.
Do
outro lado da linha, Grace esboça um sorriso genuíno.
—
Eu sabia que poderia contar com você, Ash. Sou muito grata. — Agradeceu Grace. —
Agora, gostaria de poder conversar com a minha filha a sós, se não houver um
problema.
—
Ah claro! Sem problemas! — Ash devolve o telefone para Serena, que parecia
curiosa sobre o que seu amigo conversava com sua mãe. Ela só não esperava que
ela estivesse falando besteiras para ele.
Após
isso, Ash deixou Serena conversar com a mãe, enquanto aguardava pacientemente.
Mas não demora muito até que Serena decide que já estava bom. Ela se despede de
sua mãe e desliga o telefone.
—
Sua mãe continua bem engraçada como sempre, Serena — Expressava o kantoniano
com um sorriso.
Os
dois riem com a piada. Logo em seguida, era hora de Ash ligar para sua mãe. Ele
esperava poder fazê-lo de uma vez antes que ela fizesse um alarde por não ter a
contatado.
Não
demora muito para a chamada ser atendida.
—
Ash querido! Você está bem? Onde você está? — Falava Delia em voz alta com
extrema preocupação, na qual era possível ser ouvida por Serena.
—
Sim! Estou bem! Eu estou no Pokémon Center na cidade de Viridian! — Respondeu
Ash.
—
Você já chegou?! — Surpreende-se a mãe Ketchum. — Isso é incrível, querido! Seu
pai estaria orgulhoso de você! Saiba que ele demorou cerca de três dias para
chegar até aí! — Contava Delia, deixando Ash levemente desanimado ao ouvir
falar de seu pai.
—
“Meu pai... ele demorou três dias?” — Pensava Ash um pouco deprimido. — “É...
talvez eu tenha te superado, hein?”
Serena
ficou curiosa sobre o comentário de Delia.
—
Ash, e o seu Pokémon? Eu gostaria de saber qual você pegou! — Pedia Delia, que
se encontrava curiosa.
Era
verdade. Ash não havia contado sobre qual Pokémon ele havia escolhido.
—
Eu peguei um Pikachu! — Relatou Ash. — No momento, ele está descansando na Poké
Ball. Quando tiver a oportunidade, irei mostrar ele para você.
—
Oh meu Arceus! Que fofura! Não irei permitir que passe aqui em Pallet sem me
mostrar esse Pokémon para mim, Ash Ketchum! — Declarou Delia de forma
autoritária, o que fez Serena achar um tanto engraçado.
—
Já conseguiu se encontrar com Serena?
—
Sim, ela está aqui comigo! — Afirmou Ash.
—
É mesmo?! — Delia gritava de espanto. — Ai meu Arceus! Serena querida! É tão
bom ver você!
—
O-olá, senhora Ketchum! — Saudava Serena um pouco sem jeito.
—
Fico feliz que tenha chegado bem, querida! Espero que o Ash não tenha te
causado problemas! — Falava Delia, deixando seu filho nervoso.
—
Mãe! Eu não... — Antes que Ash tentasse argumentar, Serena tomava a liderança.
—
Não se preocupe, senhora Ketchum! Ash jamais me causaria problemas. —
Confortava a jovem Yvonne.
—
Que alívio! Por favor, querida! Se puder, gostaria que ajudasse o Ash a ter
mais confiança! Ele é um bom rapaz e tem potencial para conquistar o mundo, mas
ele constantemente se coloca para baixo. Eu não quero colocar um fardo sobre
você, mas sei que você é a melhor pessoa para ajudá-lo.
—
E-entendo! Conte comigo, senhora Ketchum! Farei o melhor para ajuda-lo ele com
esse problema! — Afirmava Serena, querendo deixar Delia orgulhosa,
principalmente em prol de sua paixão.
Naquele
momento, Ash decide tomar o telefone de Serena. Ele não conseguia suportar a
sua mãe sendo bastante zelosa com ele.
—
Muito bem, mãe. Irei desligar. — Dizia Ash um pouco emburrado.
—
Não se esquece de trocar as roupas de baixo todos os dias, hein mocinho? —
Enfatizou Delia, o que Ash não gostava de ouvir. Ele se sentia como se sua mãe
lhe tratasse como uma criancinha.
—
Tá bom... tchau! — Despedia-se Ash bruscamente.
Serena
ainda estava meio chocada pelo comportamento de Delia.
—
“Aff... ela é sempre assim. Eu só queria que ela parasse de me ver como um
garotinho.” — Divagava Ash, enquanto o mesmo soltava um suspiro.
Ao
mesmo tempo, Serena estava sentida por Ash. Ela nunca soube sobre o pai de Ash,
afinal, o moreno nunca contou sobre ele. Ela gostaria de saber o porquê dele
ficar abatido quando tocaram neste assunto, porém, não desejava invadir a
privacidade do rapaz sem sua permissão, então, decidiu manter-se em silêncio.
—
Caramba... eu sinto muito, Serena! — Desculpou-se Ash. — Deve ter sido
embaraçoso para você ouvir minha mãe falar tais asneiras.
—
T-tá tudo bem, Ash! Eu entendo. — Serena dizia de forma compreensiva.
—
Mas bem, agora eu devo falar com o professor Oak. — Dizia Ash, começando a
pressionar o número de telefone da residência do cientista.
Rapidamente,
outra ligação acontecia.
—
Alô? Com quem falo? — Ash ouvia uma voz rouca familiar do outro lado da linha.
—
Professor, aqui é o Ash Ketchum. Estou aqui falando do Pokémon Center de
Viridian. — Explicava o jovem de Pallet.
—
Ora ora, Ash! — Saudava Samuel. — Quem diria que você conseguiria chegar em
Viridian tão cedo? Ainda mais, considerando que você escolheu um Pokémon arisco
como aquele Pikachu.
—
Hehehe. Bem, eu dei os meus pulos para conseguir. — Ash respondia com um leve
desconforto. — Mas bem, eu já consegui entregar a Pokédex para Serena.
—
É mesmo? Obrigado, Ash! Espero que ela possa fazer bom uso dela. — Respondeu o
professor satisfeito.
—
Mas professor, eu decidi ligar por um outro motivo. — Menciona Ash.
Isso
deixa o velho Oak um tanto confuso, mas decide ouvir o que o seu aluno tinha a
dizer.
—
Depois que a tempestade passou e o céu se abriu, eu e Pikachu presenciamos um
Pokémon misterioso passando pelo arco-íris. — Contextualizou o moreno.
—
Pokémon misterioso? Como ele era Ash? — Indaga Samuel com interesse.
—
Hum... pelo que me recordo, não deu para vê-lo completamente, mas ele tinha
penas douradas e vermelhas — Detalhava Ash.
Por
alguns segundos, a linha permanecia em um silencio incômodo.
—
HAHAHAHAA!!! — A quietude fora quebrada por uma risada histérica do professor
da região de Kanto. — Ai ai Ash. Agora você me pegou.
Aquele
momento deixou Ash sem entender do que ele havia achado tanta graça.
—
Sinto muito, Ash. Mas saiba que esse Pokémon que você descreveu não é nada
menos que o lendário Pokémon de Johto, “Ho-oh”. E eu aposto que você ter visto
tal criatura raríssima é... absolutamente impossível!
—
“Pokémon lendário?!” — Pensaram Ash e Serena em espanto.
—
Ah sim. E eu digo mais. A maioria dos Treinadores passaram toda a sua vida
buscando incessantemente por esse Pokémon e jamais o encontraram! — Reiterava
ainda mais o professor Oak.
Ash
sentia-se decepcionado, mas é claro. Era o esperado, ele não tinha nada para
comprovar seu argumento.
—
Espera, professor. Eu acredito que o Ash está falando a verdade. — Serena
entrava na conversa.
O
professor então podia ouvir a voz da jovem kalosiana do outro lado da linha.
—
O-olá, Serena. Fico feliz em saber que está aqui também. — Cumprimentou o
cientista. — Mas eu sou um pesquisador Pokémon e nós que trabalhamos na área da
ciência precisamos provar nossos relatos com provas. Se apenas falar meramente
significasse algo, isso resultaria em todas as teorias sendo aprovadas. — Falou
o cientista com um tom mais profissional.
—
M-mas professor! — Serena tentava argumentar. — Ash foi um dos seus alunos mais
aplicados. Não vejo razão pela qual ele teria que mentir.
Após
outro período curto de silêncio, o professor voltava a falar.
—
Infelizmente minha jovem, eu duvidaria muito que Ash teria sido capaz de
vislumbrar tal raridade. Não é algo impossível, entretanto, não é algo que
poderia ser feito tão facilmente.
—
E-espera, professor Oak! Mas... — Serena tenta, mas Ash gentilmente recolhe o
telefone para si novamente.
—
Obrigado. Sinto muito incomodá-lo, professor. Até mais. — Ash se despede, colocando
o telefone de volta no gancho.
De
repente, Ash coloca mão no ombro de Serena e apenas balançava a cabeça para
ela.
—
Está tudo bem, Serena. Ele está certo. Não tenho como eu provar que vi esse tal
Ho-oh. A única coisa que eu poderia dizer era que, minha Pokédex não o
registrou, mas só esse fato não seria o bastante. — Conformou-se o rapaz. Agora,
vamos sentar e aguardar por notícias de Pikachu. — Argumentou Ash, que queria
deixar aquele assunto de lado.
Ash
duvidava se o professor realmente acreditava em seu potencial na mesma forma
que nos outros Treinadores, contudo, ele tentava dissipar esses pensamentos.
Eles não eram importantes agora.
Serena
queria dizer algo, mas as palavras de Ash fizeram ela perder o seu raciocínio.
Ela então, em prol de aliviar a atmosfera, ela apenas assente com o pedido de
Ash.
De
repente, o símbolo vermelho de uma seringa que brilhava se apagava, e a sala se
abria, revelando a gentil enfermeira, acompanhada de suas Chansey’s carregando
Pikachu na maca, agora com algumas baterias conectadas a ganchos, em forma de
repor a eletricidade do Pokémon.
Ash
e Serena correram rapidamente para perto, querendo ver o ratinho elétrico.
—
Pikachu! — Exclamou Ash ansiado.
—
Seu Pikachu está apenas descansando no momento. A operação foi um sucesso. Foi
sorte você tê-lo trazido tão depressa para cá. — Relata Joy com um sorriso
caloroso. — Ele deve estar novo em folha após um descanso na sala de repouso.
—
Que maravilha, Ash! — Vibrava Serena feliz.
—
Meu Arceus! Isso é um alívio! — Ash soltava um grande suspiro de sentiu que
finalmente podia relaxar novamente.
—
Você poderia ficar lá com ele se quiser, Ash. E se sua amiga quiser, também,
sintam-se à vontade. — Sugeriu a enfermeira.
—
Ah sim. Obrigado enfermeira. Sou Serena Yvonne — Cumprimentou a caramelada.
—
É um prazer conhece-la, Serena. Sou a enfermeira Joy. Se necessitar de meus
serviços, não hesitem em pedir.
O
clima agora estava tranquilo. Não havia nada mais para se preocupar. Pikachu
estava fora de perigo e em breve, estaria devidamente recuperado. Ash e Serena
agora poderiam desfrutar de uma noite pacífica.
Entretanto,
o momento de paz dura pouco tempo, pois um alarme ressoava dentro do Pokémon
Center, deixando a dupla de Treinadores e as enfermeiras apreensivos.
—
ATENÇÃO, POR FAVOR! OS SENSORES DO NOSSO RADAR DA CIDADE DE VIRIDIAN DETECTARAM
UMA AERONAVE PERTENCENTES A GANGUE DOS LADRÕES DE POKÉMON! SE TIVEREM POKÉMON
EM SUA POSSE, HAJAM COM EXTREMA CAUTELA! — Alertava a voz feminina vinda dos
alto falantes do edifício.
Ash
reconheceu que a voz pertencia a oficial Jenny, significando que para o azar
deles, eles não poderiam descansar devidamente por hoje. Serena ficara nervosa
com a mensagem.
Do
lado de fora, sobrevoando pelo céu noturno, o dirigível Meowth pairava
exatamente acima do Pokémon Center.
—
Hehehe. Parece que acordamos a cidade adormecida. — Jessie dizia
arrogantemente.
—
E como ousam agir como se fossemos criminosos? — Questionava James
inconformado. — Deviam dar às boas-vindas a Equipe Rocket.
—
A gente vai ensinar a eles respeitarem esse nome! — Declara Jessie.
—
Meowth! E quando passarmos as mãos nos Pokémon deles, aqueles ratos assustados
irão saber que eu sou o gato máximo.
—
A gente sabe, Meowth! — Respondem os dois humanos, puxando do cinto suas Poké
Ball, decididos a começarem a execução do plano.
—
Ekans e Koffing! Atacar! — Gritam os dois, lançando as esferas que caem em alta
velocidade, quebrando a cúpula de vidro do teto. As bolas colidem com o piso,
libertando dois Pokémon.
—
Eeekaaans! — A primeira criatura se revelava uma serpente arroxeada, tendo
olhos amarelados, assim como o cinto de seu pescoço e chocalhos.
—
Kooffiiiing! — A segunda era um Pokémon esférico, com dois olhos vazios e uma
boca com um sorriso largo. Abaixo do rosto, havia uma marca de caveira com
ossos cruzados cor de creme. O ser também possuí uma coloração roxa e diversos
buracos, que logo começou a flutuar e a expelir gases verdes por toda a sala de
recepção.
Ash,
Serena e Joy, estavam estarrecidos com a mudança abrupta de eventos. Não
restava dúvidas de que este era um ataque planejado pelos ladrões.
—
O que é isso? — Vociferou Ash.
De
repente, em meio a fumaça que dificultava a visão, o grupo podia ouvir barulhos
de aterrissagem. O garoto então, forçando um pouco ele conseguia discernir duas
silhuetas humanas de uma mulher e um homem, apesar de ser incapaz de ver seus
rostos.
—
Não se assuste, garotinho. — Provocava a voz feminina por trás da névoa
esverdeada. — Mas... é melhor que preparasse para a encrenca!
—
E encrenca em dobro! — Completava a voz do parceiro.
Ash
e Serena se encontravam receosos. Eles estavam agora diante de bandidos e que
vinham com um propósito claro de saquear o Pokémon Center. As palavras de Grace
voltavam na mente do rapaz de Pallet e agora, ele deveria fazer questão de não
falhar em sua promessa. Contudo, sem Pikachu, ele seria capaz de lidar com tal
adversidade?
Dentro de seu coração, ele esperava provar que podia fazê-lo.


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