quinta-feira, 15 de maio de 2025

Pokémon: TLD - Capítulo 01: O Lendário Sonhador

 

Pokémon: TLD - Capítulo 01: O Lendário Sonhador

A região de Kalos era conhecida por ser considerada uma das mais tecnologicamente avançadas do mundo. Além disso, seus pontos turísticos eram muito reverenciados, principalmente quando a cidade de Lumiose era citada.

 

As paisagens da cidade além de suas construções entregavam uma atmosfera relaxante e apaixonante. Entretanto, a história não se iniciaria aqui e sim em outra localidade da região.

 

A cidade de Vaniville, era uma cidade rural bastante acolhedora, sendo o lar de uma modalidade esportiva bastante admirada pelos moradores, conhecida como “Corrida de Rhyhorns”.

 

Em uma casa grande de dois andares, uma mulher se encontrava finalizando os toques finais para uma ocasião especial.

 

Seus cabelos eram curtos e castanhos com tons mais escuros. Usava uma presilha de cabelo, além de vestir uma blusa preta, calça verde claro e com um casaco de mesma cor amarrado na cintura, além de calçar chinelos vermelhos.

 

Grace Yvonne, estava terminando de verificar a mochila de viagem de sua filha, afinal, ela embarcaria finalmente em sua jornada Pokémon.

 

— Serena, já está pronta? — Gritou a mulher.

 

— S-só mais cinco minutos, mãe! — Respondeu a garota de volta.

 

— Você já disse isso já faz quase meia hora! — Resmungou a mãe.

 

A mãe sabia que sua filha era uma garota bastante indecisa, porém, era não era típico dela estar demorando tanto para se arrumar para sair, a não ser que a ocasião fosse especial.

 

De repente, um Pokémon voador pousou no braço da mulher. Ele era um de seus parceiros de longa data. Ele era uma criatura de pequeno porte com penas cinzas enquanto sua cabeça era vermelha. Na ponta de suas asas e na cauda, suas penas eram pretas com leves detalhes brancos.

 

— Fletchliiiing!!! — Piava o Pokémon animado.

 

— Obrigada mais uma vez, Fletchling. Só é uma pena em que ela não terá você para acordá-las horários certos. — Disse Grace, acariciando o pequeno ser aviário, que gostava do chamego.

 

— E eu ficarei bastante aliviada em saber que não terei que levar bicadas em todas as manhãs. — Declarou Serena, que havia acabado de descer as escadas.

 

Quando Grace olhou para sua filha, ela realmente ficou espantada com o quão bem arrumada ela estava.

 

Serena Yvonne estava deslumbrante com seus cabelos longos e caramelados, usando um chapéu rosa com um óculos de sol branco. Vestia uma regata preta de tom de ébano com gola branca, além de uma saia curta vermelho vivo. Suas pernas eram destacadas por meias opacas até os tornozelos e um par de tênis escuros com um símbolo de Poké Ball rosa.

 

— Como eu estou, mãe? — Perguntou Serena sorridente, enquanto dava uma giro para mostrar todos os detalhes de seu visual.

 

— Bem... estou impressionada que você tenha realmente caprichado dessa vez. Estou orgulhosa docinho. Mas... qual seria a razão para tudo isso? Afinal, você nunca se arruma tanto assim pra uma viagem.

 

Ao ouvir esse comentário de sua mãe, Serena sentiu suas bochechas esquentarem e sua face foi tomada por um rubor avermelhado.

 

— N-não foi nada demais! S-sabe mãe, as pessoas precisam se arrumar bem para viajar para lugares novos! — Serena tentava desesperadamente dar uma resposta, enquanto seus dedos enrolavam seu cabelo, revelando claramente sua expressão de nervosismo.

 

Foi neste momento que Grace rapidamente juntou as peças. Ela sabia que Serena era uma garota bastante exigente quando se tratava de sair, mas sua filha não teria se dedicado tanto em seu visual atual a não ser que a ocasião fosse especial.

 

— Ara ara... agora eu entendi. É verdade. Você vai viajar com aquela pessoa, né? — Grace se recordou.

 

— N-n-não é isso mãe! E-e-eu apenas... — Serena tentou protestar, mas não conseguia pensar em qualquer outra desculpa.

 

— Não se preocupe, querida. — Disse Grace, abraçando sua garotinha. —Estou feliz em saber que você sabiamente soube escolher um bom genro.

 

— MANHÊ!!! — Exclamou Serena, com um rubor furioso tomando todo o seu rosto e era quase possível ver vapor saindo de sua cabeça devido a tamanha timidez.

 

Serena sabia que era quase impossível esconder tais segredos. Infelizmente, ela sempre foi péssima em mentir. E tudo isso se resumia a uma pessoa especial em sua vida. Um garoto conhecido como “Ash Ketchum”.

 

Com isso Grace não pode evitar de recordar de memórias antigas, sobre como foi a imensa mudança que sua filha sofreu ao longo dos anos. Era como se fosse ontem.

 

Durante sua infância, Serena sempre fora uma garotinha bastante solitária. Ela tinha uma enorme timidez que dificulta em criar amizades com as crianças ao seu redor.

 

Quando Serena tinha 6 anos, Grace estava preocupada que essa característica de sua filha a longo prazo poderia causar problemas futuros em sua adolescência. Porém, um dia, ela soube de uma notícia de um amigo próximo de sua família, o renomado professor Sycamore.

 

Durante uma de suas visitas a Vaniville, Grace e ele conversaram, e ele se recordou que um de seus grandes amigos, professor Samuel Oak iria realizar naquele mês um “Acampamento de Verão”, onde crianças poderiam se reunir em um evento de duas semanas com aulas e gincanas relacionadas com Pokémon, que não só ensinavam mas também permitiam que as crianças pudessem interagir em um ambiente próximo a natureza

 

Aquelas palavras deixaram a mulher bastante animada. Era a oportunidade perfeita para que Serena pudesse ter a chance de criar laços e amadurecer. Contudo, ela sabia que não seria uma tarefa simples de convencê-la.

 

Serena odiava sair de sua zona de conforto, principalmente de seu quarto onde passava a maior parte do tempo brincando sozinha, isso quando ela não ajudava sua mãe nas atividades do dia e praticava para ser uma corredora de Rhyhorns, algo que ela claramente odiava e Grace descobriu isso tempos depois.

 

Naquele mesmo dia, ao anoitecer, Grace teve uma conversa com sua filha e explicou sobre o acampamento. É claro que Serena protestou firmemente, mas Grace insistiu e depois de uma discussão longa, ela prometeu que, caso ela aceitasse participar e se comportasse, ela poderia pedir por qualquer coisa e ela realizaria para ela.

 

A teimosia da garotinha era forte, mas a proposta de sua mãe era enormemente tentadora para se negar. Com isso, Serena a contra gosto aceitou o acordo.

 

Quando chegou o dia, elas pegaram o avião e partiram para a região de Kanto, mais especificamente para a pacata cidade de Pallet. Lá, sua mãe deixou aos cuidados do professor Oak, que estava entusiasmado em saber que haveria tantas crianças de outras regiões em seu evento.

 

Ela então deixou Serena por lá, dizendo que a veria no final do dia para saber se ela havia gostado do evento, pois ela queria estar próximo de sua filha durante o primeiro dia do evento. Com isso, Grace então partiu para a cidade próxima, Viridian para se acomodar em um hotel próximo, já que em Pallet não havia tais acomodações.

 

No entanto, ao final do dia, ela teve uma imensa surpresa. Quando foi visitá-la ao entardecer, ela se surpreendeu em ver que sua filha parecia... levemente mais animada que o normal.

 

Grace não esperava que aquilo tivesse acontecido.

 

Mais tarde, ela conversou com o professor e foi explicado que, infelizmente, Serena havia se perdido das outras crianças durante um passeio pela floresta, pois seu chapéu havia voado para longe com a brisa, e ela se separou do grupo do professor.

 

Samuel enfatizou que, após notar a ausência da garota, rapidamente começaram a procurá-la mas ninguém a encontrou. Bem, na verdade, uma pessoa a encontrou.

 

A pessoa que a encontrou foi um garoto chamado Ash Ketchum, que a encontrou e a trouxe de volta para o grupo, inclusive, enfaixou seu joelho, pois a menina havia tropeçado e se machucado.

 

Aquela história deixou Grace impressionada. Ela viu o quão arrependido Samuel estava, e o perdoou tranquilamente, e o mais importante, ela viu que sua filha estava feliz. Ela parecia vívida como nunca antes a havia visto, ainda mais perto de uma, algo que Serena jamais tinha a coragem de estar.

 

 Ela então foi agradecer Ash pela sua ajuda. Com isso, ela notou que ao conhecer também a mãe do garoto, Delia Ketchum, ela notou que eles eram pessoas com um espírito caloroso.

 

Enquanto ela conversava com a mãe do garoto, ela notou o quão grudenta Serena estava ao lado de Ash, nunca deixando seu lado, o que o garoto também apreciava, pois Delia afirmou que Ash também era bastante solitário, já que ele sofria bastante represália dos outros meninos.

 

Após perguntar se Serena gostaria de ficar no acampamento, ela disse envergonhada que sim. Grace ficou emocionada ao ver que estava tendo um progresso.

 

Ela estava então decidida a retornar para Kalos, entretanto, Delia insistiu que Grace ficasse em sua residência. Grace tentou recusar, entretanto, Samuel também incentivou, pois ele afirmava que a família Ketchum era uma das que ele depositava grande confiança.

 

A kalosiana então, notando que sua filha estava bastante apegada ao garoto, sentiu que poderia ser uma experiência positiva para sua filha, o que a fez aceitar a oferta.

 

Após as duas semanas do acampamento se encerrarem, era a hora de ela e sua filha retornarem para Kalos. Entretanto, fora uma experiência bastante dolorosa para ela. Afinal, Serena e Ash haviam criado um vínculo extremamente forte no pouco tempo em que permaneceram juntos.

 

Porém, antes de Serena entrar no taxi, Delia sugeriu uma última foto juntos. Posteriormente, Ash fez um pedido a Serena. O moreno perguntou se, quando crescessem e se tornassem Treinadores Pokémon, se ela não gostaria de viajar com ele.

 

Serena ficou bastante tímida e não soube dar uma resposta, mas disse que iria pensar e responder assim que possível. Após isso, prometeram manter contato sempre, para que sua amizade prevalecesse mesmo a distância.

 

Grace então, ficou pensativa sobre todos os eventos que ocorreram,

 

Um pouco depois de retornar para Kalos, Serena relembrou sua mãe sobre a promessa que fizeram quando ela terminasse o acampamento. Ela então respondeu qual era o seu desejo. Serena gostaria de viajar com Ash.

 

Em meio a gaguejos mas com uma expressão resoluta, Serena expressava que, ela não gostava de corrida de Rhyhorns, mesmo tendo talento, ela não queria seguir com aquilo. Ela queria fazer algo que ela realmente quisesse, que era se tornar uma Treinadora e seguir viajando com Ash.

 

Grace não evitou ficar levemente desapontada por isso, afinal, Serena tinha um certo talento para herdar seu legado, entretanto, ela estava ainda mais feliz por saber que sua garotinha havia dado um salto de amadurecimento.

 

Não só isso, ela também havia encontrado um bom amigo, ao qual também gostava de sua presença.

 

Emocionada, Grace aceitou sem pestanejar e tratou de ligar para Delia, para que as duas crianças pudessem conversar. Serena então deu sua resposta ao garoto, que também ficou bastante animado e mal podia esperar para que tal dia chegasse.

 

Desde então, conforme os anos se passaram, Grace pode ver que Serena havia tido um bom crescimento. Não só em seus atributos físicos que a deixaram atraente, mas também mentalmente, se tornando mais animada e proativa. Obviamente, ela enxergava que ainda havia muita timidez e pontos a melhorar, mas ela caminhando bem.

 

Grace então pode olhar para sua querida filha em seus 15 anos com um sorriso.

 

— Falando nisso, não se esqueceu da... — A Yvonne madura se lembrou de um detalhe importante, mas antes que pudesse terminar, Serena já tomou a palavra.

 

— Ah sim. Não se preocupe. Eu jamais me esqueceria dela. — Serena respondeu empolgada, revelando uma esfera vermelha que ao apertar de um botão, aumentou seu tamanho. — Pode sair, Fenniken!

 

Serena respondeu empolgada, revelando uma esfera vermelha que ao apertar de um botão, aumentou seu tamanho. — A minha Poké Ball está aqui! Saia, Fenniken!

 

Ao arremessar a esfera, uma luz azul cintilante, uma criatura pequena se manifestou na sala de estar.

 

Era um Pokémon raposa de tons amarelados. Seus olhos refletiam a chama de sua tipagem, assim como na coloração de suas orelhas longas e na ponta de sua cauda.

 

— Fenniii! — Latiu a pequena raposa de fogo feliz por estar fora da Poké Ball mais uma vez.

 

— Ei, Fennekin. Em breve, iremos partir para um lugar onde iremos viajar juntos com novos amigos. Está pronta? / Fenniiiken! — Indagou Serena acariciando o pelo de Fennekin.

 

— Fenniiiken! — A Pokémon respondeu com um “sim” cheio de entusiasmo.

 

— Bem, isso é ótimo. Já que estão prontas, acho melhor irmos. O professor Sycamore já deve estar chegando para nos levar ao aeroporto. — Mencionou Grace.

 

— Claro, mãe. Vamos indo, Fennekin! — Disse a caramelada, chamando sua parceira.

 

Com isso, Serena pegou sua mochila, e todos foram para o lado de fora. Antes de sair, ela decidiu se despedir do outro mascote da família.

 

O Pokémon estava deitado dentro de sua casa de madeira. Ele era um ser de grande porte quadrúpede de pelagem cinzenta, semelhante a uma armadura. Sua maior marca era seu chifre único localizado na ponta de seu nariz.

 

— Estou indo, Rhyhorn. Obrigado por tudo. — Falou a jovem, fazendo um pequeno carinho no rosto do Pokémon terrestre.

 

— Rhyyyy! — Rhyhorn preguiçosamente acenou de volta com grunhidos.

 

Serena fazia questão de agradecê-lo, afinal, por mais que ela tivesse feito todos os treinos de corrida a contra gosto, ela criou um laço forte com o Pokémon rinoceronte. Isso também se aplicava ao pequeno Fletching, que apesar de seu dever controverso de funcionar como seu despertador a base de bicadas, ele não o fazia por mal.

 

— Vamos indo, Fennekin! / Fen! — Exclamou Serena, o que Fennekin concordou e logo a passos rápidos, Serena se juntava a sua mãe para ir ao ponto esperar pela carona.

 

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Um dia antes, na região de Kanto, localizada a sudeste da região, havia uma cidade distante do interior chamada de Pallet. Aquele pequeno vilarejo era um local ideal para residir e desfrutar de dias tranquilos e com uma paisagem verdejante e um lindo céu azul.

 

Entretanto, apesar de tais qualidades, as opções para se desenvolver dentro de Pallet eram escassas. Haviam apenas poucas opções disponíveis para que um cidadão pudesse escolher, como ser um agricultor ou mercador.

 

Dessa forma, havia apenas um caminho que possibilitava que a população do vilarejo pudesse ter a chance de encontrar novas oportunidades de emprego, e esta era: se tornar um Treinador Pokémon.

 

Os adolescentes que atingiam a faixa etária dos 14 anos de idade, poderiam ter o direito de conseguirem se tornar Treinadores.

 

Era um ano com um enorme significado para os jovens e uma oportunidade de experienciar uma aventura de crescimento e amadurecimento.

 

Era volta das 23:00, um adolescente de cabelos negros de pele bronzeada ainda se mantinha acordado. Ele tinha marcas de riscos no rosto, que eram uma marca de nascença bem caraterística no garoto.

 

Naquele momento, o garoto estava sentado no chão de seu quarto assistindo em sua televisão uma fita gravada do Mundial Pokémon. Mais especificamente, ele estava empolgado ao ver uma batalha entre um de seus ídolos, Bruno, batalhando contra Agatha, ambos eram Treinadores que participavam de um grupo renomado e respeitado conhecido como “Elite Four”.

 

 Ambos estes dois estavam finalmente prestes a usar seus Pokémon principais. De um lado, Bruno acaba de lançar sua Poké Ball no campo de batalha, e após se abrir, surge uma serpente gigante feita inteiramente por rochas. O Onix de Bruno se manifesta rugindo, enquanto Agatha mantinha seu Pokémon fantasma violeta com seu enorme sorriso travesso, Gengar.

 

Ash sempre permanecia empolgado ao ver essa parte, pois ela foi uma das batalhas mais icônicas entre os Treinadores entusiastas. Ele mal podia esperar para aquele confronto épico começar.

 

— É isso... é isso que eu desejo ser. — Ash então se levantou do chão e pegou de sua cama, uma Poké Ball de pelúcia em forma de Voltorb. Ele então ajeitou seu boné, com uma pose de Treinador. — Um dia, eu vou me tornar um Mestre Pokémon. Eu serei o maior e o melhor que já existiu.

 

Ash disse em alto e bom som. Todavia, de forma súbita, alguém abre a porta do quarto e interrompe a empolgação do garoto.

 

— Ash Ketchum! Eu já disse a você que não era para ficar acordado até tarde hoje, filho! — Gritou Delia, incomodada pelo barulho e pelo seu menino ainda estar acordado naquele horário.

 

— Me desculpa, mãe! Eu apenas queria assistir a fita do Mundial antes de dormir! — Falou Ash, tentando argumentar.

 

— Querido, eu sei que está ansioso, só que é exatamente por isso que você deveria ir dormir cedo, afinal, amanhã você irá ir ao laboratório do professor Oak. Imagina se você por acaso chegar atrasado? — Indagou a mãe, deixando Ash com uma expressão de nervosismo.

 

Ele realmente temia essa possibilidade, até porque, ele sabia que se chegasse atrasado, ele não só seria mal visto pelo professor, mas também haveria chances de ele não conseguir um Pokémon, algo que ele claramente gostaria de evitar.

 

— Além disso... — Delia continuou. — Você não se esqueceu de que você tinha prometido viajar com uma pessoa especial? — Questionou a mãe com um leve sorriso.

 

— M-mas é claro que não! Isso jamais aconteceria! — Exasperou-se o moreno ao ouvir a frase se referindo a tal pessoa.

 

Delia não pode evitar de sorrir ao ver seu filho corar quando o assunto se tratava daquela pessoa.

 

— Vocês já sabem onde irão se encontrar, não é? Já está tudo combinado corretamente entre vocês? — Delia perguntou.

 

— Sim, mãe. Eu e ela já combinamos tudo. Iremos nos encontrar na próxima cidade assim que pegarmos nossos Pokémon. — Confirmou o garoto.

 

— Bem, então mocinho, é melhor ir para a cama cedo. Isso se quer ter a certeza de cumprir suas promessas. — Delia ressaltou.

 

— Hum... tudo bem. Você está certa. — Ash concordou. Ele não havia gostado de ser interrompido, mas ele sabia que sua mãe estava certa. E também, ele não gostaria de decepcionar aquela pessoa.

 

— Muito bem. Boa noite, querido. — Despediu-se Delia beijando a testa de seu filho, posteriormente saindo e deixando a sós novamente.

 

O moreno então começou a se ajeitar e logo que arrumou sua cama e colocou seu pijama, desligou tudo e se deitou.

 

Olhando pela janela que mostrava o seu estrelado, ele começava a repensar sobre o assunto com sua mãe.

 

Para Ash, era impossível de se esquecer dela. Eles fizeram aquela promessa e o garoto sempre foi uma pessoa que fazia questão de cumprir com sua palavra.

 

Serena Yvonne, sua amiga de infância. Uma garota que ele conhecera no Acampamento de Verão do professor Oak quando tinha seis anos. A forma como se conheceram foi realmente fora da curva.

 

Ash havia encontrado a garotinha com chapéu de palha caída assustada na grama dentro do bosque. Ele a avistou e a ajudou a se levantar e apesar da pequena Serena chorar de dor pelo seu joelho, ele se manteve positivo para ela. Ele disse sua frase de efeito “Nunca desista até que acabe”.

 

Aquelas palavras pareciam ter surtido efeito e logo após um tempo, ele conseguiu levá-la de volta em segurança até o resto do grupo. O que o moreno não esperava era que, a partir daquele dia, uma imensa amizade se desenvolveria entre eles, e com isso, ela se tornou uma companhia inseparável durante aqueles dias.

 

Infelizmente, a garota que era nativa da região de Kalos e sua mãe havia vindo buscá-la. Contudo, os dois mantiveram contato, e após muitas conversas, ambos fizeram uma promessa.

 

“Quando tivermos 14 anos, poderemos nos tornar Treinadores Pokémon. Assim que isso acontecer, iremos viajar juntos.”

 

Essa era a promessa que Ash e Serena fizeram. E enfim, amanhã seria esse dia. Serena havia conseguido sua passagem recentemente e pegaria seu voo no dia seguinte assim que conseguisse seu Pokémon.

 

O combinado era que os dois se encontrariam na cidade mais próxima e vizinha de Pallet, Viridian. Ash e ela se encontrariam no Pokémon Center e dali, partiriam juntos.

 

Ele ansiava em vê-la novamente após tantos anos. Como será que ela estava atualmente? Ela era pequena e fofa quando criança, mas e agora? Só o amanhã responderia a sua pergunta. Enquanto, Ash adormecia lentamente e rezava internamente que pudesse dar tudo certo.

 

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Enfim, o dia amanheceu. Era por volta das nove da manhã e Ash finalmente estava devidamente arrumado. Ele se olhou no espelho apenas para ter certeza de que tudo estava nos conformes.

 

Ele colocou seu traje favorito. Uma camisa preta, com uma jaqueta azul com botões amarelos, além de um par de luvas de dedos esverdeadas. Na parte da cintura, ele colocou sua calça clara e seus tênis pretos.

 

Ele também não esqueceu do mais importante. Ele jamais conseguiria sair e desbravar o mundo sem seu boné para lhe transmitir confiança. Este icônico item foi o último presente que ganhou de seu falecido pai e Ash guardou essa memória com um imenso carinho durante sua vida.

 

Após uma checagem completa, ele estava pronto. Ele desceu até o andar de baixo para pegar sua mochila. Sua mãe o esperava perto da porta de entrada da casa.

 

— Como se sente, querido? Delia perguntou, vendo que seu filho acordara disposto.

 

— Estou ótimo. O café da manhã estava incrível, mãe. — Elogiou Ash. Sua mãe havia feito seus pratos favoritos, com panquecas e achocolatado. Ela queria ter certeza que seu filho teria comido bem antes de partir.

 

— Obrigada, filho. Eu queria que você tivesse uma excelente refeição, afinal, daqui para frente, você terá que se virar sozinho. — Delia disse, com um olhar levemente triste.

 

Ela sabia que era chegado o momento em que seu filho sairia de baixo de suas asas. Era um evento inevitável na vida dos adolescentes e ela só esperava que seu filho ter uma jornada segura.

 

— Eu arrumei toda a sua mochila e além das roupas e agasalhos, coloquei um lanche extra caso precisar. — Explicou a mãe.

 

— Obrigado de verdade, mãe. Prometo que quando voltar, eu serei um grande Treinador. — Disse Ash, com um olhar determinado.

 

Delia emocionada, abraçou seu filho. Ash retribuiu o amor de sua mãe com a mesma intensidade. Está seria não seria a última despedida dos dois, mas por um longo período de tempo, eles não se veriam.

 

— Boa sorte, querido. Tenha uma boa viagem. — Despediu-se Delia.

 

— Tchau, mãe. — Ash disse, antes de se desvencilhar do abraço apertado. Após isso, o garoto pegou sua mochila e partiu em disparada até o laboratório.

 

Ash sequer conseguia conter a empolgação. Ele continuava a aumentar a velocidade, não vendo a hora de chegar ao topo da colina onde estava a residência do renomado pesquisador da região de Kanto.

 

Para a sorte do moreno, não demorava muito para chegar a tal destino, pois em menos de cinco minutos, Ash já subiu a colina e chegou a frente do local. A residência do professor era enorme, com um enorme moinho de vento que podia ser visto a distância.

 

— Olha só! Se não é o Ashzinho! — Disse uma voz com um tom provocativo.

 

Essa voz... — Ash reconhecia aquela voz. Ele sabia muito bem de quem se tratava aquele tom arrogante. — só poder ser... o Gary!

 

Ao se virar para o lado, estava um rapaz de cabelos castanhos com um topete. A cor de seus olhos eram um marrom-escuro, além disso, usava uma camisa de mangas longas de cor púrpura, com um colar de yin-yang verde e amarelo. Suas calças eram cinzas e usava botas alaranjadas. Seu rosto expressava um sorriso convencido que o moreno tanto odiava.

 

— Eu estou realmente impressionado que você tenha conseguido sair da cama cedo. Pensei que chegaria atrasado como sempre, mas parece que me enganei dessa vez. — Provocou Gary novamente.

 

— Foi mal, Gary. Mas não estou afim de ouvir o seu falatório hoje. Vim aqui para pegar meu Pokémon. — Ash tentou não continuar a conversa, se direcionando até a porta da frente do laboratório.

 

— Você é idiota? Quem disse que você vai pegar o Pokémon primeiro? Sou eu que irei ter essa honra! — Enfatizou o castanho.

 

— Não pense que só porque é o neto do professor você é automaticamente o primeiro da fila, Gary. Eu cheguei primeiro. — Respondeu Ash com raiva.

 

Ash se lembrava que, desde que eram pequenos, eles nunca se deram bem. Infelizmente, a arrogância de Gary sempre era um veneno que Ash foi obrigado a inalar durante bastante tempo contra a sua vontade. Não importa o local ou o quanto o rapaz se esforçasse, o neto da família sempre estaria lá para enfatizar a inferioridade de Ash.

 

Gary também adorava demonstrar o quanto era inteligente apenas para se gabar perante as outras crianças, além de esbanjar o nome de sua família e sua riqueza sempre que surgia oportunidade, principalmente quando se tratava de Ash, que vinha de uma família simples.

 

Para o jovem Oak, sua vida se resumia em irritar o Ketchum. Bem, pelo menos até o dia de hoje, onde Ash finalmente acreditava que poderia dar a volta por cima.

 

— E por que você, o Lendário Sonhador de Kanto, seria o primeiro? Logo você, de todas as pessoas? — Indagou Gary, com uma leve indignação ao ouvir as palavras de Ash.

 

Aquilo foi o suficiente para o Ketchum. Ambos sabiam para onde aquela situação caminhava. As brigas entre os dois garotos já haviam se transformado em alto rotineiro sempre que estavam em um mesmo espaço.

 

— Parem aí mesmo! — Gritou uma voz feminina indignada.

 

Antes que uma briga se iniciasse, uma pessoa interrompia a discussão acalorada. Ash olhou para trás e viu a garota. Ele a conhecia muito bem. Ela tinha longos cabelos e olhos castanhos, vestia uma blusa regata azul claro, com uma saia vermelha curta, além de que ela usava meias brancas altas quase até os tornozelos e tênis brancos com detalhes vermelhos se assemelhavam como as cores de seu chapéu.

 

— Leaf Beech! Não se intrometa onde não foi chamada! — Resmungou Gary.

 

— É melhor pararem de brigar agora mesmo! Por acaso vocês querem que eu delate vocês para o professor Oak dizendo que estão brigando bem na frente da residência dele? — Ameaçou a jovem.

 

Naquele momento, Ash e Gary rapidamente se calaram. Incrivelmente, Ash sabia que Leaf podia fazê-lo. Ela era uma excelente amiga, mas ele a conhecia bem e sabia que ela cumpria muito bem com suas ameaças.

 

— Aff... é melhor se cuidar, Ashzinho! — Falou Gary. — Vou deixar essa passar por que eu desejo pegar meu Pokémon.

 

— Grrr... esse babaca... ele vai ver só... — Murmurou Ash, não suportando a presença de Gary.

 

Leaf apenas bufou ao ver os dois ainda dando olhares de soslaio um para o outro. Ela sabia que mesmo apartando as brigas, ainda permanecia um clima de tensão entre eles.

 

— Em primeiro lugar, lamento desapontar a vocês, mas não sei se lembram. O professor Oak explicou que a ordem de Pokémon escolhida será feita com base nas notas dos testes.

 

Ash e Gary se espantaram ao lembrar desse fato. Realmente, eles haviam se esquecido sobre o fator das notas.

 

Neste momento, Ash levemente se recordou do ano passado. Este fora um ano intenso e cheio de provações.

 

Para conseguir ter a chance de obter uma licença de Treinador e um Pokémon inicial, era necessário completar um curso preparatório conhecido como “Pokémon Academy Institute”, também conhecida como “Pokémon Academy”.

 

Era de conhecimento de que, todos os jovens que aspiravam se tornar Treinadores, podem fazê-lo ao atingir a faixa etária dos 14 anos. Através disso, eles poderiam solicitar uma inscrição para se matricularem na academia.

 

Diferente da “Pokémon Tech”, que era uma escola privada e que tinha como foco em formação de Treinadores Pokémon que não queriam buscar coletar Insígnias de Ginásio ou competir em Ligas, a Pokémon Academy era mais acessível.

 

Ela foi fundada pelo professor Oak com o auxílio de outros pesquisadores e cientistas com a intenção de ser uma instituição pública, para que assim pudesse abranger e fornecer recursos em prol de ensinar os adolescentes sobre como um Treinador deve se portar e sobre os desafios sobre uma jornada, além dos conceitos básicos sobre os Pokémon da região, classificação de tipos, entre outros detalhes cruciais como Ginásios e Liga.

 

Os estudantes permaneciam durante um ano na Pokémon Academy, e eles deveriam passar por duas etapas: a primeira etapa se tratava sobre os estudos teóricos e deveria ser finalizada com uma prova teórica com questões objetivas e discursivas.

 

Já a segunda etapa eram os estudos práticos, feitos através de batalhas em um aparelho tecnológico avançado chamado de “Pokémon Battledown”, que era um simulador de batalhas avançado semelhante a um videogame onde alunos poderiam escolher até 6 Pokémon para batalhar contra outros jogadores, e enfim, após um período, posteriormente seria realizado uma prova prática no próprio equipamento.

 

No começo, a Pokémon Academy era mais situada na região de Kanto, porém, conforme os anos se passaram, ganhou um enorme reconhecimento, e mais tarde, que foram criadas várias filiais em outras regiões, comandadas por outros cientistas renomados, com sua matriz sendo situada em Kanto.

 

Assim como todos os demais adolescentes da cidade, Ash ao completar seus 14 anos, se matriculou na Pokémon Academy. Infelizmente, no começo, o moreno tinha dificuldades em acompanhar as aulas e explicações. Todavia, Ash não desistiu e em prol de conquistar o seu sonho e de cumprir a sua promessa.

 

Eventualmente, ele conseguiu melhorar graças a muito esforço e dedicação. Mesmo assim, Ash era um aluno mediano, isso porque suas notas eram apenas um pouco acima da média, nunca conseguindo ir muito além.

 

Ao completar um ano, após muito suor, Ash conseguiu. Ele foi um dos 6 jovens a garantir notas boas o suficiente para conseguir se formar, garantindo assim o seu diploma de conclusão e sua licença de Treinador e seu Pokémon inicial.

 

Foi uma longa jornada até este momento. Ele internamente agradecia sua mãe, por serem ter dado apoio a ele e o incentivado a encarar as dificuldades.

 

— Hehehe! Bem, se formos olhar através dos testes, então, com certeza eu serei o primeiro. — Gary riu enquanto olhava de volta para Ash com uma expressão de deboche.

 

Ash ficou irritado, porém, dessa vez ele não tinha argumentos. Assim como ele, Gary e Leaf também conseguiram. Inclusive, ambos eram considerados os alunos com as melhores notas da classe. Se dependesse dos resultados das notas, ele quase certo que ele não seria um dos primeiros.

 

— Aaaa... Leaf suspirou profundamente. — Sinto te informar, Gary. Mas você não será o primeiro.

 

— Hein?! Do que diabos está falando? — Reclamou Gary, não conseguindo acreditar naquelas palavras.

 

— Há alguém além de nós que conseguiu a nota mais alta entre nossa turma. — Leaf explicou com um leve sorriso.

 

E neste momento, uma nova presença se manifestava diante do trio. Era um adolescente de cabelos escuros. Seus olhos frios possuíam uma coloração cinzenta. O rapaz estava usando um boné carmesim com um emblema de uma folha, além de vestir uma camisa cor de grafite e por cima um colete cor escarlate de mangas brancas. Além disso, caminhava casualmente com as mãos nos bolsos de sua calça clara e calçando um par de tênis brancos com detalhes de vermelho e azabache.

 

Gary rapidamente mudou seu humor calmo e presunçoso para uma expressão de desgosto.

 

— Red... — Gary rosnava para o outro adolescente que sequer mudou sua fisionomia.

 

— Red... — Disse Leaf, enquanto tentava não se sentir intimidada pelo olhar frígido do garoto de vermelho.

 

Ash rapidamente reconhecera a figura. Entre todos os aprendizes do professor Oak, havia um que se destacou entre todos os demais. Este jovem era conhecido como Reddy Stem, porém, mais conhecido pelo seu apelido icônico de Red.

 

— Entendo. Parece que enfim, todos estão presentes. — Disse Red sem esboçar qualquer surpresa, enquanto os demais adolescentes entendiam que de fato era real, pois todos os formandos da Pokémon Academy foram reunidos.







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