Pokémon: TLD - Capítulo 02: A Decisão Importante
No
aeroporto luxuoso de Lumiose, Serena já estava se dirigindo para a sala de
embarque, mas não sem antes de se despedir.
—
Bem, estou indo, mãe. / Fenniii! — Disse Serena, sabendo que havia chegado a
hora.
Grace
estava emotiva, afinal de contas, sua filha sempre foi muito apegada a ela
desde sempre, então vê-la partir em uma jornada pelo mundo longe de seus olhos
era algo que a deixava nervosa. Mas ela sabia que era assim que as coisas
deveriam ser.
—
Serena, é melhor não esquecer de fazer como combinamos, certo? Não se esquece
de pegar a sua Pokédex com o professor Oak. — Comentou o homem ao lado de
Grace.
Ele
era alto, com cabelos grandes e bagunçados. Vestia uma camisa social com um tom
azul profundo, além de usar um jaleco alvo de cientista, além de usar calças
escuras e sapatos sociais. Este também era um grande amigo da família, o
respeitado professor, Sycamore Platanus.
Desde
cedo, o professor era conhecido como o maior pesquisador relacionado a um poder
misterioso conhecido como “Mega Evolução”, um novo patamar de evolução dos
Pokémon.
Sycamore
desde cedo sempre foi um apoio próximo da família Yvonne, pois o pai de Serena
possuía uma grande amizade com o cientista. Infelizmente, ele havia falecido
quando Serena ainda era muito jovem devido a uma doença incurável, porém não
antes de pedir para que seu amigo protegesse sua família.
Sycamore
assentiu e assim seguiu observando Serena e garantindo sua segurança, assim
como de Grace. Inclusive, Serena participou da “Pokémon Academy” em Lumiose,
sendo uma aluna bastante inteligente e uma das mais aplicada em sua classe.
A
garota também foi um dos únicos de seus alunos a garantir as notas mais altas,
demonstrando a força de seu empenho em sempre buscar conhecimento e se esforçar
nos estudos.
Sycamore
gostaria que seu amigo pudesse estar vivo para ver o quão incrível sua filha
havia se tornado.
—
Não se preocupe, professor Sycamore! Não irei esquecer. Inclusive, eu comentei
com Ash sobre isso e pedi para que ele pegasse a minha Pokédex e trouxesse para
Viridian para adiantarmos o progresso. — Comentou a jovem Yvonne.
—
Entendo. Então Ash será o seu parceiro de jornada, certo? Foi por isso que você
decidiu viajar por Kanto ao invés de Kalos, correto? — O professor analisou com
um sorriso brincalhão.
—
O amor é lindo, não é mesmo, professor? — Brincou Grace, não evitando provocar
a filha.
—
MANHÊ!!! P-pare de me envergonhar na frente do professor! — Disse Serena com
raiva, enquanto escondia seu rosto com um tom vermelho semelhante a um tomate
maduro.
Os
dois adultos não puderam evitar de rir da timidez da garota, principalmente
quando se mencionava sobre o nome de Ash.
—
Mas agora, falando sério. Serena, é de extrema importância que você obtenha o
aparelho, já que infelizmente, a tecnologia ainda não avançou o suficiente para
que o banco de dados dos Pokémon de cada região pudessem ser compartilhados, o
que faz com que a nossa Pokedex de Kalos não funcione na região de Kanto. —
Sycamore explicou detalhadamente.
Serena
respondeu com um aceno. Ela compreendia perfeitamente que, era imprescindível
obter tal tecnologia, pois ela não só permitia analisar e coletar dados os
Pokémon nas regiões, mas também funcionava como uma identidade digital.
Dessa
forma, sem ela em mãos, Serena não poderia sequer entrar em alguma cidade sem
qualquer identificação consigo, e para os Treinadores, a Pokédex era um recurso
vital.
—
Serena. — Grace chamou por sua filha.
A
garota mal conseguiu responder, antes que sua mãe a puxasse para um abraço
apertado.
—
Serena, espero que tenha uma boa viagem. Saiba que estarei sempre torcendo por
você, e que... eu sentirei muito a sua falta. — Grace disse, deixando uma
lágrima escorrer pelo seu rosto.
Serena
retribuiu o abraço, fechando os olhos.
—
Eu também sentirei, mamãe.
—
Tenha uma boa viagem, Serena. — Sycamore disse, despedindo-se de sua aluna.
—
Obrigada, professor. Agora, estamos indo. — Expressou a caramelada, se
despedindo dos dois e seguindo enfim para a área de embarque.
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Naquele
momento, Ash ficou sério. Ele conhecia aquele garoto. Na verdade, não havia
ninguém em toda a Pallet que não o reconheceria.
Reddy
Stem, conhecido pelo apelido icônico de Red. Desde criança, Ash sempre o
achou uma pessoa... estranha. Diferente dos outros, ele sempre era bastante
frio e de poucas palavras.
No
vilarejo, Ash nunca teve muitas amizades, sendo sua amiga Serena a mais
próxima. Leaf foi uma das poucas pessoas do local que o tratou bem, claro que
ela não mediria esforços em repreendê-lo caso ele estivesse fazendo algo
estúpido. Gary nunca foi alguém que ele pode chamar de amigo, muito pelo
contrário, sendo declarado seu inimigo jurado. Entretanto, Red era um caso
diferente.
Os
dois não conversaram muito, e as poucas interações que tiveram não duraram nem
sequer cinco minutos de conversa. Ele também nunca o incomodou, mas também não
fez nada para ajudá-lo, dessa forma, sendo considerado uma relação neutra.
Entretanto,
Ash tinha um pouco de inveja do garoto. Red, desde cedo, ele sempre foi
bastante atlético e talentoso, inclusive, se tornando o garoto mais popular
entre as garotas.
Mesmo
não sendo extremamente inteligente como Gary e nem muito estudioso como Leaf, o
rapaz era um prodígio nato, sendo capaz de aprender rapidamente conceitos
complicados e replicá-los logo em seguida.
Principalmente
durante os testes práticos, onde Red era basicamente imbatível. Não havia
nenhum aluno que foi capaz de derrotá-lo uma única vez.
Ash
não tinha qualquer rancor sobre ele, na verdade, ele o respeitava e esperava se
tornar forte o suficiente para derrotá-lo algum dia. Contudo, havia alguém que
tinha aversão pelo garoto prodígio.
Desde
sempre, Gary nutria uma inveja de Red, pois para ele, Red foi aquele que tomou
os holofotes. As garotas se derretiam por ele, a população de Pallet também o
adorava, afinal de contas, o garoto ajudou vários moradores do vilarejo em suas
tarefas. Essa grande atenção que Red recebia era algo que ele tanto desejava.
Gary
ansiava ser aquele que carregaria toda a Pallet em seus ombros, entretanto, ele
sempre era ofuscado pela presença do Treinador de jaqueta vermelha.
Inclusive,
ambos eram as grandes apostas do professor Oak para se tornarem grandes
Treinadores Pokémon. Mas... Red era sempre o mais citado e elogiado, até mesmo
por seu avô.
Ele
não podia tolerar ter toda a sua glória roubada. E devido a isso, uma
rivalidade gigantesca se iniciou entre eles, nitidamente mais por parte de Gary
do que do próprio Red.
Enquanto
isso, Ash sempre fora jogado de escanteio pelos dois. Nenhum deles enxergava o
garoto como um rival em potencial. Ele sempre esteve ali, distante e esquecido.
De
repente, Gary parecia ter retomado a sua expressão habitual. Ele sorriu
presunçosamente, tentando demonstrar não se abalar para o seu rival jurado.
—
Ei, Red. É bom que tenha vindo. Mal vejo a hora de pegarmos nossos Pokémon para
que eu possa demonstrar a você o quão melhor Treinador eu sou em comparação a
você. — Apontou Gary, declarando sua superioridade.
Red
apenas bufou. Ele não parecia impressionado ou intimidado, ao invés disso, ele
apenas deu de ombros e se virou, andando em direção a uma árvore próxima, onde apoiou
suas costas e cruzou os braços.
—
Ei! Está bancando o covarde, é? Vamos lá! Diga algo! — Reclamou o provocador.
Ash
e Leaf apenas observavam, porém, Red sequer mudou sua expressão impassível. Ele
apenas disse uma frase.
—
Bem, eu não estou vendo nenhum Treinador como este aqui agora.
Ash
não podia negar que aquela frase também o afetava, deixando-o com uma sensação
amarga, já que Red generalizou todos os presentes com seu comentário.
Porém,
ainda mais do que o Ketchum, aquela resposta com certeza deixara Gary com os
nervos à flor da pele.
—
Ora seu... — O jovem Oak estava prestes a começar outro confronto, mas antes
que Leaf pudesse tentar apartar a briga, uma outra figura se fazia presente.
—
É melhor não estarem brigando diante da minha presença, garotos. — Exclamou uma
voz firme e rouca, que fez todos voltarem seus olhares para a porta de entrada.
A
porta do laboratório havia se aberto e de dentro dela, um homem alto com uma
silhueta volumosa. Ele tinha cabelos curtos e grisalhos, além com uma face
enrugada, demonstrando sua alta idade. Ele também usava uma camisa polo marrom
claro, além de estar com seu jaleco branco de cientista. Suas calças eram bege
e seu sapatos possuíam cores semelhantes a grãos de café torrados.
Ele
era ninguém menos que a figura de maior autoridade e reputação na comunidade
científica e acadêmica no mundo Pokémon. Seu nome era “Samuel Oak”.
Todos
pareciam ter se calados mediante a presença do professor. Samuel, após notar
que o clima havia esfriado entre eles, sentiu que agora poderia retomar ao
assunto principal daquela manhã.
—
Caham! Muito bem, pessoal. Vejo que todos vieram no horário combinado sem
quaisquer atrasos. Devo elogiá-los por isso e sinto que com isso, as coisas
serão resolvidas sem problemas. Vamos entrando e logo poderei entregar seus
Pokémon. — Chamou o cientista, e logo depois, o quarteto adentrou na residência
em silêncio.
Adentro
na residência, o grupo de jovens foi direcionado pelo professor até a sala
principal. Os adolescentes já estavam familiarizados ao ambiente cheio de
máquinas com luzes piscantes no canto da sala, além de várias estantes de
livros altas.
Haviam
também várias mesas cheias de papéis e artigos de pesquisas espalhados, além de
algumas molduras com diversos mapas além da própria região de Kanto.
No
entanto, o que mais chamava a atenção era uma mesa central, e em cima dela,
continha 3 esferas bastante familiares apoiadas na superfície lisa.
—
Aquelas são... — Murmurou Ash, tentando segurar as emoções.
—
Exatamente, Ash. Essas são as Poké Ball que serão entregues para aqueles que se
tornaram Treinadores Pokémon. — Informou o cientista.
Todos
pareciam ansiosos, e não era para menos, afinal, era enfim chegado o momento
que todos esperavam.
—
Bem, agora que estamos aqui, é chegada a hora. — Samuel começou a falar com um
semblante sério e focado. Todos os quatro estavam ansiosos, e não era para
menos, afinal, era enfim chegado o momento que todos esperavam.
—
Como vocês bem sabem, para conseguir obter a sua licença de Treinador, é
necessário primeiro atingir a faixa etária dos 14 anos. A partir daí, é que um
jovem poderá solicitar sua matrícula na Pokémon Academy, e assim que conseguir
terminar um ano letivo, passando pelas avaliações teórica e prática. E dessa
forma, este poderá conquistar seu diploma de conclusão, e por fim, sua licença.
— Recordou Samuel.
Após
isso, o professor esboçou um sorriso singelo. Ele observava seus alunos em sua
frente.
—
Estou orgulhoso em saber que aqui, vocês não só foram alunos excepcionais, mas
que também poderão se tornar grandes promessas para a cidade de Pallet.
Ash
e Leaf sorriam alegremente, pois sentiam lisonjeados por tais expectativas e
por terem. Gary esboçava um enorme sorriso, inflando ainda mais o seu ego,
enquanto Red permanecia com uma reação neutra de sempre com as suas mãos nos
bolsos. Entretanto, em seu rosto, de forma sutil e quase imperceptível, havia
uma curvatura em seus lábios. Fora algo que somente o professor conseguiu notar
devido a convivência com o seu aluno.
—
Mas bem, acho que estou alongando demais este momento. Vamos ao que interessa. —
O professor então se dirigiu até a mesa e pegou uma das Poké Balls. — Agora,
irei revelar os três Pokémon iniciais. E este... é primeiro!
Ele
ativa a Poké Ball e ela se abre, revelando o primeiro. O Pokémon parecia um
pequeno sapo quadrúpede de coloração esverdeada, com olhos vermelhos vivos e em
suas costas estava um imenso bulbo de planta.
—
Este é o Bulbasaur! O Pokémon do tipo Grama! / Bulbaa! — Revelou Samuel. Bulbasaur
cumprimentou a todos de maneira simples e amigável.
Ash
e Leaf pareciam ser a dupla mais empolgada, enquanto Gary não parecia tão
atraído pelo Pokémon natureza.
—
Agora, este é o segundo! — O cientista rapidamente pegou a próxima Poké Ball e
trouxe o Pokémon para fora.
O
próximo a se manifestar era um Pokémon reptiliano bípede de tons azulados. Sua
pele era em uma coloração azul bebê, além de ser semelhante a uma tartaruga com
olhos vermelhos confiantes, além de suas patas terem três dedos pontudos. Seu
casco possuía uma coloração amarronzada na parte superior e amarela na parte
inferior, e por fim, sua cauda possuía um formato de uma onda.
—
Este é o Squirtle! O Pokémon do tipo Água! / Squiiir! — Apresentou o velho Oak,
enquanto a tartaruga girava em tornou de si mesma, adorando a atenção do
público.
Gary
olhou para o pequeno ser com um interesse aguçado, pois havia gostado da
atitude confiante do pequeno.
—
E este é o último dos três. Saia para fora! — Chamou o professor que logo
ativou a esfera restante.
Este
outro era também uma espécie réptil bípede, porém, ao contrário do anterior,
este era quente. A aparência do monstrinho era de uma lagartixa de tons
alaranjados, sua barriga e partes inferiores eram de coloração de um creme
claro, os olhos eram azuis intensos e sua cauda longa continha uma chama
pequena.
—
Este é o terceiro, Charmander! Tipo Fogo! / Chaarr! — Ao dizer seu nome, o
Pokémon bateu com seu rabo no chão, deixando pequenos traços de poeira e brasas
se dispersarem no ar com um sorriso.
Ash
e Leaf se impressionaram com a personalidade forte do último. Gary sentiu que
aquele seria um baita encrenqueiro, então, preferiu deixar passar. Por outro
lado, Red sentiu algo naquele ser.
O
professor observou seus alunos e cada uma de suas reações de forma
satisfatória. Com isso, ele finalmente decidiu que estava na hora.
—
Enfim, estes aqui são os iniciais primários. Agora, é chegada a hora. Irei
anunciar com base nas notas a ordem para resgatar seu Pokémon. — Explicou
Samuel, indo até o balcão ao lado e pegando uma prancheta com algumas folhas de
anotação. — Entretanto, devo ressaltar que, há apenas três iniciais primários.
Caso um de vocês não obtenha um dos três, ainda temos a leva dos iniciais
secundários, então, fiquem tranquilos, crianças. Todos vocês saíram daqui com
um Pokémon.
Neste
momento, Leaf ergueu sua mão para o alto.
—
Ah sim, Leaf. Alguma dúvida? — Perguntou o velho Oak.
—
Com licença, professor. Minha dúvida é: qual a diferença dos iniciais primários
para os secundários? — Questionou a garota de chapéu branco.
—
Bem, a diferença é bem simples. Os primários são Pokémon considerados mais
raros para se encontrar na natureza do que os Pokémon secundários, que são
levemente mais comuns no quesito de raridade.
Gary
soltou uma gargalhada ao ouvir aquilo.
—
Heh? Então significa que os outros Pokémon são a ralé? Foi mal pessoal, mas
Gary só aceita aqueles que são da elite como ele! — Declarou arrogantemente.
—
Gary! Você está assumindo que aqueles Pokémon não seriam bons apenas pela sua
raridade?! Isso é ridículo! Todos os Pokémon tem potencial para serem os
melhores! — Retrucou Ash.
—
Ah é mesmo, Ashzinho? Então, você não se importaria de ficar com a ralé, não
acha? — Provocou Gary novamente, e dessa forma, outra briga se iniciava.
—
JÁ CHEGA!!! — Gritou o professor. — Ash, sei que Gary está errado em sua
postura, porém, você tem cedido facilmente as provocações baratas. Aprenda a
trabalhar o seu temperamento, pois deixar-se levar pela raiva é uma atitude
imatura de um Treinador.
—
E-eu entendo, professor! Desculpa! — Arrependeu-se Ash. Ele se sentia
claramente envergonhado por seu comportamento, mas era como se ele sentisse que
cada palavra ou atitude de Gary o irritasse ao extremo.
Ash
havia achado aquele comentário extremamente infeliz da parte de Gary. Para ele,
todos os Pokémon mereciam uma chance de provar seu valor, seja ele qual for.
—
E enquanto a você, Gary, já tivermos uma conversa dura sobre esse tipo de
comportamento. Inclusive, saiba que é por isso que cortei todas aquelas suas
regalias luxuosas que você adorava de esbanjar para os garotos. Se caso
continuar, espero que também não se sinta mal se eu não permitir que consiga
sua licença de Treinador. O que acha?
Aquelas
palavras junto da expressão rígida de Samuel foram o suficiente para todos
naquela sala sentissem grande temor. Gary sentiu um enorme frio na espinha com
aquele sermão. Ele claramente já havia sofrido de vários castigos devido a sua
postura, mas claramente ele acreditava que seu avô só o estava importunando por
demonstrar sua superioridade para todos.
Entretanto,
mesmo que sua vontade de responder de volta fosse enorme, ele não queria
arriscar, principalmente agora que poderia perder sua chance de adquirir seu
Pokémon e poder sair debaixo da asa de seu avô.
—
S-sim, vovô! Eu sinto muito! — Desculpou-se o castanho com uma pequena carranca.
—
Muito bem. Espero que com essa jornada, você possa enfim entender o que tenho
tentado ensinar a você. — Avisou Samuel antes de continuar com os comandos. —
Agora, com estes empecilhos fora do caminho, vamos para a chamada para a
escolha dos iniciais.
Com
isso, um sentimento de tensão surgiu entre os adolescentes. Quais deles iriam
garantir um dos iniciais primários?
—
Vamos lá. O primeiro da lista é... Reddy Stem! — O velho cientista anunciou.
Ao
ouvir sendo chamado, Red apenas acenou com a cabeça e seguiu caminhando até o
professor casualmente.
—
Argh! Que droga! Ele que vai escolher primeiro?! — Irritou-se Gary, pois não
suportava seu grande rival estando sempre um passo à sua frente.
—
Bem, eu não esperaria outro resultado. — Declarou Leaf. — Red sempre foi o
aluno com o melhor desempenho entre nós.
Ash
apenas aceitava tal realidade. Era quase como se fosse o senso comum que Red
fosse ser o escolhido. O Ketchum apenas ansiava algum dia ter a capacidade de
se destacar tanto quanto o vermelho.
—
Red, meus parabéns, garoto. Analisando seus resultados, a média para cada uma
das provas era de 60 de 100. No caso, sua pontuação na avaliação teórica foi de
79 pontos, enquanto na avaliação prática conseguiu pontuar com 100 pontos.
Estou muito orgulhoso de você. — Elogiou o professor.
—
Obrigado, professor. — Agradeceu Red de forma simples e cordial.
—
Agora, é hora de escolher o seu inicial. Qual será a sua escolha? — Perguntou o
professor, apontando para os três Pokémon.
O
jovem estoico sem pestanejar, dirigiu-se a frente do mais esquentadinho do
trio.
—
Ei, Charmander. Meu nome é Reddy Stem. Mas sou conhecido melhor como Red.
—
Chaaar... — Charmander encarou aquele humano com um olhar abrasador. Ele não
abaixaria a cabeça como reverência.
—
Meu objetivo é me tornar forte. Quero ser capaz de derrotar qualquer um. Por
isso, eu preciso de um companheiro que seja capaz de encarar quaisquer
dificuldades. Se não estiver disposto, irei entender. Porém... a partir do
momento que aceitar, saiba que apenas será inevitável que enfrentaremos
desafios cada vez maiores. Ainda assim, aceitaria ser meu parceiro? — Falou Red
com uma expressão decidida, estendendo a mão para o pequeno lagarto.
—
Char... — Aquelas palavras deixaram o réptil alaranjado bastante surpreso.
Aquele humano deixou bem claro seu propósito: derrotar todos os adversários e
chegar até o fim como o melhor. Ele ainda deixou a cargo dele decidir.
Charmander
após absorver a mensagem, mal conseguiu evitar um sorriso. Ele era exatamente o
parceiro que ele procurava. Aquele que iria deixá-lo forte e ajudá-lo a
ascender até o limite. Era o melhor convite possível.
—
Chaaarmander! — Respondeu animadamente. Ele não iria fraquejar.
—
Entendo. Então, irei contar com você de agora em diante. — Respondeu Red
satisfeito.
—
Muito bem, Red. Antes de ir, aqui está a Poké Ball do Charmander. Além disso,
você receberá outras cinco extras para carregar consigo. — O professor entregou
ao garoto de jaqueta vermelha as esferas.
De
repente, Samuel se recorda. Ah sim, também não vamos esquecer deste aparelho
inestimável.
O
cientista vai até uma prateleira e retira de lá um dispositivo único. Era um
aparelho portátil com uma paleta de cores vermelho forte.
— Está é a Pokédex. Como já sabem, é uma
tecnologia de suma importância para os Treinadores. Ela não só possuí a
capacidade de analisar e registrar todos os 150 Pokémon da região de Kanto,
como também detém as informações pessoais do Treinador, servindo como sua
identidade e passaporte. — Explicou Samuel.
—
Obrigado, professor. — Respondeu educadamente. O objeto então é entregue nas
mãos de Red. O garoto logo guardou-o em sua mochila e posteriormente, estava
pronto para ir. — Vamos indo, Charmander.
Com
isso, os dois partiram. O lagarto de fogo, agora obediente ao seu novo mestre
estava empolgado, em esperava de grandes desafios.
Red
saiu sem ao menos se despedir dos demais, o que não era uma novidade, já que
era um comportamento enraizado no jovem de jaqueta vermelha.
—
Muito bem. Agora, vamos para o próximo. — O professor voltou a chamada. — O
segundo da lista é Gary Oak.
—
YEEEEAH! Enfim a minha vez. — Comemorou. — Mais sorte da próxima vez, Ashzinho!
— Gary zombou com uma careta.
Ash
com certeza odiou aquilo, entretanto, era uma realidade dos fatos. Gary era um
garoto bastante egocêntrico, mas não era um idiota e ele tinha clara noção
disso.
O
castanho então se aproximou para perto.
—
Parabéns, Gary. Ao verificar nas minhas anotações, sua pontuação na avaliação
teórica foi de 90 pontos, enquanto na avaliação prática conseguiu pontuar com
88 pontos. Estou feliz que meu neto tenha conseguido se destacar assim. —
Elogiou o professor.
—
Tá legal. Eu sei que eu sou demais, mas... vamos logo com isso. — Gary falou,
não querendo esperar mais para enfim ter um Pokémon. — O meu parceiro será
você!
Gary
apontou para o Pokémon tartaruga, que em uma demonstração para esbanjar seu
talento, fez uma pirueta usando a propulsão de seu casco.
—
Squiiiirtle! — Grunhiu a criatura aquática.
—
Venha, Squirtle. Nós iremos conquistar toda a Kanto juntos. Vamos mostrar para
o Red e a todos os outros que somos os melhores e mais habilidosos. — Declarou
Gary, o que seu Pokémon concordou alegremente.
—
Uma boa escolha. Aqui está as Poké Ball, junto com a de Squirtle e sua Pokédex.
— O professor se aproximou de Gary com os itens necessários. Ele rapidamente
jogou tudo dentro de sua bolsa.
Após
isso, Samuel foi para perto de seu neto. Com uma mão em seu ombro, o velho Oak
lhe deu algumas palavras.
—
Gary, saiba que tanto você quanto Red foram os mais talentosos da Pokémon
Academy, então, tenho grandes expectativas em vocês dois poderem ganhar a Liga
Pokémon este ano. Entretanto, espero que você tenha sua humildade em reconhecer
com seus erros e aprender com eles se quiser se desenvolver, caso contrário,
temo que não irá muito longe. — Proferiu Samuel com um semblante sério.
—
Vai sonhando, velhote! — Desdenhou o castanho, algo que foi percebido por Ash e
Leaf, mas sentiram que seria mal educado da parte deles se envolver. — Vamos,
Squirtle! Hehehe! Adeus, perdedores!
Com
isso, Gary despediu-se de maneira esnobe, enquanto seguia junto de seu novo
parceiro para longe do laboratório.
Leaf
apenas suspirou, lamentando o comportamento do garoto de cabelos castanhos. Seu
ego inflado era algo realmente difícil de suportar. Agora, restavam apenas Ash
e Leaf naquela sala.
Ash
estava nervoso. Seus dois rivais já levaram dois dos três iniciais restantes.
Agora, apenas um deles seria capaz de ficar com o Bulbasaur, e o Ketchum
reavaliava suas chances, afinal, Leaf era uma das alunas mais competentes de
sua classe.
—
Agora, está na hora de ver quem ficará com o último dos Iniciais Primários.
Vejamos, a terceira colocação dos exames vai paraa... — As palavras do
professor instauraram uma enorme tensão.
Aqueles
pouquíssimos segundos de silêncio pareciam uma eternidade. Ash apertava seus
punhos em resposta a sua ansiedade, enquanto Leaf juntava as mãos, rogando suas
preces ao Deus Criador, Arceus.
Samuel
limpa garganta e ajeita levemente seus óculos, e com um sorriso, ele finalmente
entrega a resposta.
—
... Leaf, você foi a terceira colocada. Sua pontuação na avaliação teórica foi
de 93, enquanto na avaliação prática foi de 76.
—
YEEEEES! EU CONSEGUI! ERA QUEM EU MAIS QUERIA! — Exclamava Leaf, com uma imensa
sensação de alegria.
O
coração de Ash se afundou. Ele sabia que existia uma grande possibilidade de
sua amiga ter atingido a terceira colocação ao invés dele, porém, ainda assim
era uma sensação dolorosa ver aquele pequena faísca de esperança ser extinguida
diante dos seus olhos.
—
Aqui está a Poké Ball do Bulbasaur, junto dos outros itens necessários para sua
viagem. Espero que consiga realizar uma grande jornada. — Diz o professor com
uma expressão gentil.
—
Obrigada, professor Oak. Não sou lá muito fã de batalhas, mas... espero poder
conseguir todos os dados da Pokédex e quem sabe, encontrar outros tipos de
Pokémon nunca antes vistos. — Expressou a jovem de chapéu branco.
Ela
então caminhou até o calmo e airoso Bulbasaur, que parecia curioso sobre aquela
que seria a sua nova mestre.
—
Olá, Bulbasaur. Eu sou Leaf. Espero que sejamos bons amigos e possamos nos
divertir muito nessa jornada. — Leaf saudou o Pokémon natureza, demonstrando
uma postura amigável, o que chamou a atenção do pequeno.
—
Bulbaaa! — O Pokémon bulbo ficou cativado pela menina, se aproximando e
esfregando seu rosto em seus joelhos.
Não
muito tempo depois, a jovem Beech colocou seus itens em sua mochila e chamou
seu novo parceiro para perto da porta.
—
Professor, eu já estou indo. — Ela disse, se despedindo. — E Ash, nos vemos por
aí. Desejo o melhor para todos nós.
—
Obrigado, Leaf. Até logo. — Disse o moreno, com um leve sorriso.
Apesar
de perder um Pokémon tão raro, Ash não conseguia sentir raiva da garota,
afinal, ela se dedicou bastante durante os estudos e as avaliações. Seu feito
não era nada menos que louvável e ele estava feliz por ela.
Por
outro lado, ele se sentia impotente e sem esperança. Todos eles conseguiram
novamente, exceto ele.
Logo
após a despedida, Leaf partiu. No laboratório, restaram apenas os sons dos
zumbidos dos equipamentos tecnológicos. O professor então, notando que apenas
restava Ash na sua sala, foi em direção ao garoto.
Ash
estava de cabeça baixa, processando o fato de que, ele estava novamente atrás
de seus colegas.
—
Ash, meu garoto. — A voz acolhedora do professor rompia o silêncio. — Ainda não
é o fim. Afinal, ainda restam os três Pokémon Iniciais Secundários para você
fazer sua escolha.
Naquele
momento, a mente de Ash voltou para a realidade. Ele então sacode a cabeça.
—
“T-tudo bem, Ash. Não se apegue ao que já foi, e sim o que está por vir.”
— Refletiu Ash, sabendo que não havia o que ser feito.
O
garoto então com um olhar mais confiante, fitou os olhos do professor Oak,
demonstrando sua resolução.
—
Ok, professor. Mostre-me as opções, por favor. — Pediu Ash educadamente.
Samuel
então dirigiu-se até a mesa novamente e através de um compartimento secreto,
apertou um botão vermelho. Ao fazê-lo, a mesa se modificou, recolhendo a
plataforma onde as esferas dos Pokémon Primários estavam anteriormente, e após
alguns barulhos, uma nova plataforma surgiu, revelando um novo trio de Poké
Balls.
Ash
ficou bastante surpreso como o mecanismo funcionava, mas seus olhos apenas
estavam focados nas suas possíveis novas opções. Quais seriam os Pokémon que
estavam preservados ali? Ele esperava que fossem interessantes.
—
Muito bem. Ash Ketchum, você foi o quarto colocado da nova leva de Treinadores
Pokémon de Pallet. De acordo com os dados, você atingiu no exame teórico a nota
de 65, enquanto no exame prático, conseguiu a nota de 78.
Ash
notou que era visível que ele não conseguiu se aproximar dos demais, mas estava
feliz de ter pelo menos atingido uma boa classificação.
— Agora, irei mostrar todos os três Pokémon
Iniciais Secundários. — Explicou o professor, agarrando uma das Poké Balls da
mesa. — Começando com... este!
Ele
então arremessou-a para o alto. Um novo clarão de luz surgiu, manifestando uma
nova criatura. O Pokémon era um quadrúpede, possuía uma coloração roxa com
pequenas pigmentações mais escuras, orelhas grandes com tons esverdeados, um
chifre único em sua testa e dois dentes enormes. Sua característica marcante
era os seus espinhos pontiagudos em suas costas.
—
Este é o Nidoran, o Pokémon do tipo Veneno. — Introduziu o velho Oak.
—
Nidooo! — Grunhiu o Pokémon dentuço, observando os arredores com uma expressão
curiosa.
Ash
ficou encantado com aquele monstrinho. Sua aparência também parecia levemente
intimidadora, devido aos seu chifre e sua tipagem.
—
Agora, vamos para o próximo. Este é... — Ele rapidamente pegou a próxima esfera
e lançou para o alto.
A
Poké Ball abriu-se, revelando o novo monstrinho. Assemelhando-se a um pequeno
rato, este possuía uma coloração amarela, orelhas grandes com pontas pretas,
suas bochechas eram redondas e vermelhas, sua cauda era longa com um design idêntico
a um relâmpago.
—
Pikaaa... — O Pokémon bocejou, parecendo ter dormido até esse momento.
—
... esse é Pikachu, o Pokémon... do tipo Elétrico. — Samuel anunciou, parecendo
levemente desconfortável com aquele ser.
Ash
notou levemente que o próprio cientista parecia estar fora de lugar e Pikachu
parecia ser a causa. Mas como poderia ser? Ele parecia ter uma aparência dócil
e divertida.
Quando
o moreno olhou novamente para o roedor elétrico, o mesmo simplesmente encarou
Ash com um olhar de completo desdém, como não quisesse estar ali, antes de
rapidamente virar a cara.
—
Ash, Pikachu é um Pokémon arisco. De todos no meu laboratório, este se destaca
por ser bastante rebelde. Infelizmente, eu não posso culpá-lo, afinal, ele não
teve boas experiências com humanos, principalmente com Treinadores Pokémon. —
Contextualizou o professor.
Aquelas
palavras deixaram uma marca em Ash. Era realmente triste saber que tal Pokémon
havia perdido sua fé nos humanos, e agora, ele estava ali mais uma vez,
colocado para ser escolhido.
Era
um destino nada agradável.
—
Agora, vamos para o último Pokémon, e é este! — Disse o homem, ao lançar a
última esfera.
Nela,
um Pokémon humanoide foi trazido para fora. Este ser bípede possuía uma pele
acizentada, possuía cristas marrons em sua cabeça e um par de olhos cor
carmesim. Sua pose era de braços cruzados, expressando confiança em suas
habilidades.
—
E por fim, Machop, o Pokémon do tipo Lutador. — Disse Samuel, com um breve
sorriso. / Maachoop!
Ash
gostou deste. Ele parecia ser um Pokémon poderoso, além de relembrar um de seus
maiores ídolos, Bruno Ironfist, este sendo o maior Treinador de Pokémon de tal
tipagem de todo o globo.
—
E então, Ash? Qual será a sua escolha? — Perguntou Samuel.
Ash
ficou um tanto indeciso. Ambos Nidoran e Machop pareciam excelentes opções,
além de serem Pokémon com tipos bastante poderosos no papel. Se ele analisasse
levemente, ele se via bastante inclinado a escolher o Pokémon Lutador.
Todavia,
ele novamente voltou seu olhar para Pikachu. O Pokémon do tipo Elétrico parecia
esperar que Ash fosse embora o mais rápido possível, enquanto tentava olhar
para uma outra direção.
Neste
momento, a história contada pelo professor o fez se compadecer pelo rato
amarelo. Ele não sabia o porque de Pikachu ter sido largado pelos Treinadores,
entretanto, ele entendia muito bem o sentimento de estar sozinho.
Era
irônico o quanto eles eram parecidos.
Porém,
e se ele tivesse um Treinador que o acolhesse? Que o amasse verdadeiramente?
Ele poderia novamente voltar a confiar na humanidade? Eles poderiam ser amigos?
Era
uma pergunta ainda sem uma resposta. Entretanto, Ash questionou-se ainda mais.
—
“Se eu quero realmente ser um Mestre Pokémon, seguir o caminho mais seguro é
de fato correto? Eu deveria evitar encarar tal desafio? Talvez... eu não
estaria sendo um covarde?” — Ash pensou.
Após
alguns minutos imerso em sua mente, ele repensou novamente. Com um olhar
determinado, ele estava claro com o que queria. Ele então fez sua decisão.
—
Professor, eu escolho Pikachu como meu parceiro. — Respondeu Ash, deixando
todos surpresos.
Samuel
não pode evitar ficar em choque, assim como Nidoran e Machop.
Pikachu
parecia estar ainda mais irritado. Mais um humano o escolhera. Ele se
questionou se Arceus realmente o odiava.
—
M-mas Ash! Eu já lhe disse! — Disse Samuel transtornado. — Pikachu é um Pokémon
desobediente e de personalidade forte. Saiba que haverá um caminho bastante
tortuoso se quiser de fato conquistar sua confiança.
Pikachu
nunca gostou do cientista, mas prezava que com tais palavras, aquele humano
volta-se atrás de suas palavras. Ele não queria ter que gastar energia com seus
relâmpagos para afugentá-lo.
No entanto, as próximas palavras de Ash foram
inesperadas.
—
Professor, eu entendo que esteja me aconselhando a seguir um caminho mais
tranquilo. Mas... eu sinto que isso na verdade me prejudicaria. Afinal, eu
desejo me tornar um Mestre Pokémon. Se eu de fato quiser alcançar meu sonho, eu
preciso atravessar esse obstáculo. Além disso... eventualmente, eu terei que me
deparar com Pokémon desobedientes. Se eu for incapaz de criar um laço com
Pikachu, como acha que poderei encarar os próximos que virão? Eu... eu não
estaria nada mais do que sendo covarde.
O
professor não pode acreditar em tais palavras. Nem mesmo Pikachu esperava por
tal ação. Ao observar o humano à sua frente, ele conseguia notar um olhar
determinado e forte. Era diferente dos olhares que ele já havia visto em outros
Treinadores. Será que seria ele aquele que o salvaria? Que o entregaria uma
vida digna?
Não.
Ainda... era cedo demais? Ele não sabia.
Ash
se aproximou do roedor, que novamente se espantou. Ele se ajoelhou na frente do
tipo Elétrico e não sentiu medo.
—
Oi, Pikachu. Eu sou Ash Ketchum da cidade Pallet. Sei que não confia em mim a
princípio, porém, espero que possamos ser bons amigos. Eu sinto um grande
potencial em você. Sei que você irá demorar para se abrir comigo, mas saiba que
lhe darei todo o tempo do mundo para isso, tudo bem? — Disse Ash, estendendo a
mão.
Pikachu
se sentiu induzido a apertar a mão do Treinador. O sorriso caloroso daquele
garoto era genuíno. Como poderia ser? Ao longo dos anos, ele se tornou capaz de
notar mentiras com o mínimo de esforço, mas este não estava mentindo.
Ele
estendeu a cauda. Ash parecia feliz por um momento, até que...
—
PIKAAA!!! — Pikachu rebateu a mão de Ash com sua cauda.
Ash
ficou assustado com aquela atitude, mas não tão surpreso. Era o esperado.
—
Hahaha... é um prazer também... — Ash deu uma risada sem graça.
Samuel
se entristeceu por um momento. Parecia bom demais para ser verdade. Entretanto,
houve uma leve mudança, mesmo que parecesse imperceptível à primeira vista, mas
estava lá.
Será
que poderia ser aquele que conseguiria? Bem, somente o destino poderia dizer,
afinal, mudar a decisão de Ash parecia ser inútil a este ponto.
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Do
lado de fora do laboratório, o céu ainda estava límpido. Era um clima perfeito
para o começo de uma aventura. O professor Oak havia entregado todos os
apetrechos que o moreno necessitaria em sua jornada.
Ash
estava animado, enquanto Pikachu estava emburrado, mas aceitou o jovem como seu
parceiro.
—
Ash, aqui está a Pokédex que guardei para a Serena. Por favor, não deixe de
entregá-la.
—
Obrigado, professor. — Agradeceu o garoto de cabelos negros, guardando o
aparelho na mochila.
De
repente, o professor colocou a mão no ombro de Ash, que ficou surpreso pela
abordagem.
—
Um último conselho, meu jovem. Pikachu também não gosta de ficar em sua Poké
Ball. É de extrema importância que saiba disso. — Disse Samuel com uma
expressão séria.
—
E-eu entendo. Agradeço pelo conselho. — Ash assentiu.
—
E por fim, espero que tenha uma ótima jornada, Ash. Pode não parecer, mas tenho
grandes expectativas em você. É claro que, se compararmos Red, Gary e Leaf,
você ainda tem muito o que melhorar. Porém, não acha que as coisas são mais
divertidas assim? — Questionou Samuel com um sorriso travesso.
—
S-sim! Você está certo. Até mais, professor. — Despediu-se o moreno, enquanto
observava o cientista, voltando em silêncio para o seu laboratório.
Com
isso, Ash e Pikachu foram deixados sozinhos do lado de fora, com apenas o
barulho do vento para quebrar o silêncio.
—
Bom Pikachu, é hora de pegarmos a estrada. Espero que possamos nos divertir
bastante. — Disse Ash, ansioso para começar a viajar.
Ao
olhar para Pikachu, ele apenas deu-lhe uma resposta curta.
—
Pika! — Grunhiu com um rosto nada amigável, mas que escondia um olhar aberto
curioso.
Ash
deu uma risada sem graça novamente, esfregando sua nuca.
—
“Bem... pelo menos eu espero que a coisas deem certo.” — Pensou Ash,
incerto se sua viagem seria realmente agradável.
Todavia,
ele se lembrava de que ele não estava no direito de desistir. Ele estava
determinado a conquistar a confiança de Pikachu. Ele sabia que seria uma tarefa
hercúlea, entretanto, em prol de seu sonho, ele jamais andaria para trás.
Com
isso, eles começavam a caminhar juntos pela trilha, em direção ao seu grande
primeiro destino. Ele esperava agora reencontrar sua amiga de longa data,
enquanto esperava que ele e seu Pokémon estreitassem laços até alcançarem a
cidade de Viridian.


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