Pokémon: TLD - Capítulo 15: Ash Vs Misty: O Orgulho de Cerulean
Ash,
Serena e Brock caminhavam para fora do Ginásio, com o garoto tendo seu ânimo
revigorado. Apesar de uma batalha decepcionante com um resultado agridoce, a
revelação de Misty ser uma Líder e seu pedido de desafio com a promessa de um
confronto digno o deixou bastante empolgado.
A
ruiva havia dito que após os três dias se passarem, Ash poderia aparecer ali na
porta do Ginásio para desafiá-la a partir de depois das 13:00 da tarde.
—
Quem diria que Misty era na verdade uma Líder de Ginásio... — Ash comentava,
até que parava a caminhada abruptamente, fazendo Serena e Brock, que o seguiam
logo atrás, também pararem seu avanço. O garoto virou para os dois e disse com
um semblante calmo. — Bem... Agora sei que terei que treinar duro nos próximos
dias. Certo, Pikachu?
—
Pikaachu! — O rato elétrico respondeu, com um sorriso visivelmente confiante.
Ele sentia que, dessa vez, ele poderia entrar em uma nova batalha que pudesse
entregar todo o seu ímpeto. Dessa vez não haveria sorte na jogada. Venceria com
todo seu esforço.
—
Eu irei ajudar com o que puder. Também será uma boa oportunidade de treinar a
Clefairy também. — Comentou a caramelada, se prontificando para auxiliar o
amigo em mais uma sessão de treino. Os três, então, voltam a caminhar.
Brock
observava a dupla empolgada com uma expressão satisfatória no rosto. Ele podia
notar o brilho no olhar de Ash ao saber que a ruiva seria sua adversária. O
ex-Líder recordava-se do desempenho do jovem durante a disputa pela sua
Insígnia.
Ele
sabia que o confronto iminente seria acirrado, porém, talvez com o seu auxílio,
ele pudesse triunfar no final? Quem sabe. Decidido a querer ver o crescimento
do Ketchum, Brock andou para perto dele com uma ideia em mente.
—
Ei, Ash. Acho que você já constatou de qual será a tipagem do Ginásio que você
irá encarar, certo? — Questionou Brock.
—
Sim. Eu notei. Era impossível não saber depois daquela batalha que tive com
Daisy, além de toda a estética do Ginásio. — Respondeu Ash.
Estava
claro como o dia que Misty era uma especialista em Pokémon do tipo Água. Ao
contrário da primeira vez, Ash detinha um Pokémon extremamente vantajoso para a
luta, este sendo seu Pikachu.
Entretanto,
era muito provável que Waterflower não deixaria esse detalhe passar
despercebido. Da mesma forma que Ash teria três dias para treinar e pensar em
uma estratégia, o mesmo também se aplicava a Misty.
—
Então, já tem em mente quais serão seus Pokémon? — Brock perguntou curiosamente.
— O Ginásio de Cerulean, normalmente, investe em batalhas de três contra três,
pelo que a Misty me contou. — complementou.
Serena
também se mostrava curiosa. Afinal, Ash já havia usado seu Pikachu antes
juntamente de Pidgeotto. Claro, dessa vez, era nítido que o Pokémon elétrico
seria colocado novamente em campo. Mas... e a outra escolha? Pidgeotto já havia
batalhado contra a tal da Daisy, mesmo esta batalha sendo desconsiderada. O
amigo repetiria a escolha?
—
Bom saber que será de três contra três. Se este for o caso, eu adoraria deixar
Pidgeotto descansando, mas infelizmente não vai ser possível. Por outro lado, é
o momento perfeito para colocar a prova as habilidades de Butterfree depois dessa
última leva de treinos que tivemos, e também por conta de sua evolução. —
Explicava o moreno seu raciocínio. — Também vou aumentar a carga de treinos do
Pikachu nesses três dias, já que ele vai ter vantagem. É muita coisa pra
pensar.
—
Entendo. Quais movimentos Butterfree possui agora após evoluir? — O amigo
questiona com a mão no queixo.
—
Se eu me lembro bem, ele possui Tackle, Stun Spore, Sleep
Powder e Whirlwind. — Informou Ash.
—
Hum... — Brock ponderou sobre os movimentos por alguns segundos em silêncio,
antes de finalmente dar o seu veredito. — ... olha Ash, não são ruins,
entretanto, acho que está faltando algo que realmente possa ser uma bela carta
na manga.
—
Por acaso está falando de eu não ter um movimento super efetivo contra Pokémon
aquáticos, fora o Pikachu? — Perguntou Ash, entendendo rapidamente o que seu
amigo estava querendo transmitir.
— Exatamente. Ash, não dá para
pôr tudo na conta de um só Pokémon. Tem que pensar no coletivo. — argumentou
Brock. — Olha, eu tenho algo que poderia ajudar você. Quando fui ao Poké Mart
para comprar os suprimentos que precisávamos, verifiquei que a loja estava
vendendo alguns discos de TM’s. Não eram muito úteis, no geral, mas um deles me
chamou a atenção. Este TM pode ser a chave da sua vitória. — Brock informava
com um sorriso confiante.
— Discos de TM... — Serena
murmurava, pois se recordava da vez em que Ash fez uso de tal item quando
estavam na Floresta de Viridian. Querendo ou não, se Ash não tivesse feito uso
de tal artefato, o resultado da sua batalha em Pewter teria um desfecho bem
diferente.
Ash estava confuso sobre a ideia de Brock. Ele
não entendia o que seu amigo pretendia contando-lhe sobre isso.
—
E-entendo. E qual é esse TM? — Indaga Ash levemente nervoso.
—
Acho que seria melhor você ver por si mesmo! É um movimento impossível pro
Butterfree aprender naturalmente, mas com esse TM, o céu é o limite. — disse
Brock.
Aquelas
palavras deixaram Ash um tanto surpreso, e bastante curioso. No entanto, Brock
pareceu ter esquecido de um pequeno detalhe.
—
É-é uma ideia ótima, Brock. Mas... infelizmente, para fazer um Pokémon aprender
esse movimento, eu preciso ter em posse um ATD. Sem isso, seria inútil comprar
um TM. Sinto muito. — Desculpava-se Ash, mesmo que de fato tenha gostado da
proposta.
O
palletiano se recordava que foi graças ao Poké Ninja, Carom Wasbuzz que ele fora
capaz de fazer uso dos TM’s, que foram entregues de presente pelo próprio
Carom.
Serena
também ficava desapontada. Se eles pudessem fazer usar deste artifício
livremente, o arsenal de seus Pokémon aumentariam exponencialmente.
Entretanto,
o sorriso de Brock não se desmanchou ao ouvir a recusa de sua ideia. Na
verdade, era como se o deixasse ainda mais animado.
—
Eu sabia que você diria isso. — De repente, Brock coloca sua mochila no chão, e
a abre. De dentro dela, ele puxa para fora um objeto que deixa Ash e Serena
incrivelmente surpresos. — Você conseguiu fazer uso dos TM’s uma vez graças a
um amigo, então, acho que você não teria dificuldade de usar esse.
De
fato, era bem conveniente Brock mostrar tal objeto para eles. Na frente dos
jovens, estava um aparato familiar para eles com um formato cúbico, de
coloração cinzenta com um símbolo de uma Poké Ball branca.
—
E-espera um pouco. Mas isso é... — Ash falava totalmente incrédulo: o design
era levemente diferente – aparentava ser outro modelo – mas as mesmas
características estavam presentes. — ... isso é um ATD?!
—
Então você também tem um desses, Brock? — Serena questionou, transitando seu
olhar do aparelho para o dono rapidamente.
—
Sim. Na verdade, nós Líderes de Ginásio, ao passarmos no teste para exercer
nossas carreiras, ganhamos um desses como cortesia da Federação da Liga
Pokémon.
Aquilo
era um detalhe interessante. Ash e Serena conheciam alguns detalhes sobre a
Federação da Liga Pokémon, também apenas chamada de “FLP”. É devido a federação
que as Ligas são coordenadas ao redor do mundo, com cada uma sendo responsável
por gerenciar os torneios e eventos da região atuante. Era bem plausível os
Líderes terem posse de máquinas como essas.
—
E-etendi. Então... — Ash não sabia bem o que falar. Era, de fato, uma mão na
roda possuir algo deste tipo.
—
Hehe! Vamos lá, cara! — Brock ria das reações de Ash. — Você já sabe o que eu
estou querendo dizer. Você irá comprar o TM e irei ajudar emprestando isto para
você usar quando tiver necessidade. Com isso, você terá bem mais chances de
vencer a Misty e os próximos desafios.
O
jovem de Pallet não sabia como expressar tamanha gratidão. Brock estava lhe
deixando fazer uso de um item tão importante, para que ele pudesse ter chances
de vitória maiores. Ash fitava Serena, observando que ela também nutria
sentimentos semelhantes.
—
Isso é incrível! Não é, Ash? — A garota expressava, com uma animação
contagiante. — Com isso, você vai poder se preparar bem contra a Misty.
—
Pikapii! — Pikachu concordava com a caramelada.
—
Hehehe. — O garoto ria do comentário. Era reconfortante ter amigos dispostos a
o apoiarem e ajudarem a concluir seus objetivos. Ainda não era acostumado com
isso, já que nunca recebeu apoio fora de casa. Era algo revigorante. — Pode
deixar, Serena. E Brock, prepare o ATD, pois Butterfree fará bom uso dele.
—
Esse é o espírito, Ash. — Brock vibrava, esperando que sua ajuda trouxesse
grandes resultados.
Com
isso, o trio seguiu até o Poké Mart local de Cerulean. Ash estava empolgado
para comprar o item, pois poderia ser a chave para a vitória. Por sorte, o TM
ainda não tinha sido adquirido por outra pessoa, segundo o dono da loja, um
simpático homem de idade, que mostrava animadamente os produtos que vendia. No
entanto, os jovens só tinham olhos para uma coisa:
—
Esse é o TM, Brock? — indagava o palletiano, surpreso com o que via. Serena
também se maravilhara com tal coisa: era até bom demais para ser verdade.
—
Exatamente! — respondia, com um sorriso satisfeito. — O que acha?
Ash
ponderava, analisando minuciosamente o pequeno CD, que ficava lado a lado de
outros TM’s, em uma cápsula com um letreiro indicando quais ataques eram. E
aquele que Brock lhe mostrara era de fato tentador. Talvez pudesse até pegar
Misty de surpresa. Esses pensamentos fizeram Ash abrir um pequeno sorriso.
—
Então, jovem...? Vai compra-lo? — com um sorriso enigmático, o comerciante
pergunta, interessado. Não havia espaço para dúvida: era exatamente aquilo que
Ash precisava nesse momento, e não deixaria essa chance passar.
No
entanto, no fundo, tinha algo que incomodava Brock: por quê um TM daqueles
fazia em Cerulean? Era algo que ele pensava desde que o viu. Talvez, as
respostas viriam posteriormente.
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Logo
após a compra, o trio se dirigira até a parte de trás do Pokémon Center, em uma
área que possuía uma arena de batalha que os Treinadores poderiam utilizar, o
que era bem melhor do que treinar em uma mata fechada.
—
Tá legal, pessoal! Podem sair! / Pidgeooo! / Freeee! — Ash lançava as Poké Ball
para o alto, e de dento delas, Pidgeotto e Butterfree se agitavam, batendo suas
asas no ar com entusiasmo.
—
Vocês também! / Saiam! — Serena bradou, seguidamente de Brock.
—
Fenneekin! / Cleefairy! — Fennekin latia e Clefairy grunhia adoravelmente.
—
Geooo! / Zubaat! — Geodude e Zubat estavam eufóricos, apesar de Zubat não estar
ainda totalmente confortável em um ambiente tão claro, contrastando com a
escuridão das cavernas, seu antigo habitat natural.
Brock
evitou trazer Onix para fora. Isso porque seu tamanho colossal não se
encaixaria bem naquele local onde mais pessoas poderiam surgir. Ele só traria
em áreas mais abertas ou quando uma batalha fosse realizada.
—
Butterfree! Hoje iremos efetuar um treinamento especial com você. Iremos fazer
o uso do ATD do Brock, para que assim você consiga aprender um novo movimento. Você
vai ser o nosso trunfo contra a Misty, junto do Pikachu, então vamos nos
preparar bem.
—
Freeee! — Butterfree voava em círculos. Ele estava animado para enfim ter sua
primeira batalha oficial.
—
Pikachu, também treinaremos você para que fique mais forte para a batalha. /
Pikachuu! — Ash disse, e seu Pokémon amarelo assentia. — Pidgeotto, assim que
Butterfree dominar o básico do ataque, ajudarei você com o treinamento.
Precisamos trabalhar individualmente para potencializar nossos vínculos. Então
você não ficará de fora. — tranquilizou.
—
Pidgeootto! — Pidgeotto piava em confirmação. De fato, ele entendia o desejo de
seu mestre..
—
Fennekin e Clefairy, nosso trabalho será em treinar ajudando os Pokémon do Ash.
Isso também será benéfico para nós, pois irá nos fortalecer também,
principalmente você, Clefairy. — Serena explicava para suas Pokémon.
—
Fen, fen! / Clefa... — Fennekin estava radiante e ansiosa para os treinamentos,
enquanto Clefairy estava um pouco nervosa. Não era acostumada com essas coisas,
então sentia certo receio.
—
Não se preocupe, Clefairy. Sei que vai parecer difícil no começo, mas eu
garanto que você se sairá bem. — Dizia a caramelada, acariciando a cabeça da
Pokémon Fada, que sentia-se, levemente, mais confiante.
—
Estão todos prontos, pessoal? — Brock pergunta com as mãos na cintura.
—
É claro que sim! Vamos começar a treinar! / Pikaaa! — Ash e Pikachu bradavam, e
a sessão de treinamento de três dias começou.
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Em
um ponto mais afastado de Cerulean, às margens de um lago cristalino, erguia-se
um casarão de aparência serena. Do lado de fora, o reflexo da construção
dançava sobre a água calma; por dentro, o silêncio era cortado apenas pelo leve
som de uma ligação sendo atendida.
Sentada
na sala de estar, uma certa ruiva segurava o telefone com a expressão
concentrada, mas havia algo no seu olhar: um lampejo de expectativa.
—
Então já foi comprado? — perguntou, em tom controlado.
Do
outro lado da linha, a voz de um homem respondeu afirmativamente.
—
Entendo... — murmurou ela, e um sorriso discreto, quase travesso, curvou-lhe os
lábios.
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No
restante do dia, após a sessão de treinamento - que durara cerca de uma hora -
o trio decidiu conhecer melhor a cidade. Passearam por pontos turísticos,
admirando o movimento, as luzes e a atmosfera vibrante de Cerulean. À noite,
Ash aproveitou o silêncio do quarto para refletir sobre possíveis estratégias.
Foi um primeiro dia produtivo.
O
segundo dia, por sua vez, foi quase todo dedicado ao treino. Ash sabia que
precisava se fortalecer ao máximo - e tinha certeza de que Misty fazia o mesmo.
Sob o sol da manhã e o cansaço da tarde, seus Pokémon mostravam progresso
visível. Quando a hora chegasse, ele pretendia dar tudo de si.
Os
três dias passaram depressa. E, antes que pudesse perceber, o momento havia
chegado.
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Era
um dia ensolarado, por volta das 13:30 da tarde, com a parte da manhã focada em
treinamento. Após três dias terem se passado em um piscar de olhos, Ash já se
sentia pronto para encarar o seu próximo desafio. Já se encontrando de pé na
frente do Ginásio ao lado de Serena e Brock no horário que Misty havia
estabelecido, o garoto respirava profundamente, tentando esvaziar a cabeça.
—
Chegou a hora. / Pika. — murmurou Ash, com Pikachu no seu ombro. Sua segunda
batalha de Ginásio estava a apenas alguns passos de começar.
—
Boa sorte, Ash! — disse Serena, com um sorriso de incentivo.
—
Você treinou feito um maluco nesses três dias — comentou Brock, cruzando os
braços. — Então confio que esteja preparado, porque a Misty vai ser uma
adversária difícil. — advertiu, lembrando dos boatos que ouvira sobre a ruiva
há não muito tempo, além de ter visto a mesma em ação anteriormente.
—
Eu sei disso, Brock. Mas tenho que fazer todo aquele treino valer a pena... em
respeito à Misty também. — o garoto sorriu, determinado.
Após
trocarem essas palavras, o grupo avançou para dentro do Ginásio, sem imaginar o
que os esperava lá dentro.
Caminharam
por alguns minutos, até que o campo de batalha se revelou diante deles. A
piscina estava aberta e, diferente de antes, reluzente, com a água cristalina
refletindo as luzes do teto. O Ginásio inteiro parecia diferente: limpo,
reformado, impecável.
E,
ao erguerem o olhar, a viram.
Misty
os esperava sobre uma grande plataforma flutuante na ponta da piscina, já em
seu posto. O sorriso que trazia era sereno, mas imponente, como se soubesse,
desde o início, que eles chegariam exatamente naquele momento.
A
jovem Líder estava usando um conjunto de roupas das quais ela reservava
especialmente para suas partidas de Ginásio. A ruiva vestia um top azul-escuro
e um short justo da mesma cor, deixando expostos seu abdômen e pernas definidas,
além de estar calçando um par de tênis vermelhos com detalhes azul-claro e
branco.
Misty
sentia-se extremamente confortável com seus acessórios e roupas. Tanto o top
quanto os shorts eram impermeáveis, permitindo que Misty pudesse se molhar à
vontade durante os combates na piscina, sem falar que seus tênis eram
especiais. Eles eram antiderrapantes e bastante duráveis, para que assim ela
pudesse se movimentar livremente nos pisos molhados, sem que houvesse perigo de
escorregar.
—
Oi, Ash! Você parece preparado. — disse Misty, em um tom que soava amistoso,
mas deixava transparecer um leve ar provocativo.
Serena
estava estarrecida com aquelas roupas nada discretas que a garota usava. A
caramelada sentia um aperto no peito, um sentimento de desconforto, pois temia
que Ash acabasse caindo nos encantos da ruiva, assim como as sereias que
enfeitiçavam os homens.
—
Não tinha como eu não me preparar, Misty. — respondeu o garoto, confiante. Ash
respondeu a provocação com um sorriso destemido. Seu propósito era apenas um:
vencer o confronto. — Espero que você me entregue uma batalha melhor do que a
que eu tive ontem.
Ao
ver a reação do amigo, Serena soltou um suspiro de alívio, ao notar que Ash
sequer deu bola para o visual da sua adversária, algo que não passou
despercebido por Brock, que deu um sorriso imperceptível.
—
Ei, eu ouvi isso!!! — uma voz irritada ecoou das arquibancadas, pegando Ash,
Serena e Brock de surpresa. Ao virarem os rostos, eles viram Daisy, acompanhada
de Violet e Lily.
Claro...
eles já deviam imaginar que aquelas três estariam ali também.
—
Com certeza a Misty vai perder também, de qualquer forma... — resmungou a loira,
fazendo um biquinho emburrado, embora sua expressão denunciasse uma pontinha de
dúvida: queria acreditar que estava certa de sua afirmação.
—
Ignore elas, Ash. — advertiu Misty, um sorriso provocador brincando em seus
lábios. — Seu foco deve estar aqui, porque a surra que você vai levar vai ser
inesquecível.
Suas
irmãs torceram o nariz diante da arrogância da mais nova, mas nenhuma ousou
retrucar. Sabiam muito bem que, quando Misty estava confiante, era melhor
deixá-la falar. Caso contrário, ficariam horas ouvindo a garota gritar.
Ash
apenas sorriu diante da provocação. A ruiva tinha uma presença intensa - seu
olhar transmitia uma mistura de firmeza e paixão que o garoto não podia deixar
de simpatizar. Era diferente. A confiança dela não nascia do orgulho, mas da
convicção.
Ele
queria alcançar algo assim. Não apenas ser forte - queria inspirar respeito,
ser alguém de quem os outros pudessem se orgulhar. E aquela batalha colocaria
isso a prova.
Respirando
fundo, o garoto avançou até sua plataforma. Quando pisou sobre a borda da
piscina, uma passarela de metal se estendeu até o centro do objeto flutuante,
conduzindo-o ao seu posto. Assim que chegou, a estrutura recuou com um ruído
suave, deixando-o isolado sobre a água. Ao chegar no local, o palletiano
percebera plataformas menores espalhadas na espaçosa piscina: claramente um
local onde os Pokémon poderiam pisar para se manterem seguros.
Serena
e Brock tomaram assento nas arquibancadas, observando atentos. O reflexo da
piscina reluzia no teto, e o ar parecia vibrar de expectativa.
—
Se não se importam, serei o árbitro deste confronto. — uma nova voz surgiu de
repente, firme, mas cordial. Todos se voltaram e viram um senhor familiar se
aproximar com passos tranquilos.
—
Espera... Você é o...?! / Pikapi?! — Ash arregalou os olhos, seguido de
Pikachu.
— É o vendedor do Poké Mart! — exclamou Serena. Brock também estava surpreso.
—
Ah, eu não contei? Também trabalho para os Waterflower há décadas. — disse o
homem, de forma divertida.
—
Bom que chegou a tempo, senhor Deryl. Estávamos prestes a começar. — respondeu
Misty, sorrindo de leve.
À
distância, Daisy, Violet e Lily cruzaram os braços, visivelmente contrariadas.
A presença de Deryl nunca era motivo de alegria para elas – na ausência de
Misty, ele era quem mais as repreendia quando negligenciavam os deveres do
ginásio. Apesar da voz mansa, sabiam que ele podia ser bem intimidador quando
queria.
Acalmado
os ânimos, Deryl tomou posição ao lado da piscina.
— A batalha de Ginásio entre Ash Ketchum e Misty Waterflower está prestes a
começar. Será um confronto de três contra três, com substituições permitidas
apenas ao desafiante. — sua voz ecoou pelo salão, acompanhada pelo som suave da
água ondulando sob as luzes do teto.
—
O Líder de Ginásio deve chamar seu Pokémon primeiro. — anunciou ele, erguendo o
braço.
—
Muito bem... Misty chama Shellder! — declarou a ruiva, lançando a Poké Ball com
precisão.
O
dispositivo abriu-se em pleno ar, liberando uma luz azulada que se condensou
sobre a piscina. Dela surgiu uma pequena concha roxa, com olhos expressivos e
língua pendente, flutuando suavemente sobre a água.
—
Shellder... — murmurou Ash, o semblante mudando de imediato.
— Pikachuu... — completou o parceiro, o olhar endurecido.
A
lembrança do Cloyster de Bleuross atravessou ambos como uma sombra. Era
impossível esquecer.
—
Aquilo é um Shellder? — perguntou Serena, já puxando sua Pokédex.
O
dispositivo brilhou em sua mão, pronto para registrar o primeiro adversário da
batalha.
—
SHELLDER / N° 090 / Água: Está envolto numa casca mais dura que o diamante. Por
dentro, porém, é surpreendentemente macio. — Elexa informou.
Mesmo
com as lembranças recentes pesando em sua mente, Ash manteve a determinação.
Tinha treinado para isso, e não deixaria o passado interferir agora.
—
Certo, Butterfree, eu escolho você! — exclamou, lançando a Poké Ball.
A
esfera se abriu em meio a um feixe de luz, revelando a delicada borboleta que
planou sobre a piscina, suas asas refletindo o brilho da água. Assim ele
ficaria em uma distância segura, evitando de ficar molhado.
Mas,
do outro lado, Misty simplesmente... congelou. Seus olhos arregalaram, a cor
sumiu do rosto, e ela deu um passo vacilante para trás.
—
P-por que não me disse que tinha um tipo inseto...? — murmurou, com a voz
trêmula, mas alta o bastante para todos ouvirem.
— Hã...? / Pika? — Ash piscou, confuso.
Lily,
vendo isso, não perdeu tempo, o riso já escapando.
— Essa bobona tem medo de insetos!
A
risada ecoou, surpreendendo aqueles que não sabiam desse fato.
—
M-Medo? — repetiu Ash, sem saber se ria ou se pedia desculpas. Butterfree, por
sua vez, apenas pairou no ar, piscando com confusão. Aquela humana tinha medo
dele?
—
Bom... parece que até os Líderes de Ginásio têm suas... peculiaridades. — suava
Serena, com um sorriso hesitante.
—
É... algumas mais do que outras. — completou Brock, tentando disfarçar o riso.
Misty
cerrou os punhos, as bochechas vermelhas de raiva e vergonha. Respirou fundo,
forçando um sorriso que mais parecia uma ameaça.
—
Heh... medo? Eu? — tentou rir, mas a risada saiu meio trêmula. — N-não seja
ridículo, Ash! Só estava... avaliando a estratégia do seu Pokémon!
Deryl
apenas pigarreou discretamente, como quem implorava para que a cena não se
estendesse.
Misty
virou o rosto, recompondo-se o melhor que podia. Ainda sentia um arrepio cada vez que Butterfree se movia, mas não deixaria isso
aparecer de novo. Tinha que manter a compostura, e era isso o que faria.
—
Beleza... Shellder, vamos mostrar o poder de um verdadeiro Líder de Ginásio! —
disse, mais para si mesma do que para os outros.
—
Certo... Se já está tudo pronto... Comecem! — anunciou o árbitro, dando início
ao confronto.
—
Vamos, Shellder! Hora de mostrar pra eles que não tememos inseto nenhum! Comece
com Bubble Beam! — deixando seus receios de lado, Misty tomou a
dianteira.
Da
superfície da água, o pequeno Pokémon bivalve abriu a concha e disparou uma
sequência de jatos de bolhas, rápidos e constantes, que subiam em direção a
Butterfree.
—
Contorne essas bolhas! / Freee! — ordenou Ash, e seu parceiro respondeu com
elegância, deslizando pelo ar em curvas graciosas, desviando de cada rajada com
leves batidas das asas. As bolhas estouravam ao seu redor como pequenas
estrelas líquidas, sem jamais tocá-lo.
—
“Ele até que se move bem para um Pokémon naturalmente lento...” — pensou
Misty, estreitando o olhar. Nenhum ataque havia acertado.
—
Agora, Stun Spore! — Ash levantou a mão, preparando-se para montar
terreno. A borboleta começou a bater as asas em ritmo firme, espalhando um pó
dourado que se expandia como uma neblina suave, descendo lentamente em direção
ao campo.
Por
um instante, Misty pareceu cercada - até que um leve sorriso surgiu em seu
rosto.
—
Shellder, mergulhe!
—
Der! — respondeu o pequeno molusco, fechando sua concha e afundando em um único
movimento. O pó paralisante se espalhou pela superfície, inofensivo, flutuando
sobre as águas calmas que agora escondiam seu alvo.
Ash
estalou a língua: era óbvio que ela faria aquilo. Se quisesse vencer, teria de
enfrentar Misty em seu próprio terreno. A piscina era parte do desafio, e ele
sabia que superar o campo aquático exigiria muito mais do que força: precisaria
de improviso, calma e leitura de situação.
—
Sagaz por parte da Misty usar o cenário para camuflar seu Pokémon. — comentou
Brock, analisando com atenção cada detalhe. — Creio que essa seja a principal
tática do Ginásio: testar a capacidade de adaptação dos desafiantes, mesmo em
desvantagem de campo.
—
Mas se o ataque não acertar, vai ser difícil pro Ash derrotar aquele
Shellder... — murmurou Serena, franzindo o cenho, tentando imaginar o que o
amigo poderia fazer.
—
Eu não me preocuparia tanto assim se fosse vocês. — a voz arrastada de Daisy
ecoou das arquibancadas. — Shellder é o Pokémon menos experiente da nossa
irmãzinha. A sinergia deles ainda é bem fraca. — abanou a mão com desinteresse,
como quem já sabia o resultado.
—
É sério? — perguntou Serena, surpresa.
—
É sim! — confirmou Lily, com um sorrisinho provocador. — Ela capturou o
Shellder há poucas semanas. Não sei como um Líder de Ginásio tem coragem de
usar um novato numa batalha oficial, hahaha!
As
palavras ecoaram, mas logo o silêncio voltou. Todos voltaram a observar o
campo, o olhar de cada um fixo na superfície tranquila da piscina – tranquila
até demais.
Daisy,
porém, não conseguia desviar os olhos da irmã.
—
“Mesmo assim... aquele sorriso dela...” — pensou, engolindo em seco ao
ver Misty observando o campo com serenidade, um leve brilho confiante nos olhos,
esquecendo, por um instante, a tentativa de parecer desinteressada. — “...me incomoda.”
—
“Onde ele está?” — pensava Ash, os olhos percorrendo cada centímetro da
piscina em busca de qualquer indício do Shellder. Acima, Butterfree fazia o
mesmo, voando em círculos atentos sobre a água.
—
Bubble Beam! — ordenou Misty, o sorriso ainda firme no rosto.
—
Shell! — Shellder emergiu parcialmente, o suficiente para disparar uma rajada
contínua de bolhas brilhantes.
—
Free! — Butterfree tentou escapar, mas algumas bolhas o atingiram em cheio,
lançando-o para baixo.
—
Recomponha-se, Butterfree! / Pikapi! — gritaram Ash e Pikachu, quase ao mesmo
tempo.
Por
um instante, pareceu que o tipo Inseto cairia direto na piscina - mas, com um
bater desesperado de asas, ele se estabilizou, abrindo-as completamente e
planando sobre a superfície, levantando gotículas de água com o gesto. Após o
ataque, Shellder mergulha de volta.
—
Ufa... foi por pouco. — suspirou Serena, levando a mão ao peito. O início da
batalha estava mais tensa do que ela esperava.
—
A Misty realmente sabe como usar o ambiente ao seu favor. — comentou Brock, um
leve sorriso no rosto. — Essa tática de ataque e recuo é difícil de executar...
mas ela faz parecer simples.
Enquanto
isso, do outro lado das arquibancadas, o clima era bem diferente.
—
Como é que ela tá lidando tão bem com aquele garoto? — murmurou Violet, a testa
franzida.
—
Pois é... nunca vi a Misty batalhar desse jeito. — completou Lily, cruzando os
braços.
Daisy,
porém, permanecia em silêncio. Diferente das irmãs, ela sabia o que estava por
trás daquela confiança. E isso a incomodava.
—
“Vocês podem não saber, mas eu sei muito bem...” — pensou, mordendo o
lábio inferior de raiva e, ao mesmo tempo, frustração. — “Ela sempre foi a
queridinha dos nossos pais, mesmo sem ter talento pra batalhas ou
apresentações...”
A
lembrança veio viva à mente: certa noite, ao retornar mais cedo para casa
depois de inúmeras cessões de apresentações, Daisy avistara a irmã no pátio dos
fundos, treinando sozinha. Staryu e Tentacool lutavam ao limite sob seus
comandos. Não havia plateia, nem orientação - apenas esforço puro, repetido até
a exaustão. Na época, ela achara aquilo inútil. Afinal, sua irmã mais nova não
fora abençoada com o dom do talento.
Daisy
decidiu não mencionar este evento para ninguém. Acreditava não ser relevante.
Mas,
dois anos atrás, o impossível aconteceu. Misty enfrentou Deryl, o mesmo
veterano que agora arbitrava a batalha, e, junta de sua Starmie recém-evoluída,
o derrotou. Daisy assistiu tudo às escondidas mais uma vez, incrédula. Nunca
vira Deryl perder uma batalha, e mesmo assim ele foi derrotado pela Misty,
aquela que estava aparentemente destinada a viver nas sombras das irmãs. Daisy
era a única que sabia desses fatos.
Desde
então, algo dentro da ruiva nunca mais fora o mesmo.
—
“Odeio admitir, mas senti inveja.” — confessou para si mesma, um pensamento
amargo que jamais ousaria dizer em voz alta. — “Nunca senti algo assim com
ninguém... Mas a Misty, mesmo sem nascer com talento, nos superou completamente
em tudo.” — seus dedos se fecharam em punho, os lábios se comprimindo. — “Por
isso eu... não a suporto!” — estalou a língua, desviando o olhar, enquanto
uma raiva silenciosa, fria e contida, faiscava em seus olhos.
—
Bubble Beam, novamente! — ordenou Misty, sem perder mais tempo.
Mais
uma vez, o Shellder emergiu e disparou uma sequência de bolhas reluzentes em
direção à borboleta.
—
Na sua esquerda, Butterfree! — reagiu Ash prontamente.
O
Pokémon alado girou no ar com graça, desviando por um triz, enquanto as bolhas
explodiam ao seu redor em pequenos estalos de luz.
—
Boa! — comemorou o garoto, o semblante firme.
—
“Ele se adapta rápido...” — pensou Misty, arqueando um leve sorriso. —
Shellder, mergulhe novamente!
—
Não tão rápido! — cortou Ash, a voz ganhando energia. — Butterfree, vamos usar
um de seus novos movimentos! Use o Gust! Tire esse Shellder da água!
—
Freeee! — respondeu o tipo Inseto, abrindo as asas num poderoso bater contínuo,
agindo antes de Shellder mergulhar.
O
vento criado se ergueu como uma parede invisível, chicoteando a superfície da
piscina e criando redemoinhos que sacudiram o Shellder. O pequeno molusco foi
arrancado da água, arremessado para o alto em meio a respingos cristalinos, sob
o olhar surpreso da pequena plateia.
—
O quê?! — até mesmo Misty fora pega de surpresa por tal tática.
— “Isso foi interessante.” — Deryl se
mostrava imparcial, mas até mesmo ele não evitou de sorrir ao presenciar isso.
—
É hora do nosso trunfo, Butterfree! Use Giga Drain! — sorriu Ash, os
olhos brilhando de confiança.
Misty
arregalou ligeiramente os olhos ao ouvir o comando.
—
Freeee! — o tipo Inseto vibrou as asas com força, liberando uma aura esverdeada
que envolveu o pequeno molusco ainda suspenso no ar. O Shellder sequer teve
tempo de reagir - a energia vital foi drenada em instantes, fluindo até
Butterfree em feixes de luz esmeralda que restauravam boa parte de seu vigor.
—
Shell... — o Pokémon bivalve soltou um som fraco antes de cair de volta à
piscina, flutuando inerte sobre a superfície.
Um
breve silêncio tomou o Ginásio, quebrado apenas pelo som suave da água. Até que
alguém quebra a quietude.
—
Shellder está fora de combate! Butterfree vence! — anunciou Deryl, a voz
serena, mas com um leve tom de satisfação ao ter presenciado tal confronto.
Ash
soltou um suspiro aliviado, enquanto Butterfree pairava acima da piscina,
orgulhoso.
—
Ele conseguiu! — comemorou Serena, empolgada. — Sua ideia de comprar a TM do Giga
Drain realmente ajudou muito, Brock.
—
De fato. — respondeu o rapaz, observando Misty recolher Shellder de volta à
Poké Ball. No entanto, sua expressão se tornou mais séria, para a confusão da
kalosiana. — Mas tem algo me incomodando desde que vi aquela TM na loja.
—
E o que é? — perguntou Serena, notando o olhar pensativo do amigo.
—
Por que diabos estariam vendendo uma TM do tipo Grama numa cidade com um
Ginásio do tipo Água? — questionou, franzindo o cenho. — Isso não faz o menor
sentido.
—
Parando pra pensar... você tá certo. — admitiu a caramelada, coçando o queixo.
— Seria como dar um tiro no próprio pé.
De
fato, era algo curioso - quase suspeito. Claro, poderia ser apenas paranoia da
parte de Brock, mas o ex-Líder não conseguia afastar a sensação de que havia
algo de muito errado naquela situação toda. E essa sensação somente se agravara
ao perceber o sorriso que surgiu nos lábios de Misty, como se aquilo tudo não a
afetara tanto quanto o esperado.
Alheias
a esse diálogo, as três irmãs tinham suas próprias opiniões.
—
Ela usou um Pokémon novato. Era óbvio que ia perder. — ironizou Lily, cruzando
os braços. — Ainda mais levando um golpe do tipo Grama bem na cara. Nem o
Shellder mais resistente aguentaria aquilo.
—
Eu só queria saber quem teve a brilhante ideia de colocar um TM do tipo Grama à
venda num Poké Mart daqui. — reclamou Violet, balançando a cabeça em descrença.
Ela não fazia ideia de que tinham algo assim na cidade. — Será que foi ideia da
Misty? Porquê se for, é o tipo de erro de gestão que faz um Líder de Ginásio
passar vergonha.
Mas,
enquanto falavam, algo lhes chamou a atenção: Misty não parava de sorrir.
—
Ela pirou de vez? — murmurou Violet, semicerrando os olhos. — Tá achando graça
de perder um Pokémon?
Daisy
manteve-se em silêncio, apenas observando aquela expressão serena e ao mesmo
tempo enigmática no rosto da irmã mais nova. Seu incômodo só se agravara com
isso.
—
Obrigada, Shellder. Você me ajudou muito. — sussurrou Misty, com um sorriso
tranquilo, antes de guardar a Poké Ball e puxar outra. — Parece que tô com
problemas, hein, Ash! — admitiu Misty. No entanto, havia algo curioso em seu
tom de voz: leve, quase brincalhão, como se aquele “perigo” não passasse de
parte da diversão.
—
Não parece que você tá muito preocupada. — comentou Ash, franzindo levemente o
cenho.
—
Ah é? Você até que é observador. — respondeu ela com um sorriso de canto,
aumentando a esfera em suas mãos.
Ash
pensava em qual seria o próximo Pokémon da ruiva. Mas seja o que viesse, ele
estaria preparado.
No
entanto, Deryl demonstrou interesse no que aconteceria a seguir. Um sorriso
dançava em seus lábios: ele sabia exatamente o quê viria.
—
“A brincadeira de verdade começa agora.” — pensou Misty, confiante. — É
com você!
Da
Poké Ball lançada, emergiu um Pokémon de corpo gelatinoso e translúcido, com
duas esferas vermelhas no topo da cabeça e tentáculos que ondulavam suavemente
na água. Ele desceu com graça até a superfície da piscina, como se o ambiente
fosse uma extensão natural de si mesmo.
—
Isso é... um Tentacool. / Pika! — reconhecem Ash e Pikachu.
—
Elexa, analise de novo. — pediu Serena, já acionando sua Pokédex. Ash faz o
mesmo.
—
TENTACOOL / Nº 072 / Água e Veneno: Flutua à deriva pelos oceanos
e lagos, movimentando-se com o balanço das correntes. Seus tentáculos contêm
toxinas poderosas, usadas tanto para capturar presas quanto para se defender.
Quando exposto à luz, seu corpo translúcido brilha como se fosse feito de
vidro.
—
Aquele Tentacool parece muito bem criado. — observou Brock, atento. Seu olhar
de criador em ascensão percebia os detalhes: o controle, a postura, a
confiança. Tudo naquele Tentacool indicava um treinamento minucioso. Talvez, a
partir dali, a batalha realmente começasse de verdade.
—
O Tentacool... — murmurou Daisy, soltando um suspiro baixo. Ela se lembrava
perfeitamente de quando Misty o recebera - um dos primeiros Pokémon da caçula,
presente do pai antes de falecer. E, por mais que lhe custasse admitir, aquele
Tentacool havia se tornado forte. Forte demais.
—
Você pode continuar, Butterfree? / Freee! — perguntou Ash, firme. Seu parceiro
respondeu com determinação: não abandonaria a luta tão cedo. — Certo... então
vamos começar com Stun Spore!
Butterfree
bateu as asas com vigor, liberando uma nuvem de esporos amarelados que
flutuaram em direção ao Pokémon aquático.
—
Use o Constrict! Destrua esses esporos. — ordenou Misty, mantendo o
mesmo sorriso tranquilo.
—
Tenta...COOL! — O Tentacool saltou da água com agilidade, girando o corpo. Seus
tentáculos se moveram em sincronia precisa, varrendo o ar e dissipando
completamente os esporos paralisantes. Um movimento limpo, fluido - e
assustadoramente eficiente.
—
O quê?!!! / Pika?!!! — Ash e Pikachu exclamaram em uníssono. O garoto arregalou
os olhos, incapaz de esconder o espanto. Nunca vira ninguém usar um movimento
daquela forma - exceto talvez... ele, o próprio Red.
—
É possível usar um Constrict daquele jeito?!!! — Serena levou a mão à
boca, assustada. A naturalidade com que Misty havia feito aquilo era quase
intimidadora. Ela fazia parecer fácil, mas claramente não era.
—
O Treinador não é obrigado a usar os movimentos de seus Pokémon de maneira
ortodoxa. — explicou Brock, ainda admirado, embora com o olhar mais analítico
do que surpreso. — Um verdadeiro Treinador Pokémon consegue criar suas próprias
táticas... algo que sirva tanto para defesa quanto para ataque. — Fez uma pausa
e apontou para a própria cabeça, sorrindo para a amiga. — Requer criatividade.
Serena
ficou em silêncio por alguns segundos, apenas digerindo aquelas palavras. A
ideia martelava em sua mente - os movimentos não eram apenas o que constava no
manual. Eram ferramentas. E, talvez... ela pudesse aprender a usá-las à sua
própria maneira também.
—
Acho que... eu nunca vi a Misty batalhar dessa forma. — suava Lily, espantada.
— Aquela é mesmo nossa irmãzinha?
—
É sim, Lily. — respondeu Daisy, chamando a atenção das irmãs. — Mas ao mesmo
tempo, não é. — sua expressão estava séria, distante do tom vaidoso de sempre.
— Não gosto de admitir isso, mas a Misty se tornou forte. Bem mais que a gente.
— estalou a língua, contrariada por ter dito aquilo.
—
Você tá brincando... — murmurou Violet, voltando o olhar para o campo de
batalha junto de Lily. Misty parecia feliz naquele lugar. Estava em perfeita
sintonia com o ambiente, com o ar, com a própria água - como se aquele fosse o
lugar a que realmente pertencia, e não os palcos ou o brilho superficial das
apresentações.
Enquanto
isso, Ash se recompunha, analisando o Tentacool à sua frente.
—
“Tudo bem... Aquele Tentacool é mais forte do que aparenta, então terei que
tomar mais cuidado a partir de agora.” — pensou, antes de erguer a voz: —
Use Gust!
—
Free! — Butterfree bateu as asas com força, gerando uma rajada que agitava a
água e empurrava Tentacool levemente para trás.
—
Não vai ser tão simples, Ash! — retrucou Misty, com um brilho confiante no
olhar. — Water Pulse!
Mesmo
sob a ventania, Tentacool lançou uma esfera de água altamente pressurizada em
direção à borboleta.
—
Evasiva, Butterfree! / Free! — Ash reagiu rápido, e seu parceiro interrompeu o Gust,
subindo em voo para escapar do ataque. Mas, sem perceber, colocara-se
exatamente onde Misty queria.
—
“Bingo.” — sorriu a ruiva, em pensamento. — Constrict, agora!
—
Cool! — Tentacool saltou da água com precisão, seus tentáculos se projetando na
direção do Butterfree.
—
Essa não! Sai daí! / Pikapi! — gritaram Ash e Pikachu, alarmados, mas já era
tarde demais.
Tentacool
agarrou Butterfree com força, prendendo-o firme entre seus tentáculos.
—
Freeee! — o tipo Inseto gritou em dor, debatendo-se em vão contra o aperto.
—
Isso é ruim... — murmurou Brock, suando. Serena levava a mão ao peito, tensa,
incapaz de imaginar como Butterfree poderia escapar daquela situação.
—
Saia dessa, Butterfree! Você consegue! — Ash gritava, tentando passar toda a
confiança que podia. Mas quanto mais o Pokémon se debatia, mais os tentáculos
de Tentacool apertavam, firmes e implacáveis.
—
É inútil, Ash. — Sorri Misty — Mantenha ele preso, Tentacool! E use Toxic!
—
Tentaaa... — uma secreção espessa e arroxeada começou a se formar na boca do
Pokémon aquático. Seus tentáculos continuavam enrolados em Butterfree,
impedindo qualquer tentativa de fuga. — ...Cool! — E então, o jato venenoso foi
disparado a queima-roupa.
—
Ah, não! / Pikachu! — reagiram Ash e Pikachu..
O
impacto foi direto.
—
Freee... — o gemido de Butterfree soou fraco, o corpo trêmulo. A coloração em
seu rosto começou a mudar, adquirindo um tom arroxeado vivo. A respiração do
Pokémon tornou-se irregular: o veneno já corria em seu corpo.
—
Agora piorou foi tudo... — murmurou Brock, o semblante tenso.
—
Butterfree... — Serena apertava as bordas da saia, impotente.
Ash
cerrava os punhos. Ele sabia o que o veneno faria, e que, se não agisse logo,
Butterfree não teria muito tempo antes de ceder.
No
entanto, Misty não daria tempo para Ash contra-atacar.
—
Tentacool... jogue o Butterfree na água. — disse, em tom calmo, quase casual.
Aproveitando
que ainda mantinha o oponente imobilizado em seus tentáculos, Tentacool o
lançou com força contra a piscina, sob o olhar incrédulo dos demais.
A
borboleta caiu na água, debatendo-se freneticamente, sem conseguir sair.
—
Butterfree!!! — exclamou Ash, desesperado.
—
Freee!!! — o Pokémon se agitava, sufocado e enfraquecido, enquanto o veneno
fazia efeito.
—
As opções do Butterfree se tornaram completamente obsoletas agora. É só questão
de tempo até... — avaliou Brock, sério. Não via uma saída possível para o
Pokémon do amigo. Serena, em silêncio, apertou as mãos, aflita.
As
irmãs de Misty apenas observavam, atônitas, diante do plano impecável da mais
nova. Envenenar e, logo em seguida, joga-lo na água. Era uma estratégia
bastante eficiente que elas jamais pensariam.
—
“Butterfree não tem forças para sair da água no estado atual...” —
pensava Ash, até que um leve sorriso surgiu em seu rosto: nervoso, mas ainda determinado.
Teria de apostar tudo em seu trunfo mais uma vez. — Butterfree, se acalma e use
Giga Drain! — talvez, com a energia recuperada, ele conseguisse sair da
água.
As
ondas agitadas da piscina não permitiriam que Ash o chamasse de volta para a
Poké Ball - o feixe de luz seria disperso na água. Restava apenas aquela alternativa.
Misty,
no entanto, apenas ampliou seu sorriso.
—
Free... — Butterfree parou de se debater e lançou a aura esverdeada em direção
a Tentacool, que se manteve imóvel. Misty não ordenara nenhuma evasiva, para
espanto de todos que observavam.
A
aura envolveu o corpo da água-viva, causando certo incômodo, mas Tentacool
permaneceu firme, quase inabalável.
Por
outro lado, quando a cúpula de energia curativa retornou ao corpo de
Butterfree... algo inesperado aconteceu. Seus grandes olhos perderam o brilho,
tornando-se opacos. E, em vez de subir, ele simplesmente afundou.
—
O quê?!!! / Pika?!!! — Ash ficou paralisado, incrédulo diante do que via.
—
Mas o que… aconteceu? — questionou Serena, ainda tentando entender o que vira.
Brock
manteve o olhar fixo na piscina por alguns segundos, até que uma expressão de
clareza surgiu em seu rosto.
—
Será que… — murmurou, apenas para Serena o ouvir. Fazia todo o sentido agora.
Como não havia percebido antes?
Daisy,
Violet e Lily trocavam olhares confusos, sem compreender o ocorrido, enquanto
Deryl, ao contrário, observava a cena com um leve sorriso - o tipo de sorriso
de quem já conhecia o desfecho desde o início.
—
Pois é, Ash. — disse Misty, num tom quase provocativo, mas calmo demais para
soar cruel. — Que isso sirva de lição pra você: nunca confie cem por cento em
alguém.
A
confusão do garoto só aumentou com a fala da ruiva. Seu Pokémon deveria ter se
recuperado… mas afundara como se toda a força tivesse sido drenada dele. Misty,
por outro lado, parecia entender perfeitamente o que havia acontecido.
Qual seria a resposta para aquele fenômeno?

