terça-feira, 30 de setembro de 2025

Pokémon: TLD - Capítulo 12: Confronto no Monte Lua

Pokémon: TLD - Capítulo 12: Confronto no Monte Lua

Em uma instalação secreta, avançando pelos corredores bem iluminados, uma mulher caminhava rapidamente em linha reta. Durante o trajeto, vários homens devidamente trajados com uniformes com um “R” estampado passavam por ela.

 

A moça avançava rapidamente, enquanto os sons de seus saltos vermelhos ecoavam. Ela demonstrava uma postura de seriedade, com seus cabelos púrpura curtos e olhos vermelhos afiados por trás de seus óculos. Seu blazer social cor de vinho, junto de uma meia calça escura revelava um visual único entre os membros da organização, destacando sua posição de secretária. Ela carregava uma prancheta em sua mão direita.

 

Posteriormente, ela finalmente se vê frente a frente com uma porta metálica com um enorme símbolo da Equipe Rocket destacado. Os soldados, ao notarem a moça, rapidamente permitem a passagem dela sem precisarem fazer quaisquer perguntas de identificação.

 

Ela então adentra a sala pessoal onde um homem de aparência dura, contrastando com seu terno escuro, se encontrava acomodado confortavelmente em sua cadeira luxuosa, enquanto acariciava um felino quadrúpede com uma joia vermelha no centro de sua testa, que permanecia confortavelmente deitado em seu colo.

 

— Matori se apresentando para o dever, senhor! — Matori anunciava, fazendo uma reverência ao seu dirigente.

 

O homem de terno volta sua atenção para a mulher que acabara de entrar em seu escritório, mas sem deixar de esfregar as costas do felino, que bocejava de preguiça.

 

— Matori, forneça-me o relatório de como está indo o progresso da Operação Monte Lua. — Exige o homem com uma voz séria e autoritária.

 

— Sim, senhor. — Matori assente, logo puxando sua prancheta. — De acordo com as informações que recebi do esquadrão encarregado da missão, a operação tem seguido sem nenhum problema. Inclusive, já conseguiram obter um bom número de “Pedras da Lua” escavadas na montanha.

 

O líder ouvia aquelas informações com uma satisfação breve. Apesar de não ser uma operação complexa, ele sabia que era significativo obter mais recursos para financiar a organização, e dessa forma, a coleta dessas “pedras preciosas” era fundamental.

 

— Mas sinto uma dúvida sobre a operação, senhor. Tem certeza de que foi uma boa ideia enviar aquele trio para uma missão tão importante? — Questiona Matori com um sentimento de dúvida.

 

— Bem, de fato, aqueles três falharam em sua primeira missão após ascenderem em sua posição no Ranking. Eles sofreram uma advertência semana passada por conta de seu fracasso. Acredito que o mesmo não se repetirá dessa vez. — Disse o homem calmamente.

 

—   Senhor... você realmente tem tanta fé assim neles? — Matori pergunta, não entendendo a atitude de seu superior quanto àquele trio.

 

Para ela, seu chefe era bem incisivo com suas ordens, e aqueles que falhavam eram duramente punidos, e outros até mesmo eram descartados. Os únicos que ele era capaz de tolerar pequenos erros eram os membros da mais alta patente da Equipe Rocket.

 

— Não. Nem um pouco. — Ele respondeu sem rodeios. — Eles são um bando de inúteis. Entretanto, eu tenho mesmo é fé naqueles que estão protagonizando essa operação.

 

— Você se refere a aqueles dois? — Matori fala, se lembrando dos dois membros de Rank A.

 

— Exatamente. Aqueles dois não são conhecidos por falharem em suas missões. Com eles supervisionando o esquadrão e aqueles três imprestáveis, é impensável que a operação seja um fracasso. — O líder declarou, demonstrando confiança em seus membros de elite.

 

— Compreensível. Acredito também que eles são extremamente capazes de finalizar tal tarefa. — Matori concordou. A mulher também reconhecia a habilidade da dupla e seus feitos na organização, que apesar de estarem bem atrás dos “Executivos da Equipe Rocket”, foram fundamentais em diversas missões importantes.

 

— A propósito, Matori. Como está indo o progresso do experimento MCA? — Ele se recorda.

 

— Ah sim! Perdão! Deixe-me verificar. — Exasperou-se Matori. Ela se martirizava por ter esquecido de um relatório tão importante. Ao averiguar em sua prancheta, ela informa os detalhes. — Os cientistas disseram que o experimento está seguindo bem, exceto que ainda será necessário mais tempo até que a armadura da cobaia seja finalizada.

 

— Hum... entendo. — O homem murmurou. Ele sabia que concluir tal experimento não seria fácil, mas ele não conseguia esconder que estava ficando impaciente. Ele deseja poder logo testar o seu maior projeto. — Muito bem, Matori. Agradeço pelos relatórios. Você está dispensada.

 

— Obrigada, senhor. Com sua licença. — Matori faz sua reverência final, antes de sair do escritório de seu superior.

 

Assim que as portas se fecharam, o homem que acariciava o Pokémon em sua poltrona, mostrava um semblante sério e pensativo. Em sua mente, ele apenas divagava levemente.

 

“Não permitirei que frustrem os meus planos mais uma vez. Levei anos de dedicação para poder finalmente alcançar meus objetivos. Só mais um pouco. Só falta mais um pouco, e enfim... a regiões de Kanto e Johto se curvarão perante a Equipe Rocket.” — Pensava o homem, não evitando sorrir ao imaginar seu plano realizado.

 

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No dia seguinte, após a batalha estrondosa no Ginásio de Pewter, Ash e Serena seguiram viagem com seu novo companheiro de jornada: Brock Slate. Logo no primeiro dia, a mudança fora absurda, pois graças ao auxílio do ex-Líder de Ginásio, o casal não só desfrutaram de uma companhia agradável, mas também de um excelente chefe de cozinha, que preparou uma refeição digna de um restaurante cinco estrelas.

 

Não só isso, mas também até mesmo os Pokémon apreciaram a ração caseira de Pokémon que Brock preparou. De acordo com seu conhecimento em Criação de Pokémon, ele detalhou que cada espécie precisa ter uma receita própria não só para o gosto específico de cada espécie de Pokémon, mas também um conjunto de ingredientes que ajudam no metabolismo único deles, algo que deixava tanto Ash quanto Serena impressionados pelo conhecimento e detalhismo do mais velho.

 

Brock também deixou claro que, essas questões seriam naturalmente aprendidas por eles com o devido tempo e que ele trataria de os ensinar adequadamente, assim como instruções de montagem de acampamento e receitas, o que para a dupla foi bastante gratificante, pois estavam dispostos a aprender tudo o que podiam, especialmente Serena, que ansiava em ser instruída mais sobre culinária, esperando poder secretamente agradar Ash.

 

Sentados na fogueira, o novo trio conversou brevemente sobre suas histórias e objetivos. Brock ficou impressionado pelo sonho ambicioso de Ash de se tornar um Mestre Pokémon. Se o rapaz tivesse ouvido sobre tal meta antes de sua batalha de Ginásio, ele teria permanecido cético, mas após a vitória de Ash, ele poderia dar um voto de confiança, pois acreditava que o rapaz demonstrava ser promissor.

 

Serena, por outro lado, demonstrava ainda estar perdida, sem ainda um sonho a ser almejado por si mesma, contudo, Brock a confortou, informando que ele já havia encontrado várias pessoas nesta mesma situação, e a jovem kalosiana não era um caso isolado.

 

Ele também ficou encantado pela Pokémon de fogo da garota, pois Brock, apesar de ser um conhecedor nato de várias espécies de Pokémon, nunca vira uma Fennekin de perto, explicando em seguida que graças a isso, ele poderia aprimorar ainda mais seus conhecimentos com Pokémon de outras regiões.

 

Durante a interação agradável abaixo do céu estrelado, ele notou que Serena demonstrava uma proximidade com Ash, o que o fizeram confessar como haviam se conhecido e feito a promessa de viajarem juntos. Brock fingiu não ter notado, mas internamente, estava rindo por dentro daquela paixão adolescente que a jovem demonstrava por seu amigo, enquanto se perguntava em sua mente se poderia um dia conhecer uma bela mulher que o apreciasse da mesma forma.

 

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Três dias depois, durante o horário da tarde, enquanto o sol ainda estava no céu, o grupo percorria uma trilha, entre várias árvores. Durante a subida pela colina, Brock verificava o Mapa Regional de Kanto para se informar sobre a localização atual do grupo e o próximo passo a ser seguido.

 

— Falta muito ainda para chegarmos a próxima cidade, Brock? — Indaga Ash, demonstrando ansiedade para o seu novo desafio.

 

— Bem... averiguando o mapa, posso dizer com certeza de que não falta muito. Tudo que resta agora é atravessarmos aquela montanha. — Apontou Brock.

 

Ash e Serena então olham para a direção que o amigo havia apontado. Era uma montanha alta próxima, coberta por um grande conjunto de árvores.

 

— Estão vendo? Aquele é o Monte Lua. É o caminho que devemos percorrer. Assim que finalmente o cruzarmos, chegaremos a próxima cidade, Cerulean. Lá, você poderá fazer a sua segunda batalha de Ginásio, Ash. — Detalhou Brock.

 

— Você ouviu isso, Pikachu? — Ash falou para o seu parceiro em seu ombro. — Logo poderemos desafiar mais um Ginásio e ganhar a segunda Insígnia. — Declara o moreno com confiança.

 

— Pikachuu! — Pikachu vibra de emoção.

 

— Monte Lua... — Serena murmurava o nome. — ... É um nome bem encantador e romântico. Qual seria a história por trás? — Ela questiona fascinada.

 

— Hum, pelo que eu ouvi de algumas lendas contadas sobre ele... Algumas pessoas acreditam que um enorme meteoro atingiu as montanhas em eras pré-históricas. O meteoro foi batizado por povos antigos de “Pedra da Lua”, por conta de seu brilho que se assemelhava ao do nosso próprio satélite natural. Posteriormente, a montanha foi nomeada de “Monte Lua”, em homenagem ao mineral raro que foi gerado graças a colisão. — Explicou Brock, deixando Serena deslumbrada pela história.

 

— Isso é incrível! Imagina se pudéssemos presenciar essa tal Pedra da Lua? — Imaginava Serena, pensando na possibilidade remota, mas extremamente atraente.

 

— Bem, não custa sonhar, não é mesmo? — Dizia Ash, não querendo se deixar levar por uma chance improvável de encontrar tal pedra preciosa.

 

Não era que o garoto não tivesse fé que fosse possível, afinal, em seu primeiro dia de jornada, ele havia visto o Pokémon Lendário, Ho-oh. Entretanto, ele não pensava que eles seriam tão sortudos de conseguir vislumbrar a veracidade de tal lenda.

 

— AAAAAAAAAAAAAAARGHH!!! — De repente, um grito estridente de uma pessoa quebrava a atmosfera pacata do trio, inclusive, aguçando as orelhas de Pikachu.

 

— Olhem! Veio de lá! — Ash falou.

 

O barulho alto não passou despercebido por eles, e decididos, eles correm até a origem do som, e ambos pensavam em um mesmo cenário: alguém estava gritando por ajuda.

 

Após subirem a colina, eles se deparam com um homem vestindo um jaleco branco ajoelhado e encolhido, protegendo sua cabeça com seus braços, enquanto um grupo de pequenos Pokémon, com coloração azulada e arroxeada semelhantes a morcegos, avançavam sobre ele um após o outro.

 

— Aquilo é... um bando de Zubat’s! — Exclama Ash chocado.

 

— Eles estão atacando aquele homem! — Serena fala preocupada.

 

Rapidamente, Ash decide analisar com sua Pokédex o bando de Pokémon, e rapidamente, Dexter faz o seu trabalho.

 

— ZUBAT / N° 041 / Veneno e Voador: Ele emite ondas ultrassônicas pela boca para verificar os arredores. Mesmo em cavernas apertadas, Zubat voa com habilidade. — Dexter descreveu.

 

“Isso é estranho. Por quê tem Zubat’s voando fora de uma caverna?” — Ash divagava em sua mente. — “Mas isso não é importante agora. Temos que ajudar aquele senhor.”

 

Rapidamente, Ash logo decidiu pôr um fim à violência dos Pokémon morcegos.

 

— Pikachu, use o Thundershock nos Zubat’s! — Comandou o Ketchum.

 

— PIKAAACHUUUU!!! — Pikachu saltou do ombro de Ash, disparando uma rajada elétrica nas criaturas.

 

Os Zubat’s grunhiram de agonia ao serem atingidos pelo relâmpago inesperado, fazendo o grande bando fugirem assustados de volta para dentro da caverna.

 

Bem, todos exceto um remanescente, que havia caído no gramado por conta da eletricidade. Ao invés de bater em retirada como os demais, este Zubat enfraquecido ainda desejava confrontar seu agressor, algo que atiçou a curiosidade no membro mais velho do grupo.

 

— Parece que ainda restou um. Muito bem, com isso, eu vou... —

 

— Espera aí, Ash! — Brock o interrompe. — Não quero parecer desrespeitoso, mas posso ser eu a capturá-lo?

 

Aquele era um pedido repentino. Ash já estava prestes a fazer uma nova captura, mas se recordou de seu comportamento na Floresta de Viridian, onde ele sequer havia dado a oportunidade para Serena fazer sua própria.

 

— Claro, Brock. Não vejo problemas nisso. — Responde Ash, guardando sua Poké Ball.

 

 — Obrigado, Ash. — Brock agradece, e com sua esfera em prontidão, ele a arremessa. — Poké Ball, vai!

 

A esfera atinge o ser alado, que fora completamente surpreendido pela bola vermelha, que o envolve com seu brilho, selando-o. Após balançar brevemente três vezes, o barulho característico de captura pode ser ouvido.

 

— Ótimo. Eu sempre quis ter a oportunidade de estudar um Zubat. — Brock diz ao pega a esfera, com uma expressão de satisfação.

 

— Você está bem? — Ash vai até o homem caído para verificar sua condição.

 

— Minha nossa! Graças a Arceus! — Levantava o estranho, eufórico, demonstrando sua gratidão de forma exagerada. — Eu estaria perdido se vocês dois não tivessem chegado a tempo.

 

— A-ainda bem. Haha... — Falava Ash sem graça, pensando que na verdade o homem estava apenas sendo dramático, já que seu corpo só possuía alguns arranhões.

 

Ele dificilmente acreditava na possibilidade do homem ser morto por um pequeno bando de Zubat’s.

 

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Após salvarem o viajante, o grupo de Ash, junto desse estranho sujeito, avançam para dentro da entrada da passagem cavernosa do Monte Lua. Ao adentrarem, o trio é pego de surpresa por conta do ambiente bem iluminado por lâmpadas acopladas nas paredes, algo que não era natural.

 

Durante a caminhada, era evidente que haviam dúvidas sobre o porquê do homem de jaleco ter sido alvo dos Pokémon morcegos.

 

— Mas então, o que aconteceu para que aqueles Zubat’s atacassem o senhor? — Indaga Serena, tentando entender a situação.

 

— NÃO ME CHAME DE SENHOR!!! — O homem se virava aos gritos, assustando os demais. — Meu nome é Seymour, o cientista!

 

— D-desculpa! Não foi minha intenção ofendê-lo! — Retrata-se Serena, envergonhada. — Mas o que fez aqueles Pokémon o atacarem?

 

— Ah sim! — O agora nomeado Seymour instantaneamente retorna ao seu humor habitual. — A verdade é que, eu estava vindo para cá para fazer algumas pesquisas dentro da montanha. Entretanto, parece que pessoas suspeitas adentraram e começaram a perturbar o habitat dos Pokémon que vivem aqui. Inclusive, quando entrei mais cedo, haviam várias lâmpadas e barulhos altos de escavação dentro do local, simbolizando que ocorreu atividade humana, mas quando estava me aproximando mais a fundo, os Zubat’s saíram voando, bastante irritados, por sinal, e começaram a me atacar sem motivo aparente algum.

 

Brock cruzou os braços. Ele entendia que a situação era problemática. Como um rapaz que se aprofundou nos estudos de Criação Pokémon, uma das coisas mais importantes aprendidas era o padrão comportamental e o habitat dos Pokémon.

 

— Entendo. Provavelmente, essa ação humana dentro da caverna acabou abalando o ecossistema dos Pokémon que vivem ali. Os Zubat’s são Pokémon que habitam em cavernas escuras, e devido a essa mudança brusca na luminosidade, junto dos barulhos, acabou afetando a ecolocalização deles, fazendo eles ficarem perturbados e confusos. — Detalhou Brock.

 

— Exato. Era o que eu teorizava também. E isso não só se aplica aos Zubat’s. Outros Pokémon que se adaptaram a viver em áreas escuras seriam completamente prejudicados, pois seus corpos não estão acostumados a serem expostos a uma luz tão forte. — Pontou Seymour.

 

Aquela explicação sanava a dúvida de Ash. Ele havia estranhado a aparição dos Pokémon morcegos, mas agora, tudo se encaixava. Seja lá a pessoa ou grupo que estivesse incomodando os Pokémon que viviam ali, não poderiam deixar que saíssem impunes.

 

— Isso é terrível! Essas pessoas não fazem ideia do mal que estão causando?! — Alega Serena, irritada. — Mas por quê será que eles fariam isso?

 

— Minha teoria seria que: eles estão atrás da Pedra da Lua. — O cientista falou com convicção.

 

— Espera! A Pedra da Lua não era apenas um mito? — Questiona Ash em choque.

 

— Está errado, meu jovem. A Pedra da Lua é de fato verdadeira, isso porque foram encontrados antes por aqui os seus fragmentos. De acordo com as pesquisas, é dito que possuem a capacidade de aumentar o poder dos Pokémon. Dessa forma, acredito que esse grupo de malfeitores estejam tentando encontrá-la. — Seymour detalha sobre o objeto. Era mais do que óbvio a sua devoção sobre o tal minério. — Meu objetivo é poder não só entender mais sobre as suas propriedades, mas também compreender a sua origem. Talvez... isso comprove que até mesmo os Pokémon possam ter vindo do...

 

— Cleeefaaairy!!! — Um grito de um Pokémon pode ser ouvido pelos presentes, interrompendo a fala de Seymour.

 

— Isso foi... — Serena dizia, já entendendo do que se tratava.

 

— Um Pokémon! Ele deve estar em perigo! — Brock diz, terminando a frase.

 

— Vamos lá! — Ash diz, começando a correr na direção de onde o som ecoava.

 

— E-ei! Esperem por mim! — Gritava um Seymour desajeitado, temendo ficar sozinho novamente.

 

À medida que avançavam pelo corredor cavernoso, os gritos ficavam mais altos. Eventualmente, eles chegam ao seu destino e o que presenciaram os deixou surpresos.


Em uma sala maior, havia um Pokémon arredondado cor de rosa pequeno e de aparência adorável, com braços e pernas curtas. Seu rosto possuía olhos grandes e expressivos, além de ter uma parte de seu corpo como um topete e uma cauda em formato espiral.

 

A criatura segurava uma pequena pedra prateada reluzente e visivelmente estava amedrontada, e não era para menos, pois estava cercada por duas figuras humanas.

 

— Clefaaairy... — Gemia o pequeno Pokémon.

 

— Não adianta fugir, pequenina. É melhor se entregar sem resistência. — Falava a moça com um sorriso perverso.

 

— É melhor mesmo! Caso contrário, iremos fazer você sentir muita dor. — Ameaçou o outro Rocket, sadismo intrínseco na sua voz.

 

Se tratava de um homem e uma mulher; ambos de cabelos curtos e rosados respectivamente. Eles trajavam um uniforme familiar. Apesar de pequenas diferenças, como o uso de roupas pretas com luvas e botas cinzentas, mas o grande “R” destacado no peito eram inconfundíveis para Ash e Serena.

 

— Ash, aquele uniforme... eles são... — Serena dizia com um tom de apreensão.

 

— ... a Equipe Rocket. — Ash completou a frase, fechando o semblante.

 

— Equipe Rocket? — Indaga Brock, pois não entendia o assunto.

 

Ash então informou Brock, que não estava a par do assunto.

 

— Eles são um grupo de ladrões de Pokémon. Eu e Serena enfrentamos eles quando tentaram atacar o Pokémon Center de Viridian, mas conseguimos detê-los.

 

— Entendi. Então eram eles que o noticiário havia informado. — Disse Brock, se lembrando de ter visto na TV sobre uma reportagem sobre um ataque em Viridian de um grupo de criminosos. Não haviam revelado o nome, por isso Brock não os conhecia por “Equipe Rocket”.

 

“Se eles estão aqui, então, significa que aqueles três também devem estar por perto.” — Pensava Ash, alarmado.

 

— Aqueles dois... estão intimidando aquela Clefairy. — Apontou Seymour, não apreciando em nada a cena. — Isso não pode ficar assim. Eles vão ver só... — Neste momento, o cientista começava a ir em direção a dupla de malfeitores, mas era rapidamente impedido por Brock.

 

— É perigoso, senhor Seymour! Fique para trás que nós cuidaremos disso! — Enfatizou Brock com seriedade.

 

— JÁ FALEI PARA NÃO ME CHAMAREM DE SENHOR! MEU NOME É SEMYMOUR, O CIENTISTA!! — Berrava Seymour irritado, enquanto Ash e Serena estapeavam a cabeça frustrados, pois o homem havia revelado completamente a presença deles.

 

Os dois Rockets se surpreendem ao ver o grupo recém chegado há poucos metros de distância. Para eles, não deveria ter nenhum intruso rondando pelas cavernas.

 

— Ei! Quem são essa gente? — A Rocket feminina questiona incomodada.

 

— A área está sob o controle da Equipe Rocket! Intrusos não serão tolerados! — O outro Rocket falou, com a cara fechada.

 

— Clefaaairy... — Clefairy agora ficava ainda mais atormentada. Ela já temia a dupla de perseguidores, e agora, haviam mais quatro vindo para capturá-la.

 

— É melhor deixar essa Clefairy em paz! / Pikapika! — Ash falava, com seu olhar entregando a raiva que sentia nesse momento, enquanto Pikachu eletrocutava suas bochechas em sinal de ameaça.

 

— Hunf! Crianças deveriam aprender a respeitar os mais velhos! — A Rocket mulher debochou.

 

— Vamos mostrar a eles o poder da Equipe Rocket! — O outro Rocket declarou, com uma confiança inabalável.

 

Ambos os Rockets puxaram suas Poké Balls e arremessaram no ar, liberando seus Pokémon.

 

— Sandshreeew! / Rattataaa! — Um Pokémon tatu de cor amarelada e um roedor de pele arroxeada se manifestaram, com semblantes raivosos, representando a natureza de seus treinadores.

 

— Então vocês querem uma briga? Pois vocês terão uma briga! Metapod, eu escolho você! / Metaaapod! — Ash lança sua esfera, revelando o Pokémon casulo.

 

— Deixe-me ajudá-lo, Ash! Geodude, vai! / Geoodude! — Brock também decide auxiliar Ash e convoca seu Pokémon pedra para a batalha.

 

— Serena, nós vamos cuidar deles enquanto você protege o Seymour! — Pedia Ash.

 

— Pode deixar, Ash! — Assentia a garota, no que ela e o cientista se afastam a uma distância mais segura.

 

Se abrigando atrás de uma rocha maior, Serena aproveita para conferir os dados dos Pokémon inimigos com sua Pokédex. Rapidamente, Elexa analisou os dados.

 

— SANDHREW / N° 027 / Terra: Ele cava tocas profundas para viver. Quando em perigo, ele enrola o corpo para resistir aos ataques. — Detalhou a enciclopédica digital.

 

Ela também havia conferido o roedor de grandes presas na sequência.

 

— Que patético! Vão se arrepender de nos desafiar! Sandshrew, ataque eles com o Rollout! — A mulher ordenou.

 

— Sandshreeew! — O Pokémon tatu bola rapidamente partiu para cima do grupo com seu golpe de rolamento.

 

— Geodude, permaneça firme e agarre o Sandshrew! / Geeeooo! — Ordenou Brock, sem fazer alarde.

 

O Pokémon rolava em alta velocidade, entretanto, o Pokémon Pedra manteve-se imóvel e calmo, apenas aguardando o seu adversário.

 

— Duuude! — A colisão enfim ocorria, mas de maneira inacreditável, Geodude agarrou o Pokémon que girava em sua face pedregosa, mas ele não se permitia perder. Eventualmente, o Rollout começava a perder velocidade até que Sandshrew era completamente imobilizado por Geodude.

 

— N-não é possível! — Gritava a Rocket incrédula. — Ele conseguiu parar o Sanshrew com apenas a força dos braços?!

 

— N-não fiquem confiantes! Rattata, ataque aquele Pokémon patético com seu Bite! / Raaattata! — Apontava o homem para o Metapod de Ash, com o Pokémon dentuço correndo em alta velocidade para abocanhar sua presa.

 

— Aí vêm ele, Metapod! Vamos mostrar para eles o quanto você ficou forte! / Metaaa! — Declarou Ash animado e Metapod responde com uma expressão decidida, pronto para mostrar o seu crescimento.

 

— Seu Pokémon não é nada, criança! Pegue ele! — O Rocket, num tom arrogante, brada.

 

Rattata saltou mostrando suas grandes presas, prestes a atacar o Pokémon esverdeado.

 

— Agora, Metapod! Use Harden! — Ash comanda.

 

Metapod então enrijece o seu corpo prestes a receber a mordida. Ao efetuar o ataque com suas presas, o Rattata se chocava com a resistência anormal daquele ser aparentemente frágil. A colisão, além de repelir ambos os Pokémon, fez com que o pequeno roedor grunhisse de dor. Seus dentes perdendo resistência pela carapaça dura do casulo.

 

— I-impossível! Como pode o ataque de meu Rattata não ter dilacerado esse inseto insignificante?! — Falava o Grunt indignado.

 

— Vão se arrepender de nos subestimarem! Metapod, prenda o Rattata com seu String Shot! — Ordenou Ash.

 

— Metaaa! — Enquanto Rattata permanecia atordoado pela dor em suas presas, ele era imobilizado pelos fios de seda de Metapod, ficando incapaz de se mover.

 

— Perfeito! Agora gire-o e o arremesse no Sandshrew! — Exclamou Ash.

 

Metapod, demonstrando uma força impressionante, começou a girar o roedor que tentava inutilmente se libertar.

 

— Lance ele agora! — Exclama Ash, dando o sinal.

 

Através do uso da força centrífuga, o adversário era girado várias vezes até que o próprio inseto o arremessa, rompendo o fio pegajoso, fazendo Rattata voar pelos ares.

 

— Geodude, lance o Sandshrew no Rattata! — Brock falou, aproveitando-se da jogada de Ash.

 

— Geoooo... dude! — Geodude, com extrema facilidade, também joga Sandshrew na direção do Rattata, que vinha na direção deles.

 

Devido a essa ação, ambos os Pokémon colidem entre si, fazendo com que ambos caíssem contra o solo, levemente atordoados e machucados.

 

— Idiotas, levantem-se! — Os dois Rockets gritavam em aflição, pois claramente estavam em desvantagem nessa disputa.

 

— Sem chance! Geodude, Rock Throw! — Brock rapidamente fez o comando.

 

— Geoodude! — Geodude cruzou os braços e levitou fragmentos de pedra pontiagudos do solo da caverna, e os lançou na direção dos Pokémon inimigos.

 

Devido à falta de reação rápida, ambos foram alvejados pelo ataque do Pokémon de Brock, e uma explosão, seguida de uma nuvem de fumaça se formou. Os Rockets permaneceram na expectativa de que seus Pokémon ainda estavam conscientes, porém, suas esperanças foram completamente frustradas.

 

— Sand... / Raaa... — Sandshrew e Rattata se encontravam caídos e com seus olhos girando. Era evidente que estavam nocauteados.

 

— Eles foram... / ... derrotados. — A Rocket Grunt murmura e o outro finaliza em choque extremo. Não esperavam essa reviravolta.

 

Vendo-se encurralados, sem seus Pokémon para se defenderem, decidem bater em retirada.

 

— D-droga! Vocês irão pagar por isso! — Dizem os Grunts, sincronizadamente, correndo para a rota de fuga mais próxima.

 

— Ah, mas não mesmo! Pikachu, Thundershock! / Pikaaachuuuu! — Bradou Ash, e Pikachu saltou, descarregando uma eletricidade potente nos Rockets, fazendo seus corpos ficarem chamuscados, antes de enfim caírem no chão, perdendo a consciência no processo.

 

— Bom trabalho, Pikachu. — Elogiou Ash. — E você também, Metapod. Você foi incrível. Seu treinamento te deixou muito mais forte.

 

— Metaaa! — O inseto grunhia com animação. Ele havia conseguido executar um Harden que seu oponente fora incapaz de superar. Um feito que antes sequer seria possível sem Ash o apoiando.

 

Porém, de forma repentina, o corpo de Metapod começou a brilhar e aquele momento deixou todos incrivelmente surpresos.

 

— Metapod... você... / Pikaaa... — Ash e Pikachu murmuravam incrédulos.

 

— Ele está evoluindo! — Exclamou Serena, deslumbrada com tal evento.

 

— Incrível. Se eu me lembro bem, Pokémon do tipo Inseto possuem uma característica única dos demais tipos: a evolução acelerada. Isso faz com que os Pokémon dessa tipagem consigam alcançar o seu estágio evolutivo final muito mais rápido que outros Pokémon. — Dizia Brock com um sorriso.

 

— É maravilhoso! Presenciar um Pokémon eventualmente alterar a sua forma para ascender a um novo estágio, é um dos momentos mais fascinantes da natureza. — Seymour falou, também não deixando de ficar empolgado.

 

O casulo de Metapod começava a rachar e se abrir, e logo em seguida, uma nova forma surgia. Conforme o brilho diminuía, era possível ver sua metamorfose concluída. Agora, seu corpo possuía escamas escuras, com dois pares de patas superiores e inferiores, também contendo um par de asas brancas com detalhes pretos, além de dois olhos vermelhos reluzente, pequenas presas e duas antenas longas.

 

— Freeee! — O Pokémon borboleta expressava sua felicidade com um bater de asas gracioso.

 

— Uau... — Ash estava boquiaberto com o seu novo Pokémon.

 

— Meus parabéns, Ash. Seu Metapod agora é um Butterfree. — Parabenizou Brock.

 

— Ash! Você conseguiu! Graças a você, Caterpie alcançou seu último estágio! — Serena falava animada, também exaltando que o moreno havia sido o responsável para que o Pokémon ascendesse.

 

— Butterfree... — Ash murmurava o nome de seu velho e novo companheiro, antes de sacar a Pokédex para obter seus dados.

 

— BUTTERFREE / N° 012 / Inseto e Voador: Ela adora o néctar das flores e consegue localizar manchas de flores que tenham até mesmo pequenas quantidades de pólen. — Dexter informou, armazenando a informação recém-adquirida.

 

— Butterfree... estou orgulhoso de você. Você ficou realmente muito forte, amigo. / Pikaachu! — Ash falou para o Pokémon Lepidoptera, e Pikachu também respondeu com felicidade por seu amigo inseto.

 

— Freeeee! — O Pokémon recém-evoluído rodopiava no ar, demonstrando animação, mal podendo esperar para mostrar agora a todos do que era capaz.

 

Ash analisou na Pokédex os movimentos de Butterfree e ficou perplexo. Agora, seus movimentos eram totalmente diferentes dos anteriores. Estes sendo: TackleStun Spore, Sleep Powder e Whirlwind. Esse novo kit de movimentos era realmente interessante, e Ash esperava poder fazer bom uso deles no futuro.

 

Enquanto Ash e seus amigos se maravilhavam com essa nova aquisição à equipe, Seymour olhava para os agentes Rockets desacordados no chão com uma certa dúvida.

 

— E agora? O que fazemos com eles? — Indaga, chamando a atenção do grupo.

 

Ash então recolhe Butterfree de volta para a esfera, decidido a deixá-la descansar por enquanto. Ele então, ao ouvir o comentário do cientista, analisa a situação com cautela.

 

— Bem, não podemos deixar esses caras avisarem os outros. Brock, você tem uma corda aí com você? Não podemos deixar eles escaparem. — Questiona Ash.

 

— Deixa comigo. Eu tenho uma que sempre carrego comigo em minhas viagens de campo. — Responde Brock, começando a procurar a corda em sua mochila.

 

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Posteriormente, após o fim do confronto com os bandidos, Ash e Brock amarraram os seus corpos desacordados e os deixaram apoiados em um rochedo próximo, para que não fugissem e entregassem suas localizações.

 

Em seguida, Ash e os demais decidiram se voltar para o mais importante: a Clefairy que estava sendo perseguida.

 

— Tá tudo bem, Clefairy. Nós viemos pra te ajudar. — Ash fala, tentando tranquilizar o Pokémon.

 

— Clefaaairy... — A Pokémon rosada anda dois passos para trás. A própria, apesar de estar aliviada, ainda permanecia desconfiada do grupo de humanos restantes.

 

— Hum... pelo visto, ela está com medo de nós, temendo que faremos o mesmo que aqueles malfeitores. — Disse o cientista, analisando o comportamento da Pokémon.

 

Serena observava aquela Pokémon encolhida. Ela queria que confiassem neles, mas ela precisava de algo que fizesse a pequena criatura entender que eles não demonstravam ser de ameaça alguma.

 

De repente, uma pequena ideia lhe veio à mente.

 

— Ei, Ash. E se deixarmos os Pokémon tentarem conversar com ela? — Sugeriu Serena. — Talvez, se Pikachu e Fennekin falassem com ela, talvez ela confie mais na gente.

 

— Boa ideia, Serena. — Ash falou, adorando o plano. — Certo, amigão. Tente falar com ela por nós, tá legal? / Pikaaa! — Pediu o moreno e seu Pokémon concordou prontamente.

 

— Hora de sair, Fennekin! — Serena chama sua parceira de fogo para fora.

 

— Fenneekin! — Fennekin latia, esboçando uma feição animada e pronta para a tarefa.

 

— Fennekin, me escute. Aquela Clefairy está com medo de nós, então, quero que vá junto de Pikachu e converse com ela e mostre que não somos pessoas más. Tudo bem? — Explicou a caramelada.

 

— Kin! — Fennekin concordou, entendendo o plano da Treinadora.

 

O roedor elétrico e a raposinha de fogo foram em direção a fadinha medrosa, que ao notar a presença dos dois Pokémon distintos, começou a se acalmar.

 

— Pikapikaachu! Pipipikachu! / Fenneeekinfen! — Pikachu e Fennekin dialogavam com paciência, no que a feição de Clefairy começava a demonstrar surpresa, olhando de relance para os humanos.

 

— Faaairy? — Clefairy indagava em choque.

 

— Olha, Ash! Parece que eles estão conseguindo convencer ela! — Dizia Serena, com o pensamento positivo.

 

— Ótimo! Foi certeira a sua ideia! — Disse Ash, ficando satisfeito com o plano tendo progresso.

 

— Pikachuuu! / Fennekin! — Pikachu e Fennekin confirmavam, e era perceptível a mudança na feição de Clefairy, como se estivesse aliviada e mais relaxada. — Pika? / Fenne? — De repente, Pikachu e Fennekin chamavam para que Clefairy se aproximasse do grupo.

 

Mesmo ainda tendo leve receio, Clefairy assentiu e confiou na dupla de Pokémon, seguindo-os até o quarteto.

 

— Maravilha, gente. Bom trabalho. — Lisonjeia Ash, que junto de Serena, se ajoelhavam para tentar falar com a pequena Pokémon arredondada.

 

— Clefairy, nós não viemos para machucar você. Viemos aqui para ajudar. — Falava Serena.

 

— Queremos que confie na gente. Poderia nos dizer o que está acontecendo? — Ash diz com preocupação na voz. Talvez eles possam saber mais a fundo a motivação da Equipe Rocket, e o porquê eles estavam ali.

 

A Clefairy estava receosa, mas após conversar com aquele Pikachu e a Fennekin, que explicaram que estes humanos eram pessoas de bom coração, ela se sentia mais confiante em pedir o auxílio deles, já que eles demonstraram serem capazes de combater aqueles humanos malvados.

 

— Clefairyfairy! Fairy!! — A Clefairy tentava dialogar e gesticular, e neste momento, Pikachu decidia fazer o papel de intérprete.

 

 — Pikachu, o que ela disse? — Perguntou Ash para o seu parceiro.

 

— Ash, você consegue entender o que o Pikachu diz? — Brock indaga com uma expressão de surpresa.

 

—  Bem... mais ou menos. —  Responde Ash. Ele sabia que, de alguma forma, ele conseguia assimilar o que Pikachu falava. Não que o jovem falasse “Pokémonês”, mas ele conseguia até um certo grau entender os grunhidos e gestos do Pokémon amarelo.

 

— Pikapikachuu! Chupikapichuuu! — Pikachu gesticulava e grunhia de forma que poderia ser tanto fofa quanto engraçada. Suas habilidades de mímica eram notáveis.

 

Ash apenas ouvia e olhava atentamente para o Pokémon elétrico fazendo ações que, à primeira vista pareciam sem sentido, mas eram plausíveis para o Ketchum.

 

— Muito bem. — Ash assimilou toda a mensagem, e se levantou em seguida. — De acordo com que Pikachu ouviu, Clefairy contou que alguns dias atrás, a Equipe Rocket adentrou a caverna e começou a escavar em busca de encontrar fragmentos de Pedra da Lua. E nesse tempo, os Pokémon que moravam na caverna começaram a serem expulsos, e alguns até foram capturados e forçados a mostrar onde esses fragmentos estavam escondidos. Ela foi a única da sua espécie que conseguiu fugir com um deles. — Explicou Ash, deixando os presentes incrédulos com a história. E ao mesmo tempo com a façanha de Ash em ter entendido o Pikachu. O rapaz contou até em detalhes. Era uma habilidade e tanto.

 

— Clefairy... — Clefairy confirmou com um aceno de cabeça, sua feição se entristecendo. Era exatamente essa a situação do Monte Lua.

 

— Clefairy, nós queremos salvar os Pokémon da montanha. Poderia nos mostrar onde eles prenderam as outras Clefairy’s? — A caramelada pediu educadamente para a Pokémon rosada. — É claro que, caso não queira, não vamos te forçar. Mas se você nos ajudar, podemos conseguir salvar os seus companheiros.

 

A Pokémon sabia que a situação era crítica e que voltar para onde seus amigos estavam aprisionados era um grande risco. Contudo, se esses humanos foram capazes de derrotar aqueles dois, talvez eles pudessem resgatar todo mundo.

 

— Clefaa! — Clefairy responde afirmativamente. Ela sentia que havia ganhado confiança, começando a correr alguns metros até parar e acenar para eles.

 

— Parece que ela quer que a sigamos. — Pontuou Seymour.

 

— Vamos indo então, pessoal! — Ash falou, determinado a impedir o que quer que a Equipe Rocket planeja. Era apenas um grupo qualquer de ladrões. Sentia que não haveria grandes dificuldades. — Vamos salvar as Clefairy’s!

 

Com isso, o grupo de Ash começa a correr, seguindo a Clefairy que os guiava pela caverna, de forma a não serem notados pelos demais Rockets.

 

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Em uma parte enorme da caverna, se encontrava um imenso altar com uma rocha esférica brilhante em seu centro. Ao lado dela, um longo e enorme maquinário com um braço robótico que possuía uma broca em sua ponta começava a ser ligado.

 

O barulho de engrenagens e metais colidindo de maneira acelerada podia ser ouvido, enquanto a furadeira gigante perfurava a rocha, que começava a se quebrar, lançando vários pedaços menores de minerais para todos os lados.

 

Quando eles caíam, um pequeno grupo se aproximava para recolhê-los e colocava-os dentro de carrinhos de mineração.

 

— Eu devo dizer: essa tarefa tá sendo mamão com açúcar. Não acha, James? — Jessie indagava com satisfação para o companheiro de equipe.

 

— De fato, Jessie. Podemos dizer que estamos indo bem. — James concordava, com um sorriso presunçoso no rosto.

 

— Meowth! — O Pokémon felino se manifestava após ouvir as palavras da dupla. — É melhor não ficarem tão animados! Esqueceram do motivo pelo qual viemos parar aqui? — Ele questiona, fazendo os dois humanos bufarem.

 

— Aff... É verdade. — Jessie resmunga com desapontamento ao lembrar de um certo detalhe. — Não nos lembre disso, Meowth. Sabemos que não podemos pisar na bola dessa vez.

 

— Isso mesmo. Se não fosse por nossos veteranos, o chefe teria com certeza aplicado uma punição terrível em nós. — James dizia, lembrando-se do enorme pavor que sentiu quando tiveram que aguardar o comando de seu líder que decidiria o destino deles.

 

Foram os minutos mais agoniantes de suas vidas. Dentro de suas mentes, eles amaldiçoavam a dupla de adolescentes que estragaram totalmente a missão do trio.

 

— Exatamente. Dessa vez, o chefe quer resultados. — Meowth fala, colocando suas patas na cintura. — E nossos veteranos também. É a nossa chance de nos redimirmos pela nossa falha. Se conseguirmos concluir nossa missão com sucesso, com certeza o chefe irá reconhecer nossos esforços e nos dará uma boa promoção. — O Pokémon felino bípede falava, esperançoso de que pudessem obter tal conquista.

 

— Eu mal vejo a hora! Quero tanto poder esfregar na cara da Cassidy o nosso sucesso! — Jessie falava com expectativa.

 

— Se eu obter essa promoção, espero me tornar famoso dentro do Ranking da Equipe Rocket! — Disse James, ansiando em se tornar uma figura famosa e respeitada quanto seu ídolo, Bleuross.

 

— E eu quero poder ganhar o respeito e o colo do chefe, para enfim chutar a bunda daquele Persian patético! Meowth! — Meowth exclamava, desejando receber o afago de seu líder supremo.

 

— Clefairy... Clefairy... — Ao fundo, se encontrava uma gaiola enorme, com uma grande quantidade de Clefairy’s confinadas, algumas demonstrando medo, outras tristeza, ao verem seu mineral precioso sendo roubado diante de seus olhos sem poderem fazer nada a respeito.

 

— Haha! Não adianta chorar, pequeninas! — Provocou Jessie.

 

— Vocês não irão a lugar algum! — Complementou James.

 

— E nós vamos roubar todas essas pedras e vendê-las por um belo preço no mercado! A Equipe Rocket vai decolar na grana! — Meowth finalizava, falando de forma altiva sobre o plano da organização.

 

— É melhor tirar o Ponyta da chuva, seu Meowth esquisitão! — A voz de Ash quebrava o clima do grupo.

 

No mesmo instante, uma veia de irritação salta na testa do pequeno felino, que, no impulso, exclama:

 

— QUEM VOCÊ TÁ CHAMANDO DE ESQUISITÃO?!!!

 

No entanto, passado a indignação inicial, o trio Rocket se dá conta de quem surgira nesse momento, e ficam completamente transtornados ao notarem Ash e Serena juntos de outras duas pessoas.

 

— Aqueles são... os dois pirralhos?! — Exclamam Jessie e James em uníssono.

 

— E aquele Pikachu maldito! — Incrementava Meowth.

 

— Aquilo é um Meowth falante?! — Brock e Seymour exclamavam ao mesmo tempo, perplexos com tal descoberta.

 

— É sempre bom receber a atenção, mas para vocês, eu faço questão de que sejam expulsos da plateia. — Meowth debocha, não gostando de ver aquela gente se intrometendo novamente em seus planos.

 

— Então esse é o plano de vocês? Prender as Clefairy’s e roubar os fragmentos da Pedra da Lua? — Interroga Ash.

 

— Exatamente, pirralho. Graças a essas pedrinhas, vamos enriquecer os cofres da organização. — Meowth falou sem rodeios.

 

— Grrr... como ousam?! Essas pedras são a coisa mais valiosa que essas Clefairy’s guardavam, e vocês não só estão a roubando, mas também afetando de forma avassaladora o ecossistema dos Pokémon que vivem no local. Vocês não pensam em nada além dos seus interesses egoístas. Não sentem vergonha?! — Seymour estava totalmente enraivecido com aquela afronta.

 

— Ah cala a boca! Desde quando deveríamos acatar ordens de um quatro-olhos zé ninguém como você?! — Jessie falava em tom de zombaria.

 

— Dessa vez, faremos questão de que sejam enviados pra cadeia! — Declara Serena, esboçando um semblante de descontentamento ao ver aquelas três figuras novamente.

 

— O que foi que disse, sua pirralha insolente?! Eu que farei questão de pôr você em seu lugar! — Jessie respondeu, já sem paciência por essa intromissão.

 

— Por conta de vocês, nossa missão anterior foi um fracasso. Mas isso não ocorrerá novamente. — James também correspondia com o humor descontente de sua companheira.

 

— Meowth! Vão pagar por terem me feito de palhaço! — Meowth fala, expondo suas garras afiadas.

 

— Já derrotamos vocês uma vez, e faremos de novo! — Enfatizou Ash, já com a Poké Ball preparada em sua mão.

 

— Nós iremos libertar as Clefairy’s! — Serena ressaltou com confiança, notando várias delas ao fundo engaioladas.

 

— Ah não vão mesmo, pirralho! / Vamos mostrar para vocês o que acontece quando decidimos levar as coisas a sério! — Jessie falou e James complementou, ambos também sacando as esferas.

 

— Observem! — Nesse momento, Meowth aperta o botão central de um controle estranho que tinha em mãos. E logo após, um barulho alta de sirene ecoa por todo o Monte Lua.

 

— O que é isso?! — Indaga Ash. Tinha a sensação de que não era coisa boa. Esse barulho era um sinal de mau presságio.

 

— Acionamos o alerta de intrusos! / Com isso, os outros membros do esquadrão foram avisados de que essa base foi invadida por vocês! — Informou Jessie e James acrescentou.

 

— Isso é mal! — Serena fala, demonstrando apreensão para com a situação. Seria demais lidar com uma grande quantidade de pessoas.

 

— Droga! — Berrava Brock descontente, já escutando o eco de passos se aproximando em túneis em volta. — Ash, eu farei o melhor para contê-los. Vocês dois precisam cuidar desses caras aí e salvar as Clefairy’s! — O mais velho sugere, rapidamente correndo para o caminho de onde vieram para confrontar os demais Rockets.

 

— Boa sorte, Brock! — Ash disse, desejando o melhor para o amigo. — Nós cuidaremos deles. / Pikaaa! — Ash falou, sentindo-se pronto para o combate.

 

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Brock corria, retornando pelo caminho que passou anteriormente, e ao chegar em um corredor, ele via um grupo de quatro Rockets se aproximando.

 

— Ali está o intruso! Vamos, peguem-no! — Um homem barbudo dos declarava.

 

Com isso, o homem e os demais lançam seus Pokémon para fora.

 

— Rattataaa! / Spearow! / Saaandshrew! / Bellsprout! — Os Pokémon enviados surgem no caminho de Brock, que para seu avanço e se posiciona.

 

O ex-Líder de Ginásio nota que a situação estava totalmente desfavorável para ele, pois ele teria que enfrentar vários oponentes de uma só vez. Obviamente eles não lutavam de forma justa. Era um fato inegável que ele também deveria fazer o mesmo. Desde o começo que adentraram o Monte Lua, as lutas deixaram de serem batalhas convencionais entre Treinadores, e haviam se tornado uma batalha mais perigosa do que havia imaginado.

 

Brock então notava rapidamente que a situação não só o desfavorecia em número, mas também em ambiente. O rapaz notou que, ao olhar para o teto da caverna, notava que o espaço era bem pequeno.

 

“Isso é ruim. Neste lugar, não posso chamar o Onix para ajudar. Iria desabar tudo. Então, acho que está na hora de testar você, amiguinho.” — Pensava Brock, pois aquela era a ocasião perfeita para um teste de sua nova aquisição. Ele então libera os seus Pokémon. — Saiam Geodude e Zubat!

 

— Geooo! / Zuubat! — O Pokémon pedregoso e o morcego aparecem, prontos para lutar.

 

— Tá legal! Eu conto com vocês, pessoal! Não deixem que eles passem! — Declarou Brock, e dessa forma, o combate se iniciava.

 

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— Ekans! / Koffing! Detenham el... — Antes de sequer Jessie e James enviarem seus Pokémon, uma nova voz feminina se faz presente no ambiente.

 

— Parem vocês dois!

 

Choque foi o que tomou a face do trio Rocket, e os dois jovens também puderam perceber até uma certa apreensão.

 

— Sen... Senhorita Rosavia... / E o senhor Bleuross! — Jessie murmurava, e James e Meowth quase que se abraçavam de temor. O olhar que a rosada veterana estava lhes dirigindo era nada além de aterrorizante.

 

— Escuta.... Nós iremos dar um jeito neles! Vocês não precisam... — Jessie ia tentar os convencer, no entanto...

 

— Calados! — Rosavia a interrompia abruptamente.

 

— Faz somente poucos dias que vocês enfrentaram esses jovens, e foram derrotados por eles. — Bleuross, um pouco mais contido que sua companheira, complementa. Assim que os avistaram, os Rockets Rank A já reconheceram aqueles adolescentes. — Por quê acham que seria diferente agora?

 

— Mas senhor... Nós... — James tentava dialogar, mas foi interrompido.

 

— Nada de “mas”! — Rosavia esbraveja. — Fiquem de fora disso! Nós cuidaremos desse empecilho.

 

Ash e Serena observam os recém chegados se aproximando deles, claramente com intenções hostis. Seus uniformes denunciavam isso.

 

— “Ótimo! Mais idiotas para lidarmos!” — Ash amaldiçoava sua sorte. Temia que demorasse demais. Queria o quanto antes libertar aquelas pobres Clefairy’s daquele sofrimento. Mas não importava. Junto de Serena, iriam lidar com o que viessem. Iria mostrar para aqueles bandidos de meia tigela a não prejudicarem mais os Pokémon.

 

No entanto, Ash não esperava que a vida real iria bater na sua porta nesse momento.

 

Aprenderia que o mundo... era muito maior do que ele imaginava.




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