Pokémon: TLD - Capítulo 10: A Hora de Provar seu Valor
Já
haviam se passado três dias desde que Ash e Serena haviam adentrado a Floresta
de Viridian. Durante a estádia no arvoredo, o jovem Treinador de Pallet treinou
intensamente seus Pokémon com o suporte da amiga kalosiana, fazendo os devidos
preparativos.
No
fim, após três dias, Pikachu e Pidgeotto finalmente conseguiram dominar os
movimentos recém adquiridos: Iron Tail e Steel Wing para a
satisfação do moreno.
Agora,
no quarto dia, já de manhã, Ash e Serena continuavam a travessia, tendo plena
ciência de que se estavam próximos de seu destino: a cidade de Pewter.
Ash
já conseguia vislumbrar o fim da floresta diante de seus olhos. A densa copa
das árvores começou a se abrir, revelando um caminho mais claro à distância e,
claro, a luz do sol da manhã. O treinador sentiu sua excitação crescer, seu
corpo tremendo de antecipação e seu rosto adornado por um largo sorriso.
—
Estamos chegando perto, Serena! Eu consigo ver! / Pikachuu! — Exclamou Ash, sua
voz cheia de entusiasmo com Pikachu animado em seu ombro.
—
Finalmente! — exclamou Serena, uma mistura de alívio e felicidade evidente em
sua voz. — Ficamos apenas três dias, mas pareceu uma eternidade. Eu estava
começando a achar que nunca mais sairíamos dela! — Ela admitiu, seu tom de voz
suavizando.
Ash
não conseguiu conter o riso, entendendo seu sentimento.
—
Bem, enfim conseguimos. — Disse Ash, observando a próxima cidade à distância. —
Em breve, irei obter a minha primeira Insígnia de Ginásio. Mal posso esperar.
O
palletiano exalava uma chama ardente por desafio. Ele enfim havia se preparado
da melhor forma que pode com seus Pokémon. Agora, era chegada a hora de colocar
todo o seu esforço a prova.
—
Eu sei que você vai se sair muito bem, Ash! — Respondeu Serena, dando um
sorriso tranquilizador. Ela sentiu a determinação dele, o desejo de vencer. — Estarei
ao seu lado, torcendo por você.
—
Obrigado, Serena! — Respondeu Ash com um sorriso.
Posteriormente,
a dupla continuou seu trajeto de maneira tranquila. Não haveria mais
preocupações sobre a falta de mantimentos e também poderiam descansar
tranquilamente dentro do Pokémon Center da cidade, afinal, por mais que dormir
em barracas fosse confortável, nada supera a sensação de um colchão de verdade.
Após
meia hora de caminhada, Ash e Serena enfim deixaram a floresta, adentrando os
arredores da cidade. A cidade de Pewter era famosa por seus prédios altos, além
de ser cercada por cadeias de montanhas próximas e locais para mineração.
Ash
havia visto um pouco sobre a cidade, mas não pesquisou a fundo sobre ela, além
desses detalhes e também sobre os dois maiores pontos turísticos: O “Museu de
Ciência de Pewter” e o “Ginásio de Pewter”.
Os jovens treinadores então se
dirigiram para o Pokémon Center da cidade, afim de curar seus parceiros Pokémon
por completo, que para a felicidade do grupo, estava localizado próximo da
entrada.
— Serena, por acaso tem algum
problema se, depois de curarmos nossos Pokémon, partimos direto para o Ginásio?
— Indaga Ash para a amiga.
— Não vejo nenhum problema, Ash!
— Respondeu a garota tranquilizando-o. — Além disso, eu também quero muito ver
vocês colherem os frutos do resultado do treinamento e... — Serena parou abruptamente
sua fala, pois quando a porta dupla de vidro do Pokémon Center se abriu.
— Aaaaah! / Pikaaaa! — Gritou Ash,
que acabou esbarrando em um jovem que saía do local. Os dois bateram as cabeças
e caíram para trás ao mesmo tempo. Pikachu por sorte havia se agarrado
firmemente no ombro do rapaz, não se deixando cair.
— Aaaargh! Olha por onde anda,
idiota! — Gritou o outro indivíduo com Ash.
— Ah, desculpe, eu não vi onde eu
estava... — Ash estava prestes a se desculpar, mas interrompe ao ver a pessoa
com quem acabara de colidir. — Espere um minuto... Gary?! — Ash exclama, com os
olhos arregalados de surpresa.
— Espera... Ash?! — Indaga Gary,
com a curiosidade aguçada. Nem em seus maiores sonhos ele imaginaria ver o
Ketchum diante dele naquele momento.
— Tá tudo bem, Ash? — Serena
pergunta, ajudando Ash a se levantar.
— E-ei, Gary! É melhor você não
ter se metido em encrenca, senão... De repente, uma terceira pessoa apareceu na
entrada, procurando pelo homem de cabelo castanho, mas ficou chocada ao ver com
quem Gary estava. — Espera... Ash?!
Ash averiguou a outra figura
atrás de Gary e rapidamente a reconheceu pelo seu chapéu branco e sua regata
azul. Estava óbvio para o jovem de quem se tratava. Era ninguém menos que sua
amiga, Leaf.
— Leaf?! — Ash não imaginava
tamanha coincidência ser possível. Ele não só havia trombado com seu odioso
rival mas também havia se reencontrado com sua amiga.
— Uau! É realmente uma surpresa
encontrá-lo aqui! Acabou de chegar em Pewter? — Perguntou a amiga curiosa,
enquanto Gary se reerguia sozinho.
— Sim. Acabei de chegar.
Pretendia parar no Pokémon Center pra descansar e curar meus Pokémon antes de
seguir para o Ginásio. — Respondeu Ash com um sorriso.
— Entendo. — Leaf respondeu com
um sorriso leve, mas logo desviou o olhar para a garota que estava ao lado de
Ash, reparando na postura tímida e reservada de Serena. A expressão de
curiosidade tomou conta de seu rosto e um sorriso brincalhão se formou em seu
rosto. — Mas... Ash, não vai me apresentar sua amiga? É bem rude da sua parte
fingir que ela não está aqui.
Ash arregalou os olhos,
percebendo que não havia introduzido a kalosiana, e coçou a nuca, visivelmente
envergonhado.
— A-ah! N-não foi a minha
intenção! Desculpa Serena... Eu fui mal-educado. — Ele então fez um gesto com a
mão em direção à companheira. — Leaf, essa é Serena, minha amiga de Kalos. Foi
para ela que pedi que o professor reservasse uma Pokédex extra.
Serena sentiu o coração acelerar
no instante em que foi colocada no centro da atenção. Seu rosto corou levemente
e ela juntou as mãos diante do corpo, forçando um pequeno sorriso.
— M-muito prazer... sou Serena
Yvonne. — disse com a voz baixa, sem conseguir encarar Leaf diretamente.
— Haha! Tá tudo bem, Ash. Eu
estava apenas brincando. — Leaf riu da atitude sem jeito do amigo.
Leaf, percebendo a timidez da
garota, suavizou o olhar e se aproximou um pouco.
— Então você é a Serena? Prazer
em conhecê-la! — Disse de maneira calorosa, tentando deixá-la mais à vontade. —
Mas espera. Você me parece familiar.
Leaf se aproximou, olhando mais
atentamente para a jovem kalosiana, que ficou surpresa com a aproximação
súbita.
Eu sinto que já vi você antes em
algum lugar...
— Bem... na verdade, eu
participei do Acampamento de Verão do professor Oak quando eu era menor. —
Serena mencionou.
— É verdade! Você é aquela garota
que vivia junto do Ash, não é?
Gary, que havia se reerguido e
limpado a poeira das roupas, observava o jovem Ketchum com uma leve carranca.
— Ah! É mesmo! Você deve ser
aquela garota que se perdeu na floresta. Eu lembro que você vivia andando com o
Ash, não é? — Questiona Leaf, lembrando-se vagamente da presença da garota na
época do Acampamento Pokémon.
Apesar de não ter conhecido a
garota na época, ela a reconheceu por sua aparência que se destacava nas demais
crianças, além de ser extremamente afeiçoada com Ash durante um certo tempo
depois do.
— Eeer... é sim. — Respondeu
Serena sem jeito, mas com sinceridade.
Leaf logo em seguida, com um
gesto suave, estende a mão para a jovem Yvonne com um sorriso caloroso.
— Sou Leaf Beech. Também sou de
Pallet, como Ash e Gary. Qualquer amiga do Ash é minha amiga também.
Serena, inicialmente acanhada,
começava a relaxar graças ao gesto acolhedor de Leaf. Apesar de que, por
dentro, um sentimento de desconforto pudesse ser sentido pela garota, não podia
negar o quão amigável ela parecia.
Enquanto isso, Gary se reerguia
do solo sem qualquer assistência por parte de Leaf, o que o irritou. Ele odiava
que Ash tenha simplesmente virado o centro das atenções.
— Quem poderia imaginar que o Lendário
Sonhador conseguiria chegar até aqui? Pensei que você sequer conseguiria
atravessar a Rota 1. — Desdenhava o Oak jovem.
Aquela frase deixou Ash nervoso,
mas nenhum pouco surpreso. Serena também não gostou do tom de deboche de Gary.
— Bem, sinto muito por quebrar
suas expectativas. — Ash disse esboçando uma feição séria e com um tom de
sarcasmo.
Gary não queria admitir, mas
estava incomodado com tal fato. Para ele, Ash Ketchum era nada menos que um “zé
ninguém”, que sequer deveria ter conseguido seu primeiro Pokémon, quem diria
sair de Pallet. Agora, ele estava diante dele, tendo conseguido atravessar o
trajeto da floresta, que era considerado complicado para iniciantes.
Aqueles que poderiam cruzar a
floresta ou eram Treinadores veteranos ou aqueles que tivessem um mapa consigo
para se localizar, sendo este último a exata pessoa que o castanho se
enquadrava.
— É melhor não ficar se achando! —
Apontou Gary, buscando continuar seu menosprezo. — Saiba que ainda está anos
luz atrás de mim e duvido que seja capaz de conquistar ao menos uma Insígnia!
— Como é?! / Pikapika?! — Ash
retrucou, sentindo a raiva começar a subir e Pikachu também não gostou daquela
afronta. — Você fala demais pra alguém que sequer mostrou ter uma Insígnia!
— É mesmo? — Gary esperava por
isso. Ele então procurou em sua mochila e tirou dela seu estojo de Insígnias,
abrindo-o posteriormente, revelando um item valioso. — Então o que acha disso?
— Isso é... — Ash ficou
boquiaberto. O que o jovem Oak estava lhe mostrando era nada menos que um
emblema cinzento, simbolizando uma rocha lustrada. — ... a Insígnia do Ginásio
de Pewter.
— Sim! Consegui ela ontem mesmo.
E quer saber mais, eu consegui logo na minha primeira tentativa. — Disse Gary,
vangloriando-se de sua conquista do distintivo enquanto desdenhava de Ash.
— “Droga... o Gary já
conseguiu. Eu realmente estou ficando pra trás. Preciso ficar mais forte.” —
Ash pensava desapontado consigo mesmo. Ele sentia que não parecia ter
conseguido avançar muito em comparação com seu rival. — I-isso não é nada! Nós
chegamos aqui e também conquistaremos nossa Insígnia, não é mesmo amigão?
— Pikaaa! — Pikachu respondeu com
confiança. Ele estava disposto a se provar para seu Treinador. Foi para isso
que veio até aqui.
— Eita, espera aí! — Gary diz
chocado, finalmente se deu conta da presença do rato elétrico. — Tá brincando?!
É esse o seu Pokémon inicial?! Hahahaha! O vovô devia tá com tanta dó de você
pra te entregar qualquer coisa inútil que estivesse no laboratório!
— Pikaaa... — Aquelas palavras
haviam inflamado a raiva do rato elétrico. Ser chamado de “qualquer coisa” era
um completo insulto, enquanto suas bochechas começavam a concentrar
eletricidade.
Ele estava disposto a eletrocutar
o engomadinho e colocá-lo em seu lugar, não só por ridicularizar seu Treinador,
mas também por chama-lo de inútil.
— Gary! É melhor você não... —
Leaf estava prestes a separar os garotos, quando Serena abruptamente se pôs ao
lado de Ash com uma expressão de poucos para com o castanho.
— Ei! Quem você pensa que é para
menosprezar os outros? — Serena exclamou, indignada com a atitude de Gary.
— Serena... — Ash ficou
impressionado pela amiga tentar o defender.
Aquilo pegou Gary desprevenido.
Aquela garota aparentemente quieta e reservada agora estava o desafiando, e
principalmente, defendendo alguém que considerava uma escória.
Leaf ficou surpresa pela ação de
Serena, o que a ficar feliz pela atitude da garota.
— “Ela parecia tão tímida, mas
quando se tratou do Ash, ela não pensou nem duas vezes em defendê-lo. Serena,
não é? Você acabou de ganhar alguns pontinhos comigo.” — Ria Leaf
internamente.
— Você é o neto do professor Oak,
não é? Como pode ter uma atitude tão ridícula? — Questiona Serena com afinco.
— A-atitude ridícula? — Gary
gaguejou, não esperando se irritar com uma outra garota que não fosse Leaf. Mas
ele não admitiria aceitar tal repreensão. — Escute aqui, sua enxerida. Não me
compare com aquele velhote! Eu sou muito melhor do que ele! Além disso, para
você ter toda essa banca para me desafiar alguém da elite como eu, só posso
assumir que Ash deve ter feito um belo suborno para você ser a advogada dele.
— Gary! É melhor você não colocar
a Serena nisso, senão... — Ash exclamou com raiva. Ele já estava acostumado com
as frases e brincadeiras de mal gosto que sofrera no passado, mas ele não
aceitaria que Serena fosse colocada como alvo.
Aquelas palavras machucaram
Serena. Ela jamais imaginaria que ele iria tão longe para descredibilizar a
amizade genuína que ela possuía com Ash.
Era como se, para ele, Ash
deveria ser alguém sem amigos e ser completamente ignorado por todos a sua
volta.
— Você não sabe de nada. — Serena
falou, juntando toda a sua coragem. — O Ash é uma pessoa incrível e um
Treinador exemplar. Ele também é capaz de ser gentil e humilde com as pessoas
ao seu redor. Além disso, também ama os Pokémon como ninguém. Você pode achar
que é o máximo com toda essa sua pompa toda, mas a verdade é que, por trás
disso, você é apenas um covarde que precisa diminuir os outros para se sentir
superior.
Todos ficaram aturdidos com as
palavras que saíram da boca de Serena como se uma lâmina afiada tivesse cortado
o ar na direção de Gary.
— “Hummm... nossa Serena. Você
acertou no lugar certo.” — Pensava Leaf, enquanto tentava não deixar
transparecer sua risada. Ela claramente sentia que Gary precisava ouvir isso.
— “Uau! A Serena realmente se
importa tanto assim comigo?” — Ash analisava a situação mentalmente, não
deixando-se de sentir aliviado por ouvir o quanto ela o valorizava. Ele ainda
sentia que deveria tomar a frente e confrontar o castanho, mas sentia que
Serena já havia o destruído naquele ponto.
— Chuuuu.... — Pikachu também se
encontrava admirado com a atitude da amiga de seu Treinador. Antes, ele havia
dado seu voto de confiança para ela, mas agora, ela havia conseguido garantir
sua lealdade a ela.
As palavras de Serena caíram
sobre Gary como um trovão. Ele jamais se sentira tão insultado em sua vida e
tudo devido a uma garota que ele mal acabara de conhecer. Tudo por culpa da
existência de Ash.
— “Grrrr... como ela ousa
menosprezar a minha pessoa? Eu sou Gary Oak, aquele que está destinado em ser o
melhor Treinador de toda a Kanto! Ninguém é comparável a mim! Ninguém!” —
Meditava Gary enquanto rangia os dentes, com uma raiva tamanha que sua mente
parecia um turbilhão de emoções negativas. Ele estava prestes a gritar e chamar
ela de todos os nomes horríveis que conhecia, mas... ele se conteve.
Ele sabia que, como um código de
honra dos Treinadores, resolver discussões com violência era algo inaceitável e
repudiável. Ele jamais se submeteria a tal ato baixo, afinal, não só seu ego
não permitia, mas ele também sempre preferia resolver as coisas de maneira
justa e honesta.
Só havia uma forma de resolver
essa situação para ele.
— Interessante, Ashzinho. Conseguiu uma
namorada pra te apoiar. Mas se você está tão confiante assim, por que não
fazemos uma aposta? — Gary sugeriu com um sorriso malicioso.
— Uma aposta? / Pii? — Ambos Ash
e Pikachu indagavam confusos.
— Sim. Vamos fazer o seguinte: se
você conseguir derrotar o Líder de Ginásio de Pewter, eu lhe concederei a
chance de ter uma Batalha Pokémon comigo. Porém, tem que conseguir fazê-lo em
sua primeira tentativa. Mas... como é você de quem estamos falando, duvido que
seja capaz de fazê-lo. O que me diz? — Explicou Gary, convicto de suas
palavras.
— E o que acontece se eu não
conseguir? — Questionou Ash com desconfiança, já que o castanho sequer havia
mencionado essa parte.
— Se você falhar... você terá que
se referir a mim como “Gary-sama”. Além disso, você terá que desistir de se
tornar um Treinador Pokémon e voltar pra Pallet. — Exclamou o jovem Oak.
Leaf não podia acreditar que Gary estaria
sugerindo um acordo tão sem sentido.
— G-Gary! Isso é absurdo! Ash
você não pode simplesmente aceitar esse tipo de acordo! Você não tem que provar
nada pra ele! — Leaf alertava com desaprovação. Era algo impensável de se
fazer.
Para Serena, qualquer pessoa
podia compreender que era simplesmente unilateral essa aposta. Estava claro que
Gary era o único que estaria se beneficiando.
Ash sabia disso. Ele não era
ingênuo em notar o plano de seu rival. Sem falar que, existia também um código
de honra forte entre os Treinadores: quando uma promessa era feita, ela deveria
ser cumprida.
Era um respectivo mandamento que
todos os Treinadores seguiam a risca, e se um juramento fosse quebrado, esse
indivíduo seria mal visto pelos demais, sendo tratado como um paria.
— E então? Vai aceitar o desafio
ou vai fugir como um Weedle que foge de um Spearow, Lendário Sonhador?
Serena esperava que Ash não
caísse nessa armadilha extremamente óbvia. Entretanto, contrariando as
expectativas das garotas, o moreno faz sua escolha.
— Tudo bem, Gary. Eu aceito a
aposta. — Ash respondeu com firmeza e um olhar que exalava confiança.
— Ash?! — Serena disse totalmente
perplexa com a resposta do amigo.
— Então está feito! — Disse Gary satisfeito,
se dirigindo para longe do grupo. Antes de ir, ele para por um momento. Ele
gira levemente a cabeça para trás para dizer algo. — Ah sim. Já ia me
esquecendo. Leaf, você será a nossa observadora. Vá com eles e certifique de
que esse fracassado não tente roubar a aposta.
— Hein?! Desde quando eu
concordei em fazer o que você me manda? — Indaga a garota com raiva pela
exigência do castanho.
— É melhor assim, pois não quero
perder o meu tempo já sabendo do resultado: um massacre completo. Hahaha! Até
mais, Lendário Sonhador! — Disse Gary enquanto saia gargalhando, deixando os
demais para trás.
— Tsc! — Aquele engomadinho de
uma figa! Ele se acha o maioral! — Reclamava Leaf, enquanto batia os pés com
raiva.
Leaf então olha para o amigo e se
aproxima de Ash e o segura pelo colarinho.
— L-Leaf?! — Gritou Serena
abismada com a atitude da garota de chapéu branco.
— Ash, o que você fez foi estúpido!
Como pode concordar com aquele tipo de aposta? Você sabe muito bem que se você
for incapaz de fazê-lo, sua vida será um inferno! — Exclamava Leaf injuriada
enquanto o sacudia.
— É, Ash! Você não tinha que
provar nada para o arrogante do Gary! — Dizia Serena com um tom de aflição.
— C-calma, pessoal! Eu entendo
que vocês estão completamente corretas. Mas tem um real motivo para isso.
Poderiam me ouvir? — Ash tenta se justificar.
Ao ouvir as palavras do moreno,
Leaf decide se acalmar por um momento. Ela então decide aceitar ouvir as razões
do jovem.
— É verdade que eu jamais deveria aceitar tais condições. Porém, é inegável o quanto Gary desde que o conheço me tratou como se eu fosse um incapaz. Principalmente durante a Pokémon Academy, onde ele fazia questão de me humilhar na frente dos nossos colegas de classe, Leaf. Estou farto de ser visto como uma piada. Quero mostrar para ele de uma vez por todas que sou não só capaz de vencer um Líder de Ginásio, mas também ir muito mais além. — Detalhou Ash.
Aquelas palavras fizeram com que
Leaf entendesse. Era de fato verdade. Ash durante sua estádia na Pokémon
Academy, sofreu bullying dos demais colegas de classe, graças a Gary, que
conseguiu usar de sua popularidade para desmotivar o moreno sempre que tivesse
oportunidade.
Por sorte, eram apenas
provocações e zombarias que Ash aprendeu a não dar ouvidos. Mesmo assim, não
fora uma tarefa fácil ser novamente isolado até mesmo em um ambiente escolar.
Serena novamente ficara sentida
com tal revelação. Até mesmo em sua escola, Ash não conseguiu criar laços
graças ao neto do professor.
— Bem, eu entendi, Ash. Mas ainda
assim, como você acha que vai conseguir vencer o Líder na primeira tentativa?
Essa não é uma tarefa tão simples de se realizar. — Disse Leaf ainda
preocupada.
— Tá tudo bem. Eu treinei
bastante para este momento. Graças a ajuda da Serena e dos esforços dos meus
Pokémon, sinto que não iremos falhar. — Respondeu Ash com uma forte
determinação. — Nós vamos derrotar o Brock!
— Pikapika! — Pikachu vibrou com
aquela fala do Treinador.
— Eu também acredito no Ash!
Mesmo que o Gary ou qualquer outra pessoa não crer nele, eu sempre irei confiar
nele! — Disse Serena, enfatizando sua fé inabalável no jovem.
Leaf não pode deixar de sorrir no
fim ao ver o quão otimista todos estavam. Mesmo que ela não admitisse em voz
alta, no fundo, ela queria também crer que era possível.
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Após
o encontro conturbado com Gary, Ash e Serena adentram ao Pokémon Center para
fazer aquilo que haviam combinado. Leaf decidiu ficar com eles, pois não tinha
pressa em partir, além disso, ela estava não só curiosa em ver como seu amigo
se sairia, como também ansiava em esfregar a vitória de Ash e tirar o sorriso
petulante do castanho.
Leaf
decide reservar uma mesa enquanto a dupla se dirigia para o balcão onde se
encontrava a enfermeira.
—
Enfermeira Joy! / Pika! — Cumprimentaram Ash e Pikachu em uníssono.
—
É tão bom revê-la de novo! — Completou Serena com delicadeza.
A
enfermeira de cabelos rosados avaliou a dupla e parecia estar confusa.
—
Olá! Por acaso nos conhecemos antes? Eu não me lembro de ver vocês passando por
aqui.
—
Ué? Você não é a enfermeira Joy? Nos conhecemos na cidade de Viridian. —
Informou Ash.
—
Ah sim! Você deve ter conhecido a minha irmã. — Respondeu Joy finalmente
entendendo.
—
S-sua irmã? — Indagou Serena incrédula.
— Sim, eu sou a irmã mais velha.
Olha só. — Joy apontou para um quadro atrás de si, onde era possível ver um
grupo de enfermeiras Joy reunidas. — Inclusive, eu ouvi coisas muito boas de
vocês dois, Ash e Serena. Quero agradecer também por terem salvado o Pokémon
Center de Viridian. Sem vocês, jamais teríamos salvado tantas Poké Balls. —
Agradece a médica com uma reverência.
— Não há de que, enfermeira.
Apenas fizemos o que era o correto. — Disse Ash meio sem jeito para tal
reconhecimento para eles.
— S-sim! Qualquer um faria o
mesmo! — Serena adicionou.
— Bem, não penso assim. Mas bem,
em que posso ajuda-los? — Perguntou a doce enfermeira.
— Ah sim. Poderia curar nossos
Pokémon, por favor? — Pediu Serena com educação.
— Mas é claro! Só aguarde um
momento que trarei o suporte para Poké Balls. — Respondeu Joy.
— Enfermeira Joy, também gostaria
de pedir que faça a minha inscrição para a Liga Pokémon. Por conta do ataque
dos ladrões em Viridian, não pude realizar meu cadastro. — Ash solicitou,
recordando-se do evento que ocorrera dias atrás.
— Claro que sim. Siga-me. Irei
ajudá-lo a realizar sua inscrição. — Disse Joy com gentileza.
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Depois de alguns minutos, ambos
os Pokémon de Ash e Serena estavam devidamente curados. Pikachu fora o único
Pokémon a ser entregue fora da esfera, algo que Ash precisou explicar
previamente para a enfermeira. Não só isso, como o garoto conseguiu realizar
com sucesso seu cadastro para participar da Liga Pokémon.
A dupla também fez questão de
fazer a reserva de seus quartos, pois planejavam passar a noite no Pokémon
Center e partirem no dia seguinte após Ash conquistar seu distintivo.
Antes de partirem para o Ginásio,
o trio decidiu fazer um pedido na lanchonete dentro do Pokémon Center, para
renovarem as forças e também poder alimentar seus parceiros, com exceção de
Leaf, que já havia feito antecipadamente.
Eles aproveitaram sem pressa para
desfrutar da refeição. Eles já haviam passado pela parte mais cansativa da
viagem até o momento, logo não havia razão para tal desespero. Mesmo que a
aposta de Gary seja algo que Ash encarasse como um obstáculo a ser superado,
ele precisava agir com cautela, pois poderia colocar tudo a perder.
Uma hora depois, após se alimentarem
de hambúrgueres e refrigerante, o grupo estava pronto para seguir em frente.
— Nhac! Nhac! Nossa! Fazia tempo
que não desfrutamos de uma refeição como essa! — Ash falou, enquanto mastigava
o resto do seu hambúrguer.
— Glub glub! Sim! A última vez
que aconteceu foi quando estávamos no Pokémon Center de Viridian! — Disse
Serena com um leve riso, enquanto tomava seu copo de cola.
Ambos não odiavam acampar, mas
com certeza, era inegável que a sensação de comer em um restaurante e descansar
em uma cama confortável era algo que não era possível de substituir.
— De fato. — Concordou Leaf. —
Então Ash, o que vai fazer? Vai direto para o Ginásio? — Questionou em seguida.
— Sim. Eu esperei isso por dias.
Eu mal vejo a hora de ter a minha batalha e conseguir a minha primeira
Insígnia. — Falou Ash ansioso.
— Ora ora. Então você está
querendo desafiar o Brock? — Uma voz masculina homem podia ser ouvida na mesa
de trás.
Ao se virarem, o trio vê um homem
se levantar e se dirigir até a mesa deles.
Diante deles, estava um homem
alto, pele escura, cabelos castanho-escuros curtos e espetados. Ele estava
usando uma camisa amarelo-mostarda de mangas arregaçadas, calça verde, cinto e
botas pretas. A maior peculiaridade do homem eram seus olhos que pareciam estar
fechados.
— Perdoe-me pela minha
intromissão, meus jovens. Mas eu não pude resistir quando ouvi que você vai
desafiar o Ginásio. — O homem disse bem humorado.
— Com licença, mas quem seria o
senhor? E como conhece o Líder? — Questionou Ash, claramente curioso para com
esse detalhe.
— Meu nome é Flint Slate. E como
eu o conheço? Bem, a verdade é que Brock é o meu filho. — Respondeu Flint sem
rodeios.
— SEU FILHO?! — Os três falaram
ao mesmo tempo.
— Sim. E eu digo mais. É melhor
não entrar super confiante, garoto. O Brock é um Treinador bem durão. A maioria
dos Treinadores que o subestimaram, acabaram saindo do Ginásio com nada além de
lágrimas.
Neste momento, Ash se recordou do
relato de Carom, o Poké Ninja. Por mais que ele estivesse em desvantagem por
conta de seus Pokémon tipo Inseto, um Líder de Ginásio ainda é um Líder de
Ginásio.
— Nossa. Esse Brock deve
realmente ser um baita Treinador. — Leaf comenta.
A jovem Beech não havia visto a
batalha de Gary, portanto, não conhecia o Líder, mas ela já havia ouvido
comentários semelhantes de alguns Treinadores durante sua chegada na cidade, o
que comprovava que de fato Brock era um adversário aterrorizante.
— Com certeza, mocinha. Ele na
verdade se tornou um excelente Líder de Ginásio. Muito melhor do que um dia eu
já fui. É uma pena que isso irá chegar ao fim em breve. — Disse Flint, não
conseguindo deixar de exaltar a imagem de seu filho.
— O que quer dizer com isso? —
Serena indaga, não entendendo o que o homem quis dizer.
— Brock deixará seu cargo de
Líder de Ginásio. Este será o seu último dia exercendo seu dever. — Informou
Flint com uma leve tristeza em seu tom. — Ele planeja partir amanhã em uma
jornada pessoal para realizar seus sonhos. Por conta disso, estarei reassumindo
o cargo por um tempo.
— “Entendi. Então, se eu
quiser derrotá-lo, terá que ser hoje sem falta.” — Pensava Ash, sentindo-se
ainda mais pressionado a conseguir a vitória.
— Inclusive, vim até aqui para
recuperar os Pokémon do meu filho e retornar ao Ginásio. Se não se importarem
em aguardar mais um pouco, eu ficaria feliz em guiá-los até lá. — Disse Flint,
esboçando um leve sorriso.
— Nossa! Isso seria ótimo! /
Pikachu! — Ash adora a sugestão do homem e não pensa duas vezes em aceita-la,
pois de qualquer forma, ambos estavam seguindo rumo ao mesmo destino.
Flint não pode deixar de rir
daquela reação alegre e energética do rapaz. Ele esperava que ele pudesse
entregar um bom desempenho em batalha.
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O grupo então decidiu
pacientemente aguardar até que Flint resgatasse os Pokémon de seu filho, agora
devidamente com a saúde restaurada, o que não demorou mais do que quinze
minutos.
Posteriormente, o grupo seguiu
Flint que guiou-os até o Ginásio, que incrivelmente era dentro de sua
residência. Conforme se aproximavam do local, Ash sentia seu coração bater mais
rápido, como se toda a empolgação e ansiedade aumentassem a cada passo.
O trio ficou impressionado com um
prédio feito com material rochoso, com uma escrita gravada com no topo da
estrutura com o letreiro do nome do Ginásio.
Eles se atravessam o caminho de
pedras menores empilhadas, fazendo uma trilha que guiava até o imponente portão
vermelho de aço. Flint vai até lá e abre a entrada, levando os jovens para
dentro.
Rapidamente, ao atravessarem o
corredor iluminado, Ash se depara com uma imagem que marcaria a sua vida.
Diante de seus olhos, se
encontrava uma arena de batalha semelhante ao qual ele já havia visto nas fitas
VHS de gravações de competições da Liga Pokémon.
Entretanto, o que diferenciava o
campo era que ele era preenchido por um solo arenoso e rochas de tamanhos
variados espalhadas. Um perfeito campo para os Pokémon do tipo Pedra.
— Uau... / Pika... — Impressionavam-se Ash e
Pikachu. — Então é assim que é dentro de um Ginásio Pokémon.
— É a sua primeira experiência
adentrando um Ginásio? — Uma voz questiona, deixando Ash e as garotas
surpresas.
Eles olham para o outro lado da
arena, em um pequeno palco de pedra, um homem se encontrava sentado na posição
de lótus.
O rapaz, ao qual Ash presumia ser
Brock, possuía uma aparência quase que idêntica à de Flint, com a diferença de
que era uma versão mais jovem. Ele se levantava calmamente e caminhava na
direção do grupo, estando vestido com sua camiseta alaranjada com um colete
cargo esverdeado por cima.
— A-ah sim! Isso mesmo! —
Respondeu Ash. — Eu sempre quis ter a chance de batalhar em um quando começasse
minha jornada.
— Ei, meu filho. Eu trouxe seus
Pokémon, mas junto deles, acabei trazendo um desafiante de brinde. Hehehe. —
Disse Flint com um risinho.
— Entendo. Sejam bem-vindos. Meu
nome é Brock Slate e sou o Líder do Ginásio de Pewter. Vocês todos vieram
desafiar o Ginásio? — Apresentou-se educadamente.
— N-na verdade, meu amigo é o
único que veio pedir pelo desafio. — Disse Serena apontando para Ash.
Ash então com a deixa, dá um
passo a frente, e respirando fundo, decide dizer a frase que esperou anos para
dizer assim que este dia chegasse.
— Meu nome é Ash Ketchum, da
cidade de Pallet. Eu vim aqui para desafiá-lo para uma batalha. — Declarou Ash
com afinco.
— Mais um da cidade de Pallet?
Você já é o terceiro que veio que me desafiar. — Disse Brock, surpreso por ver
tal coincidência ocorrer.
— V-você disse terceiro?! — Exclamou Ash chocado. — E-espera, isso quer dizer que, além do Gary, o Red com certeza já passou por aqui...
— De fato. Um Treinador Pokémon
chamado Reddy Stem já me desafiou e conquistou minha Insígnia. O outro senão me
falhe a memória, era um rapaz chamado Gary Oak. — Detalhou Brock, recordando-se
perfeitamente dos nomes dos desafiantes.
Ash sabia que não deveria ser uma
surpresa. Não quando se tratava de Red, o garoto prodígio da sua cidade.
Analisando a situação, provavelmente ele havia chegado na cidade muito rápido,
o que era assustador, considerando ser a primeira vez que eles saíam em
jornada. Se fosse esse o caso, provavelmente ele já deve estar perto de
conseguir o segundo emblema.
Contudo, Ash sacudia a cabeça,
tentando se livrar de tais pensamentos. Aquele não era o momento de pensar nos
feitos de Red ou de Gary. Ele deveria focar-se apenas em si mesmo. Não no
futuro ou no passado, mas no presente momento.
— Muito bem. Eu aceito seu
desafio, Ash. Inclusive, você chegou em boa hora, já que minha agenda de
desafiantes do dia está vazia. Porém, preciso checar se você fez devidamente
sua inscrição para a Liga Pokémon. Caso contrário, infelizmente, não poderemos
batalhar. — Falou o Líder, deixando claro os procedimentos.
Ash então se recorda de um
momento enquanto fazia sua inscrição no Pokémon Center. A enfermeira Joy
informou que todos os Ginásios exigem uma verificação da confirmação das
inscrições para a Liga. No caso comum, é necessário carregar um documento legal
consigo, todavia, como o rapaz portava uma Pokédex, bastava mostrar a tela do
aparelho que se encontrava os dados salvos.
Brock então avaliou a Pokédex de
Ash, onde confirmou as informações e após uma verificação rápida, notou que não
havia nada de errado.
— Excelente, Ash. Podemos começar
agora mesmo. — Confirmou Brock, devolvendo o aparato pro jovem. — Antes disso
Ash, eu poderia pedir que aguardasse um pouco? Eu tinha prometido aos meus
irmãos que eles poderiam assistir a minha batalha hoje. Poderia esperar apenas
alguns minutos para acomodá-los devidamente?
— Claro! Sem problemas, Brock. —
Responde Ash, não tendo quaisquer objeções com o pedido do Líder.
— Pai, vá chamar o pessoal.
Acredito que eles mal veem a hora de ver uma batalha minha hoje. — Pediu Brock.
— Está bem. É uma excelente
oportunidade para colocarmos o Forrest como um juiz. Acredito que assim ele
conseguirá adquirir experiência. — Concordou o pai de Brock, indo em direção
aos fundos do prédio.
— Forrest? — Indaga Serena, que estava um
pouco atrás de Ash.
— Forrest é o meu irmão novo. Ele
é o segundo mais velho. Meu pai quer que ele aprenda sobre as regras das
batalhas de Ginásio, já que ele está em uma idade próxima de se tornar um
Treinador. — Informou Brock, virando-se para as garotas. — Há propósito, foi
meio rude da minha parte. Quem seriam vocês duas?
— Sou Serena Yvonne, da cidade de
Vaniville em Kalos. / E eu sou Leaf Beech, da cidade de Pallet. — Ambas as duas
se apresentaram uma seguida da outra.
— Você é de Kalos? Uau.
Interessante. — Brock falou surpreso. Ele havia suspeitado da aparência única
da garota de cabelos cor de mel. — O que a fez sair de uma região tão distante
para vir para Kanto?
— E-eu vim para cá, pois... eu
soube que aqui é uma região considerada boa para Treinadores iniciantes. —
Serena explicou com uma risada nervosa.
Ela não conseguia admitir que a
grande razão para ter partido em uma jornada por Kanto foi porque havia feito
uma promessa de infância com Ash de viajarem juntos. Claro, não havia nada de
errado com isso.
Contudo, Serena não queria deixar
óbvio seus sentimentos por Ash. Ela o amava, mas ainda se sentia incapaz de
demonstrá-los com tanta facilidade. Exceto em momentos específicos, onde ela
deixava transparecer mais do que desejava. A jovem kalosiana ainda não se
sentia pronta para expor seu amor à ele. Não ainda.
Sem que a jovem Yvonne notasse,
Leaf apenas observava com um sorriso travesso no rosto. Para ela, estava claro
como o dia que Serena não havia sido sincera em sua resposta e ela sabia
perfeitamente o porquê.
— De fato, é compreensível que
começar por Kanto é uma boa escolha. — Disse Brock com um sorriso. Ele notou
que as razões da jovem eram plausíveis, mas ele sabia que não era apenas por
este motivo. Como um bom observador, o Líder teorizava que o garoto de Pallet
fosse um grande fator nessa decisão.
Mas decidiu não dar bola para
isso e focar no que era de fato importante no momento.
— É um prazer conhecê-las também.
Vocês duas então podem subir para as arquibancadas nas laterais. Ash, você pode
ir se preparando. Em alguns minutos, começaremos a batalha.
Ash fez um aceno de cabeça, e com
isso, ambos foram se preparar até a chegada da família Slate.
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Depois de alguns minutos de
espera, a batalha de Ash e Brock finalmente iria começar.
Enquanto isso, na parte inferior,
Ash e Brock se dirigiram para suas respectivas posições. Forrest, se encontrava
em seu papel de juiz, entendendo que seu papel era observar o confronto e ser
imparcial para com ambos os combatentes.
Pikachu estava no chão ao lado de
Ash. O garoto nativo de Pallet estava ansioso para enfim colocar tudo que
aprendera até o presente momento. O rapaz sabia que a batalha contra um Líder
de Ginásio não seria como as demais, pois a própria detinha um conjunto de
regras a serem seguidas e mecânicas especificas para cada Ginásio, algo que
havia estudado previamente na Pokémon Academy.
Entretanto, Ash se mostrava
focado e seu olhar afiado. Seu oponente estava além dos Treinadores comuns.
Seria um confronto árduo e que um mero deslize seria fatal. Com a aposta sendo
colocada na balança junto da oportunidade única de enfrentar Brock, não havia
espaço para uma derrota.
Durante esse tempo, As garotas se
apoiavam nas barras da arquibancada no canto do ginásio. Do outro lado dela,
estava um grupo de nove crianças, todas sendo irmãos e irmãs do Líder, o que
deixou Serena abismada com o tamanho da plateia.
Flint também decidiu ficar na
parte de cima junto das garotas, pois tinha fé de que o filho poderia lidar bem
com a tarefa de ser o árbitro.
— Nossa. O Brock tem muitos
irmãos. — Serena disse, pois nunca havia visto uma família tão numerosa em sua
vida.
— Sim. Inclusive, é Brock foi o
responsável por cuidar deles. — Respondeu Flint que estava do lado direito de
Serena.
— O que o senhor quer dizer com
cuidar deles? Mas e a mãe deles? — Indaga Leaf confusa do lado oposto.
— Bem... a verdade é que, a mãe
de Brock acabou abandonando a nossa família quando ele tinha seis anos. Ela
pediu divórcio, pois queria seguir o seu sonho na carreira artística e falou
que enquanto tivesse a responsabilidade como mãe, ela jamais poderia alcançar
seu objetivo. Desde o termino do nosso casamento, Brock jurou me ajudar a
cuidar dos irmãos, o que o fez amadurecer durante uma idade bem precoce. — Explicou
Flint com um pesar profundo. — É claro que eu também não posso negar que estou
orgulhoso do homem que ele se tornou hoje, mas é triste para mim ver que ele
teve que abdicar de sua infância e objetivos.
Aquela história havia afetado as
garotas. Elas jamais imaginariam que o Líder possuía uma história tão trágica.
— Isso é terrível... — Murmurava
a kalosiana.
— Eu entendo que ela queria
realizar seu sonho, mas... ela sequer pensou em quanto isso os afetaria? —
Questionava Leaf inconformada. — Isso para mim é puro egoísmo.
— Eu compreendo, mas
infelizmente, não havia nada que eu pudesse fazer para impedi-la. Mas, isso
ficou no passado. Com o tempo, conseguimos nos reestruturar e hoje, todos estão
bem melhores. — Disse Flint, tentando tranquilizar as garotas. — Que tal
voltarmos para a batalha? Acredito que já vai começar.
Flint apontou para o campo, onde
as coisas estavam encaminhando para o início do confronto.
— A batalha entre o desafiante
Ash Ketchum contra o Líder de Ginásio Brock Slate irá se iniciar. Cada um
poderá usar até dois Pokémon durante a batalha. Entretanto, apenas o desafiante
tem o direito de fazer substituições. Não haverá limites de tempo. A batalha só
termina quando um dos Pokémon do adversário for incapaz de continuar ou ser
nocauteado. — Forrest declarou em alto e bom som, ficando satisfeito de ter
lembrado das regras que seu pai o ensinara.
Rapidamente, ambos os Treinadores
sacaram suas Poké Balls, permanecendo em prontidão.
— Está preparado, Ash? — Indagou
Brock. — Saiba que não irei pegar leve.
— Claro! Quando você quiser,
Brock! — Respondeu Ash com confiança.
— Então... vamos começar. —
Declarou Brock, dando um leve olhar de relance para Forrest e seus irmãos na
arquibancada. O homem sabendo que esse seria seu último dia de atuação como
Líder de Ginásio. Não podia decepcioná-los.
— “Aqui vamos nós.” — Ash
divaga, entendendo que o Treinador que estava prestes a enfrentar estava além
dos quais havia derrotado previamente.
Ele fita Serena, desejando poder
honrar todo o esforço que ela depositou para auxiliar no treinamento de seus
Pokémon. Todos se esforçaram muito até aqui, e neste momento, era enfim a hora
de provar o resultado de seus esforços.


